Todos os posts de Pablo Silva

Vindo de uma galáxia muito, muito distante, me tornei o novo membro do Clube dos Cinco, e assim fui me aventurando e me apaixonando pela arte e magia do cinema. Procuro fazer com que minhas matérias e reviews abram margem para maior interação dos leitores Jedi que navegam de guarda-chuva por esta Terra Média.

Crítica: Os Oito Odiados (2015)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O melhor Tarantino desde Pulp Fiction.


A verborragia é um elemento celebrado do cinema de Quentin Tarantino e uma das marcas mais lembradas quando se referem ao diretor. Não se esquecem os emblemáticos monólogos proferidos por Samuel L. Jackson em Pulp Fiction, nem das longas e tensas conversas no bar de Bastardos Inglórios. Com o poder do diálogo, Tarantino consegue o que uma vez Godard exclamou em seu texto: tomar o controle do universo. Com suas falas pronunciadas pelos atores, o cineasta consegue ganhar a atenção de milhões de pessoas e obrigá-las a se concentrarem no seu filme.

Em Os Oito Odiados, o diretor/roteirista tem a ideia de otimizar seus ricos diálogos forçando um grupo de personagens odiáveis de personalidades fortes para conviverem juntos numa cabana durante uma fria nevasca – afinal, John Carpenter havia antes mostrado em seu O Enigma de Outro Mundo que colocar uma porção de pessoas presas num lugar isolado e gelado poderia ser o estopim para uma boa, interessante e conflituosa estória de suspense. Tarantino, porém, não acha suficiente a divergência de personalidades e, para intensificar a desconfiança entre os personagens, enfatiza a diferença de ideologias. O diretor retorna com o caloroso conflito entre ianques e confederados, chegando ao ponto de segregar a cabana entre pessoas do norte e pessoas do sul. Ele o faz para assim criar efervescentes discussões civis de pessoas que muito se odeiam.

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Os diálogos e o roteiro em si, claro, se sobressaem mas não são isolados na linguagem do diretor. Se Tarantino sustenta a desconfiança e o conflito da cabana com o diálogo, ele concretiza o impacto das cenas com sua célebre estilização. Não só a gritaria, a violência escatológica e o banho de sangue fazem o efeito da cena como, por um breve momento, o diretor usa do slow-motion para estender a reação estarrecida que o espectador certamente vai ter.

Outra façanha do diretor – e um charme do longa – é como ele manipula o ambiente e os espaços. Em Cães de Aluguel, Tarantino filmou o longa quase que inteiramente em só um cenário, no entanto, o balcão que abrigou os gangsters foi só cenário para o conflito entre os criminosos. Em Os Oito Odiados, o lugar é um personagem por si só, assim como é a Los Angeles quase mágica de Era Uma Vez em Hollywood, último filme lançado do diretor.

A cabana é cheia de pormenores que fazem o mistério que envolve a estória, da cadeira só usada por Sweet Dave até a porta que fora quebrada misteriosamente. Os oito destinados se confinam naquele pequeno imóvel porque a forte ventania desenhada pelo design de som e a infinita neve faria com que até o espectador mais corajoso fugisse do frio. Para nos confinar no lugar junto aos personagens, o diretor ainda passeia pela cabana com movimentos de câmera leves e inventivos. Inventivo seria inclusive uma boa palavra para o cinema de Tarantino, que apresenta soluções e recursos que impressionam e fazem nosso entusiasmo.


Veredito

O efervescente 8° longa de Quentin Tarantino impressiona não só pelos plot-twists da misteriosa estória, mas pela impressionante e rica linguagem do diretor.

10/10.


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Crítica: Tom & Jerry: O Filme (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers.


Tim Story e a gag como motor da narrativa.



Tom & Jerry: O Filme é, sobretudo, um tributo a série de curtas-metragens animados de mesmo nome. São vários os elementos referenciados da série, como a participação de diversos personagens clássicos da franquia. A rica variedade de sons dos cartoons é restaurada com os barulhos de explosões, bordoadas, pancadas e os famosos gritos escandalosos de Tom. Não por acaso, a decisão de preservar o design animado em 2D dos personagens é uma clara ação de conservar a série animada para, assim como os curtas de Hanna e Barbera, explorar gags da dupla de gato e rato se perseguindo e se digladiando, com os ambientes, criados com CGI, se redefinindo com a ação da dupla. É notável a nostalgia e o apreço que o diretor, Tim Story – responsável pelos dois primeiros Quarteto Fantástico -, tem por esses personagens e por essa franquia.


Se por um lado, o longa é conservador por preservar esse estilo de animação, por outro, ele é revigorante e até mesmo uma oposição por rejeitar a demanda de mercado que prega o 3D e personagens fotorealistas – como O Rei Leão, de 2019, e Sonic: O Filme, que, assim como Tom & Jerry, coloca o animal para interagir com pessoas no mundo real. O grande mérito de Story, portanto, está em como ele anima seus personagens. É recorrente no cinema hollywoodiano, em especial as adaptações de quadrinhos e video games, a rejeição aos elementos fantásticos em detrimento do realismo – no caso da adaptação de Sonic, o ouriço azul foge de seu mundo fantasioso e enfrenta Dr. Eggman no mundo real -, mas Story não foge do cartunesco de Tom & Jerry, pelo contrário, ele o abraça.

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Divulgação/Warner Bros


Por sinal, os melhores momentos do longa são os que remetem aos cartoons clássicos, com gags do gato e o rato perseguindo um ao outro, onde Story por demais estica as cenas com planos longos, dando liberdade para movimentação da dupla em meio aos cenários. A gag se transforma no motor que move a narrativa, com um segmento mais divertido e criativo que o outro – por mais que seja, em suma, sempre o gato perseguindo o rato, cada gag tem sua particularidade e o que a faz especial.

Outro mérito de Story é saber equilibrar o tempo de tela entre seus personagens. Por se tratar de uma mistura entre animação e live-action, ao estilo Space Jam, era necessário uma figura humana de protagonismo para contracenar com a dupla – como Michael Jordan, no caso de Space Jam -, e a tarefa ficou com a carismática Chloë Grace Moretz. O diretor foi eficiente e soube dividir o protagonismo, dando “palco” para a estrela principal da produção, mas sem fazer com que Tom e Jerry fossem apagados por ela. O problema, no entanto, é um recorrente em produções hollywoodianas: o drama humano genérico. Temos criativas gags e personagens interessantes, mas isso em meio a um drama humano que, sinceramente, não importa.


Em suma, o longa tem vários méritos por ser inventivo ao se opor às demandas de Hollywood, mas seu calcanhar de aquiles reside justamente no modelo fabricado pelo cinema norte-americano. Assim como é interminável o ciclo de perseguição entre Tom e Jerry – no final, mesmo após se tornarem amigos, o gato e o rato continuam a perseguir e aborrecer um ao outro -, é constante o ciclo das demandas narrativas que assolam as produções hollywoodianas, por mais criativas e bem intencionadas que elas possam ser.


Veredito

Tim Story proporciona um filme nostálgico e inventivo, suficiente para fazer a diversão do espectador, mas tropeça num problema recorrente de Hollywood.

6/10.

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Crítica: Homem-Aranha (2002)

Aviso: Crítica sem spoilers!

 

O clássico inspira o clássico.

“Mas eu garanto que, como qualquer história interessante… ela é sobre uma garota”, diz Peter Parker (Tobey Maguire), em narração em off. Pela fala de Parker, o diretor Sam Raimi enuncia “abraçar” o romance. Mais que um mero filme de super-herói, Homem-Aranha é um filme de romance e, sobretudo, de fantasia.


Em 2002, era a época dos filmes de fantasia – antes mesmo dos Sci-Fi e dos super-heróis tomarem as telas do cinema -, com O Senhor dos Anéis, Harry Potter e os filmes de Tim Burton. A exemplo das obras mencionadas, Raimi não se compromete com o realismo e com a verossimilhança – como os filmes do Batman de Christopher Nolan -, a fotografia saturada, as atuações hiperbólicas e os próprios poderes do Homem-Aranha evidenciam isso. A intenção do diretor é simplesmente narrar uma história surreal e romantizada do herói. E Raimi é um ótimo contador de histórias, aliás. Ele consegue fazer de uma narrativa universal de bem contra o mal e de um amor improvável ser fascinante com sua energia particular na direção – e ele o faz usando uma rica linguagem (close-ups, contraplanos, slow-motions).

Superman – O Filme, claro, influencia todo e qualquer filme de super-herói. É indubitavelmente um clássico do cinema. E o Homem-Aranha de Raimi parece se inspirar na obra de Richard Donner em diversos aspectos: 1) Raimi não usou apenas as histórias de Stan Lee e Steve Ditko para contar a origem do herói como, certamente, se inspirou no filme de Donner para desenvolver os conceitos que fizeram Peter Parker se tornar o Homem-Aranha. É a completa história de origem; 2) O romance entre Parker e Mary Jane (Kirsten Dunst) recebe a devida atenção de Raimi, assim como Donner se concentra na relação de Superman e Lois Lane. A exemplo disso, a memorável cena do Superman levando Lois para voar, quase como um encontro romântico, é visivelmente reproduzida por Raimi com o Homem-Aranha levando Mary Jane pelos prédios de Nova York. E, não à toa, os finais de ambos os dois filmes terminam com o herói salvando sua amada; 3) A caracterização dos personagens na obra de Raimi é semelhante ao clássico de 1978, com personagens caricatos – e isso não os fazem superficiais, pelo contrário, são personagens ricos – e cartunescos. O próprio vilão, o Duende Verde, interpretado exageradamente por Willem Dafoe, é caricato bem como os cientistas loucos dos anos 1930. Ambos são exemplares de épocas mais românticas. Eles abraçam o romance, a caricatura dos personagens e, principalmente, a fantasia. São como duas histórias em quadrinhos transportadas para as telas.

Mais que semelhanças, são inspirações. É como afirma o químico Antoine-Laurent Lavoisier: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.


Para não dizer que a obra é perfeita, há uma quebra no ritmo na passagem de Peter Parker se formando no colégio e começando a agir como Homem-Aranha, dando a impressão de ciclo completo. O confronto entre Parker e o bandido no prédio abandonado soa como o clímax daquele breve arco sobre grandes poderes e grandes responsabilidades. O que vem a partir disso parece ser um segundo filme, como se fossem dois filmes em um só.

O essencial, no entanto, são os momentos memoráveis, os personagens caricatos marcados no imaginário popular e, principalmente, essa constante referência ao clássico, articulada de forma própria e romantizada por Sam Raimi, um grande contador de histórias.


Veredito

Reverenciando o clássico, Sam Raimi desenvolveu uma obra que marcou época e se tornou uma referência para os filmes de super-herói.

9/10.

5 atrizes que seriam perfeitas para a Batgirl

Qual sua escolha?


Recentemente, no dia de investidores da AT&T, a Warner revelou alguns projetos de filmes e séries com propriedades da DC, e um deles é a nova produção da Batgirl. A produção segue sendo desenvolvida pelo estúdio, no entanto, nenhum nome dos envolvidos foi divulgado, nem mesmo o da atriz que viverá a heroína. Portanto, aproveitando o momento, organizei uma lista de 5 atrizes que, na minha opinião, seriam boas escolhas para o papel da Batgirl. 

Confira:

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Kaitlyn Dever


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Constantemente indicada para interpretar Ellie na série The Last of Us, da HBO, Kaitlyn Dever é uma atriz para ficarmos de olho nos próximos anos. Ela chamou muita atenção após a minissérie Inacreditável, da Netflix, por qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em minissérie ou telefilme.

Inclusive, em entrevista para a Variety, Dever revelou que gostaria de viver a Batgirl nos cinemas, e ainda comentou que acha Robert Pattinson o ator “perfeito para o Batman”. Somasse o talento da atriz com seu interesse de interpretar a personagem. Seria a escolha ideal.

Sophia Lillis



Certamente, das cinco mencionadas da lista, Sophia Lillis é a mais conhecida pelo grande público. A atriz ganhou o mundo com IT: A Coisa, e ficou ainda mais popular com a série adolescente I Am Not Okay With This, da Netflix. Em ambos, Lillis interpreta jovens que procuram novas amizades e identificação no colégio. A atriz conhece bem esse papel, e seria uma boa escolha, caso queiram investir na fase mais jovem da personagem, que frequenta o colégio de Burnside.

A atriz migrou recentemente para o terror, com Maria e João: O Conto das Bruxas, filme que a limita por seus problemas de narrativa. Interpretar a Batgirl, então, seria uma boa para que a atriz demonstrasse mais uma vez seu inegável talento.

Thomasin McKenzie



Thomasin McKenzie aqueceu o coração das pessoas ao interpretar uma judia escondida na Alemanha Nazista em Jojo Rabitt. Indicada ao Critic’s Choice Awards, a neozelandesa caiu nas graças de Hollywood. Ela vai compor o elenco dos grandes lançamentos Top Gun 2 e Last Night In Solo, de Edgar Wright. Com uma carreira promissora e em alta em Hollywood, McKenzie seria um grande talento na pele de Barbara Gordon.

Alexandra Shipp



Confesso que eu gostaria de ver mais do jovem elenco dos X-Men da Fox, não só de Alexandra Shipp como de Tye Sheridan, Sophie Turner, etc. É um elenco de grandes talentos, e Alexandra Shipp é um deles. A atriz interpretou a Tempestade em grande estilo – com mais energia que Halle Berry – e deixou um gostinho de “quero mais” da personagem. Shipp já está familiarizada com grandes franquias e grandes personagens. A Batgirl seria, então, uma oportunidade da atriz reviver uma heroína dos quadrinhos com seu envolvente carisma.

Margaret Qualley



Margaret Qualley não é uma novata em adaptações de quadrinhos. A atriz fez parte do elenco do polêmico Death Note, da Netflix. Mas, principalmente, interpretou uma das hippies de Era Uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino. Pelo filme, Qualley recebeu elogios árduos, chegando a ser mencionada pelo El País como a “nova revelação de Hollywood”, e recebendo a alcunha de “it girl” pelo IndieWorld. Tais elogios são merecidos, até porque roubar o show de Brad Pitt e Leonardo DiCaprio para si não é uma tarefa nada fácil. Qualley é uma atriz prestigiada que, sem nenhuma hipérbole, poderia fazer da Batgirl uma personagem tão popular quanto a Arlequina de Margot Robbie.

5 Dicas de Filmes no Amazon Prime Video

Já em 2021, venho mais uma vez indicar algumas boas opções de filmes presentes em streamings, no entanto, dessa vez vamos indicar alguns filmes que se encontram no catálogo da Amazon Prime Video. Sem mais delongas, confira abaixo:

1- Amnésia (2000)




Amnésia foi o filme que explodiu o diretor Christopher Nolan para o mundo, um dos maiores cineastas de sua geração. Aqui vemos a maioria dos elementos que seriam recorrentes em sua filmografia, como a narrativa não linear, o protagonista de caráter duvidoso, e um thriller psicológico de tensão crescente. O filme é uma ótima opção para conhecer o cinema de Nolan e para qualquer amante de um bom suspense.

2- Psicopata Americano (2000)




Psicopata Americano foi definidor para a carreira de Christian Bale, o filme direcionou o ator para o estrelato e para ser uma das maiores estrelas de Hollywood. Dirigido por Mary Harron, o filme narra a vida vazia de Patrick Bateman, jovem, branco, atraente, que, protegida pela luxúria e riqueza, age como um serial killer durante à noite. Dono de um nonsense estudo de personagem, Psicopata Americano surge como uma boa opção para um filme mais curto, tendo apenas 102 minutos.

3- A Entidade (2012)




De acordo com o estudo chamado The Science of Scare, A Entidade foi apontado como o filme mais assustador de todos os tempos. Se isso é verdade ou não, só você, leitor, pode decidir. O filme narra a chegada de uma família que se muda para uma casa assombrada por um demônio. Pode parecer um tanto quanto clichê, mas como a pesquisa aponta, A Entidade é aterrorizante como poucos.

4- Entre Facas e Segredos (2019)




Rian Johnson, quem te viu, quem te vê. O diretor criticado por Star Wars: Os Últimos Jedi chega ao sucesso com o mistério de Entre Facas e Segredos. O filme narra o misterioso caso de Harlan Thrombey, encontrado morto em seu quarto no seu aniversário de 85 anos. Entre Facas e Segredos nos convida para investigarmos o caso ao lado do detetive Benoit Blanc, interpretado pelo excelente Daniel Craig, e nos apresenta um delicioso mistério para nenhum fã de Agatha Christie colocar defeito.

5- Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu! (1980)



Como as quatro primeiras indicações são de filmes de suspense/terror, irei indicar uma comédia para aliviar. E comédia mais cult não há. Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu! influenciou toda a década de 1980 para as comédias americanas. Com seu humor negro, o filme se tornou um ícone da comédia e ganhou inúmeras continuações. Reúna alguns amigos em frente à TV e se divirta.

Crítica: O Homem do Futuro (2011)

Aviso: Crítica com spoilers moderados.


É natural que obras inspirem outras obras, e o cinema, claro, não foge disso. No caso aqui, O Homem do Futuro, filme brasileiro dirigido por Cláudio Torres, é claramente inspirado na esquemática dos filmes de comédia americanos, De Volta Para o Futuro – em especial a segunda parte da trilogia – é o mais referenciado, por justamente contar com uma trama cheia de viagens no tempo e realidades alternativas, algo que é reproduzido no filme de Torres. E para dar mais um exemplo, De Repente 30 – que por sua vez é inspirado no clássico Quero Ser Grande – parece servir de referência para Torres, pois narra uma narrativa sobre arrependimento onde Jenna viaja no tempo e percebe que a vida não se limita à luxúria e riqueza, como ocorre na jornada de Zero, interpretado por Wagner Moura. Assim, O Homem do Futuro é uma produção brasileira trajada à hollywoodiana.

É notável o valor de produção aplicado aqui, afora os grandes nomes envolvidos como Wagner Moura e Alline Morais, os bons efeitos especiais impressionam para uma produção brasileira, e são competentes quando usados durante as viagens temporais. Por se tratar de viagens no tempo e linhas alternativas da realidade, o longa é uma ficção científica na pura concepção da palavra, e sendo assim, o diretor se dá liberdade para referenciar o gênero de diferentes formas, como nas vestes usadas por Zero na festa à fantasia, na qual ele se veste de astronauta, símbolo da ciência, e cobre o rosto com faixas como o protagonista de O Homem Invisível, clássico sci-fi de terror de 1933.

O que faz o longa funcionar, contudo, é justamente a mistura de gêneros, passando desde a ficção científica, do drama à comédia romântica. Tudo bem encaixado na narrativa. O lado de mais humor da obra, por exemplo, explora bem os mal-entendidos envolvendo passado, presente e futuro desenhados pelas viagens no tempo – como podemos ver na hilária cena em que Zero, vindo de 2011, decide pagar o taxista com Reais, quando, em 1991, a moeda do Brasil era o Cruzeiro. 

Sem contar o forte romance envolvendo Zero e Helena, sempre muito presente no decorrer do longa. Tudo bem mesclado para formar uma narrativa dinâmica, divertida e repleta de conceitos interessantes. É um filme sobre amor, arrependimento e tempo, como aponta a música Tempo Perdido, do Legião Urbana, por várias vezes tocada durante o filme.

O que me deixou com um gosto amargo ao encerramento da projeção foi justamente a última cena do longa, na qual vemos Zero num final feliz, satisfeito consigo mesmo. Para simbolizar esse momento, o personagem se encontrara dentro de uma limosine, bebendo champanhe, sugerindo que o auge da vida fosse isso, sendo que o próprio filme antes sugere algo diferente ao vermos o protagonista podre de rico mas infeliz, insatisfeito. Me soa como uma mensagem contraditória entre as partes. Acredito que o diretor pudesse filmar este momento de felicidade duma forma mais simples, menos glamourizada. Mas, claro, a cena em especial não estraga o resultado final, que alcança o sucesso sendo um filme divertido, esquematicamente americano, que agrada a qualquer público, como era a intenção.

                  Veredito

Inspirado no modelo de comédias americano, O Homem do Futuro agrada com uma narrativa divertida sobre amor, arrependimento e tempo.
                                  7/10

Crítica: Convenção das Bruxas (2020)

 

Aviso: Crítica sem spoilers!


Convenção das Bruxas, adaptação do livro de Roald Dahl, é um daqueles filmes que se transformaram em clássicos da Sessão da Tarde nos anos 1990. O longa-metragrem encantou, apavorou e deixou as crianças que o assistiam com pesadelos – mesmo sendo uma obra voltada para o público infantojuvenil.

Agora, na era dos remakes e dos reboots, chegou a vez do clássico infantil sobre as bruxas malvadas e carecas ganhar uma nova leitura no cinema. O escolhido para a direção foi o grande Robert Zemeckis, responsável por clássicos como Forrest Gump – O Contador de Histórias e a trilogia De Volta Para o Futuro. O fato é, no entanto, que não conseguimos identificar traços na direção de Zemeckis presentes nas obras memoráveis de sua filmografia. É uma direção sem personalidade, sem brilho, quase que no piloto automático. A sensação que fica é que o trabalho de Zemeckis poderia ter sido feito por qualquer diretor de “aluguel”.

Poucas são as mudanças na história em paralelo com a obra original, dentre elas, a localização dos eventos, que outrora se passavam no Reino Unido, agora se passam nos Estados Unidos, mais precisamente no estado do Alabama. Inclusive, é no Alabama que vemos ocorrer uma diferença significativa na obra: a mudança na etnia dos personagens. Jahzir Bruno interpreta o menino que se depara com as bruxas e a carismática Octavia Spencer dá vida à sua querida avó, dois personagens pretos que são introduzidos à esse encantado conto sobre bruxas malfeitoras. Uma mudança mais que bem-vinda.

Apresentados os personagens – após passarem o primeiro ato construindo a relação do menino com a avó -, chega o momento deles embarcarem numa aventura no mais luxuoso hotel. É curioso, no entanto, como a obra desanda após a aparição da personagem de Anne Hathaway, ao mesmo tempo que somos brindados com uma boa performance da atriz. Ela intimida – apesar do rostinho bonito para ser uma bruxa -, está à vontade no papel e atua com uma energia que lembra Anjelica Huston como a intérprete da bruxa suprema. Contudo, como dito antes, o longa desanda após a aparição da vilã, pois, ao contrário de Anjelica Huston, que era amparada por uma fascinante maquiagem, Hathaway trabalha com um péssimo uso de efeitos digitais. Na sequência da revelação das bruxas no auditório – que se tornou memorável no longa de 1990 – o uso dos efeitos especiais fazem com que as bruxas, ao invés de causarem impacto e pavor, sejam motivo de vergonha alheia para o espectador. A frustração é ainda maior quando vemos que Guillermo del Toro, grande nome da maquiagem no cinema, estava entre os nomes na produção.

Assim, vemos que os elementos que fizeram da fonte original ser tão especial, como a assustadora maquiagem e as apavorantes bruxas, não são presentes aqui, ao contrário, são trocados por vergonhosos efeitos digitais e por bruxas que são mais motivos de risos do que de medo. É melhor ficar com o verdadeiramente assustador conto de 1990.


Veredito

Mesmo com performance inspirada de Anne Hathaway, o remake de Convenção das Bruxas não empolga e se torna até cansativo, mesmo sendo uma versão mais suavizada do clássico infantil das bruxas.

5/10.

Semana Heroica #6 | Homem-Aranha: Do Pior ao Melhor Filme

É corriqueiro ver discussões como: Quem é o melhor Homem-Aranha? Qual é o melhor filme do herói? O que é normal, pois o personagem passou por diferentes versões no cinema, que marcaram gerações distintas de fãs do Amigão da Vizinhança. Há quem prefira um ao outro, aliás é natural que um dos personagens mais populares dos quadrinhos gere discussões.

Dito isso, como fizemos com o Superman e com o Batman, resolvemos listar do pior ao melhor filme do maior herói da Marvel, o Homem-Aranha. Lembrando que contamos na lista apenas os filmes solo do herói, ou seja, não contamos as participações do personagem em Capitão América: Guerra Civil e nos dois últimos filmes dos Vingadores.

Confira abaixo:

8. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014)




Após a recepção morna do primeiro filme, a segunda investida de Marc Webb com o personagem decide ir por caminhos bem diferentes de seu antecessor. Aqui, Webb opta por um melodrama bem piegas e um tom bem cartunesco – algumas sequências do longa chegam a lembrar um desenho animado.

Mas esse não é um cartunesco no bom sentido, os personagens são tão caricatos que chegam a soar o ridículo. Os vilões do Electro de Jamie Foxx e o Duende Verde de Dane DeHaan são os que mais sofrem com isso, sem nenhum carisma. Com um tom inconsistente e vilões fracos, este filme foi responsável por derrubar a promissora franquia de Andrew Garfield como o Cabeça de Teia.

7. Homem-Aranha 3 (2007)



A produção de Homem-Aranha 3 sofreu de um impasse entre o diretor Sam Raimi e o produtor Avi Arad, os problemas de bastidores acabaram sendo refletidos na tela. A vontade de Raimi em contar com o vilão Abutre foi de encontro com o desejo de Arad em colocar o Venom para agradar o público de fãs do personagem. O resultado? A primeira aparição de Venom no cinema foi desastrosa, com uma subtrama completamente desleixada – aliás, subtramas mal desenvolvidas é o que não falta neste filme.

Nem tudo é de todo mal, no entanto, e existem coisas interessantes em Homem-Aranha 3. Como, por exemplo, o emocionante arco do Homem Areia de Thomas Haden Church, ou mesmo o marcante traje preto do Homem-Aranha. Contudo, são coisas que não conseguem salvar a bagunça de planejamento que foi o longa.

6. Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)


Longe de Casa conta com tudo que faz o MCU ser o sucesso que é: uma trama divertida, bom humor, personagens carismáticos e boas cenas de ação. É inegável que esse modelo da Marvel Studios é assertivo, tanto que o último filme do Aranha chegou a bater US$ 1 bilhão na bilheteria. Um grande sucesso.

No caso, Peter Parker embarca numa viagem pela Europa com seus amigos, contudo, surgem inimigos e contratempos que vão atrapalhar a viagem do herói – e fazer a diversão do espectador. Aqui, vemos também o quão a vontade está Tom Holland no papel do Amigão da Vizinhança, provando mais uma vez que a escolha pelo jovem ator para ser o intérprete do personagem foi a decisão ideal. O que pode pesar contra Longe de Casa é que, provavelmente, o longa seja um dos menos memoráveis do herói, pra não dizer esquecível.

5. O Espetacular Homem-Aranha (2012)


O desafio do reboot da franquia dirigido por Marc Webb era grande: suceder a trilogia de sucesso de Sam Raimi que marcou toda uma geração. A obra, claro, não supera os filmes de Tobey Maguire, mas conta com uma reimaginação do personagem e com grandes momentos. Vejo que, muitas vezes, o longa é criticado injustamente pelos fãs.

Aqui, Peter Parker é skatista, não é o nerd da turma e é cinéfilo – pode-se ver um pôster de Janela Indiscreta em seu quarto. As mudanças podem desagradar alguns, mas é algo novo, que difere o personagem da versão de Tobey Maguire. O longa conta com um inspirado visual sob a iluminada Nova York e conta com belas cenas de ação, como, por exemplo, a marcante cena em que o herói salva o garoto na ponte. Afora a inegável química entre Andrew Garfield e Emma Stone, formando um excelente par como Peter Parker e Gwen Stacy. Garfield, aliás, talvez não seja o melhor Homem-Aranha, mas é, com certeza, o melhor ator que interpretou o personagem.

4. Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)


Com a derrocada de O Espetacular Homem-Aranha 2 surgiu a oportunidade de um novo reboot do Aranha, agora pela parceria entre Sony e Marvel Studios, fazendo o personagem ser inserido no universo cinematográfico da Marvel, junto de Homem de Ferro e outros heróis da editora da Casa das Ideias.

O legal dessas obras é que cada versão é bem diferente uma da outra, e a versão de Tom Holland não foge disso. Agora, o herói se torna realmente o Amigão da Vizinhança, agindo no Queens e solucionando pequenos casos, apenas tentando crescer como herói e se tornar um Vingador. E como já dito antes, Tom Holland foi a escolha ideal para o papel do Cabeça de Teia. O jovem ator tem um grande carisma e atua de maneira divertida na dinâmica colegial imprimida pelo diretor Jon Watts. E essa dinâmica adolescente funciona tão bem que rola até referência ao clássico Curtindo a Vida Adoidado, do mestre John Hughes.


3. Homem-Aranha no Aranhaverso


Essa animação foi uma grande surpresa e fez tanto sucesso que venceu o Oscar de Melhor Animação de 2019. Fez tamanho sucesso que popularizou o personagem Miles Morales na cultura pop. O longa tem como seu protagonista o jovem Miles, que, ao ser picado por uma aranha radioativa e ganhar poderes, começa a andar com outras versões do personagem vindas de outras dimensões. Com uma ideia tão interessante, a obra abre margem para a interessante interação de Miles com personagens curiosos como o Homem-Aranha Noir de Nicolas Cage e até mesmo o Porco-Aranha.

Ver Miles interagindo com os outros e aprendendo o que é ser Homem-Aranha com o velho Peter Parker chega ser gratificante, ainda mais para o fã do Aranha. O longa mescla ainda o bom humor com um bom arco dramático de seu protagonista. Em suma, Homem-Aranha no Aranhaverso é um filme que entrega tudo que o fã do personagem anceia e merece ver.

2. Homem-Aranha (2002)


Ao contrário de O Espetacular Homem-Aranha 2, o tom cartunesco funciona muito bem aqui. É como se os quadrinhos de Stan Lee fossem transportados para a tela. Vale lembrar que a primeira investida do Homem-Aranha no cinema quase foi dirigida por James Cameron, e poderia contar com Leonardo Di Caprio para viver Peter Parker. Mas nada disso ocorreu, o escolhido para a direção foi Sam Raimi, antes o diretor da franquia Evil Dead, e para viver o herói o escolhido foi Tobey Maguire – escolhas certeiras.

Raimi comanda aqui uma aventura com momentos memoráveis e personagens marcantes. Rosemary Harris viveu a doce Tia May e JK Simmons deu vida ao rabugento J.J. Jamenson. Afora Willem Dafoe como Duende Verde, um dos vilões mais marcantes da franquia. Todas caracterizações perfeitas de acordo com a ideia de encenação cartunesca de Raimi. Essa foi a primeira vez que vimos o Aranha nas telonas, onde foi introduzido os personagens que tanto amamos e momentos que ficaram marcados no imaginário popular.

1. Homem-Aranha 2 (2004)


Não tinha como ser outro. Homem-Aranha 2 é, com certeza, uma das melhores adaptações de quadrinhos do cinema. Temos aqui um dilema que vemos raras vezes em obras do gênero: deixar de ser Homem-Aranha para poder viver uma vida normal como cidadão ou exercer sua responsabilidade de usar seus poderes para o bem comum? São coisas como esta que engrandecem a grande obra de Sam Raimi.

Este conflito permeia por todo o filme, fazendo o herói até perder seus poderes por um breve momento – sendo o resultado de sua alto insegurança. Ora, além desse conflito interno, Peter precisava conciliar sua vida no trabalho e na faculdade com sua vida amorosa com Mary Jane, e ainda cuidar de sua tia envelhecida. Tudo isso aproxima o personagem do espectador cidadão comum ao mesmo tempo que carrega a essência do herói, que é exatamente ser essa pessoa real com problemas comuns pra resolver. Fora tudo tocado com precisão pelas hábeis mãos de Sam Raimi.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

A quinta parte aconteceu no Instagram e você quem decide qual é o melhor filme do Homem-Aranha:

Confira a segunda parte da Semana Heroica, que aconteceu no CR Comics:

Crítica: Batman Begins (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A pretensa de dar um tom mais sério e sombrio ao filme pode ser percebida desde os créditos iniciais, onde as logomarcas da Warner e DC Comics empregam cores mais escuras e sombrias, indiciando o que vinha por vir em Batman Begins. Aqui, os carnavalescos filmes de Joel Schumacher foram esquecidos, prevalece a visão de Christopher Nolan do personagem e a ideia de transcrever o universo do Batman para um contexto mais condizente com a nossa realidade, sem se esquecer da essencial moralidade do herói dos quadrinhos.

Mesmo aqui, dirigindo um grande blockbuster, um filme de estúdio, Nolan não deixou de abordar as temáticas que fizeram dele um diretor conceituado dentro da indústria, como a moralidade e a psique humana. Em Batman Begins, o tema principal é o medo e, posteriormente, a forma que encontramos para superá-lo. Bruce Wayne, assombrado pela morte de seus pais, resolve viajar o mundo abdicando de seus privilégios e tendo que roubar para sobreviver com o propósito de conhecer a mente criminosa. Após entrar em contato com essa nova perspectiva e se envolver com a Liga das Sombras, um grupo de assassinos com ideologias extremas contrárias às de Bruce, ele decide regressar a Gotham e usar seu medo de morcegos como uma figura para combater a criminalidade e corrupção que corroem a cidade que seu falecido pai, Thomas Wayne, tanto prezou por ajudar. Essas ideias e conceitos de moralidade evidenciam a pretensão de Nolan e de seus colaboradores de fazer o longa ser algo mais que uma simples adaptação de quadrinhos, mas uma obra especial com uma construção dramática eficaz e personagens multidimensionais.

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Um dos trunfos do longa está em Christian Bale. O brilhante ator, vindo de sucessos como Psicopata Americano, encorporou o personagem de tal forma que, até hoje, foi quem melhor interpretou o herói no cinema. O britânico conseguiu fazer com excelência a dualidade entre o playboy Bruce Wayne e o idealizado Batman. Ele distinguiu bem ambas as figuras: de um Bruce inseguro e assombrado pelo medo para a imagem de um playboy vazio – imagem que serve para não associarem seu nome ao vigilante encapuzado -, e, então, Batman, sua verdadeira face, sua personalidade idealista que acredita na salvação da cidade e aterroriza os bandidos com sua presença assombrosa e uma voz grave concedida pelo ator. Assim, Bale foi um elemento chave para a composição do protagonista de Batman Begins, este que, por sinal, é quase um estudo de personagem.

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Mas nada disso seria possível sem o controle de Nolan na direção. Com o roteiro muito bem escrito por ele mesmo e David S. Goyer, o diretor separou o longa em três atos, Bruce Wayne entrando na Liga das Sombras e se aperfeiçoando, o retorno à Gotham e suas primeiras ações como Batman e, finalmente, o embate contra Ra’s al Ghul no final. Nolan conduz essa narrativa sem tentar se apressar, com cenas de ação muito bem filmadas, um bom ritmo e que realmente desenvolve o protagonista criando elipses que deixam coerente toda a fase de amadurecimento do personagem, do vingativo Bruce Wayne ao idealista vigilante de Gotham City.

Batman Begins mostrou que poderia ser feito algo a mais em adaptações de quadrinhos, algo mais autoral e corajoso. Um filme marcante que foi um direcionamento não só para suas sequências, mas para as produções posteriores de super-heróis no cinema.


Veredito

Batman Begins trouxe a abordagem mais séria e realista que o público tanto ansiou em ver. Um filme marcante que tem muito à dizer sobre seu protagonista.

9/10.

5 dicas de Filmes para assistir na Netflix

A reabertura dos cinemas já está sendo realizada no Brasil, no entanto, para quem prefere assistir de casa mesmo, venho mais uma vez indicar 5 filmes que podem passar despercebidos por você, caro assinante da Netflix. A lista de filmes abaixo pode ser encontrada no streaming, e conta com os filmes mais versáteis possíveis, desde um filme de guerra até um musical. Confira:

1. Até o Último Homem (2016)

Desmond T. Doss ao ser convocado para a guerra, se nega a segurar uma arma e matar pessoas. A postura gera repercussão e faz com que o soldado seja pressionado por seus companheiros. No entanto, o jovem entende que sua missão não é matar pessoas, e sim salvar.

Só pela sinopse se vê que Até o Último Homem é um dos filmes de guerra mais humanos que você pode ver. O longa consolidou Andrew Garfield como ator e reafirmou Mel Gibson como um grande diretor de Hollywood, ambos indicados ao Oscar.

2. Debi & Loide – Dois Idiotas em Apuros (1994)

 

Dois amigos, no mínimo excêntricos, resolvem viajar para Aspen, no estado do Colorado para devolverem uma maleta cheia de dinheiro que uma moça havia esquecido no aeroporto. No caminho, os dois companheiros passam por altas confusões, enrascadas e situações mais do que hilárias.

Se você busca por uma comédia, um bom entretenimento num fim de noite, Debi & Loide é a escolha certa. Este road movie divertidíssimo foi um dos grandes sucessos de 1994 e se tornou um dos grandes clássicos da comédia.

3. Akira (1988)

 

Em 2019, Neo Tóquio é uma cidade poluída, corrupta e que sofre de atentados terroristas. Em meio a isso, o jovem Tetsuo acaba se acidentando com uma criança com poderes que havia fugido do hospital onde era cobaia. Resultando desse encontro, Tetsuo desenvolve poderes inimagináveis, que o fazem ser comparado ao lendário Akira, responsável pela explosão de Tóquio em 1988.

Akira foi uma das principais obras que mostraram ao público que animação não era coisa só para criança. A obra conta não só com cenas fortes de violência, como também com nudez explícita e uma narrativa que aborda temas como religião e corrupção. Junto de Ghost in the Shell, Akira é uma das grandes obras cyberpunk da cultura pop, e, com certeza, uma das animações mais importantes já produzidas.

4. Os Embalos de Sábado à Noite (1977)

 

Tony Manero trabalha numa loja de tintas e leva uma vida tranquila morando com os pais. Nos fins de semana ele vai com os amigos à discoteca, onde se transforma no centro das atenções e demonstra seu sonho pela dança.

Os Embalos de Sábado à Noite foi um enorme sucesso, lançou John Travolta ao estrelato, dando a primeira indicação ao Oscar para o ator. Um clássico dos anos 70, com uma interessante narrativa sobre sonhos e, especialmente, conta com grandes músicas, clássicos da disco music.

5. Grease – Nos Tempos da Brilhantina (1978)

 

Na Califórnia de 1959, a boa moça Sandy e o popular Danny se apaixonam e vivem o verão perfeito na praia. Quando voltam às aulas, descobrem que frequentam a mesma escola. Danny é popular na escola e na sua turma de amigos, Sandy é o famoso esteriótipo da princesinha, a boa moça. Para ficarem juntos, eles vão ter que mudarem, ao som de muita música.

John Travolta em dose dupla aqui na lista. Talvez esse seja o papel da carreira do ator, em um musical que restaurou o gênero no final dos anos 70. Filme de atmosfera única dos Tempos da Brilhantina, época marcante dos jovens de jaquetas de couro e gel no cabelo dos anos 50. Com atores um poucos velhos para seus papéis, é verdade, mas com uma trilha sonora simplesmente inesquecível.


Confira os 6 quadrinhos mais importantes do Batman, celebrando o Batman Day:

Crítica: Mulan (1998)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Como na China da Dinastia Han imperavam os bons costumes, o papel das mulheres era de se casar e cuidar do lar, enquanto os homens sustentavam a casa e lutavam nas guerras. Quando o exército Mongol invade a China, os homens são convocados para servirem e lutarem por sua nação, ao ver que seu pai velho e doente pudera morrer na guerra, a jovem e espirituosa Mulan decide se passar por homem e ocupar o papel de seu pai no exército chinês – o que revela o caráter progressista e até revolucionário da obra.

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A jovem não se encaixava nas tradições familiares que a sociedade impunha, apesar de se esforçar para isso. Ao ser confrontado por Mulan, orgulhoso, seu pai diz entender que lutar e morrer na guerra é o seu lugar, e que ela deveria entender qual o dela. Mesmo assim, a jovem não se contenta, impulsiva e corajosa como é, se sente no direito de salvar seu pai e servir no exército, provando que ela mesma escolhe seu lugar e define seus limites. Ora, se sua tarefa era honrar sua família, nada mais honroso que lutar por sua nação. Esta é a alma do conto – algo que o remake live-action de mesmo nome parece ter se esquecido -, uma mulher que, acima de qualquer dom ou talento, tem a coragem e a força de vontade para lutar e superar a barreira do conservadorismo.

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Além da força temática, a animação também se mostra ser uma excelente opção de entretenimento, pois é conduzida de forma dinâmica, ágil, mantendo a ação como prioridade. Temos ótimos momentos cômicos, especialmente envolvendo o dragão Mushu, personagem marcante por si só que, assim como Mulan, quer demonstrar seu valor como indivíduo. Assim temos uma das obras mais divertidas e engraçadas da Disney.

A opção pela ação quase que ininterrupta é acertada, ainda mais se levarmos em conta as cenas de ação que são muito bem dirigidas. A sequência da avalanche, por exemplo, tem um grande plano aberto do exército Mongol indo de encontro ao exército chinês, momento tão icônico e grandioso que se equipara a cena da debandada no desfiladeiro de O Rei Leão.

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Mulan não só é um dos melhores expoentes da Era da Renascença da Disney, uma de suas épocas mais ricas, como também é um dos maiores clássicos do estúdio de animação. O longa traz um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.


Veredito

Com uma protagonista cativante, temos em Mulan um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.
10/10

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Crítica: O Estranho que Nós Amamos (2017)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A monótona e tediante rotina das mulheres que residem o internato de garotas na Virginia começa a ficar movimentada quando um homem, cabo do exército ianque na Guerra Civil Americana é encontrado ferido perto da região. As mulheres, em ato de “fé”, decidem então cuidar do soldado inimigo enquanto este se recupera. Ao momento que elas o levam para dentro e fecham o portão de casa, sentimos que iremos acompanhar não só uma relação de afeto entre as partes, mas algo que vai além, muito além.

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É interessante ver que, mesmo sendo uma obra atmosférica, Sofia Coppola opta por um viés naturalista, não fazendo uso de trilha sonora – num lugar extremamente silencioso -, enquadrando em plano longos, sem movimentos bruscos. A atmosfera é criada através das sugestões, dos olhares, das provocações entre os personagens. As cores lavadas e escuras, portanto, não são uma mera opção estética, elas reforçam que essa estória não é calorosa e romantizada como pode se imaginar, mas sim um provocante thriller psicológico que envolve os personagens num conflito brutal.

Coppola, porém, não faz julgamento de seus personagens. Apesar de ocorrerem momentos pesados durante a trama, todas as ações são justificáveis, uma figura de vilania não é estabelecida. A jovem Alicia (Elle Fanning), que poderia ser caracterizada dessa forma, não é uma figura antagônica, ela sim representa a perda da inocência, que, ao ver um homem atraente, coloca seus anseios acima de suas crenças e dos bons costumes. Ela, assim como as outras garotas da casa, quer descobrir o desconhecido, quer algo além daquele internato, como podemos ver por diversas vezes nas cenas em que as garotas observam o horizonte se imaginando fora dali.

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Premiada em Cannes, Coppola entrega aqui uma obra instigante que tem o sugestivo como ponto forte, uma narrativa do ponto de vista feminino, como outros filmes da diretora de Encontros e Desencontros. Mais um bom expoente de uma das melhores realizadoras da sua geração.


Veredito

Sofia Coppola comanda um elenco feminino estrelado em um filme sobre a provocante e perigosa sensualidade sobreposta aos bons costumes.
8/10

Crítica: A Vênus Loira (1932)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Uma mulher difícil de se entender, uma mulher difícil de se interpretar, uma mulher que ora possa parecer a pessoa mais graciosa e amorosa, ora possa parecer o ser mais frio e indolente do mundo. Não conseguimos decifrá-la. Essa é a proposta de A Vênus Loira, nos apresentar um estudo de personagem, afim de interpretarmos as ações e a incerta personalidade da protagonista.

Logo no começo do longa, nos é apresentada Helen Faraday, que, aparentemente, se sente satisfeita e apaixonada pelo marido. Mas por complicações de saúde do mesmo, e por falta de dinheiro, decide voltar a se apresentar nos palcos, que outrora havia desistido para se focar em seu casamento. Com o dinheiro em mãos, o marido parte rumo à Europa para se recuperar e deixa Helen e seu filho Johnny em casa. No entanto, ela não demonstra sentir falta ou se importar com a partida do marido, nos colocando em dúvida sobre o real sentimento que ela tem por ele. Partindo disso, acompanhamos uma série de eventos que nos fazem questionar sobre as ações, decisões e a índole dessa protagonista tão questionável.

Para dar vida a essa personagem tão conflitante, Marlene Dietrich, a diva alemã, entrega uma performance magistral. Ela equilibra perfeitamente os momentos de amor e ternura com os momentos de frieza da personagem, que sempre permanece por cima e não demonstra se abalar sobre qualquer situação. Afora as inventivas apresentações de cabaré, que Dietrich se encarrega de fazer ser um espetáculo.

A Vênus Loira é um ótimo estudo de personagem, com cenas marcantes, grandes atuações e uma história bem contada que nos leva por caminhos diferentes e inesperados. Um filme que, com certeza, merece ser lembrado e reconhecido.


Veredito

Um incomum e exótico estudo de personagem, A Vênus Loira é estrelado magistralmente pela sempre excelente Marlene Dietrich.

8/10.

O elenco ideal para os novos X-Men do MCU

Com a compra da Fox pela Disney, logo mais os mutantes devem ser integrados ao MCU, como foi prometido por Kevin Feige. Agora, a Marvel deve escolher de forma cuidadosa o novo elenco dos X-Men, que passaram por quase 20 anos nas mãos da Fox.

Enquanto as escolhas de casting não são anunciadas, vamos imaginar e sugerir quais seriam as escolhas ideais para o novo elenco dos X-Men do Universo Cinematográfico Marvel. Lembrando que isso aqui não é notícia, mas uma matéria feita de fã para fã, para imaginarmos qual seria um bom elenco para a equipe dos mutantes.

Confira:


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Professor Xavier – Jamie Foxx

Segundo alguns rumores, os novos Professor Xavier e Magneto do MCU podem ter suas etnias trocadas nos novos filmes dos mutantes. Se realmente o MCU decidir fazer essa mudança, Jamie Foxx seria uma excelente escolha. O ator já está familiarizado com o mundo dos filmes de super-herói após interpretar o vilão Electro em O Espetacular Homem-Aranha 2. Logo, o MCU não seria uma grande novidade para o ator vencedor do Oscar. Foxx tem presença e poderia fazer parte de uma caracterização diferente da figura pacifista do personagem, com um Professor Xavier mais impetuoso, de personalidade forte e de grande liderança para os X-Men.

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Magneto – Michael Shannon

Assim como Jamie Foxx, Michael Shannon não é nenhum novato no mundo das adaptações de quadrinhos. O ator interpretou o vilão Zod em O Homem de Aço. Dessa forma, Shannon tem o perfil de vilão ideal para interpretar o Mestre do Magnetismo. Afora que, para viver o personagem que foi brilhantemente interpretado por Ian McKellen e Michael Fassbender, precisamos de um ator que entregue um trabalho equivalente, e Shannon vem demostrando cada vez mais ser um grande ator em performances como em Animais Noturnos e Entre Facas e Segredos.

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Ciclope – Armie Hammer

Sinceramente, seria ótimo ver mais de Tye Sheridan como Ciclope, que interpretou muito bem Scott Summers, mas, diante do reboot total dos X-Men, a escolha fica com Armie Hammer. O ator tem a fisicalidade semelhante a do personagem e tem carisma e alcance suficientes para ser o grande nome de liderança dos X-Men e da raça mutante, algo que nunca foi muito bem explorado no cinema.

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Wolverine – Jack O’Connell

Fato é que não vai ser fácil para nenhum ator substituir Hugh Jackman como Wolverine. O ator viveu o personagem por quase 20 anos e foi o grande nome da franquia Mutante da Fox. Tom Hardy seria o Wolverine perfeito, mas, infelizmente, ele já está envolvido com o Venom, então, a escolha fica com Jack O’Connell. O britânico era um dos favoritos para interpretar o Batman no novo filme do Homem Morcego, mas o papel acabou ficando à cargo de Robert Pattinson. Portanto, o MCU poderia ser uma boa oportunidade para O’Connell mostrar seu talento em produções de maior alcance. Além da aparência semelhante a de Logan, o ator tem ainda a altura ideal, que aproximaria o personagem do Carcaju dos quadrinhos.

Jean Grey – Saoirse Ronan

Não tem como fugir de Saoirse Ronan. A atriz quase foi escolhida para viver Jean Grey nos filmes da Fox, mas optaram por escolher Sophie Turner para o papel da mutante. Ronan vem sendo um dos nomes mais interessantes da indústria, com apenas 26 anos ela coleciona quatro indicações ao Oscar, sendo um dos grandes nomes da sua geração. Ela tem tudo para ser uma excelente Jean Grey, inclusive um bom potencial dramático, caso o MCU decida adaptar (mais uma vez) o arco da Fênix no cinema.

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Tempestade – Sonequa Martin-Green

Sonequa Martin-Green se destacou com a personagem Sasha em The Walking Dead, o que permitiu que a personagem fosse bem mais desenvolvida do que o esperado pelos produtores. Na série de zumbis ela demonstrou ter um bom potencial para o drama e para viver mulheres fortes e destemidas em tela. Ela, com certeza seria uma excelente escolha para viver Ororo Monroe, que antes foi interpretada por Halle Barry e Alexandra Shipp.

Vampira – Kristen Stewart

Juro que a intenção aqui não era fazer uma piada ao escalar a atriz de Crepúsculo para interpretar a Vampira… Kristen Stewart vem demostrando cada vez mais ser uma boa atriz. Vinda de boas performances como em Acima das Nuvens e Personal Shopper, sempre em papéis introspectivos, a atriz ainda demonstrou ter carisma suficiente para viver a Vampira que merecemos ver nas telas do cinema, uma personagem forte e divertida, diferentemente da versão apática de Anna Paquin.

Fera – Joel Edgerton

Um dos atores mais subestimados da sua geração. Joel Edgerton vem sempre entregando excelentes trabalhos como em Guerreiro, Loving e Ao Cair da Noite. O Universo Cinematográfico Marvel seria uma boa porta de entrada para o ator mostrar seu talento para o grande público, e Fera seria um personagem ideal para isso. Hank McCoy precisa ter a junção de uma performance leve com o bom humor do personagem, o que Edgerton demonstrou fazer bem em O Rei, sendo o personagem que servia para descontrair o tom sério do filme. Edgerton tem tudo para ser um excelente Fera, e seria demais ver o diplomata mutante interagindo com os outros integrantes da equipe.

Kitty Pryde – Millie Bobby Brown

Assim como Ronan, não tem como fugir de Millie Bobby Brown. Ela é a escolha mais natural que se possa fazer. Para o papel de Kitty Pryde, imaginamos uma jovem atriz com menos de 20 anos, para ser este nome de leveza e ser a caçula da equipe, o que renderia momentos divertidos da interação dela com os outros membros dos X-Men. Dito isso, Millie Bobby Brown é a escolha ideal. A atriz já está familiarizada com o mundo das grandes franquias, ela participou de Godzilla II: Rei dos Monstros, mas foi com a personagem Eleven de Stranger Things que a atriz explodiu para o mundo. Com Eleven, Brown ainda interpretou uma jovem lidando com poderes na adolescência, o que iria de encontro com a nossa Kitty Pryde, a jovem Lince Negra.

Crítica: Beastars (2019)

Aviso: Crítica sem spoilers.


Beastars tem como objetivo retratar a sociedade em si e suas relações através de um colegial de animais, uma comunidade que, apesar de ser formada por diversas espécies, consegue viver em harmonia, mesmo sendo tão diferentes uns dos outros, algo que qualquer sociedade deve prezar.

É nos pequenos detalhes que o anime consegue emular com exatidão figuras e trejeitos da nossa sociedade; desde a jornalista que anseia por um furo de reportagem sem se importar de expor a imagem de alguém, até o ratinho chefe que grita com seus colegas de trabalho se colocando acima destes. Tudo em torno de um colegial de animais, algo tão nonsense que funciona pelo universo estabelecido. Como diz a coelha anã Haru: Uma dose de fantasia e realidade.

Partindo dessa retratação, o grande trunfo do anime; os personagens, suas personalidades e ações começam a ser implementadas. Legoshi, o lobo bom, o interessante protagonista do anime tem em seu modo curvado de andar o retrato da insegurança que aflige o personagem, ao contrário de Louis, que, confiante, sempre caminha de peito estufado e de cabeça levantada. Sendo mais forte que os outros, Legoshi decide se esconder para aparentar ser inofensivo e não devorar seus amigos. Mas, ao conhecer Haru, seus maiores instintos se despertam, assim como algo dentro de nós se desperta quando conhecemos o que chamamos de paixão.

Juno, por sua vez, tem orgulho de ser uma loba, com sua personalidade forte ela tenta convencer Legoshi de se sentir orgulhoso de sua espécie, assim como ela. Estes personagens, diferentes uns dos outros, fazem com que nós nos importamos com eles, ao mesmo passo que nos identificamos com suas virtudes e medos que são representados em tela.

Beastars, com certeza foi uma ótima surpresa, assim como outros expoentes do bom catálogo de animes da Netflix. E enquanto não chega a segunda temporada, fiquemos ouvindo a marcante abertura do anime feita em stop motion, ao som de “Wild Side“.


Veredito

Fazendo um retrato da sociedade, Beastars constrói uma divertida dinâmica entre os animais residentes do colegial com momentos cômicos e uma interessante relação de amor…

8/10.

Semana Heróica #7: Review | Super-Choque (Fan Film)

Aviso: Review sem spoilers!


Enquanto a Warner Bros. não decide produzir um longa do Super-Choque, temos que nos contentar com obras como essa, o curta metragem “Crônicas de Dakota“, um fan film feito de fã para fã, que nos dá um aperitivo do que poderia ser um filme do jovem herói na tela grande.

Primeiramente, temos que reconhecer as limitações financeiras do curta, que teve um orçamento de cerca de US$ 3 mil, que pode ser evidenciado nos poucos momentos que são usados efeitos especiais e, apesar de serem poucas cenas em que o recurso é utilizado, são bem aproveitados em tela. Mas, a força do curta reside mesmo nos momentos em que vemos Virgil se descobrindo como Super-Choque e também como pessoa, como em breves cenas em que vemos Virgil se relacionando com Richie e seu pai. Essas relações são abordadas de forma orgânica, sem parecerem forçadas desde o texto até a execução.

Mas, por ter uma duração limitada, David Kirkman, diretor e roteirista do curta, acaba por não poder abordar a questão do racismo (questão marcada nas raízes do personagem) e ampliar as relações de Virgil com os outros personagens. O foco aqui está na construção do personagem como herói, em suas primeiras ações como Super-Choque na corrupta cidade de Dakota, algo semelhante a Batman Begins, de Christopher Nolan.

Com atores amadores (que cumprem bem seus papéis) e pouca margem para a ampliação da mitologia do personagem por conta de uma curta duração, o curta de Kirkman cumpre bem sua proposta de nos dar um aperitivo do que poderia vir a ser o nosso amado Super-Choque em um live-action.


Veredito

Sem se alongar muito e indo direto ao ponto, “Super-Choque” cumpre bem seu papel como fan film do jovem herói afro-americano.
6/10

Hans Zimmer comenta sobre seu trabalho em Duna

Em recente entrevista dada à Variety, Hans Zimmer comentou sobre suas composições para a trilha sonora de “Duna“, adaptação do clássico de ficção científica literário que será dirigido por Dennis Villeneuve (“A Chegada“, “Blade Runner 2049“).

O compositor vencedor do Oscar por “O Rei Leão” comentou anteriormente que o livro de Frank Herbert foi muito importante em sua vida e, por isso, este será um dos trabalhos mais especiais em sua carreira.

“Estou trabalhando em diferentes experimentações, e ainda não sei se todas vão aparecer no filme. Mas, garanto que existe uma dedicação muito grande para criar algo diferente, sólido, e que honra a obra de Frank Herbert.”

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Vencedor de um Oscar e amplamente premiado, Hans Zimmer vem sendo um dos compositores mais reconhecidos da indústria. O gigante compositor é sempre requisitado para grandes produções e faz parcerias com grandes diretores do cinema como Christopher Nolan e Dennis Villeneuve.

Duna deve chegar aos cinemas no dia 18 de dezembro de 2020.

O que esperar da terceira temporada de Dark?

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco


Desaparecimentos, viagens no tempo e um suposto apocalipse a caminho: saiba tudo o que esperar da próxima temporada de Dark, série alemã da Netflix que tem a estreia de sua terceira temporada no próximo sábado, 27 de junho.

O trailer abaixo, produzido pela Netflix Alemã, traz um resumo veloz para quem não vai conseguir reassistir as temporadas anteriores a tempo do lançamento.

Um pouco mais sobre as temporadas anteriores:

TEMPORADA 1

Na primeira temporada temos o acontecimento central que gera como consequência todos os acontecimentos posteriores da série: o desaparecimento do jovem Mikkel. Com uma trama complexa, os acontecimentos giram em torno de desaparecimentos misteriosos na cidade de Winden, na Alemanha. Ao longo dos episódios da primeira temporada, conseguimos observar melhor os segredos dos cidadãos da cidade e principalmente suas piores falhas.

Com a ascensão e queda da usina nuclear da cidade, diversos segredos começam a vir a tona e alguns moradores peculiares começam a descobrir a caverna por onde se viaja no tempo, exatamente 33 anos para o passado ou para o futuro. Um homem se suicida no verão e logo em seguida Mikkel e outras crianças começam a desaparecer ao longo do tempo. Isso começa a fazer o povo de Winden começar a se questionar sobre quantos mistérios é possível uma cidade esconder.

TEMPORADA 2

A segunda temporada se passa aproximadamente seis meses depois dos acontecimentos da primeira (sem levar em conta as viagens no tempo). A polícia de Winden forma uma força tarefa pra começar a investigar a fundo os desaparecimentos. Com destaque maior para as múltiplas linhas do tempo, os episódios prometem um gigante nó na cabeça. Começando de onde a temporada anterior termina, podemos ver Jonas viajando para o futuro após uma versão mais velha tentar destruir o portal. Ulrich descobre a caverna e parte em uma jornada para tentar encontrar o filho Mikkel, mas acaba preso num passado ainda mais distante, causando um grande paradoxo temporal.

Diversos outros acontecimentos na trama vão aumentando ainda mais o paradoxo temporal e confusão nos expectadores, começando a se encaixar por um lado no último episódio ao mesmo tempo que novas descobertas colocam a cidade ainda mais em risco: um universo paralelo e um fim do mundo a caminho.

Mais desaparecimentos começam no final da segunda temporada

Teorias para a terceira temporada

O surgimento de uma nova Martha na terceira temporada.

Uma das reviravoltas mais surpreendentes da história foi o universo paralelo, e explicar quantas realidades alternativas existem vai ser um dos maiores desafios para a terceira temporada. Diversas perguntas ficaram sem resposta, e com o desaparecimento de alguns personagens e um apocalipse a caminho, muitas teorias estão sendo discutidas.

A principal teoria é que o pai de Jonas não está totalmente morto. Uma versão de Michael Kahnwald (Mikkel) do mundo paralelo pode estar por trás de tudo e ser a chave para desvendar os mistérios de Dark, teoria comprovada a partir de um personagem misterioso que aparece coberto em um deserto no trailer.

Personagem misterioso no deserto
(Reprodução Netflix/Instagram)

Dirigida por Baran bo Odar, a série chega na Netflix no próximo sábado 27 de junho de 2020, e conta com 100% de aprovação dos críticos do Rotten Tomatoes, desbancando grandes filmes e produções cinematográficas, sendo eleita a “Melhor Série Original da Netflix”.

Boa maratona e até o próximo fim do mundo…

5 Dicas de Filmes para assistir na Netflix

Em meio à uma pandemia, protestos, crises políticas, nada melhor que um filme para descontrair e esquecermos por um momento tantos problemas que nos cercam. Dito isso, preparei uma lista de 5 grandes filmes para você assistir e se deliciar no conforto da sua casa, todos eles disponíveis na Netflix, para facilitar a sua vida.


1. Destacamento Blood (2020)

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Este novo grande filme de Spike Lee estreou na última semana na Netflix e vem recebendo muitos elogios, assim, chega sendo um forte candidato para a temporada de premiações. O filme narra a história de quatro veteranos afro-americanos da Guerra do Vietnã, que retornam a este país para procurarem por um tesouro que haviam enterrado décadas atrás, e também para resgatarem os restos mortais de Norman (Chadwick Boseman), o líder de seu antigo esquadrão que servia como um messias e um verdadeiro líder para os quatro soldados. O elenco conta com nomes como Delroy Lindo, Jonathan Majors, Clarke Peters, Norm Lewis, Isiah Whitlock, Jr. e Chadwick Boseman.

2. Os Brutos Também Amam (1953)

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Shane, ou conhecido no Brasil como Os Brutos Também Amam, é um western marcante que reformulou a imagem do herói de faroeste para um homem discreto, de passado desconhecido e que não glamouriza a violência. O filme narra a história de Shane (Alan Ladd), um pistoleiro de passado desconhecido que, ao chegar em uma região no vale do Wyoming, se encontra e acaba se relacionando com os Starret, família de colonos que acabam o acolhendo. Esta família de rancheiros é pressionada pelos criadores de gado à abandonarem suas terras, assim, Shane acaba se envolvendo no conflito.

3. Docinho da América (2016)

Um filme intimista sobre a jornada de descoberta de uma jovem em chamas. American Honey, ou Docinho da América aqui no Brasil, nos oferece um refrescante drama não convencional sobre a maioridade. O filme conta a história de Star (Sasha Lane), uma jovem de realidade nada agradável que escolhe se juntar a um bando de jovens que atravessam os EUA vendendo assinaturas de revistas de porta em porta. Conforme convive com o grupo, ela vai criando conflitos e interesses amorosos com terceiros.
Falo mais deste grande filme aqui.

4. O Serviço de Entregas da Kiki (1989)

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O Serviço de Entregas da Kiki é uma animação singela, bonita, poética e de uma aconchegante simplicidade proposital, como a maioria das animações do Studio Ghibli. Vale muito a pena conferir esta e outras animações do estúdio, que foram adicionadas ao catálogo do serviço da Netflix recentemente. O filme nos conta a história de Kiki, uma jovem bruxinha que, ao sair de casa pela primeira vez, enfrenta dificuldades de se adaptar em sua nova cidade e fazer novas amizades. Ela então, para se sustentar, adota um serviço de entregas pelo ar.

5. Invocação do Mal (2013)

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Para os amantes do terror, você provavelmente já tenha assistido Invocação do Mal, este terror de James Wan que foi um sucesso de bilheteria em 2013. E caso não tenha assistido ainda, corra e assista logo. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) trabalham para ajudar uma família que vem sendo aterrorizada por uma entidade demoníaca em sua casa.
A premissa de uma casa assombrada pode parecer um pouco batida, mas a inspirada direção de Wan foge disso e se encarrega de fazer de Invocação do Mal um filme que tem potencial para se tornar um grande clássico do terror no futuro.

Crítica: Docinho da América (2016)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Um filme intimista sobre uma jovem em chamas.


A primeira cena de Docinho da América dialoga bem com a protagonista e a ideia do filme no geral, na qual vemos a jovem Star, procurando comida no lixo e cuidando de duas crianças que possuem pais ausentes e não recebem os cuidados adequados para com uma criança. Provavelmente essa também seja a origem de Star, e, porque não, a origem dos outros integrantes da equipe que cruza os Estados Unidos vendendo assinaturas de revistas de porta em porta. Jovens desprovidos de oportunidades e de acompanhamento familiar, um problema grave e real que afeta muitas outras crianças e jovens ao redor do mundo.

Andrea Arnold evoca uma direção com teor bem naturalista, com câmera na mão na maior parte do tempo, bem próxima aos personagens, com um viés quase que documental, ela cria uma maior imersão e uma relação de maior intimidade do espectador com sua protagonista. Ela sabe bem cadenciar a narrativa, sem pressa alguma, equilibrando os momentos mais agitados com os de maior calmaria, nos imergido nessa jornada de altos e baixos da personagem.

Temos aqui dois momentos essenciais para entendermos a protagonista: num primeiro momento, vemos que ela, ao vender uma assinatura para um caminhoneiro, tem uma conversa reflexiva com este sobre sonhos. A conversa nos mostra que Star não quer nada mais que muitos filhos, uma casa própria e uma vida feliz, algo que ela não tivera em sua vida. No outro momento, vemos a protagonista, que ao visitar uma casa de crianças desamparadas por uma mãe viciada, decide comprar comida para estes em um ato de solidariedade, ao ver que estas crianças passam pelos mesmos problemas que ela passou um dia. Através dessa abordagem, entendemos que Star é uma jovem inocente que precisou amadurecer mais cedo que o normal, e nada mais quer do que viver uma vida simples e feliz.

Ao acompanharmos a protagonista passar pelas mais diversas adversidades durante o longa, vemos, na última cena, Star libertando uma tartaruga rumo ao mar. Este momento marca o ato de libertação da personagem, de seu passado e dessas adversidades que surgem na vida. Agora, ela nada com liberdade. Assim ela começa a escrever sua própria história.

Veredito

Com uma grande direção de Andrea Arnold e performances inspiradas de Sasha Lane e Shia LaBeouf, Docinho da América nos oferece um refrescante drama não convencional sobre a maioridade.

9/10.