Aviso: Crítica sem spoilers!
O fan service de Spielberg para si mesmo.
Há sempre realizadores que desenvolvem obras reverentes e nostálgicas com apreço pelos precursores (como o público que Damien Chazelle que relembra com saudosismo da era de ouros dos musicais em seu La Land), pois, finalmente, um realizador, um realizador, assim como o público que pode transformar dos filmes e marcado pelos clássicos. É, então, com uma nova versão de Amor, Sublime Amor que Steven Spielberg pode finalmente fazer sua dedicação, concretizar projeto de fã.
Como dedicatória, o remake de Spielberg é bem sucedido ao restaurar um filme original de 1961 com a recriação da Nova York dos anos 50 e com a emoção da guerra de gangs e, claro, do romance shakesperiano. Tudo é a mesma vibração da longa base e, por mais que alguns nomes não sejam “carrosismáticos” como seus predecessores do clássico – o apenas razoável David Alvarez não se impõe em cena como George Chakiris que venceu o Oscar pelo mesmo papel (Bernardo) – , Spielberg é o responsável por refletir esse “carroisma” que contagia as gerações em sua versão moderna do musical.
Não que as coisas sejam feitas como mudanças um mero do original, nem Spielberg rejeite como o rumor da forma diferente da história, como o cineasta encena, mas não é uma história diferente. Não é mais um dos remakes que apoiam apenas na nostalgia do visualizador e recriam quadro por quadros de cenas do passado. Afinal, é sempre esperar uma visão própria do cineasta que faz seu nome como um dos maiores realizadores do cinema norte-americano desde que surgiram dos confins da nova Hollywood.

Spielberg, que enxerga o espaço como crucial em sua encenação, prima pela realocação de algumas das cenas mais célebres da longa de 1961. O número musical mais emblemático, “America”, em que os porto-riquenhos cantarolam e discutem acerca das oportunidades e o racismo nos Estados Unidos, aplicar de se passar no terraço de um prédio e relocar como ruas de Nova York, adiar o espaço para o diretor de dança do porto e deixar seus coreografias pomposas de dançarem e, além disso, seus trajes atemporais para dançarem e voltarem a mesma discussão do passado – agora nas ruas da América. O próprio musical “Gee, Officer Krupke”, onde os jovens Jets ironizam e se manifestam sobre o abandono familiar, está agora localizado numa delegacia,
Isso vale ade mais as cenas inéditas, que Tony (Anel Egort) como vão para uma igreja, local simbólico que, acima de qualquer diálogo, ou mais diálogos, de paixão, o novo casal “casamento” dos dois jovens apaixonados. Posto dessa forma, neste Amor, Sublime Amor, para além da música e da dança, os cenários narram a história e se mostram palcos de significado sobre os personagens. Além do mais, Spielberg faz remake mais significativo, mas não com mudanças radicais na história base (agora, Tony e Maria não são mais os modelos apaixonados dos anos 60, eles podem sentir seus recebimentos e culpa), pois, 60 anos depois da longa original, o diretor se encontra no lugar que o permite dar mais ambiguidade para a versão urbana de Romeu e Julieta.
Veredito
Apoiado na nostalgia e no imaginário popular de Amor, Sublime Amor, Spielberg faz seu remake virtuoso como mais ambiguidade do que era possível nos anos 1960.
9/10.
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