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Semana Heroica #8 | Crítica: Homem-Aranha 2 (2004)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Homem-Aranha 2 mostra o herói dividido entre seu sonho e sua responsabilidade.


Não é mistério para ninguém que Homem-Aranha 2 é uma das melhores adaptações de quadrinhos que já foram feitas para o cinema, e que também, consagrou o ator Tobey Maguire e o próprio diretor Sam Raimi. com ambos mostrando sua visão do Cabeça de Teia para o cinema. Não é fácil falar sobre um filme como este, já que ele é tão especial, não só garantindo uma grande legião de fãs, mas porque é um dos mais lembrados com carinho pelo público que cresceu vendo o super-herói de Maguire.

Seguindo o sucesso do primeiro filme, ainda lançado em 2002 e usufruindo da mesma fórmula, alterando poucas coisas, a sequência mostra Peter Parker mais maduro como pessoa e herói, morando sozinho e lidando com aluguéis, trabalhando para tentar se sustentar e estudando para garantir seu futuro. Todo este conjunto está bem empregado no longa e mostra a vida dupla que o garoto leva. Salvar Nova Iorque por horas indeterminadas quando Homem-Aranha, estudar, trabalhar e ter motivos para se preocupar com sua tia May (Rosemary Harris) quando Peter – não podemos excluir seu amor por Mary Jane (Kirsten Dunst), a quem ele não consegue trazer para si e contar seu maior segredo.

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Uma vez dedicado aos estudos, Parker ainda é brilhantes, mas se torna relaxado, por conta de ser o Homem-Aranha. Toda essa dualidade é difícil para ele, não conseguindo equalizar tudo. Para piorar a situação, os constantes ataques do Clarim Diário contra o Homem-Aranha o deixam ainda mais pra baixo e nervoso, já que não reflete o que ele é e o que faz. Por outro lado, a situação financeira de sua tia não está nada bem, podendo perder a casa após não pagar a hipoteca ao banco. Além disso, ao descobrir que sua melhor amiga e paixão pode estar saindo com alguém, ele se sente frustrado, começando sua derrocada como herói. 

O pontapé inicial para que ele se sentisse ainda mais estressado e frustrado foi quando, Mary Jane o convida para assistir sua peça, e devido a uma fuga de bandidos e sua atuação como Aranha, ele se atrasa e é proibido de entrar. Mas a tristeza e decepção o toma quando ele vê sua melhor amiga estar nos braços de outro homem, que coincidentemente é filho de J.J Jameson (J.K Simmons), seu chefe no Clarim. Essa decepção despertada em Peter atinge seus poderes, o deixando sem eles e acreditando que sua carreira poderia ir caindo quanto à isso.

Após idas e vindas, sendo ignorado por MJ e tendo conhecido seu ídolo, Otto Octavius (Alfred Molina), que seria o tema de seu trabalho na faculdade acerca do projeto de energia renovável, ele é convidado a ver a experimentação que Otto faria no próximo dia, aberto ao público. E não poderia dar mais errado. O começo do teste foi bem sucedido, usando o trítio para seu projeto, que foi financiando por Harry Osborn (James Franco) e a Oscorp. Com um simples erro matemático, tudo veio por água abaixo, e quando o Homem-Aranha tenta intervir e salvar Otto, já era tarde após o choque que tomou, destruindo o chip inibidor, que lhe dava o total controle de seus tentáculos de metal. A partir de um incidente trágico, nasce o Doutor Octopus, um dos vilões mais marcantes do personagem nos quadrinhos.

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“O poder do sol na palma da minha mão

Corrompido por seus tentáculos e seu maior sonho, Otto invade o banco e tenta roubá-lo, mas não esperava que Peter estivesse lá, e em instantes, o Homem-Aranha surge para confrontar seu inimigo pela primeira vez. Ambos estavam se conhecendo, suas habilidades e estilo de luta, o que garantiu aos dois, maior poder para uma outra batalha. A repetição aqui é colocar novamente a doce Tia May em perigo nas mãos de um vilão. No primeiro filme, o Duende Verde (Willem Dafoe) fez isso. Mas não tira nenhum brilhantismo do filme e só acrescenta ainda mais o drama de Parker no filme.

Para decretar sua decepção, ao ter que ir trabalhar em um evento que reuniu John Jameson (Daniel Gillies), o namorado de MJ, a surpresa está por conta do anúncio de casamento entre os dois e seu melhor amigo, Harry, descontando sua raiva por Peter ser leal ao Homem-Aranha, de quem tira as fotos. A patrulha após o evento, em vez de servir para acalmá-lo, só serviu para deixá-lo ainda mais preso em seu medo e fazê-lo perder os poderes. Estaria em suas mãos decidir o que deve fazer. Sua consulta médica abriu novos olhares, e a ilusão com seu tio Ben (Cliff Robertson) deixou claramente que ele era só um garoto acadêmico, que desistiu de ser o Homem-Aranha para viver sua vida e seus sonhos. Essa cena em convencional, é uma das mais emocionantes e arrepiantes da história do Homem-Aranha nos cinemas, ainda fazendo uma clara referência a HQ Homem-Aranha: Nunca Mais!

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Melhorando seu relacionamento com Mary Jane e com sua tia, além de sempre estar chegando na hora nas aulas da faculdade, Peter era uma nova pessoa, totalmente diferente do velho Peter. Até mesmo conseguiu assistir a peça de sua amiga, mas não foi o suficiente para que ela mudasse de ideia sobre o casamento. Toda esta melhora resultou em uma grande confiança, mas ainda assim, ele tentava se desviar de crimes recorrentes, até que não conseguiu em uma das partes do filme, e como Peter Parker, salvou uma menina de um prédio em chamas. “Coragem”, foi a definição do bombeiro, que ainda contou que um homem morreu em outro andar. Naquele momento, Parker viu o quão era necessário ter o Homem-Aranha na cidade. Não só esse momento, mas a conversa com sua tia, que emociona, o convence ainda mais a voltar a ser o herói. Pequenas coisas o fizeram ganhar uma grande confiança.

Seu retorno e a volta dos poderes s deu quando sua amada entra em perigo, justamente nas mãos do Dr. Octopus, seu grande inimigo no longa. A raiva que tomou conta de Peter, ajudou-o a recuperar seus poderes e voltar como o Teioso. Totalmente, a sequência da luta sobre o trem, é a melhor já feita na trilogia, pois ambos os personagens se entregam, já que cada um conhecia suas habilidades. Toda essa batalha frenética, resultou em Peter parando o trem antes que chegue no fim da linha. É realmente incrível a entrega de Maguire nessa cena. Descrever a cena, é quase impossível, pois passa aos espectadores a importância do herói para os cidadãos de NY, que o ajudam e demonstram seu carinho, após ele esgotar todas as suas forças para salvar os passageiros, colocando em risco seu alter ego. O sacrifício foi reconhecido pelas pessoas, que o carregaram como um verdadeiro herói. E todo o conjunto anterior já mencionado para ganhar mais confiança, e a promessa dos passageiros de que não contariam a identidade à ninguém, faz o Homem-Aranha acreditar que as pessoas ainda são boas.

Vale lembrar que, quando os garotos entregam a máscara, a faixa de Danny Elfman, Farewell, do primeiro filme, começa a tocar, denotando a leveza e o sacrifício de um garoto para salvar centenas.

“Ele é só um garoto, da idade do meu filho”.

Envolvendo a trama de Otto e conectando com a subtrama do ódio do Harry pelo Aranha, que seria resolvida no próximo filme, o final do longa se aproximava, com uma grande reviravolta no terceiro ato, o qual seus melhores amigos descobrem sua identidade. A luta final também não deixou a desejar, e Peter revela a identidade também para seu vilão e ídolo, vendo que, mesmo corrompido pelos tentáculos, Otto ainda era uma boa pessoa no fundo. É isso que o Homem-Aranha tenta fazer; fazer com que as pessoas vejam o melhor de si.

Desistindo daquilo que Otto mais sonha, ele afunda sua máquina e salva a cidade. Por outro lado, Peter também desiste do que ele mais quer na vida, que é namorar a MJ, dizendo que ambos não poderiam ficar juntos, já que ele sabe que terão mais inimigos. Isso mudou totalmente a opinião dela na hora de se asar, deixando seu noivo esperando no altar e correndo para os braços daquele que a ama.

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Homem-Aranha 2 brilha em atuação e um roteiro bem construído, tornando o herói e seu vilão mais humanizados do que nunca, com os problemas da sociedade em si e de suas vidas em particular. Tobey Maguire e Alfred Molina entregam aqui, tudo de si, com uma atuação de grande nível de ambos os atores, dramatizando seus personagens ainda mais. Será difícil ver um futuro filme do herói onde o protagonista e o antagonista atuam no mesmo nível.

Não podemos esquecer da clássica trilha de Danny Elfman, sendo este sua última composição para o Homem-Aranha. Toda a leveza e o tom heroico, fazem o ambiente do filme, e que realmente combina com ele. Torna tudo mais épico, especial e memorável, como o web-swing no final, repetindo o final de Homem-Aranha 1.


Veredito

Realmente, não é fácil descrever uma das grandes obras-primas dos filmes de heróis, e há muita coisa ainda que poderia ser falada aqui, mas não foi, como a preparação de terreno para o novo filme, que teria seu melhor amigo como vilão. Mas, pode ficar para uma outra matéria ainda mais detalhada. 

Em suma, Homem-Aranha 2 acerta em tudo que há de bom na mitologia do herói, mostrando a essência do personagem, que inspirava outras pessoas e que também era um humano, assim como todos nós. Sam Raimi consegue usufruir de tudo que as HQs do personagem oferecem, indo do visual do herói aos problemas de um acadêmico. A estrela de Tobey Maguire brilha, assim como a de Alfred Molina, sendo um dos melhores trabalhos dos atores em toda sua carreira, se não for o melhor.

Não só aspectos na história ou elenco, mas o visual, a fotografia do filme e especialmente a trilha sonora, fazem com que a obra seja especial e gratificante, moldando toda a ambientação do filme e o tornando ainda mais inesquecível pelos fã; e que fazem de Homem-Aranha 2 uma real obra-prima a ser desfrutada por todos.

10/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

Semana Heroica #6 | Homem-Aranha: Do Pior ao Melhor Filme

É corriqueiro ver discussões como: Quem é o melhor Homem-Aranha? Qual é o melhor filme do herói? O que é normal, pois o personagem passou por diferentes versões no cinema, que marcaram gerações distintas de fãs do Amigão da Vizinhança. Há quem prefira um ao outro, aliás é natural que um dos personagens mais populares dos quadrinhos gere discussões.

Dito isso, como fizemos com o Superman e com o Batman, resolvemos listar do pior ao melhor filme do maior herói da Marvel, o Homem-Aranha. Lembrando que contamos na lista apenas os filmes solo do herói, ou seja, não contamos as participações do personagem em Capitão América: Guerra Civil e nos dois últimos filmes dos Vingadores.

Confira abaixo:

8. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014)




Após a recepção morna do primeiro filme, a segunda investida de Marc Webb com o personagem decide ir por caminhos bem diferentes de seu antecessor. Aqui, Webb opta por um melodrama bem piegas e um tom bem cartunesco – algumas sequências do longa chegam a lembrar um desenho animado.

Mas esse não é um cartunesco no bom sentido, os personagens são tão caricatos que chegam a soar o ridículo. Os vilões do Electro de Jamie Foxx e o Duende Verde de Dane DeHaan são os que mais sofrem com isso, sem nenhum carisma. Com um tom inconsistente e vilões fracos, este filme foi responsável por derrubar a promissora franquia de Andrew Garfield como o Cabeça de Teia.

7. Homem-Aranha 3 (2007)



A produção de Homem-Aranha 3 sofreu de um impasse entre o diretor Sam Raimi e o produtor Avi Arad, os problemas de bastidores acabaram sendo refletidos na tela. A vontade de Raimi em contar com o vilão Abutre foi de encontro com o desejo de Arad em colocar o Venom para agradar o público de fãs do personagem. O resultado? A primeira aparição de Venom no cinema foi desastrosa, com uma subtrama completamente desleixada – aliás, subtramas mal desenvolvidas é o que não falta neste filme.

Nem tudo é de todo mal, no entanto, e existem coisas interessantes em Homem-Aranha 3. Como, por exemplo, o emocionante arco do Homem Areia de Thomas Haden Church, ou mesmo o marcante traje preto do Homem-Aranha. Contudo, são coisas que não conseguem salvar a bagunça de planejamento que foi o longa.

6. Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)

Longe de Casa conta com tudo que faz o MCU ser o sucesso que é: uma trama divertida, bom humor, personagens carismáticos e boas cenas de ação. É inegável que esse modelo da Marvel Studios é assertivo, tanto que o último filme do Aranha chegou a bater US$ 1 bilhão na bilheteria. Um grande sucesso.

No caso, Peter Parker embarca numa viagem pela Europa com seus amigos, contudo, surgem inimigos e contratempos que vão atrapalhar a viagem do herói – e fazer a diversão do espectador. Aqui, vemos também o quão a vontade está Tom Holland no papel do Amigão da Vizinhança, provando mais uma vez que a escolha pelo jovem ator para ser o intérprete do personagem foi a decisão ideal. O que pode pesar contra Longe de Casa é que, provavelmente, o longa seja um dos menos memoráveis do herói, pra não dizer esquecível.

5. O Espetacular Homem-Aranha (2012)

O desafio do reboot da franquia dirigido por Marc Webb era grande: suceder a trilogia de sucesso de Sam Raimi que marcou toda uma geração. A obra, claro, não supera os filmes de Tobey Maguire, mas conta com uma reimaginação do personagem e com grandes momentos. Vejo que, muitas vezes, o longa é criticado injustamente pelos fãs.

Aqui, Peter Parker é skatista, não é o nerd da turma e é cinéfilo – pode-se ver um pôster de Janela Indiscreta em seu quarto. As mudanças podem desagradar alguns, mas é algo novo, que difere o personagem da versão de Tobey Maguire. O longa conta com um inspirado visual sob a iluminada Nova York e conta com belas cenas de ação, como, por exemplo, a marcante cena em que o herói salva o garoto na ponte. Afora a inegável química entre Andrew Garfield e Emma Stone, formando um excelente par como Peter Parker e Gwen Stacy. Garfield, aliás, talvez não seja o melhor Homem-Aranha, mas é, com certeza, o melhor ator que interpretou o personagem.

4. Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)

Com a derrocada de O Espetacular Homem-Aranha 2 surgiu a oportunidade de um novo reboot do Aranha, agora pela parceria entre Sony e Marvel Studios, fazendo o personagem ser inserido no universo cinematográfico da Marvel, junto de Homem de Ferro e outros heróis da editora da Casa das Ideias.

O legal dessas obras é que cada versão é bem diferente uma da outra, e a versão de Tom Holland não foge disso. Agora, o herói se torna realmente o Amigão da Vizinhança, agindo no Queens e solucionando pequenos casos, apenas tentando crescer como herói e se tornar um Vingador. E como já dito antes, Tom Holland foi a escolha ideal para o papel do Cabeça de Teia. O jovem ator tem um grande carisma e atua de maneira divertida na dinâmica colegial imprimida pelo diretor Jon Watts. E essa dinâmica adolescente funciona tão bem que rola até referência ao clássico Curtindo a Vida Adoidado, do mestre John Hughes.

3. Homem-Aranha no Aranhaverso

Essa animação foi uma grande surpresa e fez tanto sucesso que venceu o Oscar de Melhor Animação de 2019. Fez tamanho sucesso que popularizou o personagem Miles Morales na cultura pop. O longa tem como seu protagonista o jovem Miles, que, ao ser picado por uma aranha radioativa e ganhar poderes, começa a andar com outras versões do personagem vindas de outras dimensões. Com uma ideia tão interessante, a obra abre margem para a interessante interação de Miles com personagens curiosos como o Homem-Aranha Noir de Nicolas Cage e até mesmo o Porco-Aranha.

Ver Miles interagindo com os outros e aprendendo o que é ser Homem-Aranha com o velho Peter Parker chega ser gratificante, ainda mais para o fã do Aranha. O longa mescla ainda o bom humor com um bom arco dramático de seu protagonista. Em suma, Homem-Aranha no Aranhaverso é um filme que entrega tudo que o fã do personagem anceia e merece ver.

2. Homem-Aranha (2002)

Ao contrário de O Espetacular Homem-Aranha 2, o tom cartunesco funciona muito bem aqui. É como se os quadrinhos de Stan Lee fossem transportados para a tela. Vale lembrar que a primeira investida do Homem-Aranha no cinema quase foi dirigida por James Cameron, e poderia contar com Leonardo Di Caprio para viver Peter Parker. Mas nada disso ocorreu, o escolhido para a direção foi Sam Raimi, antes o diretor da franquia Evil Dead, e para viver o herói o escolhido foi Tobey Maguire – escolhas certeiras.

Raimi comanda aqui uma aventura com momentos memoráveis e personagens marcantes. Rosemary Harris viveu a doce Tia May e JK Simmons deu vida ao rabugento J.J. Jamenson. Afora Willem Dafoe como Duende Verde, um dos vilões mais marcantes da franquia. Todas caracterizações perfeitas de acordo com a ideia de encenação cartunesca de Raimi. Essa foi a primeira vez que vimos o Aranha nas telonas, onde foi introduzido os personagens que tanto amamos e momentos que ficaram marcados no imaginário popular.

1. Homem-Aranha 2 (2004)

Não tinha como ser outro. Homem-Aranha 2 é, com certeza, uma das melhores adaptações de quadrinhos do cinema. Temos aqui um dilema que vemos raras vezes em obras do gênero: deixar de ser Homem-Aranha para poder viver uma vida normal como cidadão ou exercer sua responsabilidade de usar seus poderes para o bem comum? São coisas como essa que engrandecem a grande obra de Sam Raimi.

Esse conflito permeia por todo o filme, fazendo o herói até perder seus poderes por um breve momento – sendo o resultado de sua alto insegurança. Ora, além desse conflito interno, Peter precisava conciliar sua vida no trabalho e na faculdade com sua vida amorosa com Mary Jane, e ainda cuidar de sua tia envelhecida. Tudo isso aproxima o personagem do espectador cidadão comum ao mesmo tempo que carrega a essência do herói, que é exatamente ser essa pessoa real com problemas comuns pra resolver. Tudo tocado com precisão pelas mãos de Sam Raimi.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

A quinta parte aconteceu no Instagram e você quem decide qual é o melhor filme do Homem-Aranha:

Confira a segunda parte da Semana Heroica, que aconteceu no CR Comics:

Semana Heroica #4 | Marvel’s Spider-Man

Lançado em 2018 para PS4, Marvel’s Spider-Man é um jogo sobre o Homem-Aranha com todas as características do herói, desde seu senso de responsabilidade até a rica galeria de personagens que foram muito bem aproveitados. Tudo isso mesclado a um combate fluído e um web-swing que realmente lembram movimentos que o Aranha realiza em suas HQs.

Focando na galeria de personagens, o visual dos vilões foi reformulado, mesmo assim respeitando o material original:

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Além do traje do próprio Homem-Aranha, a Classic Suit é linda e a Advanced Suit é inovadora.

Personagens como Mary Jane, Tia May e Miles Morales são personagens bem trabalhados, mesmo que sejam coadjuvantes na história. A MJ, principalmente recebeu uma abordagem completamente diferente do convencional, já que transformaram ela numa repórter do Clarim Diário e a tornaram independente, o mesmo ocorre com a May, que além de ser independente, ajuda várias pessoas através do instituto F.E.S.T.A.

A relação de Octavius e Peter como mestre e mentor é um dos grandes pontos do jogo, já que os dois eram melhores amigos e depois se tornaram inimigos mortais, tudo por conta do desejo de vingança de Octavius e a manipulação que ele sofreu por conta dos tentáculos. Você percebe que o Otto não é uma pessoa ruim, mas o seu desejo por vingança mudou tudo e o tornou um super-vilão, que acaba entrando em conflito com a única pessoa que ainda ao seu lado, Peter Parker.

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Doutor Octopus ou Otto Octavius

E assim como em outras mídias, a figura de Peter Parker foi muito bem trabalhada, mostrando todas as dificuldades de ter duas vidas completamente diferentes, uma como herói e outra como uma pessoa comum. Esse dilema é trabalhado no jogo até o final, quando Peter tem que escolher salvar a vida de sua tia ou salvar a cidade. O conflito entre as duas vidas completamente diferentes acaba resultando num final triste, com a morte da May, que em seu leito de morte, revela que sempre soube do segredo de Peter, dando ainda mais profundidade a trama do jogo.

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Marvel’s Spider-Man “pegou” vários elementos da franquia Arkham, mas conseguiu entregar um jogo sensacional do Homem-Aranha, com um roteiro e personagens muito bem trabalhados. Então, sim, o jogo pegou elementos da franquia Arkham, mas conseguiu por mérito próprio, alcançar o título de melhor jogo do Homem-Aranha e melhor da jogo da Marvel.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

Confira a segunda parte da Semana Heroica, que aconteceu no CR Comics:

Semana Heroica #3 | Homem-Aranha

O Homem-Aranha foi criado na década de 60 por Stan Lee e Steve Ditko, fazendo sua estreia na revista Amazing Fantasy #15, e pouco tempo depois, ganhou sua própria revista. O herói fez muito sucesso, principalmente entre os jovens, porque era o primeiro herói adolescente que não era apenas um ajudante de outro herói, mas sim o próprio protagonista de sua própria história. E o melhor de tudo, ele era apenas um cara normal que teve a sorte (ou azar) de ter adquirido aqueles poderes. A questão é que já naquela época, o personagem era visto como “inspiração”, principalmente pelo público nerd que sofria bullying e que estava acostumado com um herói musculoso e perfeito, ao contrário de Peter Parker, um adolescente que era herói nas horas vagas. Mas o fator que tornava Peter Parker tão identificável, era de que como ele era um rapaz tímido e inteligente, e quando colocava o traje, isso tudo mudava e ele se tornava alguém mais confiante.

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E com essa confiança, surgiam as famosas piadinhas que saíam nos momentos certos para tentar desequilibrar o inimigo, o problema é que essa questão de piadas é levada muito a sério pelos fãs, que pensam que o personagem tem que lançar uma nova piada a cada cinco minutos, e se não tiver piadinha, não é o Homem-Aranha. A questão aqui é que o Homem-Aranha não é um comediante de Stand Up pra ficar lançando piadinha toda hora. No início de carreira, Peter só usava esse método para ter mais confiança e deixar o medo de lado, e hoje ele só manda essas “brincadeiras” nos momentos certos, não igual ao Deadpool, que literalmente faz um comentário sarcástico a cada dois quadros. Para finalizar, sim o Homem-Aranha é um herói bem humorado, mas não é comediante pra ficar lançando piada toda hora.


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Confira a segunda parte da Semana Heroica, que aconteceu ainda ontem, no CR Comics:

Semana Heroica #8 | Crítica: Constantine (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O ocultista e exorcista John Constantine (Keanu Reeves) tenta garantir seu lugar no paraíso enviando demônios de volta ao inferno, mas seu destino está ligado ao de Angela (Rachel Weisz), uma policial que investiga o suposto suicídio de sua irmã gêmea.

O longa dirigido por Francis Lawrence tem pontos altos e baixos e infelizmente não é tudo o que esperávamos. O filme tenta se basear na HQ Hellblazer, que conta com a presença de Constantine nela. Porém, ele não segue os mesmos padrões do quadrinho.

Para começar, o figurino do filme não é ruim, mas ele é bem diferente do visual usado por Constantine nos quadrinhos; mas ele continua mostrando um visual mais desajeitado de John. É preciso falar do visual do Anjo Gabriel (Tilda Swinton), que é um tanto interessante, mostrando uma mulher usando roupas masculinas e possui parte do cabelo raspado, visando o que dizem sobre os anjos não possuírem sexos diferentes.

Os efeitos especiais do filme são bons e agrada o telespectador, principalmente em cenas que Constantine vai ao inferno e é atacado por demônios. A fotografia do filme é bem interessante, pois ela sempre mostra um lado obscuro de tudo, com tons de cor mais escuros, fazendo com que o filme fique com uma pegada mais sobrenatural.

A trilha sonora nem sempre está presente e não possui nada tão marcante, mas nas cenas em que ela é precisa ela funciona bem. Por outro lado, as cenas de ação são boas, mas o filme não conta com muitas delas também, o que faz com que o filme fique mais pro lado do suspense.

Falando sobre suspense, esse é um ponto que é bem interessante, mostrando como Constantine vive ao lado de anjos e demônios de uma forma mais aberta. Mas há momentos em que o roteiro do filme falha, e muitas das vezes o suspense não funciona, fazendo o filme possuir algumas cenas tediosas.

Por fim, a atuação de Keanu Reeves é boa, pois ele possui algumas coisas que nos lembra de como o Constantine é, com certa arrogância e deboche.


Veredito: O filme ao todo não é ruim, mas ele possui partes que faz que o telespectador fique meio desconfortável por conta de cenas sem graça e sem algo que a mantenha viva. Mas ele conta com cenas muito bem feitas e bem diferentes do que estamos acostumados a ver sobre anjos e demônios, e como Constantine vive no meio disso. É um filme divertido e bem interessante, mas com algumas falhas que incomodam.

6,5/10.


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Confira o vídeo de origem do personagem:

Semana Heroica #7 | Hellblazer – Hábitos Perigosos

Como todos sabem, John Constantine é um dos personagens que mais fuma no universo DC Comics, o caçador de demônios adora um cigarro em qualquer hora e lugar, chegando a fumar mais de 30 cigarros por dia, isso tudo desde os 17 anos, quando ele foi para Londres. Porém, como todos sabem, fumar não é uma boa opção, principalmente quando se é um viciado como o próprio Constantine. Esse vício sem limites acabou garantindo um câncer de pulmão no mago, e essa é a história de Hábitos Perigosos, uma das melhores histórias do personagem.

Depois de desistir de um tratamento convencional, Constantine visita um velho amigo que possa curá-lo. Brendan é esse amigo, um bêbado que mora num farol afastado das grandes metrópoles que vendeu sua alma por bebidas. Constantine pensou que seu amigo podia ajudar ele, mas Brendan também estava com câncer e procurava que Constantine pudesse ajudá-lo. Depois disso, os dois bebem de maneira descontrolada, para aproveitar os últimos momentos, antes do toque frio da morte tirar suas vidas. Brendan mostra uma espécie de poço com água benta, que após uma sessão de magia, se transformou numa poça de cerveja, porém, Brendan morre, e o demônio que comprou sua alma finalmente aparece, mas Constantine engana o próprio diabo e salva a alma de seu velho amigo,  condenando a si mesmo.

Depois de procurar ajuda e falhar, Constantine percebe que o único que pode tirá-lo daquela situação é ele mesmo, e após uma despedida, ele finalmente coloca seu plano em ação. Ele vendeu sua alma para outros demônios e quando a hora de sua morte chegou, eles vieram cobrar sua alma, porém todos queriam a alma de Constantine. Isso fez com que eles entrassem em conflito, e um conflito entre demônios podia acabar com o inferno, e eles não queriam isso, portanto eles curam Constantine de seu câncer, apenas para não entrar em uma batalha mortal. Constantine enganou o próprio demônio e saiu com vida. Saiu com estilo:

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No epílogo, o mago reencontra Kit, a ex-namorada de Brendan, os dois conversam até que John Constantine lembra das despedidas e precisa concertar isso. Ele logo se lembra de Matt, que estava em estado terminal. Ele corre até o hospital para se despedir do velho amigo, que por sorte ainda estava vivo, porém não por muito tempo, já que ele morreu na frente de Constantine e isso o abalou muito. O mago pede para Kit se afastar dele, porque todos os seus amigos morreram, mas ela se recusa e permanece com ele.

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Hábitos Perigosos certamente é uma das melhores HQs do personagem (se não for a melhor), e mesmo com esse resumo, vale a pena conferir a obra.


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Confira o vídeo de origem do personagem:

Semana Heroica #6 | Qual é o melhor intérprete do Constantine?

Excêntrico, cínico, arrogante e golpista, as características de um dos personagens mais marcantes do selo Vertigo. John Constantine é muito bem explorado nos quadrinhos mais maduros da DC Comics, e ganhou um bom foco para animações, mas e em live-action, quem seria o intérprete perfeito para o anti-herói?

Devemos voltar há mais ou menos 15 anos atrás, quando Constantine estreava nos cinemas, com Keanu Reeves no papelConsiderado por muitos um ótimo filme por conta da atuação do ator, e muito bem lembrado pelos fãs, tornou-se um filme cult ao passar dos anos. Porém, seu erro está justamente na fidelidade do personagem, algumas mudanças no roteiro, que também não é perfeito e a polêmica mudança de gênero do anjo Gabriel, interpretada por Tilda Swinton. Todo este conjunto da obra fez com que o filme fosse um fracasso em bilheteria e recebesse críticas mistas da imprensa.

Mesmo estando na memória dos fãs, é nítido a falta de fidelidade do filme perante aos quadrinhos Hellblazer. Mesmo ainda viciado por tabaco, marca registrada do Constantine, o visual não lembra em nada o personagem de Alan Moore, que não se contenta com o filme – e com razão. O filme pode ter uma grande atuação por parte de Reeves, mas falha em sua proposta de enredo e torna o Constantine do filme um personagem imemorável em seu visual.

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Visualmente, o Keau Reeves não lembra em nada o Constantine, mas Matt Ryan sim. Com toda a certeza, o melhor intérprete do Constantine se situa na série de mesmo nome e Legends of Tomorrow. O personagem muito bem interpretado pelo ator britânico, é muito bem visto também pelos fãs, que elogiam tanto sua aparência quase idêntica ao personagem, quanto seu figurino, usando o sobretudo clássico do anti-herói.

Sua série solo não conseguiu deslanchar, pouco agradando os fãs na questão de poderes em que o anti-herói usa muito, o que não é visto nos quadrinhos, apenas em casos isolados, e também na restrição do estúdio quanto ao hábito de fumar do Constantine. Mas, isso tudo é um pouco esquecido em Legends of Tomorrow, havendo mais liberdade para John fumar e com grandes possibilidades de ter um câncer de pulmão.

O roteiro da série é algo a ser discutido, pois consegue apresentar um ótimo universo construído por David S. Goyer (Trilogia Cavaleiro das Trevas) e Daniel Cerone. Em audiência a série foi muito bem, mas foi cancelada por conta das normas da NBC, justamente a de mostrar pessoa fumando.

Matt Ryan interpreta um Constantine tão enigmático quanto é mostrado nos quadrinhos, e consegue manter a mesma forma fiel às HQs, sendo arrogante, viciado por tabaco e também um golpista de primeira. 

Além das séries, o ator empresta a voz ao personagem nas animações em que ele aparece, sendo o dublador oficial do britânico. Seu último trabalho foi em Liga da Justiça: Guerra de Apokolips, última animação de leva Novos 52. O ator já demonstrou interesse também em interpretar o anti-herói na série live-action da Liga da Justiça Sombria. E quer saber? Ele merece!

Matt Ryan é o Constantine por inteiro, e é o ator perfeito para interpretar o personagem.

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Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem, essa última no canal do Critical Room.

Mais cedo, no Instagram, aconteceu uma enquete para decidir qual o melhor intérprete do Constantine.

Confira o vídeo de origem do personagem:

Semana Heroica #4 | A primeira aparição de John Constantine

O personagem criado por Alan Moore, Stephen Bissette e John Totleben, apareceu pela primeira vez em Monstro do Pântano Vol 2 #37, em 1985. Ninguém jamais imaginaria que o britânico de sobretudo seria um dos maiores amigos e parceiros do Monstro do Pântano nos quadrinhos da Vertigo Comics.

Britânico, destemido e fumante, o Constantine foi apresentado por Moore à sua característica, um arrogante de primeira – Moore é de vez em quando. Em sua primeira aparição, há um homem loiro cheio de contatos pelo mundo. Ele mesmo afirma que seus contatos estão interligados, desde a Inglaterra até o estado de Wisconsin. Contatos humanos, mas mesmo assim, com um pitada de sobrenatural.

A irmã é um de suas amigas, que sempre procura por John caso tenha algum problema místico. Nem mesmo conversando dentro do convento, Constantine larga o cigarro. Seu vício por tabaco vem desde sua convivência com hippies no início da década de 1980. Com certeza, isso ele levou bem.

Ao saber de Abby e Alec, já se transformando no Monstro do Pântano, sua primeira missão foi auxiliar o Monstro do Verde em Gótico Americano. Ao longo de 14 edições, os dois trabalharam juntos, e viriam a surgir problemas como o culto Brujeria, organização a qual ambos derrubariam.

“Se importa se eu fumar?”

Pouco há para se falar em sua primeira aparição, mas, seu cinismo, sarcasmo, arrogância e individualismo é mantido até hoje, desde sua primeira aparição em 1985. São poucos mais de 30 anos, mantendo a mesma conduta de golpista e mestre do ocultismo, que sempre consegue o que quer, pelo preço certo. O Constantine viria a ter sua própria revista em quadrinhos em 1988, intitulada de Hellblazer, sendo conhecido por este nome até os dias atuais.


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A abertura da Semana Heroica aconteceu na segunda:

A parte #3 aconteceu ainda ontem. Veja:

Confira o vídeo de origem do personagem:

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Semana Heroica #9 | Crítica: Logan (2017)

No ano de 2029, onde os mutantes estavam quase sendo extintos, vemos que Logan (Hugh Jackman), também conhecido como Wolverine, está envelhecendo, pois o adamantium que está fundido em seus ossos criou um tipo de doença que enfraquece seu fator de cura, fazendo com que quanto mais Logan envelhece, mais fraco seu corpo vai ficando. Para que Logan consiga comprar alguns medicamentos, ele passa os dias trabalhando como motorista de limousine. Ele e o mutante Caliban (Stephen Merchant) vivem em uma fábrica abandonada, onde cuidam do Professor Xavier (Patrick Stewart) que está com uma doença neurodegenerativa, o fazendo perder o controle de seus poderes. Tempo depois aparece uma enfermeira que precisa da ajuda de Logan para escoltar Laura (Dafne Keen), uma garota de 11 anos, também conhecida como X-23, que está sendo caçada por um grupo de mercenários.

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Logan é um filme que mistura ação e drama de uma forma muito positiva, mostrando um mutante debilitado que sofre tanto fisicamente como emocionalmente, pois carrega muita coisa em seu passado. Mesmo com tudo isso, o filme mantém cenas de ação violentas e incrivelmente bem feitas, e isso faz com que cada vez que Logan tire as garras seja uma emoção diferente.

Todas as cenas de ação são bem sangrentas, violentas e muito bem coreografadas. Era isso que queríamos em um filme do Wolverine. Em todas as cenas em que vemos Logan em ação, vemos suas expressões extremamente marcantes e que não podem faltar no personagem.

Hugh Jackman fez um trabalho incrível, que passa as emoções do protagonista para os telespectadores, fazendo com que sintam tudo o que Logan está sentindo. O Wolverine de Jackman jamais será esquecido e sempre estará nos corações dos fãs, assim como Patrick Stewart sempre será Professor Xavier, e que teve uma atuação sensacional no filme.

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Apesar de todo o drama do filme, o longa contém algumas cenas de alívio cômico que Laura nos entrega, uma personagem extremamente necessária, que quebra um pouco do drama e que possui habilidades como a de Logan. Suas cenas são muito divertidas de ver, pois é quase uma novidade assistir uma criança de 11 anos esquartejando mercenários. Também contém cenas, as quais Logan tem um forte laço paterno com Laura, que faz com que o público se envolva completamente com esses personagens.

A fotografia do filme é um ponto muito alto, pois a ambientação é bem utilizada, junto com o movimento de colocação da câmera e posições dos personagens. Com um ambiente meio desértico, sua fotografia lembra muito a de filmes de faroeste. O movimento da câmera em cenas de ação são ótimos, pois é bem colocada em relação aos de Logan.

A trilha sonora também chega a ser muito interessante, pois o filme não conta com muitas músicas de fundo, ele conta mais com o som do ambiente, que ajuda a manter certo drama nas cenas.

Não só estes detalhes técnicos anteriores, mas a maquiagem e os efeitos práticos do filme são muito bem feitos e introduzidos, fazendo com que o telespectador veja o quão velho e debilitado Logan está. O longa não conta com muito uso nos efeitos especiais, é apenas usado em partes que seja de extrema importância, como em algumas cenas de ação, no uso do poder do Xavier ou do Wolverine, mas, é mais usado o efeito prático, que consegue trazer uma sensação mais real de tudo o que está acontecendo.

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Com certeza, o roteiro do filme é o melhor de todos os filmes de super-heróis da Marvel, tanto que recebeu uma indicação ao Oscar para Melhor Roteiro Adaptado. Logan encerra os filmes do Wolverine de maneira muito triste e emocionante, com um desfecho incrível e que será impossível de esquecer.


Veredito

O filme é incrível, contém cenas de ação espetaculares, um drama pesado e muito bem desenvolvido. É um encerramento digno de uma série de filmes, e que promete que pode haver mais filmes do mesmo universo. Palavras não são o suficiente para descrever a importância e a qualidade de Logan.

10/10.

Semana Heroica #8 | Os melhores e os piores filmes com o Wolverine

Um dos grandes heróis dos quadrinhos da Marvel e dos X-Men, o Wolverine foi bastante utilizado nos cinemas, desde os filmes dos anos 2000 dos X-Men com Bryan Singer, até seu último filme solo, Loga, lançado em 2017. O personagem foi interpretado por Hugh Jackman durante 17 anos, sendo o ator que interpretou um herói dos quadrinhos por mais tempo.

Mesmo que o Wolverine de Jackman não tenha um uniforme que seja fiel ao dos quadrinhos, o ator com certeza marcou ao longo de seus 10 filmes, incluindo participações especiais. Nessa lista, os destaques serão apenas os 7 filmes em que o ator teve uma participação maior.


7. X-Men Origens: Wolverine

Sem dúvidas, é o pior filme de toda a franquia dos X-Men já feitos, mas também não é grotesco. Lançado em 2009, tendo direção de Gavin HoodX-Men Origens: Wolverine conta a origem do personagem e também de seu vilão, Dentes-de-Sabre. O longa não deixa de ter as referências dos quadrinhos do Carcaju, com o mesmo conseguindo ganhar suas garras de Adamantium e todo seu esqueleto ter o mesmo metal, que reforça ainda mais sua força e fator de cura. O filme em si, tem um ótimo desenvolvimento na primeira parte, mas se perde do meio para o final. Não é nem preciso citar o personagem que aparece no final… Mas, para um filme de origem, o começo retratou muito bem o nascer de um personagem, assim como foi proposto nos quadrinhos.

6. X-Men 3: O Confronto Final

Com tantos erros e acertos, numa produção que teve troca de diretor, com Matthew Vaughn, que teria oportunidade anos mais tarde de dirigir o brilhante X-Men: Primeira Classe, para o diretor Brett RatnerBryan Singer, que dirigiu X-Men 1 e 2, não voltaria, já que estava encarregado de trazer o Superman para os cinemas novamente, com Superman: O Retorno. Mas, isso não fez ser o pior filme de toda a franquia dos X-Men, mas foi o mais fraco da antiga trilogia. Explorando a Fênix Negra de uma melhor forma que o filme de 2019, o Wolverine foi mais uma vez o protagonista do longa. Nos filmes de Bryan Singer Brett Ratnerele seria o líder perfeito da equipe.

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Divulgação/Fox

5. Wolverine – Imortal

Baseado no quadrinho de Frank Miller e Chris Claremont, em que o Wolverine viaja ao Japão, o longa se passa após os acontecimentos de X-Men 3: O Confronto Final, com Logan vivendo longe da civilização. Deprimido após matar Jean Grey, a personagem Yukio o encontra num bar, a pedido de Yashida, que foi salvo pela bomba atômica de Nagasaki. O velho estava com um câncer e prestes a morrer. Yashida oferece a mortalidade para Logan, e em troca, o japonês seria imortal. Logan recusa e toda a trama começa. Para sobreviver e frustrar os planos de Yashida, pois sabia que ele não usaria seus poderes para o bem, Wolverine enfrenta o Samurai de Prata e vence, matando o velho. A batalha final é uma das melhores batalhas travadas por Logan.

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4. X-Men: O Filme

O primeiro filme de Bryan Singerque iniciou toda a leva de filmes dos Mutantes, estreou nos anos 2000, modelando os novos filmes de heróis para a virada do século. Com um elenco de peso, a história do filme envolveu uma das maiores rivalidades dos quadrinhos, o Professor Charles Xavier contra o vilão Magneto. É neste mesmo filme que Logan é salvo por Ciclope e Tempestade, e recrutado para a equipe que tenta trazer a paz entre mutantes e humanos. Por outro lado, o senador Robert Kelly tenta criar um Ato de Registro de Mutantes, que forçaria todos os mutantes a revelarem suas identidades e seus poderes. Em todos os anos de batalhas, Logan nunca imaginaria que entraria para uma equipe de mutantes, e enfrentaria um homem capaz de controlar o metal, inclusive do seu corpo. Ao final, com a ajuda de Tempestade, Jean Grey e Ciclope, Wolverine derrota Magneto e acaba com a máquina do vilão, que transformava humanos em mutantes.

3. X-Men 2

X-Men 2 é considerado o melhor filme da trilogia antiga, pela sua trama e desenvolvimento, e que começa a todo vapor, com Noturno tentando assassinar o presidente dos Estados Unidos. Isso não passava de um golpe feito pelo coronel William Stryker, que tinha como pretexto invadir o Cérebro na Mansão X, conseguindo arrancar informações preciosas do Magneto na prisão de plástico. Na invasão de suas tropas à Mansão X, Wolverine, o mais experiente da equipe, defendeu os alunos e demais mutantes, conseguindo fugir com eles em seguida. Usando seu filho telepata, Jason, o coronel consegue controlar o Professor Xavier para que encontre e mate todos os mutantes do mundo. Os X-Men, se unindo a Magneto, conseguem derrotar Stryker e salvar Xavier. Logo, Magneto e seu grupo fogem, e a equipe de heróis também, mas, não contavam que os controle do X-Jato falhassem. Jean Grey salva a equipe. Com a missão cumprida, Charles Xavier entrega os arquivos relacionados à Stryker ao presidente.

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2. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é um dos melhores filmes da equipe já feitos. O longa une a antiga geração e a nova de uma forma brilhante, além de ter Bryan Singer na direção. Toda a trama é focada em alterar a linha do tempo, com Wolverine voltando em 1973, para salvar os mutantes e a humanidade serem destruídos pelos Sentinelas em 2023. A construção da obra baseada no quadrinho de John Byrne e Chris Claremont, consegue se superar em muitos momentos, trazendo uma sociedade dividida entre mutantes e humanos. Em 1973, Logan deveria convencer Charles e Magneto a se unirem em prol da defesa do planeta, e reverter o assassinato de Trask por Mística. Raven, por sua vez, continuou com seu plano e apenas mudou de ideia no final, após atirar em Magneto,  que controlou as Sentinelas e derrotou o Wolverine e o Fera. O fim do Wolverine em 1973 foi no fundo do rio. Mas, com a linha do tempo alterada, Logan acorda em 2023, com toda a equipe dos X-Men viva, até mesmo Jean Grey. Mais uma vez, o baixinho é um dos grandes protagonistas do filme.

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1. Logan

Ah, esse filme… uma obra de James Mangold que sela o fim do ciclo de Hugh Jackman no papel, o fim do personagem e de todos os X-Men. O que falar de Logan, além de elogiá-lo como merece? A obra – que é literalmente uma obra-prima, conquistou a crítica e o público, chocando a todos com o desenvolvimento proposto no filme. O Wolverine está doente, pois o adamantium de seu corpo o envenena dia após dia. À medida em que ele envelhece, fica mais fraco. Além de cuidar de si, foi o único que restou para cuidar de Charles Xavier, que sofre também de uma doença, o fazendo perder controle de seus poderes telepáticos. No meio de um de seus trabalhos, Logan Xavier ficam encarregados de cuidar de uma menina chamada Laura, uma das crianças salvas do projeto X-23, o qual transformam crianças em mutantes, com poderes de outros. Em uma de suas paradas, Logan vê Charles morto na cama da casa em que se hospedaram. O clone, X-24, havia o matado. Este mesmo iria vir a matar Logan ao final, restando apenas Laura e as crianças para tentarem manter o legado dos mutantes ainda no mundo.

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A parte #5 aconteceu no Instagram. Confira:

Semana Heroica #7 | 5 HQs do Wolverine

Criado em 1974 por Lee Wein, o Wolverine era apenas um coadjuvante, que fez sua estreia em The Incredible Hulk #180. O personagem seria completamente esquecido se não fosse Chris Claremont e Dave Cockrum, que decidiram introduzir o personagem aos Novos X-Men em 1975, mas foi apenas com a entrada de John Byrne que o personagem ganhou um estilo arrojado, confiante e um pouco arrogante, tudo isso misturado com a fúria assassina do personagem. Depois disso, o Carcaju sempre esteve ligado a equipe de mutantes, se tornando um integrante fundamental, e claro, ganhando seus próprios quadrinhos. Confira algumas das obras que o personagem protagonizou durante esses anos:


5. Wolverine Origem

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Com roteiro de Paul Jenkins e desenhos de Andy Kubert, “Wolverine Origem” foi lançada em 2001 em formato de minissérie em 6 edições. A obra mostra a infância de Logan, ou melhor, a infância de James, o real nome do personagem, que foi criado numa família rica no Canadá, e o “surgimento” de seus poderes após um evento traumático envolvendo sua família. A partir daí, ele tem que abandonar sua antiga vida, acompanhado de Rose, uma amiga e um interesse romântico.

4. Arma X

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Publicada em 1990 e com roteiro e desenhos de Barry Windsor-Smith, a HQ conta a história de como Logan ganhou suas garras e ossos revestidos de Adamantium, mostrando seu sequestro para servir de cobaia para o experimento “Projeto X“, do momento em que ele deixou de ser um mutante para se tornar uma verdadeira arma de guerra, uma verdadeira Arma X.

3. Eu, Wolverine

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A dupla Chris Claremont e Frank Miller lançaram uma das obras mais famosas do personagem, com a famosa introdução “Sou o melhor no que faço, mas o que faço não é muito agradável“. Eu, Wolverine, foi lançada em 1982, e conta a saga de Logan que parte rumo ao Japão para conquistar sua amada Mariko, porém ele acaba se envolvendo com gangues japonesas e o próprio Tentáculo. Para conseguir, ele precisa provar seu valor se quiser conquistar o coração de sua amada.

2. Inimigo do Estado

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O Wolverine é uma das maiores armas que a S.H.I.E.L.D tem a sua disposição, mas o que aconteceria se essa arma mudasse de lado? É isso que a HQ com roteiro de Mark Millar e desenhos de John Romita Jr e Klaus Janson trouxeram em 2005, um Wolverine que sofreu uma lavagem cerebral e agora está sob controle da HYDRA e do Tentáculo. E se não bastasse, o principal plano dessas organizações criminosas é assassinar os maiores heróis da terra e trazê-los de volta a vida, mas como agentes da HYDRA, assim como foi feito com o Wolverine, a Arma X.

1. O Velho Logan

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Publicada em 2009, com roteiro de Mark Millar e desenhos de Steve McNiven, a HQ O Velho Logan conta uma história sombria, onde os heróis do mundo inteiro caíram, e o Wolverine foi um dos poucos que restou, mas ele se recusa a usar suas garras, mantendo essa promessa por longos 50 anos. Mas quando sua família é ameaçada pela Gangue do Hulk após não ter pago suas dívidas sua única saída é partir em uma jornada perigosa ao lado de Clint Barton, o velho Gavião Arqueiro, que promete pagar uma quantia em dinheiro se Logan o ajudar a levar um carregamento secreto até Nova Babilônia, cruzando o território dos EUA e revisitando os lugares onde os heróis e a esperança de todos caíram; ao mesmo tempo em que Logan relembra a noite em que tudo deu errado e os vilões tomaram o poder.

Bônus – O Incrível Hulk #340: Círculo Vicioso

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Com roteiro de Peter David e arte de Todd McFarlane, Círculo Vicioso é um dos embates mais emblemáticos entre o Hulk e Wolverine, já que o X-Men estava passando por uma fase de reconstrução e tentando ser mais racional. Enquanto o Hulk estava buscando vingança contra todos que o menosprezaram no passado, o Carcaju é um dos primeiros da lista.


Essa foi a lista de algumas HQs do Wolverine, é uma lista pequena se formos analisar toda a história do personagem, que conta com vários arcos famosos e vilões inesquecíveis. Confira a matéria sobre a primeira aparição do Carcaju, seus games e o CR Origens sobre o personagem:

A parte #5 aconteceu no Instagram. Confira:

Semana Heroica #6 | 5 jogos com participação do Wolverine

Wolverine certamente é um dos X-Men mais famosos e queridos da equipe. Essa fama fez o baixinho canadense ganhar filmes, HQs e até jogos! Desde o SNES até o PS2. Confira 5 jogos que o Carcaju ganhou ao longo dos anos!


5- Wolverine (NES)

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“Wolverine” foi um jogo produzido pela Software Creations e lançado em  1991 para o “Nintendo“. No game, o anti-herói é capturado pelo Magneto e seu arqui-inimigo Dentes-de-Sabre, e preso numa ilha. O objetivo do jogo é derrotar os inimigos e enfrentar os dois vilões no fim do game. Alguns X-Men também fizeram rápidas aparições na obra, como Jubileu, Havok e Psylocke. Porém, o jogo foi criticado por sua falta de fidelidade e um alto nível de dificuldade.

4- Wolverine – Adamantium Rage (SNES, Sega Genesis)

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“Wolverine – Adamantium Rage” é um jogo produzido por duas empresas diferentes, a Tenny Wenny Games (que fez a versão de SNES) e Bits Studios (responsável pela versão de Sega Genesis). O jogo lançado em 1994 para o Super Nintendo e Super Genesis apresentava algumas diferenças em relação a história, e também em relação aos vilões, já que a versão de Super Genesis apresentava o Dentes-de-Sabre, enquanto a de SNES não. Fora isso, a história era igual e mostrava o Wolverine indo atrás de respostas, após uma transmissão ter revelado algo de seu passado misterioso. A versão de Super Nintendo recebeu críticas mistas, enquanto a de Super Genesis recebeu críticas bastante negativas.

3- X-Men Mutant Apocalypse (SNES)

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X-Men Mutant Apocalypse” foi um dos primeiros jogos dos mutantes que a Capcom produziu. Lançado para Super Nintendo em 1994, o jogo dos mutantes contava com 5 personagens (Ciclope, Fera, Psylocke, Wolverine e Gambit), onde cada personagem tinha uma fase própria, baseado nas habilidades do mutante escolhido. No jogo, o Professor X envia seus X-Men para Genosha, onde o Apocalipse está mantendo vários mutantes como reféns. Porém, depois de derrota-ló, Magneto surge prometendo causar caos em Genosha. No fim, o vilão é derrotado numa batalha épica. Em seu lançamento, o game foi considerado como o melhor jogo dos mutantes já lançado, com gráficos de alta qualidade para época.

2- X2: Wolverine’s Revenge

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X-Men 2: Wolverine’s Revenge” é um jogo multiplataforma lançado para PS2, GameCube, Xbox, GBA, PC e Mac. Ele foi produzido pela Genepool Software e lançado em 2003, ano do lançamento do segundo filme da franquia X-Men. O jogo mostra o Wolverine nas instalações do projeto Arma X, em uma busca por respostas enquanto é atacado por todos os lados, tendo a participação de vilões como Magneto, Lady Deathstrike, Dentes-de-Sabre, Fanático, etc. O jogo teve uma boa recepção para as versões de GBA e PS2.

1- X-Men Origins: Wolverine

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Baseado no filme de mesmo nome ‘X-Men Origins: Wolverine’ é um daqueles raros casos onde um jogo baseado num filme fica bom. Desenvolvido pela Raven Software e lançado em 2009 para PC, PS2, PS3, Xbox 360, Wii, Nintendo DS e PSP, o jogo seguia a história do filme de mesmo nome, porém com uma jogabilidade digna de um jogo do Wolverine, já que é possível desmembrar seus inimigos de várias maneiras, sendo o mais violento possível! Além do sistema de habilidades, o jogo contou com trajes alternativos e novos vilões. O game recebeu críticas positivas, mas ficou um pouco repetitivo e com uma dificuldade bem baixa.


Curtiu a lista? Confira o novo vídeo do canal sobre o Wolverine e a matéria sobre sua primeira aparição!

A parte #5 aconteceu mais cedo no Instagram. Confira:

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Semana Heroica #4 | A primeira aparição do Wolverine nos quadrinhos

Wolverine deu as caras pela primeira vez no quadrinho O Incrível Hulk #180 (datado em Outubro de 1974), mas ele aparece apenas no último quadro da última página da HQ, fazendo com que os leitores ficassem curiosos sobre quem era esse personagem. Até que ele estreou finalmente na edição #181.

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Mas tinham algum propósito para criarem esse personagem?

Sim, pois os quadrinhos dos X-Men haviam sido cancelados nos anos 70, e com isso, alguns mutantes acabaram fazendo aparições apenas nas HQs de outros heróis. Porém, tempo depois teve uma previsão do retorno dos X-Men que estava programado por Roy Thomas (editor-chefe da Marvel). Sendo assim, o roteirista Len Wein e o desenhista Dave Cockrum teriam que fazer novos mutantes para a futura HQ Giant Size X-Men. Com isso, eles queriam um mutante raivoso que fosse para o quadrinho do Hulk, que seria então reaproveitado nas páginas dos X-Men, e esse mutante era Wolverine.


Algumas curiosidades:

O nome Wolverine é por causa de um animal que tem um comportamento ranzinza e bem baixinho, exatamente como o Wolverine é retratado.

Seus poderes eram para ser apenas força e resistência sobre-humana, ele não teria fator de cura e suas garras não sairiam dos seus braços e sim das suas luvas. Mas isso foi mudado em The Uncanny X-Men #98, de 1976, onde foi mostrado que suas garras saíam de dentro dos seus braços. E nessa mesma HQ, foi a primeira vez que Wolverine apareceu sem máscara.

Foi em The Uncanny X-Men #120 de, 1979, que Wolverine finalmente revela seu nome, Logan.


Wolverine foi essencial para a Marvel, pois ele foi um dos personagens que motivaram os produtores para que continuassem a produzir HQs dos X-Men. E a Marvel estava precisando de um personagem mais bruto e estressado, mas que todos gostassem dele de alguma forma.


Confira o CR Origens do Wolverine, destaque na Semana Heroica:

CR Origens #13: Semana Heroica #3 | Wolverine – O Herói Imortal

Logan é o destaque da Semana Heroica.


Ontem (10), se iniciou a segunda edição da Semana Heroica, e o personagem da vez é o Wolverine, herói dos X-Men e da Marvel. O Critical Room apresenta a origem do Logan. O vídeo pode ser conferido acima.

Fato curioso é que, ele teve uma primeira aparição em um quadrinho do Hulk, na edição #180 de O Incrível Hulk, e só depois ingressou nos X-Men e teve sua própria revista mensal.


A Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem, essa última no canal do Critical Room.

Semana Heróica #7: Review | Super-Choque (Fan Film)

Aviso: Review sem spoilers!


Enquanto a Warner Bros. não decide produzir um longa do Super-Choque, temos que nos contentar com obras como essa, o curta metragem “Crônicas de Dakota“, um fan film feito de fã para fã, que nos dá um aperitivo do que poderia ser um filme do jovem herói na tela grande.

Primeiramente, temos que reconhecer as limitações financeiras do curta, que teve um orçamento de cerca de US$ 3 mil, que pode ser evidenciado nos poucos momentos que são usados efeitos especiais e, apesar de serem poucas cenas em que o recurso é utilizado, são bem aproveitados em tela. Mas, a força do curta reside mesmo nos momentos em que vemos Virgil se descobrindo como Super-Choque e também como pessoa, como em breves cenas em que vemos Virgil se relacionando com Richie e seu pai. Essas relações são abordadas de forma orgânica, sem parecerem forçadas desde o texto até a execução.

Mas, por ter uma duração limitada, David Kirkman, diretor e roteirista do curta, acaba por não poder abordar a questão do racismo (questão marcada nas raízes do personagem) e ampliar as relações de Virgil com os outros personagens. O foco aqui está na construção do personagem como herói, em suas primeiras ações como Super-Choque na corrupta cidade de Dakota, algo semelhante a Batman Begins, de Christopher Nolan.

Com atores amadores (que cumprem bem seus papéis) e pouca margem para a ampliação da mitologia do personagem por conta de uma curta duração, o curta de Kirkman cumpre bem sua proposta de nos dar um aperitivo do que poderia vir a ser o nosso amado Super-Choque em um live-action.


Veredito

Sem se alongar muito e indo direto ao ponto, “Super-Choque” cumpre bem seu papel como fan film do jovem herói afro-americano.
6/10

Semana Heroica #6: Super-Choque | Como introduzir o herói em live-action?

Sendo um dos mais famosos heróis adolescentes da DC Comics, muito por conta de sua série animada, o Super-Choque, por muitas vezes, já foi alvo de rumores de uma série ou filme live-action. Porém, quem saiu ganhando uma série foi o Raio Negro, herói dos anos 70, com a produção do The CW. Mas por que não ganhar uma série ou filme? Neste artigo, decidi falar um pouco sobre as possibilidades remotas do Super-Choque aparecer em live-action.


Série ou filme?

É uma questão um pouco difícil de ser respondida, até porque o Super-Choque possui um grande universo, e também temos um outro herói com os mesmos poderes estrelando uma série. Mas, por que não fazer uma participação na série? 

Raio Negro seria uma grande válvula de escape para o Super-Choque estrear em live-action. Ambos têm os mesmos poderes. É claro que Jefferson Pierce, o Raio Negro, tem uma vasta experiência em combate ao crime, além de conseguir muito bem controlar seus poderes, tendo uma grande extensão deles. Virgil também tem, porém, precisa conhecê-los ainda mais, para saber até onde vai seu limite de poder.

Caso fizesse uma eventual participação na série, Jeff, sendo um educador e herói experiente, poderia ensinar Virgil as artimanhas de combate ao crime e todos os seus anos de experiência salvando o povo de Freeland. A dinâmica, com certeza iria funcionar muito bem, já que algo parecido foi visto na 3ª temporada de Justiça Jovem, quando o Raio Negro ficou encarregado da equipe.

Além de poder fazer uma participação em Raio Negro, o Super-Choque poderia ainda vir a ter uma série, substituindo propriamente o Raio Negro, quando esta terminar. Muito de seu universo pode ser explorado em uma série, seguindo os passos de Raio Negro. Mas também, pode fazer parte dos Titãs na 3ª temporada, na qual o herói poderia se encaixar muito bem na equipe, que é treinada pelo Asa Noturna. Um pouco mais de juventude nos Titãs não seria uma má ideia. 

Mas, quando se fala em filme, muitos fãs criam uma grande expectativa para algo que possa não ocorrer muito cedo. Apesar de ser muito conhecido e amado no Brasil e em uma grande parte nos Estados Unidos, o personagem pode ter ou não ter o peso de carregar um filme solo. É uma jogada arriscada em que a Warner Bros. e DC Comics não estão dispostas a correr de imediato.

Entretanto, há muitas histórias para serem abordadas no filme, com acontecimentos vigentes contra a sociedade negra. Abordar a luta contra o racismo por parte de um herói, é uma das grandes ideias que podem servir para um possível filme do Super-Choque, além do bullying que boa parte das crianças sofrem. 

O herói pode até mesmo participar de algum futuro filme da DC que consiga introduzir o personagem no Universo Cinematográfico, assim, estabelecendo o herói para uma discussão de um filme, caso seja bem recebido pelos fãs. É claro que não é fácil, realmente, de fazer um longa do Super-Choque, mesmo que seja animado, ao estilo Homem-Aranha no Aranhaverso. É preciso que o estúdio confie no potencial caso um projeto seja apresentado, que não cause prejuízo para a empresa e estúdio, o elenco e toda a equipe de produção, e também não arruíne a popularidade do herói.

Um filme pode dar muito certo, mas também muito errado. Porém, uma prova de que realmente possa funcionar um live-action do Super-Choque é um fã-filme, dirigido e roteirizado por David Kirkman. Veja abaixo o curta-metragem de aproximadamente  45 minutos:


Que o herói tem boa popularidade entre os jovens dos anos 2000, tem. Revivendo ele aos poucos, em animações e quadrinhos, pode vir a criar um grande espaço na DC Comics e chamar muito a atenção do público. Isso pode ser o terreno firme do Super-Choque, para que ele um dia venha dar as caras em um live-action.

Semana Heroica #5: Super-Choque | Os crossovers na animação

Sendo um sucesso absoluto entre os jovens nos anos 2000 e até hoje, o seriado animado do Super-Choque é tão inovador quanto pensamos. Não por ser de um herói adolescente e afro-americano, assim como o Homem-Aranha de Miles Morales, mas por apresentar muitas abordagens sérias, que fazem o espectador refletir, misturando diversão com reflexão.

Mas, o que ainda cativava mais a animação era quando algum outro personagem da DC Comics aparecia, seja ele o Batman ou Superman, para que pudessem atrair um grande público, ao fazer um herói adolescente interagir com heróis já experientes. E deu muito certo, por sinal. É claro que tiveram outras participações, mas de celebridades, como o jogador de basquete Shaquille O’Neal, mas não é o intuito trazer estes cameos.


Manchas Solares

Com o recém término da série animada As Novas Aventuras do Batman (1997-1999), que introduziu Dick Grayson como Asa Noturna e Tim Drake o novo Robin, era uma boa hora de reviver os traços e trazer de volta a dupla dinâmica para outro desenho. Não demorou muito até eles estarem em Super-Choque, justamente no primeiro episódio da 2ª temporada. Intitulado de “Manchas Solares”, Batman e Robin foram introduzidos no universo de Dakota para caçar o Coringa, que estava tentando juntar uma equipe de transformados. Super-Choque foi convidado a ajudá-los. Em um certo momento, Batman e Robin são capturados, e o super-herói tem de salvá-los. O trio derrota o Coringa e sua gangue de transformados.

Garras Metálicas

Já na 3ª temporada, novamente no primeiro episódio, Batman aparece novamente para trabalhar com o Super-Choque, dessa vez sem o Robin, que estava junto com os Titãs. No episódio “Garras Metálicas”, escrito por Paul Dini, um dos criadores da Arlequina, Hera Venenosa e a Arlequina estão trabalhando juntas com uma transformada, para curá-la, após as vilãs terem sido procuradas por ela. Com a primeira derrota dos heróis, Virgil acorda na Batcaverna, com Alfred retirando os espinhos de seu braço. Claro, que, pra um herói adolescente, ele é um pouco desleixado, levando a carteira de estudante consigo quando sai para combater o crime. Batman descobre facilmente sua identidade secreta.

A trama era básica. A garota transformada queria voltar a ser normal, e então procurou ajuda, encontrando Arlequina e Hera Venenosa. Em troca de uma cura, ela devia ajudá-las a roubar caixotes com barras de ouro. Batman e Super-Choque apareceram para estragar a festa das vilãs, conseguindo prendê-las. Já a garota, recebeu ajuda das Indústrias Wayne para obter uma cura num tratamento financiado por Bruce. Virgil conhece o então playboy Bruce Wayne, até que se desenrola uma conversa, e propositalmente, Alfred aparece, e Virgil descobre a verdadeira identidade do Batman.

Sua Própria Liga

Dividido em duas partes, o episódio traz a Liga da Justiça em seus traços originais da animação (exceto o Superman). Já tendo seu amigo Richie como parceiro de combate, o gênio Gear, a Liga da Justiça pede ajuda aos heróis de Dakota para resolver um “probleminha” na Torre de Vigilância. Sem pensar duas vezes, ambos vão e Virgil conserta o que Batman pediu. Porém, quando a Liga sai e deixa Richie e Virgil sozinhos, não esperavam que os jovens fossem atacados por Brainiac, que se infiltrou nos sistema da Torre. A Liga da Justiça é avisada e logo eles se juntam aos dois heróis de Dakota para derrotar Brainiac. 

Pensando que tinham derrotado o vilão, a Liga da Justiça, juntamente de Super-Choque e Gear, estavam confiantes que ele não retornaria. Porém, apenas Super-Choque escapou do controle mental de Brainiac, fornecido por um aparelho. Ele luta contra toda a Liga e Richie.

Brinquedos à Solta

Finalmente o Superman aparece no seriado. No episódio 12 da temporada, Superman se alia ao Super-Choque para derrotar o Homem-Brinquedo, que havia localizado Darcy, um de seus trabalhos. Darcy havia mudado de vida, porém o vilão a queria pra si. Ele captura Daisy, uma das amigas de Virgil no colégio, e duplicoDNA da mesma para tornar Darcy igualmente a ela. Superman e Super-Choque frustram os planos do Homem-Brinquedo.

Choque no Futuro

No primeiro episódio da 4ª temporada, Virgil viaja pro futuro após salvar Batman no passado. Parando na Batcaverna, ele se depara com Terry McGinnis, o Batman do Futuro, e enfrenta o mesmo, se saindo muito bem. Bruce, já bem mais velho, aparece para Virgil e diz que precisava de ajuda contra a organização Kobra. O plano era resgatar o Super-Choque do futuro das mãos do Kobra. Terry ainda comenta que o Super-Choque era um dos maiores heróis daquela época.

Herói Caído

“Herói Caído” é o último episódio em que outro herói da Liga da Justiça faz uma grande participação. Virgil está cansado das ações de seu ídolo, John Stewart, o Lanterna Verde, cometendo uma onda de crimes. Colocando-o na cadeia, Super-Choque descobre mais tarde que o anel de poder do Lanterna estava em seu bolso. Após descobrir que John estava falando a verdade, ele recarrega o anel do herói para enfrentar o impostor, que na verdade era Sinestro, o maior vilão dos Lanternas. Unidos, eles derrotam Sinestro e John tem sua reputação restaurada.


Super-Choque é e continua sendo uma ótima animação, se colocando como uma das melhores séries animadas da DC Comics

Semana Heroica #4: Super-Choque – Renascimento do Cool | Uma fábula política acidentalmente oportuna

O comentário real da Milestone dessa vez é mais sutil do que de costume. Mas ainda entrega o seu trabalho.

A novela-gráfica (ou como preferir “graphic-novel”) de romance por  Dwayne McDuffie, “Super-Choque: O Renascimento do Cool”, é um participante regular no agregador de resenhas de leitores, Goodreads, com uma taxa de aprovação de 79.6% com base em 123 avaliações e com uma classificação média de 3.98/5. Desde que chegou as bancas em 2001, não é de admirar: com suas generosas porções de gang-bangers realisticamente violentos, com problemas de pobreza e dinheiro tão importantes quanto combater o crime, super-heróis em um mundo cheio de tons de cinza, como não poderia ser um prazer para leitores adultos? Uma mistura intrigante de drama e documentário com comentários sociais, a imagem não é bem evidente, mas eficaz, dando repreensão de gênero e mensagens amplas na mesma medida.

O roteiro de Dwayne McDuffie e Robert L Washington III se concentra em um experimento suave winnicottiano incisivo e a capacidade de renúncia. Esta coleção é composta por dois arcos da série original: um é a origem do Super-Choque, e o outro ocorre algum tempo depois disso, depois que aparentemente ele era membro de uma equipe de super-heróis. Assim, as duas metades deste volume saltam no tempo e no tom. Faz um bom tempo que Virgil aposentou o manto de Super-Choque e a trama se desenrola nas várias tentativas de levar ao espectador do porque ele se aposentou. No meio de toda a conversa entre Virgil e sua amiga, não faltam aqueles diálogos corriqueiros (não aqueles do Tarantino, mas enfim) e entre isso tudo, ela faz uma pergunta ao rapaz sobre ter saudades do que viveu antes.

“E o Oscar para melhor resposta de um homem para uma mulher” – Risos – Porque sem sombra de dúvidas é a melhor resposta que um homem poderia encontrar para uma mulher decidida e que não perde tempo para questionar.

Ele simplesmente diz: “Às vezes sinto falta do meu velho triciclo, mas também superei isso.”

Enquanto isso se desenrola, uma nova organização secreta que está sequestrando “Bang Babies” e assim alguns deles (Bang Babies) que ainda restaram percebem que Virgil é quem pode ajudá-los. Apesar de ter apenas 15 anos de idade, parece ser o que todos procuram para liderança, já que ele parece ser o único capaz de levá-los ao mistério e enfim descobrir a identidade do mal por de trás de todo esse plano.

Na medida em que as fábulas políticas avançam, “Renascimento do Cool” está em algum lugar entre “Fique Rico ou Morra Tentando” e um episódio de “The Get Down” na medida de sutileza. No entanto, o tempo e as circunstâncias tornaram seu maior poder, a obviedade de suas metáforas e mensagens, em sua maior força.

Quando a DC lançou a revista no início dos anos 2000, dezenove anos passados, muitos imaginaram que isso é mais uma história convencional de super-herói – um garoto adolescente com dupla-identidade, uma garota que ele gosta, além de equilibrar suas responsabilidades. Apesar desse conceito, a atuação é maior do que essa.

Ao mesmo tempo, não se trata de contar sobre o passado dele, mas contar que não é apenas questão de deixar algo pra trás, é questão de mostrar o quão doloroso ter que tomar decisões e seguir em frente. Por mais que gostamos de algo na vida, devemos deixá-las e evoluir. Se alguma vez houve um espelho de alguns dos nossos momentos, é isso.


Super-Choque: Renascimento do Cool

Título original: Static Shock: Rebirth of The Cool

Data da primeira publicação: 2001

Autor: Dwayne McDuffie

Escrito por Robert L Washington III e Dwayne McDuffie

Gêneros: Novela gráfica, Romance

Capa: John Paul Leon

Arte: John Paul Leon , Denys Cowan

Cores: Jimmy Palmiotti , Steve
Mitchell , Shawn Martinbrough , John Paul Leon

Semana Heroica #3: Super-Choque | O que tornou o herói um dos maiores de todos os tempos

Uma animação que, com certeza, estava à frente de seu tempo. Todos os envolvidos conseguiram trazer questões sociais de forma sutil ao mesmo tempo que não fosse forçada. Dito isto, é uma animação com um grande impacto até mesmo comparado à filmes como Pantera Negra e Olhos Que Condenam, o racismo, a ignorância e a violência não foram salientados apenas de uma maneira que as crianças pudessem entender, mas de uma maneira que faria com que os adultos pudessem carregar em suas mentes.


História

Você e eu provavelmente crescemos no início dos anos 2000, com as nossas manhãs recheadas de desenhos animados, mas esse foi sim, um desenho que conseguiu nos cativar e que nos faz parar pra pensar e refletir com as questões sociais até hoje. Mas tudo isso não começou aí, e é preciso dar uma volta no tempo muito antes do personagem fazer sua estréia nos quadrinhos.

Tudo começou em 1993, uma aliança composta por artistas e escritores afro-americanos, acreditando que as minorias eram muito mal representada nas mídias e assim fundaram a Milestone Media, para que pudessem retratar como é a vida da sociedade negra. Super-Choque estreou em sua própria revista intitulada Static #1 em uma leva de lançamento dos cinco primeiros heróis da Milestone.


Inspiração

Dwayne McDuffie, um dos criadores do personagem, afirmou que foi um grande esforço da equipe para sua criação. Uma das inspirações para sua criação veio do Amigo da Vinzinhança, o Homem-Aranha: um adolescente desajeitado, que tem problemas com dinheiro e garotas, além de valentões que estão sempre querendo puxar briga. Inicialmente os planos que a Milestone tinha é que o herói seria vendido para a Marvel, mas que graças (ou quase isso) a Milestone seria adquirida pela DC Comics.

Como você pôde ter percebido, o seu nome é bem diferente do que costumamos pronunciar. Static no original significa estático (ahhh sabichão!), e é inspirado no single Staticde 1988 escrita por um grupo
musical do Brooklyn, Full Force e cantada pelo ícone da música R&B, o Padrinho do Soul, James Brown. Uma das críticas ao álbum feita pela revista People exaltou o single como “incendiário”. Já o seu alter-ego foi inspirado em Virgil D. Hawkins, um advogado negro que passou as últimas décadas de sua vida indo à Suprema Corte para exercer advocacia na Flórida, depois de ter sido inicialmente negado a admissão na Faculdade de Direito da Universidade da Flórida por ter a cor negra como cor de sua pele.

Fazendo a Diferença

Assim como Batman e Superman são os maiores pilares da DC Comics, o Super-Choque era para a Milestone, e em tão pouco tempo se tornou o personagem mais icônico da editora, ganhando sua série animada em 2000, com uma versão do enredo que se tornou um pouco mais adequada para um público mais jovem daquela época. Um personagem assim não precisa de mais descrições para dizer a que propósito ele veio, não é um
relato de como “um branco enxerga o preconceito com o negro”, é um relato dramatizado de como a administração pública BRANCA se importa com as necessidades de uma sociedade composta por negros e qual o tratamento que dão a eles como “merecido”.

Seu legado

Para falar da administração pública retratada nas histórias desse personagem, primeiro é preciso falar sobre o enredo do primeiro episódio. “Choque no Sistema”. Esse foi o nome dado ao primeiro episódio da série animada. Virgil, um adolescente como qualquer outro nos Estados Unidos é diariamente alvo de bullying, e pra se livrar do “cara” que o atormenta dia-após-dia, depois de apanhar desse mesmo valentão em um beco, a surra é interrompida por um amigo de má conduta que o leva à um encontro de gangues e lá recebe uma arma para “se livrar” de seu rival. Em pouco tempo, após dar de cara com o valentão, a polícia interrompe a guerra e então numa troca de tiros, a polícia acidentalmente (ou não) acaba atingindo botijões de gás inflamável, fazendo com que vários criminosos fossem alcançados pela
explosão do gás. Esse dia ficou conhecido como o “Big Bang“, onde vários personagens do Dakotaverse (como é chamado o universo fictício da Milestone) receberam seus poderes.

Bem, diferente um pouco da série animada, os policiais portavam um gás experimental que tinha a intenção de matar quem inalasse, só que o resultado foi bem diferente do esperado trazendo consigo muitos problemas e também o Herói de Dakota. Isso foi o primeiro passo para mostrar a violência policial, as operações feitas em suas comunidades, o tratamento, e talvez, as sentenças de morte que recebem como em alguns casos.

Super-Choque continuou interrogando e expondo a incompetência e a indiferença dos que estão no poder, sem medo – isso tornou o herói diferente. Mesmo sendo político, ele não foi mal interpretado como muitos conteúdos que tendem a forçar sua abordagem. Outra questão que é colocada à mesa, é a liderança, da brutalidade policial à marginalização das comunidades minoritárias ao redor do mundo, prova que a liderança está quebrada. Desprovidos da humildade e inclusividade de que tanto precisamos, e dados ao narcisismo, os líderes não estão preocupados em apostar na saúde pública, na segurança e no futuro das gerações mais jovens. Eles priorizam, sem desculpas, servir a si mesmos sobre as pessoas para as quais foram eleitos.

“Se evitarmos questões como a perda de um ente querido […] Ignoramos os infelizes fatos da vida
de muitas crianças neste país”, Len Uhley, escritora da série animada.


Um acontecimento que aprofundou na abordagem sobre a violência foi a noite em que a mãe de Virgil morreu. No primeiro episódio da série animada, contou que ela havia sido morta numa guerra entre gangues, mas ainda foram pouco os detalhes. Em um episódio intitulado “Flashback” foi revelado que ela foi uma paramédica, vítima da violência durante uma noite de tumultos entre gangues, e mesmo Virgil tentando impedir sua morte, ela é superada por sua necessidade de ajudar outras pessoas e logo voltou às ruas, levando ao mesmo futuro em que Virgil se encontrava antes.

O maior benefício do show fica por conta de seu idealizador, não apenas ter uma noção do que é viver sabendo que pode sofrer um ataque por causa de sua pele, mas que, grande parte das histórias vem de sua representação (Dwayne McDuffie).

Em um desses momentos, Virgil nota que ele nunca esteve na casa de seu melhor amigo, Richie, e se auto-convida a passar uma noite na casa do amigo para o desprazer de descobrir que o pai de Richie não passa de alguém que vê os negros como o grande problema da sociedade, discriminando os seus costumes, bem como estilo de música se referindo a eles não pelo nome de sua cor, mas pior do que isso: “Essa gente”.

Aqui, o escritor enfatiza de uma forma muito simples como a sua comunidade é vista perante outras áreas da cidade, sem fazer o mínimo esforço para entender o que se passa no local onde moram ou até mesmo justificando o seu erro: a raiva, a discriminação, o seu apontamento e sua violência contra a cor, alegando que esses são a fonte do problema da sociedade.


Um outro episódio abordou algo que é muito raro de se ver em qualquer filme, novela, HQs e literatura. Algo que até agora foi um pouco retratado de forma leve no filme Homem-Formiga, é a busca por uma segunda chance que muitas pessoas buscam encontrar após sair da prisão.

E na verdade isso não foi abordado uma só vez, mas duas. A primeira vez no episódio “Bent Out of Shape”, onde Virgil descobre que sua irmã namora um fora-da-lei, o Homem-Borracha (ou no melhor possível, Rubberband Man), levando a polícia a perseguí-lo e ser apreendido. Mais tarde, no episódio “Bad Stretch”, o Homem-Borracha se mostra mais arrependido de seus crimes do que no episódio anterior e decide largar a vida de criminoso para iniciar sua carreira no combate ao crime.

Esse episódio foi um dos que mais se destacaram, porque não só a sociedade retratada no desenho estava desconfiante nele, assim também como o próprio Super-Choque e quem acompanhou o desenho de perto, eu.

Particularmente, considero tanto as primeiras aparições do personagem, quanto esses dois episódios um arco. Mostrou toda sua trajetória pelo caminho tortuoso, para depois, indicar que ele tinha valores e que todos merecem uma segunda chance, além de nos ensinar um pouco a respeito das más impressões que temos sobre pessoas de passado condenado.

Outro grande ponto memorável que com certeza, eu e você podemos nos identificar no país em que vivemos. Em um certo momento a trama se desenrola em volta de uma empresa que foi encarregada de criar o gás que causou o “Big Bang” (o dia em que o Super-Choque e seus vilões ganharam habilidades especiais).

Junior, filho do proprietário da empresa sempre foi negligenciado pelo pai e sempre buscou ganhar a confiança do pai, e um dos métodos que usou foi estudar o gás, mostrando para seu pai que era um gênio. Assim, com os estudos do gás ele adquiriu vários poderes e usou tudo o que teve para arruinar a empresa de seu “velho”.

No fim de tudo isso, você fica se perguntando: “Se uma empresa fosse o fator que levou vários jovens a se tornarem um grande problema para a sociedade, ela estaria encrencada e talvez poderia fechar as portas. Porém, como foi mostrado, as empresas raramente são responsabilizadas por seus atos, especialmente nesse sentido.

Continuando ainda a falar sobre os momentos mais memoráveis dessa atração, o episódio, que, com certeza ninguém esquece foi a abordagem sobre o bullying que é bem típico nas escolas dos Estados Unidos.

“Jimmy”, é um episódio e personagem-título que não poupou em mostrar a verdade como deve ser mostrada. Tudo começa com sem a mínima explicação. Richie está agonizando de dor e sendo levado por paramédicos para um ambulância, logo após isso, Virgil é visto conversando com um psicólogo e então tudo se esclarece na forma de flashbacks. Ele fala sobre um garoto com quem fez amizade no colégio, que estava sendo intimidado por um grupo de adolescentes, além de que não tinha ninguém que pudesse defendê-lo. Certo dia, Virgil e seu parceiro, Richie resolvem ir a casa de Jimmy e então, eles são apresentados à uma arma pelo garoto, que deixa Virgil irritado, justo pelo fato de ter sua mãe como vítima da violência, e então vão embora.

Novamente, Jimmy é atacado pelos opressores que o faz chorar de raiva. Então, como forma de vingança, Jimmy vai até seus agressores e os tem sob a mira da arma apresentada anteriormente. Tudo deu errado e Richie foi acidentalmente atingido. Para nossa surpresa, Richie foi atingido na
perna, mas tudo isso serviu para mostrar até onde a violência é capaz de levar as pessoas. No fim, o herói deixou dicas de como evitar que coisas desse tipo aconteçam nas escolas,além de oferecer sugestões de segurança com armas e esforços anti-bullying.

No fim, animação da personagem teve muitos outros valores que poderiam ser mencionados, mas que com certeza teria de ser descritos em um roteiro maior além de destacar tudo que estava sendo transmitido em cada episódio.

Algo que eu não poderia deixar de falar…

Algo que não pude deixar de dar atenção foi o fato do personagem Richie ser abertamente homossexual nos quadrinhos, mesmo que na série animada, nunca tenha deixado isso claro. Isso põe uma questão à mesa:

Será que as pessoas, no início dos anos 2000, eram ignorantes demais para uma animação abordar esse tipo de proposta e ser alvo de críticas de como esse assunto pudesse ser uma forma ruim de que a mídia estivesse tentando influenciar as crianças na época? Ou que talvez, os executivos não estavam nem um pouco preocupados em mostrar essa realidade já que, pudessem ter problemas em faturar com brinquedos e produtos licenciados da marca? A minha resposta são as duas questões, ou melhor, as duas questões são uma mesma resposta.

Se esse assunto fosse abordado nessa época, e que com certeza, ninguém ficaria contente afirmando que uma animação assim pudesse ser uma má influência para os seus filhos, os executivos deixariam de lucrar com os produtos licenciados de seu personagem. Isso seria um grande problema, fazendo com que a animação não chegasse ao seu número de temporadas, já que foi dito que, seu cancelamento só ocorreu porque o produto não conseguia vender.

Então dito isto, as pessoas dos anos 2000 não estavam preparadas para essa abordagem, o que prova que o Super-Choque esteve à frente de seu tempo. Ainda assim, depois de tantos anos, fica difícil saber como as pessoas souberam lidar abertamente com esse tipo de assunto, já que a década de 2010 foi um pouco cedo demais para uma década anterior, onde trazer essa proposta era um risco enorme, principalmente se a questão é ganhar dinheiro.

Observações

O que torna o herói mais interessante é como ele era diferente de outros super-heróis negros da época e, de certa forma, ainda é. Embora exista uma variedade de personagens negros de quadrinhos, muitos deles se encaixam em arquétipos negros testados e comprovados: Luke Cage um street tough que funciona como uma espécie de segurança, Pantera Negra, um estrangeiro, Ciborgue, um atleta. E o Super-Choque se afasta desses moldes.

Sobre os personagens principais

Virgil Hawkins – O alter-ego do Super-Choque, possui apenas 15 anos de idade, é o típico garoto desajeitado, que precisa de dinheiro, e ainda está aprendendo a lidar com o fato de não saber “conquistar” as garotas, além de ter problemas com valentões. Seu maior valor talvez seja o maior código de conduta de todo bom super-herói como Superman, Batman e Capitã-Marvel que não é tirar a vida de alguém por pior que seja. Por causa da morte de sua mãe ele tem o pavor de armas, assim como repudia a violência.

Richie – nascido Richard “Richie” Osgood Foley, além de melhor amigo é um sidekick do Super-Choque, o persongem se mostrou ser um gênio e um ótimo aluno no decorrer da série. Mais tarde, é mostrado que as roupas de Virgil, ainda contendo resíduos do gás do “Big Bang” infectando Richie com o gás dando, à ele aumento de seu QI, fazendo com que ele se torne o Gear.


A primeira parte da Semana Heroica começou em nossa página no Instagram, com uma cena de um dos episódios, seguida do vídeo de origem do Super-Choque no quadro CR Origens, do canal, sendo esta a segunda parte. Veja abaixo:

Em nosso Instagram, explicamos do que se tratava a Semana Heroica. Deixaremos abaixo o post explicativo em nossa página:

 

https://www.instagram.com/p/CBvdstQDw3_/?igshid=4np03sgp1tr