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Críticas de filmes, séries, animações, animes e games.

Crítica: Batman – A Alma do Dragão (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Bruce Timm e DC começam 2021 com o pé direito.


Ninguém tem dúvida de que as animações da DC Comics são grandiosas e realmente muito boas de se ver, visto Batman – A Máscara do Fantasma ou a série animada da Liga da Justiça. Portanto, podemos esperar algo muito bom em uma próxima animação, misturando elementos dos quadrinhos e com base em sua originalidade. E então, 2021 começa com tudo com Bruce Timm comandando Batman e o kung-fu, na Gotham dos anos 70, homenageando o falecido quadrinista Dennis O’Neil e expandindo ainda mais a mitologia das artes marciais presentes na DC.

Para maiores de 18 anos, Batman: A Alma do Dragão, se habilita em explorar o universo não tão visto pelos fãs, as artes marciais. Os anos 70 foram repletos de quadrinhos sobre o kung-fu, graças a O’Neil, que criou Richard Dragon, Shiva, Tigre de Bronze e outros personagens. Ele jamais imaginou que seu pontapé se elevaria aos anos seguintes, com criação de diversos personagens que utilizassem as artes marciais como seu método de luta.

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A animação começa ao estilo James Bond, já que Timm é um grande fã do agente. É até engraçado ver Richard Dragon utilizando métodos que Bond utilizaria, mas não perdendo a sua originalidade de ser um grande artista marcial. E lembra muito bem o visual de Burce Lee, para os mais fanáticos em artes marciais. Passando disso, a história da animação traz quatro alunos de O’Sensei como foco: Richard Dragon, Ben Turner, Shiva e Bruce Wayne. A premissa é algo simples. Batman continua agindo nas sombras e uma organização criminosa intitulada Cobra, sendo seu líder Jeffrey Burr, o Kobra, que está em busca da grande Naga, para que varresse o mundo e todo o mal, mas, que também, iria explorar o passado de Bruce e seu aprendizado em Nanda Parbat

E é aí que está o ponto mais interessante do longa animado, os flashbacks. Batman está no título para vender, pois aparece mais como Bruce Wayne do que como Batman, dividindo a tela com Dragon e seus outros aliados. O maior acerto, como disse, são os flashbacks, que constroem as ações futuras e toda a narrativa. A equipe de produção mostra detalhes técnicos precisos, quando conseguem transitar de uma cena para outra usando os mesmos artifícios. E o filme ainda busca inspiração nos quadrinhos e em Batman Begins.

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Posso dizer aqui que fiquei admirado em como Timm dividiu o tempo de tela de cada personagem e conseguiu desenvolvê-los tão bem, apesar do meu desapontamento com dois personagens que não poderei revelar. Porém, é visível que o protagonista é Dragon, ofuscando Bruce, mas não tanto. Esse desenvolvimento do quarteto, que foi um grande acerto, poderia ser um pouco melhor. Não que o dinamismo entre os personagens não funcione, muito pelo contrário, faltou a um ou outro algo a mais que os tornassem únicos. Há clichês sutis, por ser um filme que aborda o kung-fu nos anos 70, como o próprio desenrolar para que Lady Shiva entre na trama, mas é algo que não incomoda tanto quanto a falta de um vilão.

Apesar de vários pontos positivos, incluindo o elenco de voz e a trilha sonora, assim como as coreografias de ação, o maior ponto positivo do longa animado, e que deve ser muito bem elogiado, a falta de uma boa motivação para o vilão foi o que me deixou incomodado. É claro que há um vilão conhecido e importante para a mitologia destes personagens, mas não há um bom desenvolvimento para que ele esteja fazendo aquilo. O próprio inimigo, diz ser “o grande escolhido” para liderar o ataque contra a humanidade e que é seu destino, desde criança, mas me parece algo totalmente infantil para um filme R-Rated. Outro ponto são seus aliados, que apesar de lutarem bem, como o Rei Cobra e Lady Eve, não tiveram desenvolvimento algum. Sei que eles não são os principais, mas mereciam um pouco mais de destaque.

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Divulgação/DC Comics

Há belos momentos, sem dúvidas, como um dos ensinamentos de O’Sensei para com seus alunos em Nanda Parbat, em que cobra de Bruce e os demais tentar quebrar uma pedra. Após uma metáfora sobre o crime, Bruce persistiu, assim como em outro flashback, em que ele sofre duros golpes, cai, mas sempre se levanta. São ótimos aprendizados em que o personagem teve, para que a animação consiga passar sua mensagem. Nessa antiga leva do DCAU, agora é preciso se reinventar, e parece que a DC encontrou o ponto certo, no momento certo.


Veredito

Apesar de seus pontos positivos, como as cenas de ação e a coreografia, o maior acerto na animação, há também alguns pontos negativos que deixam alguns clichês à solta no roteiro e o fraco desenvolvimento dos antagonistas. No entanto, na reta final,Batman: A Alma do Dragão se mostra digna de sua ação, sendo uma das melhores animações do herói nos últimos cinco anos, mesmo que erre vagarosamente em sua última cena, colocando em pauta uma possível sequência.

8/10.


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Crítica: Mulher-Maravilha 1984

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Uma era de maravilhas vai começar.


O sucesso estrondoso de Mulher-Maravilha (2017), fez com que a Warner Bros. pensasse em produzir uma sequência, agora em maior escala e com mais tempo. E então, Patty Jenkins, junto com Gal Gadot, mergulharam de cabeça em Mulher-Maravilha 1984, a sequência tão esperada pelos fãs, que conta com um elenco de peso e um dos melhores compositores do cinema mundial. Afinal, após tantos adiamentos, valeu toda a espera de ver o filme no cinema?

Mulher-Maravilha 1984 abre uma nova fase para a DC Comics, explorando ainda mais a mitologia da maior heroína de todos os tempos, em um patamar maior, trazendo novos vilões e antigos valores a serem adquiridos novamente pela humanidade: esperança, empatia e amor. Diana foi criada para isso. E com 2020 sendo um ano divisório para a sociedade, conturbado por conta da pandemia, cheio de ódio, brigas políticas e um momento devastador, o qual a humanidade viu que só a união poderia ser a força necessária para salvar muitas pessoas, Mulher-Maravilha 1984 tenta trazer essa mensagem de empatia, amor e verdade, sendo o filme que 2020 precisava.

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Diana passou quase 70 anos recordando dos bons momentos com Steve Trevor (Chris Pine), sua paixão e herói na Primeira Guerra Mundial e viu seus amigos ao redor envelhecerem. Atuando como Mulher-Maravilha durante todo esse tempo, mas fugindo dos holofotes e das câmeras, agora presentes na nova era de 1984, Diana Prince trabalha no Museu Smithsonian de História Natural, em Washington. Crescendo em sabedoria, a Princesa das Amazonas agora está cercada de uma nova tecnologia em meio a Guerra Fria, que já se encontrava em sua derrocada, com a União Soviética sofrendo uma crise econômica e estando atrás de diversas novas potências. À medida em que o mundo se desenvolve tecnologicamente, Diana aprende junto com ele, crescendo em sabedoria e nunca perdendo a fé na humanidade, mesmo que a humanidade perca nela própria.

Um novo “magnata” estava surgindo nos Estados Unidos, querendo pensar grande e ser grande. Maxwell Lord (Pedro Pascal), dono da Black Gold, ansiava em ser o homem mais poderoso do mundo ao garantir várias reserva de petróleo por todo o país americano. É claro que não seria uma tarefa fácil, já que um egípcio era o “homem do petróleo”, enquanto Lord era conhecido por ser o “homem da TV”. Em um outro lado da cidade, havia uma nova arqueóloga e geologista Barbara Minerva, que desempenhava várias outras funções, e por acaso, começou a trabalhar com Diana no Museu Smithsonian. Enquanto uma era forte, linda e sábia, a outra era desajeitada e desastrada, porém brilhante, algo que Diana viu nela. E por algum acaso, uma pedra aparentemente inofensiva, entrelaçou o destino dos três, Lord, Diana e Barbara.

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Para os leitores de quadrinhos, vagamente podemos lembrar do período em que George Pérez esteve a frente da Mulher-Maravilha no pós-crise, em que ele utilizou o período da Guerra Fria para construir a nova origem de Diana e o plano de Ares. Outros se lembrarão da velha Diana dos anos 40, criada por William Moulton Marston, em que sua única perspectiva sobre o mundo dos homens era salvá-lo de destruir a si mesmo. Além de se inspirar em velhas e novas histórias, Patty Jenkins também faz com que 1984 seja a data do filme, relembrando o livro de George Orwell, que retrata um futuro distópico, onde o Estado tem total controle sobre o povo, difundindo as ideias de manipulação, alienação, guerra e também o amor. Mulher-Maravilha 1984 utiliza destas ideias para construir sua narrativa, tornando os quatro personagens da trama personificações de sentimentos e emoções. Enquanto Diana é a esperança, Lord é a ganância de sempre querer mais e Barbara é a inveja. Já o papel de Steve Trevor serve como um farol para Diana não se perder totalmente em seu amor pelo piloto, mantendo sua imparcialidade e visão de que ele não deve ser o foco, e sim, o mundo.

Desenrolando para lá e para cá, a Pedra dos Desejos é algo muito além da compreensão humana, em que o vilão do filme precisa para mostrar ao mundo que ele seria o mais poderoso. Deixando se levar por isso e pelo coração, Diana tinha um único desejo: ter Steve Trevor de volta. Mas a que custo? Diferentemente dela, Minerva, a menina atrapalhada, desejou ser, literalmente, que nem a Diana. Tudo o que desejaram, receberam, e Lord não poderia ficar mais satisfeito com o colapso mundial em andamento.

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E falando sobre Trevor, a volta dele era um mistério e não percebo outra maneira dele ter voltado como foi mostrado no filme. Mesmo que essa crítica tenha um spoiler ou outro, não irei revelar como o personagem volta, muito menos tudo o que acontece. Posso dizer que a forma como o mesmo retornou, me agradou muito mais do que ver o Superman sendo ressuscitado por uma Caixa Materna – o que eu acho sem fundamento nenhum, visto o final de Batman vs Superman. Diana agora entra em um dilema: renunciar seu desejo e salvar o mundo novamente ou tentar salvar, mesmo que fique sem poderes e mantenha Steve para sempre ao seu lado? Vale salientar a inversão de papel para com o primeiro filme, em que Trevor apresenta o Patriarcado para Diana. Nesta sequência, a guerreira amazona fica encarregada deste trabalho, mostrando o período oitentista, as novas fases e o avanço tecnológico que o mundo veio a sofrer – ou ganhar.

Entre um primeiro ato de apresentações, o segundo ato do longa começa a explicar com mais profundidade o enredo. Os planos de Lord eram muito maiores do que poderia se imaginar. Na crescente trilha sonora de Hans Zimmer, Open Road, Diana e Steve caçam Lord até no Egito, onde a heroína vê que seus poderes estavam se perdendo e ela, nesse ritmo, viraria uma humana sem poderes. A cena da perseguição na estrada, é um dos pontos mais sólidos do longa-metragem, que consegue desenvolver Steve e Diana lutando lado a lado novamente. O CGI usado nessa cena de ação, em apenas dois pontos específicos, ficou claramente estranho, mas não é algo que tire sua experiência e nem válido para abaixar a nota desta crítica. Literalmente, após ver a sequência de ação, me recordei um pouco da perseguição da polícia contra o Batman em Batman Begins e Cavaleiro das Trevas Ressurge. É muito satisfatório vê-la salvando crianças, saltando alto e usando o laço para desviar uma bala para Trevor.

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Saindo do roteiro e colocando em pauta a atuação do elenco, posso afirmar que Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig e Pedro Pascal brilharam, mas meu destaque fica para Pascal, que incorporou o personagem muito bem, tornando-o um canastrão dos anos 80. As duplas do bem e do mal funcionaram em equilíbrio, e o carisma gigante de Gadot tornou ainda mais espetacular o filme. Foi fundamental ver o impacto que Steve Trevor faz na vida de Diana, sendo o porto seguro da heroína. Percebe-se a entrega da atriz para com sua personagem e concluo que ela nasceu para interpretar a Mulher-Maravilha, assim como Lynda Carter. Até mesmo em expressões faciais, as duas estrelas fizeram bem.

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Os detalhes técnicos como os efeitos visuais, coreografias de ação, figurino, ambientação e trilha sonora, são os pontos mais fortes da obra de Patty Jenkins, que usou um pouco mais de CGI do que o primeiro filme, que foi mais utilizado na luta contra Ares. A crescente e estrondosa trilha de Hans Zimmer, que foi feita mesmo para um filme dos anos 80, tenta passar o ar de aventura e heroísmo, como Superman: O Filme passou em 1978. É clara a inspiração na obra de Richard Donner, que tentou brincar um pouco com os créditos iniciais e finais. 

Assim como a trilha sonora, os efeitos visuais estão bons, mesmo que muitos tenham duvidado do visual da Mulher-Leopardo. As duas transformações dela, sendo a última a Mulher-Leopardo, de fato, foram bem colocadas e trabalhadas na produção. Gostei bastante de como conseguiram representar os anos 80 numa produção de quase 40 anos à frente. Seria injusto não ver indicação ao Oscar para a categoria de figurino, pois, o fizeram perfeitamente. Eu realmente me senti nos anos 80 e foi isso que o filme quis passar para o público, a confortabilidade de 1984, os novos desafios e a cultura da época. Até mesmo aos pequenos detalhes, a produção resolveu dar atenção. Aliás, o traje dourado é algo esplêndido e fiquei com aquele gostinho de “quero mais”, uma situação que poderá ser explorada no último filme.

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A dinâmica do filme funciona, trazendo leveza, diversão e seriedade nos momentos perfeitos, sem piadas fora de hora e exageradas. A atmosfera de uma aventura estilo Indiana Jones e Superman, fez de Mulher-Maravilha 1984 ser tão bom quanto, em sua estética e mensagem positiva que transmitiu para uma humanidade dividida, desacredita da verdade e cheia de politicagem e ódio. E parece que dessa vez, só a verdade pôde salvar o mundo.


Veredito

Mulher-Maravilha 1984 brilha em 2020, sendo um dos melhores filmes do ano, relembrando que, até mesmo uma heroína deseja amar como nós. Leve, solto e divertido, se aprofundando ainda mais na mitologia de Diana Prince, Patty Jenkins usa e abusa de cores mais vivas comparado ao primeiro filme. A DC não teve medo de querer algo em grande escala, muito maior do que o esperado pelos fãs e reuniu um grande elenco, que atuou de forma sólida e incrível, sendo o destaque o ator Pedro Pascal. 

O roteiro bem amarrado, não confunde em algum momento os espectadores, caso prestem bastante atenção ao filme. Há, sim, uma ótima consistência no filme, com pouquíssimos pontos negativos a serem levantados e em sua maioria, os pontos positivos se dão mais aos detalhes técnicos de produção. Com certeza, valeu esperar pela sequência e a DC se encaminha para um novo rumo nos cinemas. Cheio de esperança e com um grande coração, Mulher-Maravilha 1984 envolve alguns assuntos discutidos nos últimos anos, usando apenas três palavras para passar sua mensagem ao público: esperança, união e verdade, tudo o que nossa maior heroína representa.

10/10.


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Crítica: O Homem do Futuro (2011)

Aviso: Crítica com spoilers moderados.


É natural que obras inspirem outras obras, e o cinema, claro, não foge disso. No caso aqui, O Homem do Futuro, filme brasileiro dirigido por Cláudio Torres, é claramente inspirado na esquemática dos filmes de comédia americanos, De Volta Para o Futuro – em especial a segunda parte da trilogia – é o mais referenciado, por justamente contar com uma trama cheia de viagens no tempo e realidades alternativas, algo que é reproduzido no filme de Torres. E para dar mais um exemplo, De Repente 30 – que por sua vez é inspirado no clássico Quero Ser Grande – parece servir de referência para Torres, pois narra uma narrativa sobre arrependimento onde Jenna viaja no tempo e percebe que a vida não se limita à luxúria e riqueza, como ocorre na jornada de Zero, interpretado por Wagner Moura. Assim, O Homem do Futuro é uma produção brasileira trajada à hollywoodiana.

É notável o valor de produção aplicado aqui, afora os grandes nomes envolvidos como Wagner Moura e Alline Morais, os bons efeitos especiais impressionam para uma produção brasileira, e são competentes quando usados durante as viagens temporais. Por se tratar de viagens no tempo e linhas alternativas da realidade, o longa é uma ficção científica na pura concepção da palavra, e sendo assim, o diretor se dá liberdade para referenciar o gênero de diferentes formas, como nas vestes usadas por Zero na festa à fantasia, na qual ele se veste de astronauta, símbolo da ciência, e cobre o rosto com faixas como o protagonista de O Homem Invisível, clássico sci-fi de terror de 1933.

O que faz o longa funcionar, contudo, é justamente a mistura de gêneros, passando desde a ficção científica, do drama à comédia romântica. Tudo bem encaixado na narrativa. O lado de mais humor da obra, por exemplo, explora bem os mal-entendidos envolvendo passado, presente e futuro desenhados pelas viagens no tempo – como podemos ver na hilária cena em que Zero, vindo de 2011, decide pagar o taxista com Reais, quando, em 1991, a moeda do Brasil era o Cruzeiro. 

Sem contar o forte romance envolvendo Zero e Helena, sempre muito presente no decorrer do longa. Tudo bem mesclado para formar uma narrativa dinâmica, divertida e repleta de conceitos interessantes. É um filme sobre amor, arrependimento e tempo, como aponta a música Tempo Perdido, do Legião Urbana, por várias vezes tocada durante o filme.

O que me deixou com um gosto amargo ao encerramento da projeção foi justamente a última cena do longa, na qual vemos Zero num final feliz, satisfeito consigo mesmo. Para simbolizar este momento, o personagem se encontrara dentro de uma limosine, bebendo champanhe, sugerindo que o auge da vida fosse isso, sendo que o próprio filme antes sugere algo diferente ao vermos o protagonista podre de rico mas infeliz, insatisfeito. Me soa como uma mensagem contraditória entre as partes. Acredito que o diretor pudesse filmar este momento de felicidade duma forma mais simples, menos glamourizada. Mas, claro, a cena em especial não estraga o resultado final, que alcança o sucesso sendo um filme divertido, esquematicamente americano, que agrada a qualquer público, como era a intenção.

                  Veredito

Inspirado no modelo de comédias americano, O Homem do Futuro agrada com uma narrativa divertida sobre amor, arrependimento e tempo.
                                  7/10

Crítica: Pequenos Grandes Heróis (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Engraçado e divertido, porém não espere muito.


Pequenos Grandes Heróis da Netflix, um filme que se passa no mesmo universo de Sharkboy e Lavagirl, estreou há mais de uma semana e esteve no Top 10 da Netflix no Brasil, em segundo lugar. O elenco que conta com a estrela Pedro Pascal, e ainda mais formado por crianças, é um dos assuntos mais comentados da Netflix na última semana pelos jovens que cresceram vendo Sharkboy e Lavagirl. E é claro, muitos esperavam mais do filme.

Não podemos negar a diversão que o longa de Robert Rodriguez traz, e também não exigir muitos de detalhes técnicos e de roteiro num filme totalmente focado para crianças. Em si, a diversão funciona muito bem, assim como o trabalho em equipe entre as crianças, parecendo que as interações entre elas sejam um pouco mais naturais. 

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Divulgação/ Netflix

A estrela principal entre os adultos fica para Pedro Pascal (Marcus Moreno), um dos heróis da equipe dos Heroicos, uma Liga da Justiça controlada por uma empresa. É uma mistura de Liga da Justiça com The Boys, porém de uma forma mais infantil que ambas as equipes já citadas. Já entre as crianças, a protagonista é a filha de Marcus, Missy Moreno (YaYa Gosselin), que comanda o time jovem de heróis, filhos dos integrantes dos Heroicos. Taylor Dooley, a Lavagirl também retornou e fez algumas poucas aparições, que poderiam ser muito mais longas.

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Falando em Lavagirl, precisamos falar de seu cônjuge, o Sharkboy, que foi decepcionante por não falar sequer uma palavra. Mesmo com outro ator, as poucas cenas em que ele apareceu, não falou nada. Talvez possa ter uma explicação plausível sobre sua fala num próximo filme. Por outro lado, foi interessante ver o desenvolvimento, mesmo que pouco, do personagem de Pascal. O personagem tem um bom potencial para um segundo filme, assim como o Miracle Guy, um Superman mais “fraco”.

Não há nada de grandioso no filme para ser tão bem elogiado. Com o foco nas crianças, o maior desenvolvimento ficou para elas, dando um tempo considerável para todos da equipe. Um dos pontos mais fortes é a filha da Lavagirl e do Sharkboy, Guppy, que colheu os poderes da mãe e do pai, mas controla a água e não o fogo. O enredo é básico, nada muito grandioso, mas também nada tão grotesco quanto você pode imaginar. Pense na Liga da Justiça sendo atacada por Brainiac e capturados por ele. É essa a ideia. E com a “queda” dos Heroicos, alguém precisa salvar o mundo e cabe aos seus filhos fazerem o necessário.

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Por fim, podemos falar dos efeitos especiais que, comparando ao filme do Sharkboy e Lavagirl, estão melhores, mas nada surpreendente. Os efeitos são puxados ao primeiro filme desse universo, com poucas melhorias, e talvez, fosse do desejo de Robert Rodriguez manter os efeitos toscos para fazerem uma referência ao antigo filme, lançado em 2005. Já a trilha sonora e a ação do filme, não tem nada de espetacular, mas que não compromete o filme todo. Porém, o final é totalmente diferente do que você espera e isso pode comprometer sua experiência, assim como comprometeu a minha, mas foi prazeroso relembrar os tempos de criança de Sessão da Tarde. 


Veredito

Pequenos Grandes Heróis, da Netflix, já tem um público-alvo em mente e serve para agradá-los com uma boa diversão e inocência de heróis mais leves, apesar do final não ser muito agradável.  A trama é boba e segue alguns clichês de sempre, mas que traz uma leveza, carisma e um bom coração às crianças, para ver que seus pais também são seus heróis. 

5,5/10.


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Crítica: Onde os Fracos Não Têm Vez

Aviso: Crítica sem spoilers!


Não são todos os realizadores cinematográficos que compreendem a importância de respeitar a imaginação do espectador. A ausência de um personagem explicando o que está acontecendo toda hora gera não apenas um maior entrosamento entre o público com o que está sendo apresentado em tela, como estimula também nosso raciocínio.

É baseado nisso que a adaptação homônima de 2007 do romance Onde os Fracos Não Têm Vez, escrito por Cormac McCarthy, entra em destaque.

Roteirizado e dirigido pelos Irmãos Coen, que desde pequenos são apaixonados pela sétima arte, não vêem muita diferença entre brincar com suas câmeras e fazer seus filmes amadores quando crianças e dirigir um longa-metragem de alto orçamento e com um elenco de peso.

“Não irei apostar minhas fichas em algo que não sei onde vou me meter. Prefiro dizer: tudo bem, farei parte desse mundo.”

O convite: o filme inicia com a narração do xerife Ed Tom, que mesmo já tendo idade para se aposentar, persiste em permanecer no departamento de polícia do Texas. Suas palavras são ouvidas em imagens belíssimas do amanhecer, fotografadas por ninguém mais, ninguém menos que Roger Deakins. A cada take, temos em média um avançar de 5 minutos, e diversos panoramas privilegiados dos primeiros raios de sol no relevo texano. Em seu monólogo, Ed Tom comenta a mudança dos tempos, e o quão inexplicáveis e cada vez mais sanguinários são os crimes que vemos hoje. E já pelo seu tom de voz, percebemos que aquele xerife já percorreu muitas estradas, e mesmo eficaz em seu trabalho, não deixa de transmitir uma certa vulnerabilidade sensibilizante. Nisso, a escassez por informação se revela um mal inevitável – estar perdido em meio ao caos aterroriza. É se sentir insignificante, nulo – assim como a maioria das paisagens que nos são apresentadas: abertas, amplas, com poucos elementos, como se algo precisasse ser preenchido ali – mesmo nada podendo ser feito. E mais para frente, entenderemos como isso será rebatido.

Quando perguntado pelos Irmãos Coen se aceitaria o papel do vilão do filme, Javier Bardem respondeu: “Eu não falo inglês direito, não sei dirigir e sou feio” – logo, eles retrucaram: “E é exatamente o que precisamos”. E quem dera que este renderia seu Oscar no ano consecutivo.

O Western moderno dos Irmãos Coen não demora nem um pouco pra começar. Já na segunda cena, testemunhamos o assassinato brutal de um policial, pelo então antagonista psicótico, Anton Chigurn (Bardem). Mas a escolha de apresentar o vilão antes do protagonista tem motivo: gerar ameaça – nos dar consciência do perigo que está por vir com antecedência.

Na cena citada anteriormente, antes de morrer, o policial novato está numa ligação: “Está tudo sobre controle” – dizia ele, e ao colocar o telefone no gancho, acaba por ser sufocado por Anton. Isso diz muito sobre a insegurança que é gerada ao decorrer dos desdobramentos. Nunca sabemos quem está no controle da situação. Uma jornada de inconsistência e agonia.

Nosso protagonista, Llewelyn Moss (Josh Brolin) é apresentado em uma posição de superioridade. O mesmo encontra-se no alto de uma colina, caçando – sem esperar que em determinado momento, ele se tornará a caça. Em sua posição, é de extrema importância que a audiência simpatize com ele, e tema pela sua vida. E em alguns segundos, o acompanharemos por uma série de decisões que igualmente nos estimulam.

Llewelyn acaba de ver um rastro de sangue que se estende até um Pit-Bull agonizando, baleado, tentando se arrastar. Logo, ele avista um cenário de tiroteio. Ninguém está vivo. E lá, encontra uma maleta com 2 milhões de dólares. Ele sabe que se pegá-la, as consequências virão. Mas perde a luta para si mesmo, e a leva para casa. E convenhamos. Objetivamente, sabemos que não foi uma boa escolha. Mas em nenhum momento isso nos desconecta, porque o principal acerto na composição desse personagem é: ele é humano. Comete falhas. E da tamanha veracidade que nos é apresentada, e sabendo o mesmo da situação quanto Llewelyn, ficamos à par de suas ações, e gerando expectativas cada vez mais altas, até porque muitos dos acontecimentos-chave no longa são incrivelmente omitidos. Presume-se que algo aconteceu ali, mas nada nunca é revelado. Isso faz com que aos poucos, vamos montando as peças do quebra-cabeça, até cair a ficha de que a qualquer momento, algo pode dar errado.

E a que horas chegarão em minha porta? – É a pergunta que não sái da mente. Quando fazemos alguma coisa de errado, tememos que alguém descubra, que nosso segredo seja revelado. E a situação fica ainda pior quando a vida de quem você ama também está em jogo. E se arrependimento matasse, Llewelyn já teria morrido. O remorço que ele sente pelo peso de suas ações já não o permitem ter uma boa noite de sono.

Não há fuga sem rastros. É nesse momento que a decisão narrativa dos Coen gerará resultado. Já sabemos que não há limites para o Anton, que parece agir com um instinto animal. Calculista, frio. E de tanta insensibilidade e crueza que nos é mostrada logo no início, tememos pela fragmentação de nossa própria sanidade. Tudo isso é realçado pela constante sensação de perseguição, os pequenos detalhes, insegurança.

Provavelmente você já ouviu a expressão “depois da tempestade, vem a calmaria” – pois é, aqui é o contrário. Ficamos tão intrigados para a chegada do clímax que mal nos centranos no presente, e qualquer coisa fora do lugar, assusta, e muito. Em determinada cena, Llewelyn se muda temporariamente para um pequeno motel, e observa o estacionamento pela janela de seu quarto. Está tudo calmo. Calmo até demais. E a especulação se mantém até mesmo em cenas explosivas, quando o uso de silhuetas, mas um grande acerto na fotografia do Deakins, entra em jogo.

A lei do acaso parece ser o que vai definir a rota do Anton, que decide se mata ou não a vítima usando o clássico jogo do “cara ou coroa” – mas mal esperando que o feitiço irá contra o feiticeiro, quando em determinado momento, ele sofre um inesperado acidente de carro. E isso, pouco depois de passarmos um seguimento inteiro acompanhando todos os personagens se recuperarem (físico e mentalmente) após um exausto dia – coisa que não é sempre que se vê em um filme casual, aliás, ao esperar um conflito épico no final, os Coen simplesmete seguem por um caminho completamente diferente, podendo afastar aqueles que não compraram a ideia – até porque, uma das palavras que definem o filme, além de imprevisibilidade é: Niilismo.

Quando o personagem do Woody Harrison, um homem de negócios, entra na história com o objetivo de fazer uma proposta com o Anton, é encurralado pelo mesmo. E com o silêncio ao decorrer da cena (aliás, ausência de trilha-sonora durante o filme inteiro) – sabemos que não haverá uma esperança, uma luz no fim do túnel – aliás, não há um Deus no lugar onde os fracos não têm vez.

Veredito

O jovem clássico dos Coen é talvez um dos mais atmosféricos, enervantes e imersivos Thrillers já feitos.

10/10.

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Crítica: The Liberator (1ª temporada)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Minissérie sobre Segunda Guerra se baseia em história real.


Lançada no Dia dos Veteranos, a minissérie The Liberator, original da Netflix, explora o capitão Felix Sparks (Bradley James) e a Companhia E na Segunda Guerra Mundial em quatro episódios, com cerca de 45-55 minutos, redesenhando atores reais em um visual de animação muito parecido com os jogos da Telltale Games.  

A minissérie traz uma grande abordagem que o preconceito de superiores do exército diante de outros que não são de sua “raça”, dentro do contexto de uma guerra mundial. O oficial Sparks tem o grande trabalho de “reformar” soldados presos, que se envolveram em confusões após terem sofrido preconceitos por descenderem de mexicanos e tribos indígenas, esta última, que sofreu muito durante a Guerra de Secessão e contra colonos britânicos durante longos séculos. Mas, voltando, Sparks deveria colocar todos em forma e prepará-los para batalhas sangrentas na Europa, que estava tomada pelos nazistas.

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Comandando o 157° Regimento de Infantaria, o oficial Sparks conseguiu unir soldados abatidos pelo preconceito e mergulhados no ódio, transformando-os em bons e guerreiros aos olhos de outros superiores. São várias operações em lugares na Itália, como Salerno e Anzio, sendo um destes lugares que sua companhia teve grande dificuldade. A campanha na Alemanha também não foi das melhores, sofrendo muita pressão do exército americano após o desastre de Dachau, um dos campos de concentração nazista.

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Vamos destacar aqui a ótima atuação de Bradley James, protagonista da minissérie. Com personalidade forte, o ator conseguiu passar as dificuldades de estar na posição de comando durante uma guerra, e também a força e persistência que todo líder deveria ter. Os outros que compõem o elenco não ficam muito atrás, fazendo atuações sólidas e marcando personagens que o espectador pode se apegar. Em aspectos técnicos, os traços podem ser estranhos no começo, mas nada que não possa ficar acostumado após alguns minutos do segundo episódio. O uso de CGI misturando com live-action, inova ainda mais séries animadas que podem vir a ocorrer futuramente, usando a mesma textura que The Liberator usou. Uma outra, embora não marcante, qualidade, é a trilha sonora bem específica para guerra, puxando um pouco dos clássicos como O Resgate do Soldado Ryan, para mostrar uma campanha americana em telas.

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Talvez, um ponto negativo seja um pequeno deslize feito no primeiro e segundo episódio, que podem confundir o telespectador caso não preste atenção aos detalhes cronológicos que a série propõe. Porém, esses erros são “consertados” no terceiro e quarto episódio, entregando uma nova perspectiva na reta final de um drama mais profundo, que não repete os erros dos episódios antecessores. Há cenas que tocam a fundo a emoção, misturando tensão e tristeza em meio a batalhas sangrentas, que podem ser decisivas para a população daquele determinado país. O último episódio, de fato, mostra o que uma guerra é e pode causar, tanto para civis de forma física, quanto para soldados de forma psicológica, e alerta o poder da decisão que cada um tem de fazer.


Veredito

Com uma trama interessante, tendo como base o livro The Liberator: A Odisséia de 500 dias de um soldado da Segunda Guerra Mundial das praias da Sicília aos portões de Dachau, de Alex Kershaw, The Liberator aborda o preconceito dentro do próprio exército e suas rivalidades.

Trazendo uma ótima performance de Bradley James como protagonista, a minissérie animada inova com o uso de CGI e live-action, denotando as dificuldades em operações e os horrores vivenciados pelo oficial Felix Sparks e seus soldados.

9/10.


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Semana Heroica #8 | Crítica: Liga da Justiça – Ponto de Ignição (2013)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Flash viaja no tempo para consertar algo que aconteceu no passado, mas acaba criando uma realidade paralela, onde a Liga da Justiça não existe, o Superman está desaparecido e a Mulher-Maravilha e o Aquaman estão em guerra. Liga da Justiça: Ponto de Ignição é uma animação que se destaca entre todas as outras da DC. Com roteiro baseado na saga de Geoff Johns e Andy Kubert, o longa animado se mantém fiel ao quadrinho de mesmo nome. Com personagens profundos e muito bem desenvolvidos, é nos mostrado uma realidade muito diferente da que estamos acostumados a ver em uma animação de heróis, com detalhe especial para o Batman de Thomas Wayne que rouba a cena nas partes que ele aparece. Também contamos com a presença de cenas de violência muito sangrentas e emocionantes, junto com cenas de guerras com o exército de Atlântida contra as Amazonas, que são muito emblemáticas e bem feitas. Os traços da animação são aceitáveis, mas contém cenas que acabam sendo meio toscas por conta dos desenhos que muitas vezes deixam a desejar. A trilha sonora é bem colocada e ajuda na empolgação durante as cenas de luta, especialmente na cena da batalha entre Aquaman e Mulher-Maravilha. Por último, o roteiro é bem bolado, contando com cenas de viajem no tempo e entre universos que são bem mostrados e com partes que são bem dramáticas por conta dos diálogos que são bem feitos e filosóficos.

Veredito

A animação é muito bem feita e bem fiel ao quadrinho, com personagens incríveis e bem desenvolvidos, com uma trama excepcional, mas infelizmente possui alguns erros que deixam algumas cenas um tanto toscas, mesmo que não interfira na sua experiência. É uma animação essencial para os fãs de super heróis.

8,5/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

Crítica: Never Rarely Sometimes Always (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” – não é apenas o título do filme traduzido, como é também um guia de respostas para um questionário nada agradável. Uma sensação de labirintite constante. Um retrato cru e fiel de uma adolescente no século XXI, sua jornada, e suas escolhas.

Autumn tem dezessete anos, e trabalha como atendente de caixa numa mercearia. Após fazer alguns exames, descobre estar grávida de dez semanas, e viaja praticamente com a roupa do couro para Nova York com sua prima e companheira, Skylar, para realizar um aborto.

Desprovida de qualquer suavidade narrativa, a sensação de vazio existencial é levada por uma direção que incomoda, que capta a imagem sem artificialidades. São enquadramentos fechados, apertados (é raro ver planos abertos) que nos fazem sentir perdidos, ver que ninguém ali está se divertindo. Mas nunca perdendo a sensibilidade.

E curioso que: o dinheiro que elas usam para poder pagar a passagem foi roubado do seu chefe pervertido – enquanto todos os problemas do filme giram em torno dessa mesma questão. As dificuldades rotineiras vindas pelo simples fato de ser mulher. E a diretora Eliza Hitman não faz a menor questão de adoçar nada.

A fotografia com cores pastéis, quase mortas, assim como o céu constantemente nublado, parecem perseguir as personagens. O texto do filme é tão bem inserido que nem parece estar no roteiro. E se um rapaz não sabe os limites de uma “simples cantada” – mal sabe ele estar cometendo um assédio. E infelizmente, essa subtrama surge com certa veracidade. Pois não há mentiras ali.

E se esse tema é contornado de forma poderosa por um gesto inebutável e acolhedor pelas protagonistas, o mesmo pode se dizer do argumento central. Em nenhum momento há uma exposição narrativa insinuando que a mulher é a dona de de suas escolhas. Isso é refletido quando, na frente da clínica, há um protesto cristão contra o aborto, e necessitando passagem, elas passam por entre o grupo, em silêncio.

Mas se essa realidade abstinente parece abaladora, a diretora foca em apreciar as primas indo para uma padaria, contando o pouco dinheiro que têm para fazer alguns pedidos. E mesmo sem muitos diálogos, há uma emotividade encantadora ali. Ausência de diálogos que até mesmo está presente na hora que elas decidem fazer a viagem. Aliás, nós não precisamos concordar com as escolhas delas. Devemos respeitar.


Veredito

Com performances absurdas da Sidney Flanigan e Taile Rayder, e alguns momentos chocantes, Never Rarely Sometimes Always irá comover e impressionar, até que a ficha de que tudo aquilo é uma realidade, caia. Obra-prima.

10/10.

Crítica: V de Vingança (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Lançado em 2005, V de Vingança é baseado na HQ de mesmo nome, escrita por Alan Moore e desenhada por David Lloyd. A trama segue o misterioso V (Hugo Weaving) e Evey (Natalie Portman) em uma Londres governada sob um regime fascista e liderado por Adam Sutler, que curiosamente é interpretado por John Hurt, que viveu Winston Smith na adaptação de 1984, ou seja, ele conheceu os dois lados da moeda, um como ditador e outro como vítima de uma ditadura.

V utiliza todos os métodos possíveis para atacar o Estado, desde explosões até a invasão de um estúdio de TV controlado pelo governo. Mas não é apenas disso que o filme sobrevive. Todo o suspense criado em cima da real identidade de V, deixa o espectador cada vez mais curioso para descobrir a verdade. Outro fator que deixa a trama mais interessante, é o trabalho com esses ideais fascistas e de como é fácil manipular o povo com um discurso de ódio e palavras vazias e sem sentido.

O principal “problema” do longa, são os efeitos visuais nas cenas de luta, mas isso não atrapalha a experiência do espectador, já que o filme não possui problemas maiores, porque o enredo é fechado e sem furos. As atuações são boas, mas quem merece destaque é justamente o intérprete de V, Hugo Weaving, que entregou um trabalho magistral e nem precisou revelar o rosto.

O mais interessante, é que a máscara do personagem V foi baseada no rosto de Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento britânico na noite de 5 de novembro de 1605. O plano não deu certo, pois entregaram Fawkes, que acabou sendo preso, torturado e morto. Mas ao contrário da vida real, no filme, V consegue explodir o parlamento britânico durante o 5 de novembro. A cena ganha ainda mais destaque por vários fatores que não posso revelar, por conta dos spoilers, mas um deles é a trilha sonora utilizada, 1812 Overture de Tchaikovsky. A cena ganha ainda mais significado, pois naquele momento, o espectador percebe que V não era homem, nem uma mulher, mas sim, uma ideia, e ideias são à prova de balas.

Lembrai, lembrai do cinco de novembro. A pólvora, a traição, o ardil, por isso não vejo como esquecer uma traição de pólvora tão vil.

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415 anos da Conspiração da Pólvora


Veredito

V de Vingança é uma ótima adaptação, com um enredo sem furos e cheio de referências históricas. Os únicos defeitos estão nas cenas de ação por conta do CGI, porém, isso não interfere na experiência do espectador.

10/10.

Crítica: Convenção das Bruxas (2020)

 

Aviso: Crítica sem spoilers!


Convenção das Bruxas, adaptação do livro de Roald Dahl, é um daqueles filmes que se transformaram em clássicos da Sessão da Tarde nos anos 1990. O longa-metragrem encantou, apavorou e deixou as crianças que o assistiam com pesadelos – mesmo sendo uma obra voltada para o público infantojuvenil.

Agora, na era dos remakes e dos reboots, chegou a vez do clássico infantil sobre as bruxas malvadas e carecas ganhar uma nova leitura no cinema. O escolhido para a direção foi o grande Robert Zemeckis, responsável por clássicos como Forrest Gump – O Contador de Histórias e a trilogia De Volta Para o Futuro. O fato é, no entanto, que não conseguimos identificar traços na direção de Zemeckis presentes nas obras memoráveis de sua filmografia. É uma direção sem personalidade, sem brilho, quase que no piloto automático. A sensação que fica é que o trabalho de Zemeckis poderia ter sido feito por qualquer diretor de “aluguel”.

Poucas são as mudanças na história em paralelo com a obra original, dentre elas, a localização dos eventos, que outrora se passavam no Reino Unido, agora se passam nos Estados Unidos, mais precisamente no estado do Alabama. Inclusive, é no Alabama que vemos ocorrer uma diferença significativa na obra: a mudança na etnia dos personagens. Jahzir Bruno interpreta o menino que se depara com as bruxas e a carismática Octavia Spencer dá vida à sua querida avó, dois personagens pretos que são introduzidos à esse encantado conto sobre bruxas malfeitoras. Uma mudança mais que bem-vinda.

Apresentados os personagens – após passarem o primeiro ato construindo a relação do menino com a avó -, chega o momento deles embarcarem numa aventura no mais luxuoso hotel. É curioso, no entanto, como a obra desanda após a aparição da personagem de Anne Hathaway, ao mesmo tempo que somos brindados com uma boa performance da atriz. Ela intimida – apesar do rostinho bonito para ser uma bruxa -, está à vontade no papel e atua com uma energia que lembra Anjelica Huston como a intérprete da bruxa suprema. Contudo, como dito antes, o longa desanda após a aparição da vilã, pois, ao contrário de Anjelica Huston, que era amparada por uma fascinante maquiagem, Hathaway trabalha com um péssimo uso de efeitos digitais. Na sequência da revelação das bruxas no auditório – que se tornou memorável no longa de 1990 – o uso dos efeitos especiais fazem com que as bruxas, ao invés de causarem impacto e pavor, sejam motivo de vergonha alheia para o espectador. A frustração é ainda maior quando vemos que Guillermo del Toro, grande nome da maquiagem no cinema, estava entre os nomes na produção.

Assim, vemos que os elementos que fizeram da fonte original ser tão especial, como a assustadora maquiagem e as apavorantes bruxas, não são presentes aqui, ao contrário, são trocados por vergonhosos efeitos digitais e por bruxas que são mais motivos de risos do que de medo. É melhor ficar com o verdadeiramente assustador conto de 1990.


Veredito

Mesmo com performance inspirada de Anne Hathaway, o remake de Convenção das Bruxas não empolga e se torna até cansativo, mesmo sendo uma versão mais suavizada do clássico infantil das bruxas.

5/10.

Semana Heroica #8 | Crítica: Homem-Aranha 2 (2004)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Homem-Aranha 2 mostra o herói dividido entre seu sonho e sua responsabilidade.


Não é mistério para ninguém que Homem-Aranha 2 é uma das melhores adaptações de quadrinhos que já foram feitas para o cinema, e que também, consagrou o ator Tobey Maguire e o próprio diretor Sam Raimi. com ambos mostrando sua visão do Cabeça de Teia para o cinema. Não é fácil falar sobre um filme como este, já que ele é tão especial, não só garantindo uma grande legião de fãs, mas porque é um dos mais lembrados com carinho pelo público que cresceu vendo o super-herói de Maguire.

Seguindo o sucesso do primeiro filme, ainda lançado em 2002 e usufruindo da mesma fórmula, alterando poucas coisas, a sequência mostra Peter Parker mais maduro como pessoa e herói, morando sozinho e lidando com aluguéis, trabalhando para tentar se sustentar e estudando para garantir seu futuro. Todo este conjunto está bem empregado no longa e mostra a vida dupla que o garoto leva. Salvar Nova Iorque por horas indeterminadas quando Homem-Aranha, estudar, trabalhar e ter motivos para se preocupar com sua tia May (Rosemary Harris) quando Peter – não podemos excluir seu amor por Mary Jane (Kirsten Dunst), a quem ele não consegue trazer para si e contar seu maior segredo.

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Uma vez dedicado aos estudos, Parker ainda é brilhantes, mas se torna relaxado, por conta de ser o Homem-Aranha. Toda essa dualidade é difícil para ele, não conseguindo equalizar tudo. Para piorar a situação, os constantes ataques do Clarim Diário contra o Homem-Aranha o deixam ainda mais pra baixo e nervoso, já que não reflete o que ele é e o que faz. Por outro lado, a situação financeira de sua tia não está nada bem, podendo perder a casa após não pagar a hipoteca ao banco. Além disso, ao descobrir que sua melhor amiga e paixão pode estar saindo com alguém, ele se sente frustrado, começando sua derrocada como herói. 

O pontapé inicial para que ele se sentisse ainda mais estressado e frustrado foi quando, Mary Jane o convida para assistir sua peça, e devido a uma fuga de bandidos e sua atuação como Aranha, ele se atrasa e é proibido de entrar. Mas a tristeza e decepção o toma quando ele vê sua melhor amiga estar nos braços de outro homem, que coincidentemente é filho de J.J Jameson (J.K Simmons), seu chefe no Clarim. Essa decepção despertada em Peter atinge seus poderes, o deixando sem eles e acreditando que sua carreira poderia ir caindo quanto à isso.

Após idas e vindas, sendo ignorado por MJ e tendo conhecido seu ídolo, Otto Octavius (Alfred Molina), que seria o tema de seu trabalho na faculdade acerca do projeto de energia renovável, ele é convidado a ver a experimentação que Otto faria no próximo dia, aberto ao público. E não poderia dar mais errado. O começo do teste foi bem sucedido, usando o trítio para seu projeto, que foi financiando por Harry Osborn (James Franco) e a Oscorp. Com um simples erro matemático, tudo veio por água abaixo, e quando o Homem-Aranha tenta intervir e salvar Otto, já era tarde após o choque que tomou, destruindo o chip inibidor, que lhe dava o total controle de seus tentáculos de metal. A partir de um incidente trágico, nasce o Doutor Octopus, um dos vilões mais marcantes do personagem nos quadrinhos.

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“O poder do sol na palma da minha mão

Corrompido por seus tentáculos e seu maior sonho, Otto invade o banco e tenta roubá-lo, mas não esperava que Peter estivesse lá, e em instantes, o Homem-Aranha surge para confrontar seu inimigo pela primeira vez. Ambos estavam se conhecendo, suas habilidades e estilo de luta, o que garantiu aos dois, maior poder para uma outra batalha. A repetição aqui é colocar novamente a doce Tia May em perigo nas mãos de um vilão. No primeiro filme, o Duende Verde (Willem Dafoe) fez isso. Mas não tira nenhum brilhantismo do filme e só acrescenta ainda mais o drama de Parker no filme.

Para decretar sua decepção, ao ter que ir trabalhar em um evento que reuniu John Jameson (Daniel Gillies), o namorado de MJ, a surpresa está por conta do anúncio de casamento entre os dois e seu melhor amigo, Harry, descontando sua raiva por Peter ser leal ao Homem-Aranha, de quem tira as fotos. A patrulha após o evento, em vez de servir para acalmá-lo, só serviu para deixá-lo ainda mais preso em seu medo e fazê-lo perder os poderes. Estaria em suas mãos decidir o que deve fazer. Sua consulta médica abriu novos olhares, e a ilusão com seu tio Ben (Cliff Robertson) deixou claramente que ele era só um garoto acadêmico, que desistiu de ser o Homem-Aranha para viver sua vida e seus sonhos. Essa cena em convencional, é uma das mais emocionantes e arrepiantes da história do Homem-Aranha nos cinemas, ainda fazendo uma clara referência a HQ Homem-Aranha: Nunca Mais!

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Melhorando seu relacionamento com Mary Jane e com sua tia, além de sempre estar chegando na hora nas aulas da faculdade, Peter era uma nova pessoa, totalmente diferente do velho Peter. Até mesmo conseguiu assistir a peça de sua amiga, mas não foi o suficiente para que ela mudasse de ideia sobre o casamento. Toda esta melhora resultou em uma grande confiança, mas ainda assim, ele tentava se desviar de crimes recorrentes, até que não conseguiu em uma das partes do filme, e como Peter Parker, salvou uma menina de um prédio em chamas. “Coragem”, foi a definição do bombeiro, que ainda contou que um homem morreu em outro andar. Naquele momento, Parker viu o quão era necessário ter o Homem-Aranha na cidade. Não só esse momento, mas a conversa com sua tia, que emociona, o convence ainda mais a voltar a ser o herói. Pequenas coisas o fizeram ganhar uma grande confiança.

Seu retorno e a volta dos poderes s deu quando sua amada entra em perigo, justamente nas mãos do Dr. Octopus, seu grande inimigo no longa. A raiva que tomou conta de Peter, ajudou-o a recuperar seus poderes e voltar como o Teioso. Totalmente, a sequência da luta sobre o trem, é a melhor já feita na trilogia, pois ambos os personagens se entregam, já que cada um conhecia suas habilidades. Toda essa batalha frenética, resultou em Peter parando o trem antes que chegue no fim da linha. É realmente incrível a entrega de Maguire nessa cena. Descrever a cena, é quase impossível, pois passa aos espectadores a importância do herói para os cidadãos de NY, que o ajudam e demonstram seu carinho, após ele esgotar todas as suas forças para salvar os passageiros, colocando em risco seu alter ego. O sacrifício foi reconhecido pelas pessoas, que o carregaram como um verdadeiro herói. E todo o conjunto anterior já mencionado para ganhar mais confiança, e a promessa dos passageiros de que não contariam a identidade à ninguém, faz o Homem-Aranha acreditar que as pessoas ainda são boas.

Vale lembrar que, quando os garotos entregam a máscara, a faixa de Danny Elfman, Farewell, do primeiro filme, começa a tocar, denotando a leveza e o sacrifício de um garoto para salvar centenas.

“Ele é só um garoto, da idade do meu filho”.

Envolvendo a trama de Otto e conectando com a subtrama do ódio do Harry pelo Aranha, que seria resolvida no próximo filme, o final do longa se aproximava, com uma grande reviravolta no terceiro ato, o qual seus melhores amigos descobrem sua identidade. A luta final também não deixou a desejar, e Peter revela a identidade também para seu vilão e ídolo, vendo que, mesmo corrompido pelos tentáculos, Otto ainda era uma boa pessoa no fundo. É isso que o Homem-Aranha tenta fazer; fazer com que as pessoas vejam o melhor de si.

Desistindo daquilo que Otto mais sonha, ele afunda sua máquina e salva a cidade. Por outro lado, Peter também desiste do que ele mais quer na vida, que é namorar a MJ, dizendo que ambos não poderiam ficar juntos, já que ele sabe que terão mais inimigos. Isso mudou totalmente a opinião dela na hora de se asar, deixando seu noivo esperando no altar e correndo para os braços daquele que a ama.

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Homem-Aranha 2 brilha em atuação e um roteiro bem construído, tornando o herói e seu vilão mais humanizados do que nunca, com os problemas da sociedade em si e de suas vidas em particular. Tobey Maguire e Alfred Molina entregam aqui, tudo de si, com uma atuação de grande nível de ambos os atores, dramatizando seus personagens ainda mais. Será difícil ver um futuro filme do herói onde o protagonista e o antagonista atuam no mesmo nível.

Não podemos esquecer da clássica trilha de Danny Elfman, sendo este sua última composição para o Homem-Aranha. Toda a leveza e o tom heroico, fazem o ambiente do filme, e que realmente combina com ele. Torna tudo mais épico, especial e memorável, como o web-swing no final, repetindo o final de Homem-Aranha 1.


Veredito

Realmente, não é fácil descrever uma das grandes obras-primas dos filmes de heróis, e há muita coisa ainda que poderia ser falada aqui, mas não foi, como a preparação de terreno para o novo filme, que teria seu melhor amigo como vilão. Mas, pode ficar para uma outra matéria ainda mais detalhada. 

Em suma, Homem-Aranha 2 acerta em tudo que há de bom na mitologia do herói, mostrando a essência do personagem, que inspirava outras pessoas e que também era um humano, assim como todos nós. Sam Raimi consegue usufruir de tudo que as HQs do personagem oferecem, indo do visual do herói aos problemas de um acadêmico. A estrela de Tobey Maguire brilha, assim como a de Alfred Molina, sendo um dos melhores trabalhos dos atores em toda sua carreira, se não for o melhor.

Não só aspectos na história ou elenco, mas o visual, a fotografia do filme e especialmente a trilha sonora, fazem com que a obra seja especial e gratificante, moldando toda a ambientação do filme e o tornando ainda mais inesquecível pelos fã; e que fazem de Homem-Aranha 2 uma real obra-prima a ser desfrutada por todos.

10/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

Crítica: Enola Holmes (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma adolescente cujo irmão, mais velho, é o renomado detetive Sherlock Holmes (Henry Cavill). Quando sua mãe desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que ela faça o mesmo, a garota inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu irmão, Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno só de meninas.

O filme se baseia nos livros de Nancy Springer, que mostra uma história bem diferente do que estamos acostumados a ver sobre os Holmes. Até por que é contado de um ponto de vista diferente, o de Enola.

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O filme tem pontos altos e baixos, e um dos pontos altos são os atores. O longa possui um um elenco de grande peso e todos eles tem participações inesquecíveis. Millie Bobby Brown está incrível no papel com uma personagem bem carismática e cativante, assim como Henry Cavill apresentou um bom e diferente Sherlock. E Sam Claflin mostrou um Mycroft mais arrogante de forma bem diferente e especial.

O figurino é excelente, mostrando o visual das pessoas no século XIX com roupas muito bonitas e mais formais, como ternos, vestidos e outros que marcaram o século. A fotografia e o ambiente do filme é muito bonito, mostrando Londres durante o século XIX de forma bem ampla, visando bem os tempos antigos.

O roteiro é interessante, com uma investigação bem legal e cenas de ação animadas. Mas ele falha com cenas que acabam sendo meio forçadas, com uma quebra da quarta parede totalmente desnecessária que acaba um pouco do suspense das investigações.


Veredito

É um filme bem divertido para ver com a família e amigos, que irão se identificar com alguns personagens que são muito cativantes, mas tem coisas que não vão agradar muito alguns dos fãs dos Holmes. 

6,5/10.

Crítica: Noite Sem Fim (2015)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Mais um filme de ação com Liam Neeson.


Com um título totalmente diferente do original (Run All Night), Noite Sem Fim é o filme típico de ação e fuga que todo fã gosta de ver. Do mesmo diretor de O Passageiro e outros dois filmes com Liam Neeson, Jaume Collet-Serra consegue deixar com que os espectadores fiquem imergidos numa ação quase contínua, em alto nível de intensidade. Essa é cara do Liam Neeson.

A trama gira em torno de um gângster aposentado chamado Jimmy Conlon, que sofre com pesadelos daqueles que teve de assassinar, e por ser um gângster no passado, seu filho Mike (Joel Kinnaman) não consegue aceitá-lo como pai. Mas tudo muda quando Mike é posto em perigo, após uma tragédia familiar acontecer na vida de Shawn Maguire (Ed Harris), antigo chefe de Jimmy, forçando Shawn e a polícia perseguirem Jimmy e Mike.

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“Badass” como sempre, Neeson entrega seu personagem como um homem sem destino, apenas esperando a própria morte. Flagelação do que ele fez no passado? Sim, e querendo pagar seus pecados, mas não sabendo como fazê-lo sem que fique com algum investigador o incomodando. A única esperança é seu filho, que é o oposto do pai, um segurança e motorista, que cuida de sua família, seu bem mais precioso.

Contrapondo esta visão de redenção, seu antigo chefe pensa o contrário, ainda atuando como um “chefão” nos bastidores e tendo um filho mimado, querendo ser tão maior quanto o pai – que reconhece, pelo menos, suas limitações -. O elo de amizade entre Jimmy e Shawn durou até um ponto, o qual Jimmy teve que ultrapassá-lo. E é por um simples aspecto no roteiro que ele todo muda, de algo mais calmo para avassalador, com uma ação incansável.

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O clima soturno consegue criar uma ambientação favorável para a visão de Collet-Serra, que usa e abusa de cores mais escuras em sua paleta, tornando a fotografia um dos pontos altos do filme, que é um pouco diferente de A Orfã, longa o qual há cores mais gélidas, não tão escuras quanto este thriller de ação. Seguindo por este caminho, a trilha sonora composta por Junkie XL representa muito bem o que é um filme de ação com Liam Neeson, tornando a música mais elétrica em momentos de fuga, e mais sentimental com cenas entre o elo familiar que o protagonista carrega. Os detalhes técnicos se conectam um ao outro, conseguindo formar um grande clima e ambientação para o longa de Collet-Serra.

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Tanto estes pontos técnicos de compositor, como o de fotografia, é válido elogiar o roteiro construído por Brad Ingelsby, além da visão do diretor Jaume Collet-Serra, acertando em mais um longa de ação, com personagens fluidos e capazes de serem muito mais o que foi entregue no filme.


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Noite Sem Fim consegue mostrar o lado obscuro e sombrio do coração de um protagonista, que tenta se redimir de seus pecados, deixando sua família mais perto do que nunca e a salvando do perigo. Em atos rápidos e não cansativos, a proposta do filme se encaixa de forma linear com a visão do diretor, que não erra na ação e conta com um bom elenco.

8/10.

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Crítica: Batman Begins (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A intenção de dar um tom mais sério e sombrio para um novo filme do Batman pode ser percebida desde a entrada das logomarcas iniciais da Warner e DC Comics, que adotam cores mais escuras e sombrias, indiciando o que vinha por vir em Batman Begins. Aqui, os carnavalescos filmes de Joel Schumacher foram esquecidos, prevalece a visão de Christopher Nolan do personagem e a ideia de trazer o universo do Batman para um contexto mais condizente com a nossa realidade, e sem se esquecer da essência do herói vindo dos quadrinhos.

Mesmo aqui, produzindo um grande blockbuster, um filme de estúdio, Nolan não deixou de abordar as temáticas que fizeram dele um diretor conceituado dentro da indústria, como a moralidade e a psique humana. Em Batman Begins, o tema principal é o medo, os traumas que ele causa e a forma que encontramos para superá-lo. Bruce Wayne, assombrado pela morte de seus pais, resolve viajar o mundo com a intenção de conhecer a mente criminosa ao abdicar de seus privilégios e ter que roubar para sobreviver, no caminho ele se envolve com a Liga das Sombras, uma liga de assassinos que adota atitudes extremas visando o bem da humanidade. Contudo, Bruce não aceita seguir a filosofia do clã de assassinos, pois seu caráter, que seu pai Thomas Wayne tanto havia incentivado, falou mais alto. Ele, então, decidido a combater a criminalidade e a corrupção que infesta Gotham, escolhe usar o seu medo de morcegos como um símbolo para aterrorizar e combater os corruptos que corroem a cidade que seu pai tanto prezou por ajudar. Tais ideias e conceitos de moralidade diferem Batman Begins da maioria das adaptações de quadrinhos que são lançadas constantemente.

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Um dos grandes trunfos do longa está em Christian Bale. O brilhante ator, vindo de sucessos como Psicopata Americano, encorporou o personagem de tal forma que, até hoje, foi quem melhor interpretou o Morcego de Gotham no cinema. O britânico conseguiu com perfeição fazer a dualidade entre o playboy Bruce Wayne e o idealizado Batman. Ele conseguiu distinguir bem ambos os personagens: de um Bruce inseguro e assombrado pelo medo para a imagem de um playboy vazio – imagem essa que serve para não associarem seu nome ao novo vigilante de Gotham -, e, então, Batman, sua verdadeira face, sua personalidade idealista que acredita na salvação da cidade e aterroriza os bandidos com sua presença amedrontadora e uma voz grave concedida pelo ator. Assim, Bale foi um elemento chave para a construção do protagonista de Batman Begins, este que, por sinal, é quase um estudo de personagem.

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Mas nada disso seria possível sem a maestria de Nolan na direção. Com o roteiro muito bem escrito por ele mesmo e David S. Goyer, o diretor separou o longa em três atos, Bruce Wayne entrando na Liga das Sombras e se aperfeiçoando, o retorno à Gotham e suas primeiras ações como Batman, e, finalmente, o embate contra Ra’s al Ghul no final. Nolan conduz essa narrativa sem tentar se apressar, com cenas de ação muito bem filmadas, um bom ritmo e que realmente desenvolve o protagonista criando elipses que deixam coerente toda a fase de amadurecimento do personagem, do vingativo Bruce Wayne ao idealista vigilante de Gotham City.

Batman Begins mostrou que poderia ser feito algo a mais em adaptações de quadrinhos, algo mais autoral e corajoso. Um filme marcante que apresentou personagens e introduziu conceitos que seriam ampliados na obra-prima que viria posteriormente.


Veredito

Batman Begins trouxe a abordagem mais séria e realista que o público tanto ansiou em ver. Um filme marcante que tem muito à dizer sobre seu protagonista.

9/10.

Crítica: Bill & Ted: Encare a Música (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Bill & Ted: Encare A Música acompanha Ted (Keanu Reeves) e Bill (Alex Winter), dois rapazes que atingiram a meia idade, fazendo com que suas preocupações voltem-se para suas famílias e outras responsabilidades da vida adulta. Depois de anos lidando com a frustração de ainda não terem escrito a melhor música de todos os tempos, eles recebem a visita de um homem do futuro e descobrem que apenas uma música criada por eles pode salvar o mundo.

O filme possui aspectos muito interessantes e especiais, pois é um tipo de longa que não estamos muito acostumados a ver. Já começando pelo roteiro, que é até bem bolado e mistura bem a comédia com viagem no tempo e também possui ótimos diálogos e que lembram os seus filmes anteriores.

Keanu Reeves e Alex Winter estão incríveis no papel, pois não perderam a essência dos personagens e continuam com seus carismas que agradam o telespectador.

A trilha sonora é o ponto alto do filme. Com músicas de diversos gêneros, como rock, rap, clássica e outros. Para a contribuição da trilha para a obra, tivemos arranjos de guitarra como os de Jimi Hendrix, arranjos de piano como o de Mozart e de muitos outros músicos clássicos que são interpretados no filme.

Os efeitos especiais do filme são interessantes, pois é mostrado um jeito de viagem no tempo bem conhecido entre os fãs, e é onde os efeitos especiais funcionam. Além disso, o filme conta com cenas no inferno, onde eles vão atrás da Morte – personagem já conhecido para quem assistiu os dois primeiros filmes -, e no inferno os efeitos especiais funcionam bem. E detalhe para a cena final que os efeitos especiais têm aparições muito agradáveis.

Porém, o filme conta com cenas um pouco atrapalhadas e algumas vezes o humor parece muito forçado, mas nada que estrague sua experiência assistindo a sequência.


Veredito

É um filme muito divertido para assistir com a família e amigos, com ótimas músicas e um humor bem usado nas cenas.

7/10

 
 
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Semana Heroica #8 | Crítica: Constantine (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O ocultista e exorcista John Constantine (Keanu Reeves) tenta garantir seu lugar no paraíso enviando demônios de volta ao inferno, mas seu destino está ligado ao de Angela (Rachel Weisz), uma policial que investiga o suposto suicídio de sua irmã gêmea.

O longa dirigido por Francis Lawrence tem pontos altos e baixos e infelizmente não é tudo o que esperávamos. O filme tenta se basear na HQ Hellblazer, que conta com a presença de Constantine nela. Porém, ele não segue os mesmos padrões do quadrinho.

Para começar, o figurino do filme não é ruim, mas ele é bem diferente do visual usado por Constantine nos quadrinhos; mas ele continua mostrando um visual mais desajeitado de John. É preciso falar do visual do Anjo Gabriel (Tilda Swinton), que é um tanto interessante, mostrando uma mulher usando roupas masculinas e possui parte do cabelo raspado, visando o que dizem sobre os anjos não possuírem sexos diferentes.

Os efeitos especiais do filme são bons e agrada o telespectador, principalmente em cenas que Constantine vai ao inferno e é atacado por demônios. A fotografia do filme é bem interessante, pois ela sempre mostra um lado obscuro de tudo, com tons de cor mais escuros, fazendo com que o filme fique com uma pegada mais sobrenatural.

A trilha sonora nem sempre está presente e não possui nada tão marcante, mas nas cenas em que ela é precisa ela funciona bem. Por outro lado, as cenas de ação são boas, mas o filme não conta com muitas delas também, o que faz com que o filme fique mais pro lado do suspense.

Falando sobre suspense, esse é um ponto que é bem interessante, mostrando como Constantine vive ao lado de anjos e demônios de uma forma mais aberta. Mas há momentos em que o roteiro do filme falha, e muitas das vezes o suspense não funciona, fazendo o filme possuir algumas cenas tediosas.

Por fim, a atuação de Keanu Reeves é boa, pois ele possui algumas coisas que nos lembra de como o Constantine é, com certa arrogância e deboche.


Veredito: O filme ao todo não é ruim, mas ele possui partes que faz que o telespectador fique meio desconfortável por conta de cenas sem graça e sem algo que a mantenha viva. Mas ele conta com cenas muito bem feitas e bem diferentes do que estamos acostumados a ver sobre anjos e demônios, e como Constantine vive no meio disso. É um filme divertido e bem interessante, mas com algumas falhas que incomodam.

6,5/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem, essa última no canal do Critical Room.

Confira o vídeo de origem do personagem:

Crítica: Mulan (1998)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Como na China da Dinastia Han imperavam os bons costumes, o papel das mulheres era de se casar e cuidar do lar, enquanto os homens sustentavam a casa e lutavam nas guerras. Quando o exército Mongol invade a China, os homens são convocados para servirem e lutarem por sua nação, ao ver que seu pai velho e doente pudera morrer na guerra, a jovem e espirituosa Mulan decide se passar por homem e ocupar o papel de seu pai no exército chinês – o que revela o caráter progressista e até revolucionário da obra.

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A jovem não se encaixava nas tradições familiares que a sociedade impunha, apesar de se esforçar para isso. Ao ser confrontado por Mulan, orgulhoso, seu pai diz entender que lutar e morrer na guerra é o seu lugar, e que ela deveria entender qual o dela. Mesmo assim, a jovem não se contenta, impulsiva e corajosa como é, se sente no direito de salvar seu pai e servir no exército, provando que ela mesma escolhe seu lugar e define seus limites. Ora, se sua tarefa era honrar sua família, nada mais honroso que lutar por sua nação. Esta é a alma do conto – algo que o remake live-action de mesmo nome parece ter se esquecido -, uma mulher que, acima de qualquer dom ou talento, tem a coragem e a força de vontade para lutar e superar a barreira do conservadorismo.

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Além da força temática, a animação também se mostra ser uma excelente opção de entretenimento, pois é conduzida de forma dinâmica, ágil, mantendo a ação como prioridade. Temos ótimos momentos cômicos, especialmente envolvendo o dragão Mushu, personagem marcante por si só que, assim como Mulan, quer demonstrar seu valor como indivíduo. Assim temos uma das obras mais divertidas e engraçadas da Disney.

A opção pela ação quase que ininterrupta é acertada, ainda mais se levarmos em conta as cenas de ação que são muito bem dirigidas. A sequência da avalanche, por exemplo, tem um grande plano aberto do exército Mongol indo de encontro ao exército chinês, momento tão icônico e grandioso que se equipara a cena da debandada no desfiladeiro de O Rei Leão.

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Mulan não só é um dos melhores expoentes da Era da Renascença da Disney, uma de suas épocas mais ricas, como também é um dos maiores clássicos do estúdio de animação. O longa traz um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.


Veredito

Com uma protagonista cativante, temos em Mulan um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.
10/10

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Crítica: O Estranho que Nós Amamos (2017)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A monótona e tediante rotina das mulheres que residem o internato de garotas na Virginia começa a ficar movimentada quando um homem, cabo do exército ianque na Guerra Civil Americana é encontrado ferido perto da região. As mulheres, em ato de “fé”, decidem então cuidar do soldado inimigo enquanto este se recupera. Ao momento que elas o levam para dentro e fecham o portão de casa, sentimos que iremos acompanhar não só uma relação de afeto entre as partes, mas algo que vai além, muito além.

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É interessante ver que, mesmo sendo uma obra atmosférica, Sofia Coppola opta por um viés naturalista, não fazendo uso de trilha sonora – num lugar extremamente silencioso -, enquadrando em plano longos, sem movimentos bruscos. A atmosfera é criada através das sugestões, dos olhares, das provocações entre os personagens. As cores lavadas e escuras, portanto, não são uma mera opção estética, elas reforçam que essa estória não é calorosa e romantizada como pode se imaginar, mas sim um provocante thriller psicológico que envolve os personagens num conflito brutal.

Coppola, porém, não faz julgamento de seus personagens. Apesar de ocorrerem momentos pesados durante a trama, todas as ações são justificáveis, uma figura de vilania não é estabelecida. A jovem Alicia (Elle Fanning), que poderia ser caracterizada dessa forma, não é uma figura antagônica, ela sim representa a perda da inocência, que, ao ver um homem atraente, coloca seus anseios acima de suas crenças e dos bons costumes. Ela, assim como as outras garotas da casa, quer descobrir o desconhecido, quer algo além daquele internato, como podemos ver por diversas vezes nas cenas em que as garotas observam o horizonte se imaginando fora dali.

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Premiada em Cannes, Coppola entrega aqui uma obra instigante que tem o sugestivo como ponto forte, uma narrativa do ponto de vista feminino, como outros filmes da diretora de Encontros e Desencontros. Mais um bom expoente de uma das melhores realizadoras da sua geração.


Veredito

Sofia Coppola comanda um elenco feminino estrelado em um filme sobre a provocante e perigosa sensualidade sobreposta aos bons costumes.
8/10

Crítica: A Vênus Loira (1932)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Uma mulher difícil de se entender, uma mulher difícil de se interpretar, uma mulher que ora possa parecer a pessoa mais graciosa e amorosa, ora possa parecer o ser mais frio e indolente do mundo. Não conseguimos decifrá-la. Essa é a proposta de A Vênus Loira, nos apresentar um estudo de personagem, afim de interpretarmos as ações e a incerta personalidade da protagonista.

Logo no começo do longa, nos é apresentada Helen Faraday, que, aparentemente, se sente satisfeita e apaixonada pelo marido. Mas por complicações de saúde do mesmo, e por falta de dinheiro, decide voltar a se apresentar nos palcos, que outrora havia desistido para se focar em seu casamento. Com o dinheiro em mãos, o marido parte rumo à Europa para se recuperar e deixa Helen e seu filho Johnny em casa. No entanto, ela não demonstra sentir falta ou se importar com a partida do marido, nos colocando em dúvida sobre o real sentimento que ela tem por ele. Partindo disso, acompanhamos uma série de eventos que nos fazem questionar sobre as ações, decisões e a índole dessa protagonista tão questionável.

Para dar vida a essa personagem tão conflitante, Marlene Dietrich, a diva alemã, entrega uma performance magistral. Ela equilibra perfeitamente os momentos de amor e ternura com os momentos de frieza da personagem, que sempre permanece por cima e não demonstra se abalar sobre qualquer situação. Afora as inventivas apresentações de cabaré, que Dietrich se encarrega de fazer ser um espetáculo.

A Vênus Loira é um ótimo estudo de personagem, com cenas marcantes, grandes atuações e uma história bem contada que nos leva por caminhos diferentes e inesperados. Um filme que, com certeza, merece ser lembrado e reconhecido.


Veredito

Um incomum e exótico estudo de personagem, A Vênus Loira é estrelado magistralmente pela sempre excelente Marlene Dietrich.

8/10.

Semana Heroica #9 | Crítica: Logan (2017)

No ano de 2029, onde os mutantes estavam quase sendo extintos, vemos que Logan (Hugh Jackman), também conhecido como Wolverine, está envelhecendo, pois o adamantium que está fundido em seus ossos criou um tipo de doença que enfraquece seu fator de cura, fazendo com que quanto mais Logan envelhece, mais fraco seu corpo vai ficando. Para que Logan consiga comprar alguns medicamentos, ele passa os dias trabalhando como motorista de limousine. Ele e o mutante Caliban (Stephen Merchant) vivem em uma fábrica abandonada, onde cuidam do Professor Xavier (Patrick Stewart) que está com uma doença neurodegenerativa, o fazendo perder o controle de seus poderes. Tempo depois aparece uma enfermeira que precisa da ajuda de Logan para escoltar Laura (Dafne Keen), uma garota de 11 anos, também conhecida como X-23, que está sendo caçada por um grupo de mercenários.

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Logan é um filme que mistura ação e drama de uma forma muito positiva, mostrando um mutante debilitado que sofre tanto fisicamente como emocionalmente, pois carrega muita coisa em seu passado. Mesmo com tudo isso, o filme mantém cenas de ação violentas e incrivelmente bem feitas, e isso faz com que cada vez que Logan tire as garras seja uma emoção diferente.

Todas as cenas de ação são bem sangrentas, violentas e muito bem coreografadas. Era isso que queríamos em um filme do Wolverine. Em todas as cenas em que vemos Logan em ação, vemos suas expressões extremamente marcantes e que não podem faltar no personagem.

Hugh Jackman fez um trabalho incrível, que passa as emoções do protagonista para os telespectadores, fazendo com que sintam tudo o que Logan está sentindo. O Wolverine de Jackman jamais será esquecido e sempre estará nos corações dos fãs, assim como Patrick Stewart sempre será Professor Xavier, e que teve uma atuação sensacional no filme.

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Apesar de todo o drama do filme, o longa contém algumas cenas de alívio cômico que Laura nos entrega, uma personagem extremamente necessária, que quebra um pouco do drama e que possui habilidades como a de Logan. Suas cenas são muito divertidas de ver, pois é quase uma novidade assistir uma criança de 11 anos esquartejando mercenários. Também contém cenas, as quais Logan tem um forte laço paterno com Laura, que faz com que o público se envolva completamente com esses personagens.

A fotografia do filme é um ponto muito alto, pois a ambientação é bem utilizada, junto com o movimento de colocação da câmera e posições dos personagens. Com um ambiente meio desértico, sua fotografia lembra muito a de filmes de faroeste. O movimento da câmera em cenas de ação são ótimos, pois é bem colocada em relação aos de Logan.

A trilha sonora também chega a ser muito interessante, pois o filme não conta com muitas músicas de fundo, ele conta mais com o som do ambiente, que ajuda a manter certo drama nas cenas.

Não só estes detalhes técnicos anteriores, mas a maquiagem e os efeitos práticos do filme são muito bem feitos e introduzidos, fazendo com que o telespectador veja o quão velho e debilitado Logan está. O longa não conta com muito uso nos efeitos especiais, é apenas usado em partes que seja de extrema importância, como em algumas cenas de ação, no uso do poder do Xavier ou do Wolverine, mas, é mais usado o efeito prático, que consegue trazer uma sensação mais real de tudo o que está acontecendo.

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Com certeza, o roteiro do filme é o melhor de todos os filmes de super-heróis da Marvel, tanto que recebeu uma indicação ao Oscar para Melhor Roteiro Adaptado. Logan encerra os filmes do Wolverine de maneira muito triste e emocionante, com um desfecho incrível e que será impossível de esquecer.


Veredito

O filme é incrível, contém cenas de ação espetaculares, um drama pesado e muito bem desenvolvido. É um encerramento digno de uma série de filmes, e que promete que pode haver mais filmes do mesmo universo. Palavras não são o suficiente para descrever a importância e a qualidade de Logan.

10/10.