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Críticas de filmes, séries, animações, animes e games.

Semana Heroica #8 | Crítica: Homem-Aranha 2 (2004)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Homem-Aranha 2 mostra o herói dividido entre seu sonho e sua responsabilidade.


Não é mistério para ninguém que Homem-Aranha 2 é uma das melhores adaptações de quadrinhos que já foram feitas para o cinema, e que também, consagrou o ator Tobey Maguire e o próprio diretor Sam Raimi. com ambos mostrando sua visão do Cabeça de Teia para o cinema. Não é fácil falar sobre um filme como este, já que ele é tão especial, não só garantindo uma grande legião de fãs, mas porque é um dos mais lembrados com carinho pelo público que cresceu vendo o super-herói de Maguire.

Seguindo o sucesso do primeiro filme, ainda lançado em 2002 e usufruindo da mesma fórmula, alterando poucas coisas, a sequência mostra Peter Parker mais maduro como pessoa e herói, morando sozinho e lidando com aluguéis, trabalhando para tentar se sustentar e estudando para garantir seu futuro. Todo este conjunto está bem empregado no longa e mostra a vida dupla que o garoto leva. Salvar Nova Iorque por horas indeterminadas quando Homem-Aranha, estudar, trabalhar e ter motivos para se preocupar com sua tia May (Rosemary Harris) quando Peter – não podemos excluir seu amor por Mary Jane (Kirsten Dunst), a quem ele não consegue trazer para si e contar seu maior segredo.

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Uma vez dedicado aos estudos, Parker ainda é brilhantes, mas se torna relaxado, por conta de ser o Homem-Aranha. Toda essa dualidade é difícil para ele, não conseguindo equalizar tudo. Para piorar a situação, os constantes ataques do Clarim Diário contra o Homem-Aranha o deixam ainda mais pra baixo e nervoso, já que não reflete o que ele é e o que faz. Por outro lado, a situação financeira de sua tia não está nada bem, podendo perder a casa após não pagar a hipoteca ao banco. Além disso, ao descobrir que sua melhor amiga e paixão pode estar saindo com alguém, ele se sente frustrado, começando sua derrocada como herói. 

O pontapé inicial para que ele se sentisse ainda mais estressado e frustrado foi quando, Mary Jane o convida para assistir sua peça, e devido a uma fuga de bandidos e sua atuação como Aranha, ele se atrasa e é proibido de entrar. Mas a tristeza e decepção o toma quando ele vê sua melhor amiga estar nos braços de outro homem, que coincidentemente é filho de J.J Jameson (J.K Simmons), seu chefe no Clarim. Essa decepção despertada em Peter atinge seus poderes, o deixando sem eles e acreditando que sua carreira poderia ir caindo quanto à isso.

Após idas e vindas, sendo ignorado por MJ e tendo conhecido seu ídolo, Otto Octavius (Alfred Molina), que seria o tema de seu trabalho na faculdade acerca do projeto de energia renovável, ele é convidado a ver a experimentação que Otto faria no próximo dia, aberto ao público. E não poderia dar mais errado. O começo do teste foi bem sucedido, usando o trítio para seu projeto, que foi financiando por Harry Osborn (James Franco) e a Oscorp. Com um simples erro matemático, tudo veio por água abaixo, e quando o Homem-Aranha tenta intervir e salvar Otto, já era tarde após o choque que tomou, destruindo o chip inibidor, que lhe dava o total controle de seus tentáculos de metal. A partir de um incidente trágico, nasce o Doutor Octopus, um dos vilões mais marcantes do personagem nos quadrinhos.

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“O poder do sol na palma da minha mão

Corrompido por seus tentáculos e seu maior sonho, Otto invade o banco e tenta roubá-lo, mas não esperava que Peter estivesse lá, e em instantes, o Homem-Aranha surge para confrontar seu inimigo pela primeira vez. Ambos estavam se conhecendo, suas habilidades e estilo de luta, o que garantiu aos dois, maior poder para uma outra batalha. A repetição aqui é colocar novamente a doce Tia May em perigo nas mãos de um vilão. No primeiro filme, o Duende Verde (Willem Dafoe) fez isso. Mas não tira nenhum brilhantismo do filme e só acrescenta ainda mais o drama de Parker no filme.

Para decretar sua decepção, ao ter que ir trabalhar em um evento que reuniu John Jameson (Daniel Gillies), o namorado de MJ, a surpresa está por conta do anúncio de casamento entre os dois e seu melhor amigo, Harry, descontando sua raiva por Peter ser leal ao Homem-Aranha, de quem tira as fotos. A patrulha após o evento, em vez de servir para acalmá-lo, só serviu para deixá-lo ainda mais preso em seu medo e fazê-lo perder os poderes. Estaria em suas mãos decidir o que deve fazer. Sua consulta médica abriu novos olhares, e a ilusão com seu tio Ben (Cliff Robertson) deixou claramente que ele era só um garoto acadêmico, que desistiu de ser o Homem-Aranha para viver sua vida e seus sonhos. Essa cena em convencional, é uma das mais emocionantes e arrepiantes da história do Homem-Aranha nos cinemas, ainda fazendo uma clara referência a HQ Homem-Aranha: Nunca Mais!

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Melhorando seu relacionamento com Mary Jane e com sua tia, além de sempre estar chegando na hora nas aulas da faculdade, Peter era uma nova pessoa, totalmente diferente do velho Peter. Até mesmo conseguiu assistir a peça de sua amiga, mas não foi o suficiente para que ela mudasse de ideia sobre o casamento. Toda esta melhora resultou em uma grande confiança, mas ainda assim, ele tentava se desviar de crimes recorrentes, até que não conseguiu em uma das partes do filme, e como Peter Parker, salvou uma menina de um prédio em chamas. “Coragem”, foi a definição do bombeiro, que ainda contou que um homem morreu em outro andar. Naquele momento, Parker viu o quão era necessário ter o Homem-Aranha na cidade. Não só esse momento, mas a conversa com sua tia, que emociona, o convence ainda mais a voltar a ser o herói. Pequenas coisas o fizeram ganhar uma grande confiança.

Seu retorno e a volta dos poderes s deu quando sua amada entra em perigo, justamente nas mãos do Dr. Octopus, seu grande inimigo no longa. A raiva que tomou conta de Peter, ajudou-o a recuperar seus poderes e voltar como o Teioso. Totalmente, a sequência da luta sobre o trem, é a melhor já feita na trilogia, pois ambos os personagens se entregam, já que cada um conhecia suas habilidades. Toda essa batalha frenética, resultou em Peter parando o trem antes que chegue no fim da linha. É realmente incrível a entrega de Maguire nessa cena. Descrever a cena, é quase impossível, pois passa aos espectadores a importância do herói para os cidadãos de NY, que o ajudam e demonstram seu carinho, após ele esgotar todas as suas forças para salvar os passageiros, colocando em risco seu alter ego. O sacrifício foi reconhecido pelas pessoas, que o carregaram como um verdadeiro herói. E todo o conjunto anterior já mencionado para ganhar mais confiança, e a promessa dos passageiros de que não contariam a identidade à ninguém, faz o Homem-Aranha acreditar que as pessoas ainda são boas.

Vale lembrar que, quando os garotos entregam a máscara, a faixa de Danny Elfman, Farewell, do primeiro filme, começa a tocar, denotando a leveza e o sacrifício de um garoto para salvar centenas.

“Ele é só um garoto, da idade do meu filho”.

Envolvendo a trama de Otto e conectando com a subtrama do ódio do Harry pelo Aranha, que seria resolvida no próximo filme, o final do longa se aproximava, com uma grande reviravolta no terceiro ato, o qual seus melhores amigos descobrem sua identidade. A luta final também não deixou a desejar, e Peter revela a identidade também para seu vilão e ídolo, vendo que, mesmo corrompido pelos tentáculos, Otto ainda era uma boa pessoa no fundo. É isso que o Homem-Aranha tenta fazer; fazer com que as pessoas vejam o melhor de si.

Desistindo daquilo que Otto mais sonha, ele afunda sua máquina e salva a cidade. Por outro lado, Peter também desiste do que ele mais quer na vida, que é namorar a MJ, dizendo que ambos não poderiam ficar juntos, já que ele sabe que terão mais inimigos. Isso mudou totalmente a opinião dela na hora de se asar, deixando seu noivo esperando no altar e correndo para os braços daquele que a ama.

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Homem-Aranha 2 brilha em atuação e um roteiro bem construído, tornando o herói e seu vilão mais humanizados do que nunca, com os problemas da sociedade em si e de suas vidas em particular. Tobey Maguire e Alfred Molina entregam aqui, tudo de si, com uma atuação de grande nível de ambos os atores, dramatizando seus personagens ainda mais. Será difícil ver um futuro filme do herói onde o protagonista e o antagonista atuam no mesmo nível.

Não podemos esquecer da clássica trilha de Danny Elfman, sendo este sua última composição para o Homem-Aranha. Toda a leveza e o tom heroico, fazem o ambiente do filme, e que realmente combina com ele. Torna tudo mais épico, especial e memorável, como o web-swing no final, repetindo o final de Homem-Aranha 1.


Veredito

Realmente, não é fácil descrever uma das grandes obras-primas dos filmes de heróis, e há muita coisa ainda que poderia ser falada aqui, mas não foi, como a preparação de terreno para o novo filme, que teria seu melhor amigo como vilão. Mas, pode ficar para uma outra matéria ainda mais detalhada. 

Em suma, Homem-Aranha 2 acerta em tudo que há de bom na mitologia do herói, mostrando a essência do personagem, que inspirava outras pessoas e que também era um humano, assim como todos nós. Sam Raimi consegue usufruir de tudo que as HQs do personagem oferecem, indo do visual do herói aos problemas de um acadêmico. A estrela de Tobey Maguire brilha, assim como a de Alfred Molina, sendo um dos melhores trabalhos dos atores em toda sua carreira, se não for o melhor.

Não só aspectos na história ou elenco, mas o visual, a fotografia do filme e especialmente a trilha sonora, fazem com que a obra seja especial e gratificante, moldando toda a ambientação do filme e o tornando ainda mais inesquecível pelos fã; e que fazem de Homem-Aranha 2 uma real obra-prima a ser desfrutada por todos.

10/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

Crítica: Enola Holmes (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma adolescente cujo irmão, mais velho, é o renomado detetive Sherlock Holmes (Henry Cavill). Quando sua mãe desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que ela faça o mesmo, a garota inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu irmão, Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno só de meninas.

O filme se baseia nos livros de Nancy Springer, que mostra uma história bem diferente do que estamos acostumados a ver sobre os Holmes. Até por que é contado de um ponto de vista diferente, o de Enola.

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O filme tem pontos altos e baixos, e um dos pontos altos são os atores. O longa possui um um elenco de grande peso e todos eles tem participações inesquecíveis. Millie Bobby Brown está incrível no papel com uma personagem bem carismática e cativante, assim como Henry Cavill apresentou um bom e diferente Sherlock. E Sam Claflin mostrou um Mycroft mais arrogante de forma bem diferente e especial.

O figurino é excelente, mostrando o visual das pessoas no século XIX com roupas muito bonitas e mais formais, como ternos, vestidos e outros que marcaram o século. A fotografia e o ambiente do filme é muito bonito, mostrando Londres durante o século XIX de forma bem ampla, visando bem os tempos antigos.

O roteiro é interessante, com uma investigação bem legal e cenas de ação animadas. Mas ele falha com cenas que acabam sendo meio forçadas, com uma quebra da quarta parede totalmente desnecessária que acaba um pouco do suspense das investigações.


Veredito

É um filme bem divertido para ver com a família e amigos, que irão se identificar com alguns personagens que são muito cativantes, mas tem coisas que não vão agradar muito alguns dos fãs dos Holmes. 

6,5/10.

Crítica: Noite Sem Fim (2015)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Mais um filme de ação com Liam Neeson.


Com um título totalmente diferente do original (Run All Night), Noite Sem Fim é o filme típico de ação e fuga que todo fã gosta de ver. Do mesmo diretor de O Passageiro e outros dois filmes com Liam Neeson, Jaume Collet-Serra consegue deixar com que os espectadores fiquem imergidos numa ação quase contínua, em alto nível de intensidade. Essa é cara do Liam Neeson.

A trama gira em torno de um gângster aposentado chamado Jimmy Conlon, que sofre com pesadelos daqueles que teve de assassinar, e por ser um gângster no passado, seu filho Mike (Joel Kinnaman) não consegue aceitá-lo como pai. Mas tudo muda quando Mike é posto em perigo, após uma tragédia familiar acontecer na vida de Shawn Maguire (Ed Harris), antigo chefe de Jimmy, forçando Shawn e a polícia perseguirem Jimmy e Mike.

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“Badass” como sempre, Neeson entrega seu personagem como um homem sem destino, apenas esperando a própria morte. Flagelação do que ele fez no passado? Sim, e querendo pagar seus pecados, mas não sabendo como fazê-lo sem que fique com algum investigador o incomodando. A única esperança é seu filho, que é o oposto do pai, um segurança e motorista, que cuida de sua família, seu bem mais precioso.

Contrapondo esta visão de redenção, seu antigo chefe pensa o contrário, ainda atuando como um “chefão” nos bastidores e tendo um filho mimado, querendo ser tão maior quanto o pai – que reconhece, pelo menos, suas limitações -. O elo de amizade entre Jimmy e Shawn durou até um ponto, o qual Jimmy teve que ultrapassá-lo. E é por um simples aspecto no roteiro que ele todo muda, de algo mais calmo para avassalador, com uma ação incansável.

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O clima soturno consegue criar uma ambientação favorável para a visão de Collet-Serra, que usa e abusa de cores mais escuras em sua paleta, tornando a fotografia um dos pontos altos do filme, que é um pouco diferente de A Orfã, longa o qual há cores mais gélidas, não tão escuras quanto este thriller de ação. Seguindo por este caminho, a trilha sonora composta por Junkie XL representa muito bem o que é um filme de ação com Liam Neeson, tornando a música mais elétrica em momentos de fuga, e mais sentimental com cenas entre o elo familiar que o protagonista carrega. Os detalhes técnicos se conectam um ao outro, conseguindo formar um grande clima e ambientação para o longa de Collet-Serra.

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Tanto estes pontos técnicos de compositor, como o de fotografia, é válido elogiar o roteiro construído por Brad Ingelsby, além da visão do diretor Jaume Collet-Serra, acertando em mais um longa de ação, com personagens fluidos e capazes de serem muito mais o que foi entregue no filme.


Veredito

Noite Sem Fim consegue mostrar o lado obscuro e sombrio do coração de um protagonista, que tenta se redimir de seus pecados, deixando sua família mais perto do que nunca e a salvando do perigo. Em atos rápidos e não cansativos, a proposta do filme se encaixa de forma linear com a visão do diretor, que não erra na ação e conta com um bom elenco.

8/10.

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Crítica: Batman Begins (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A tentativa de dar um tom mais sombrio e realista para um novo filme do Batman pode ser percebida desde a entrada das logomarcas iniciais da Warner e DC Comics, que adotam cores mais escuras e sombrias, indiciando o que vinha por vir em Batman Begins. Aqui, os carnavalescos filmes de Joel Schumacher foram esquecidos, prevalece a visão de Christopher Nolan do personagem e a ideia de trazer o universo do Batman para um contexto mais condizente com a nossa realidade, e, ainda assim, carregando a essência do personagem e dos quadrinhos em geral.

Mesmo aqui, produzindo um grande blockbuster, um filme de estúdio, Nolan não deixou de abordar as temáticas que fizeram dele um diretor conceituado dentro da indústria, como a moralidade e a psique humana. Em Batman Begins, o tema principal é o medo, os traumas que ele causa e a forma que encontramos para superá-lo. Bruce Wayne, assombrado pela morte de seus pais, resolve viajar o globo com a intenção de conhecer a mente criminosa ao agir como um marginal, no caminho ele se envolve com a Liga das Sombras, uma liga de assassinos que adota atitudes extremas visando o bem da humanidade. Contudo, Bruce, ao entrar em contato com outra perspectiva em sua jornada, não aceita seguir a filosofia do clã de assassinos, pois seu caráter, que seu pai Thomas Wayne tanto havia incentivado, falou mais alto. Ele, então, decidido a combater a criminalidade e a corrupção que infesta Gotham, decide usar o seu medo de morcegos como um símbolo para aterrorizar e combater os corruptos que corroem a cidade que seu pai tanto prezou por ajudar. Tais ideias e conceitos de moralidade diferem Batman Begins da maioria das adaptações de quadrinhos que são lançadas constantemente.

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Um dos grandes trunfos do longa está em Christian Bale. O brilhante ator, vindo de sucessos como Psicopata Americano, encorporou o personagem de tal forma que, até hoje, foi quem melhor interpretou o Morcego de Gotham no cinema. Bale conseguiu com perfeição fazer a dualidade entre o playboy Bruce Wayne e o idealizado Batman. Ele conseguiu distinguir bem ambos os personagens: de um Bruce inseguro e assombrado pelo medo para a imagem de um playboy vazio – imagem essa que serve para não associarem seu nome ao novo vigilante de Gotham -, e, então, Batman, sua verdadeira face, sua personalidade idealista que acredita na salvação da cidade e aterroriza os bandidos com sua presença ameaçadora e uma voz grave concedida pelo ator. Um personagem cheio de nuances que foi muito bem interpretado pelo sempre excelente Christian Bale.

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Mas nada disso seria possível sem a maestria de Nolan na direção. Com o roteiro muito bem escrito por ele mesmo e David S. Goyer, o diretor separou o longa em três atos, Bruce Wayne entrando na Liga das Sombras e se aperfeiçoando, a volta do mesmo para Gotham e suas primeiras ações como Batman, e, finalmente, o embate contra Ra’s al Ghul no final. Nolan conduz essa narrativa sem tentar se apressar, com cenas de ação muito bem filmadas, um bom ritmo e que realmente desenvolve o protagonista criando elipses que deixam coerente toda a fase de amadurecimento do personagem, do vingativo Bruce Wayne ao idealista vigilante de Gotham City.

Batman Begins mostrou que poderia ser feito algo a mais em adaptações de quadrinhos, algo mais autoral e corajoso. Um filme marcante que apresentou personagens e introduziu conceitos que seriam ampliados na obra-prima que viria posteriormente.


Veredito

Batman Begins trouxe a abordagem mais séria e realista que o público tanto ansiou em ver. Um filme marcante que tem muito à dizer sobre seu protagonista.

9/10.

Crítica: Bill & Ted: Encare a Música (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Bill & Ted: Encare A Música acompanha Ted (Keanu Reeves) e Bill (Alex Winter), dois rapazes que atingiram a meia idade, fazendo com que suas preocupações voltem-se para suas famílias e outras responsabilidades da vida adulta. Depois de anos lidando com a frustração de ainda não terem escrito a melhor música de todos os tempos, eles recebem a visita de um homem do futuro e descobrem que apenas uma música criada por eles pode salvar o mundo.

O filme possui aspectos muito interessantes e especiais, pois é um tipo de longa que não estamos muito acostumados a ver. Já começando pelo roteiro, que é até bem bolado e mistura bem a comédia com viagem no tempo e também possui ótimos diálogos e que lembram os seus filmes anteriores.

Keanu Reeves e Alex Winter estão incríveis no papel, pois não perderam a essência dos personagens e continuam com seus carismas que agradam o telespectador.

A trilha sonora é o ponto alto do filme. Com músicas de diversos gêneros, como rock, rap, clássica e outros. Para a contribuição da trilha para a obra, tivemos arranjos de guitarra como os de Jimi Hendrix, arranjos de piano como o de Mozart e de muitos outros músicos clássicos que são interpretados no filme.

Os efeitos especiais do filme são interessantes, pois é mostrado um jeito de viagem no tempo bem conhecido entre os fãs, e é onde os efeitos especiais funcionam. Além disso, o filme conta com cenas no inferno, onde eles vão atrás da Morte – personagem já conhecido para quem assistiu os dois primeiros filmes -, e no inferno os efeitos especiais funcionam bem. E detalhe para a cena final que os efeitos especiais têm aparições muito agradáveis.

Porém, o filme conta com cenas um pouco atrapalhadas e algumas vezes o humor parece muito forçado, mas nada que estrague sua experiência assistindo a sequência.


Veredito

É um filme muito divertido para assistir com a família e amigos, com ótimas músicas e um humor bem usado nas cenas.

7/10

 
 
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Semana Heroica #8 | Crítica: Constantine (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O ocultista e exorcista John Constantine (Keanu Reeves) tenta garantir seu lugar no paraíso enviando demônios de volta ao inferno, mas seu destino está ligado ao de Angela (Rachel Weisz), uma policial que investiga o suposto suicídio de sua irmã gêmea.

O longa dirigido por Francis Lawrence tem pontos altos e baixos e infelizmente não é tudo o que esperávamos. O filme tenta se basear na HQ Hellblazer, que conta com a presença de Constantine nela. Porém, ele não segue os mesmos padrões do quadrinho.

Para começar, o figurino do filme não é ruim, mas ele é bem diferente do visual usado por Constantine nos quadrinhos; mas ele continua mostrando um visual mais desajeitado de John. É preciso falar do visual do Anjo Gabriel (Tilda Swinton), que é um tanto interessante, mostrando uma mulher usando roupas masculinas e possui parte do cabelo raspado, visando o que dizem sobre os anjos não possuírem sexos diferentes.

Os efeitos especiais do filme são bons e agrada o telespectador, principalmente em cenas que Constantine vai ao inferno e é atacado por demônios. A fotografia do filme é bem interessante, pois ela sempre mostra um lado obscuro de tudo, com tons de cor mais escuros, fazendo com que o filme fique com uma pegada mais sobrenatural.

A trilha sonora nem sempre está presente e não possui nada tão marcante, mas nas cenas em que ela é precisa ela funciona bem. Por outro lado, as cenas de ação são boas, mas o filme não conta com muitas delas também, o que faz com que o filme fique mais pro lado do suspense.

Falando sobre suspense, esse é um ponto que é bem interessante, mostrando como Constantine vive ao lado de anjos e demônios de uma forma mais aberta. Mas há momentos em que o roteiro do filme falha, e muitas das vezes o suspense não funciona, fazendo o filme possuir algumas cenas tediosas.

Por fim, a atuação de Keanu Reeves é boa, pois ele possui algumas coisas que nos lembra de como o Constantine é, com certa arrogância e deboche.


Veredito: O filme ao todo não é ruim, mas ele possui partes que faz que o telespectador fique meio desconfortável por conta de cenas sem graça e sem algo que a mantenha viva. Mas ele conta com cenas muito bem feitas e bem diferentes do que estamos acostumados a ver sobre anjos e demônios, e como Constantine vive no meio disso. É um filme divertido e bem interessante, mas com algumas falhas que incomodam.

6,5/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos, games, filmes e sua origem, essa última no canal do Critical Room.

Confira o vídeo de origem do personagem:

Crítica: Mulan (1998)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Como na China da Dinastia Han imperava os bons costumes, o papel das mulheres era de se casar e cuidar do lar, enquanto os homens sustentavam a casa e lutavam nas guerras. Quando o exército Mongol invade a China, os homens são convocados para servirem e lutarem por sua nação, ao ver que seu pai velho e doente pode morrer na guerra, a jovem e espirituosa Mulan decide se passar por homem e ocupar o papel de seu pai no exército chinês, quebrando assim a barreira do conservadorismo.

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Mulan não se encaixava nas tradições familiares que a sociedade impunha, apesar de se esforçar para isso. Ao confrontar seu pai dizendo que ele pode morrer na guerra, ele diz que entende que este é seu lugar, e que ela deveria entender qual é o dela. Mas mesmo assim a jovem não se contenta, impulsiva e corajosa como é, se sente no direito de salvar seu pai e servir no exército, provando que ela mesma escolhe seu lugar e quais são seus limites. Ora, se sua tarefa era honrar sua família, nada mais honroso que lutar por sua nação.

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Além da força temática, a animação também se mostra ser uma excelente opção de entretenimento, pois é conduzida de forma dinâmica, ágil, mantendo a ação como prioridade. Temos ótimos momentos cômicos, especialmente envolvendo o dragão Mushu, personagem marcante por si só que, assim como Mulan, quer demonstrar seu valor como indivíduo. Assim temos uma das obras mais divertidas e engraçadas da Disney.

A opção pela ação quase que ininterrupta é acertada, ainda mais se levarmos em conta as cenas de ação que são muito bem dirigidas. A sequência da avalanche, por exemplo, tem um grande plano aberto do exército Mongol indo de encontro ao exército chinês, momento tão icônico e grandioso que se equipara a cena da debandada no desfiladeiro de O Rei Leão.

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Mulan não só é um dos melhores expoentes da Era da Renascença da Disney, uma de suas épocas mais ricas, como também é um dos maiores clássicos do estúdio de animação. O longa traz um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.


Veredito

Com uma protagonista cativante, temos em Mulan um inspirador conto sobre honra, igualdade e tudo que um bom filme da Disney pode oferecer.
10/10

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Crítica: O Estranho que Nós Amamos (2017)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A monótona e entediante rotina das mulheres que residem o internato de garotas na Virginia começa a ficar movimentada quando um homem, cabo do exército ianque na Guerra Civil Americana é encontrado ferido perto da região. As mulheres, em ato de “fé”, decidem então cuidar do soldado inimigo enquanto este se recupera. Ao momento que elas o levam para dentro e fecham o portão de casa, sentimos que iremos acompanhar não só uma relação de afeto entre as partes, mas algo que vai além, muito além.

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É interessante ver que, mesmo sendo uma obra atmosférica, Sofia Coppola opta por uma pegada naturalista, não fazendo uso de trilha sonora, enquadrando em plano abertos, sem movimentos bruscos. A atmosfera é criada através das sugestões, dos olhares, das provocações entre os personagens. As cores lavadas e escuras, portanto, não são uma mera opção estética, elas reforçam que essa história não é calorosa e romantizada como pode se imaginar, mas sim uma história de tragédia, que se revela ser um filme de horror em seus últimos minutos de projeção.

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Coppola, porém, não faz julgamento de seus personagens. Apesar de ocorrerem momentos pesados, todas as ações são justificáveis, uma figura de vilania não é estabelecida. A jovem Alicia (Elle Fanning), que poderia ser caracterizada dessa forma, não é uma figura antagônica, ela sim representa a perda da inocência, que, ao ver um homem charmoso, coloca seus anseios acima de suas crenças. Ela, assim como as outras garotas da casa, quer descobrir o desconhecido, quer algo além daquele internato, como podemos ver por diversas vezes nas cenas em que as garotas observam o horizonte, se imaginando fora dali.

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Premiada em Cannes, Coppola entrega aqui uma obra instigante que tem o sugestivo como ponto forte, uma narrativa do ponto de vista feminino, como outros filmes da diretora de Encontros e Desencontros. Mais um bom expoente de uma das melhores realizadoras da sua geração.


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Premiada em Cannes, Sofia Coppola comanda um elenco estrelado em um filme sobre a sensualidade velada pelos bons costumes.
8/10

Crítica: A Vênus Loira (1932)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Uma mulher difícil de se entender, uma mulher difícil de se interpretar, uma mulher que ora possa parecer a pessoa mais graciosa e amorosa, ora possa parecer o ser mais frio e indolente do mundo. Não conseguimos decifrá-la. Essa é a proposta de A Vênus Loira, nos apresentar um estudo de personagem, afim de interpretarmos as ações e a incerta personalidade da protagonista.

Logo no começo do longa, nos é apresentada Helen Faraday, que, aparentemente, se sente satisfeita e apaixonada pelo marido. Mas por complicações de saúde do mesmo, e por falta de dinheiro, decide voltar a se apresentar nos palcos, que outrora havia desistido para se focar em seu casamento. No entanto, após a primeira apresentação, ela conhece Nick Townsend, encontrando uma forma mais fácil de obter o dinheiro para a operação do marido. Com o dinheiro em mãos, ele parte rumo à Europa por alguns meses, deixando Helen e seu filho Johnny em casa. Contudo, ela não demonstra sentir falta ou se importar com a partida do marido, nos colocando em dúvida sobre o real sentimento que ela tem por ele. Partindo disso, acompanhamos uma série de eventos que nos fazem questionar sobre as ações, decisões e a índole dessa protagonista tão questionável.

Para dar vida a essa personagem tão conflitante, Marlene Dietrich, a diva alemã, entrega uma performance magistral. Ela equilibra perfeitamente os momentos de amor e ternura com os momentos de frieza da personagem, que sempre permanece por cima e não demonstra se abalar sobre qualquer situação. Afora as inventivas apresentações de cabaré, que Dietrich se encarrega de fazer ser um espetáculo.

A Vênus Loira é um ótimo estudo de personagem, com cenas marcantes, grandes atuações e uma história bem contada que nos leva por caminhos diferentes e inesperados. Um filme que, com certeza, merece ser lembrado e reconhecido.


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Um incomum e exótico estudo de personagem, A Vênus Loira é estrelado magistralmente pela sempre excelente Marlene Dietrich.

8/10.

Semana Heroica #9 | Crítica: Logan (2017)

No ano de 2029, onde os mutantes estavam quase sendo extintos, vemos que Logan (Hugh Jackman), também conhecido como Wolverine, está envelhecendo, pois o adamantium que está fundido em seus ossos criou um tipo de doença que enfraquece seu fator de cura, fazendo com que quanto mais Logan envelhece, mais fraco seu corpo vai ficando. Para que Logan consiga comprar alguns medicamentos, ele passa os dias trabalhando como motorista de limousine. Ele e o mutante Caliban (Stephen Merchant) vivem em uma fábrica abandonada, onde cuidam do Professor Xavier (Patrick Stewart) que está com uma doença neurodegenerativa, o fazendo perder o controle de seus poderes. Tempo depois aparece uma enfermeira que precisa da ajuda de Logan para escoltar Laura (Dafne Keen), uma garota de 11 anos, também conhecida como X-23, que está sendo caçada por um grupo de mercenários.

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Logan é um filme que mistura ação e drama de uma forma muito positiva, mostrando um mutante debilitado que sofre tanto fisicamente como emocionalmente, pois carrega muita coisa em seu passado. Mesmo com tudo isso, o filme mantém cenas de ação violentas e incrivelmente bem feitas, e isso faz com que cada vez que Logan tire as garras seja uma emoção diferente.

Todas as cenas de ação são bem sangrentas, violentas e muito bem coreografadas. Era isso que queríamos em um filme do Wolverine. Em todas as cenas em que vemos Logan em ação, vemos suas expressões extremamente marcantes e que não podem faltar no personagem.

Hugh Jackman fez um trabalho incrível, que passa as emoções do protagonista para os telespectadores, fazendo com que sintam tudo o que Logan está sentindo. O Wolverine de Jackman jamais será esquecido e sempre estará nos corações dos fãs, assim como Patrick Stewart sempre será Professor Xavier, e que teve uma atuação sensacional no filme.

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Apesar de todo o drama do filme, o longa contém algumas cenas de alívio cômico que Laura nos entrega, uma personagem extremamente necessária, que quebra um pouco do drama e que possui habilidades como a de Logan. Suas cenas são muito divertidas de ver, pois é quase uma novidade assistir uma criança de 11 anos esquartejando mercenários. Também contém cenas, as quais Logan tem um forte laço paterno com Laura, que faz com que o público se envolva completamente com esses personagens.

A fotografia do filme é um ponto muito alto, pois a ambientação é bem utilizada, junto com o movimento de colocação da câmera e posições dos personagens. Com um ambiente meio desértico, sua fotografia lembra muito a de filmes de faroeste. O movimento da câmera em cenas de ação são ótimos, pois é bem colocada em relação aos de Logan.

A trilha sonora também chega a ser muito interessante, pois o filme não conta com muitas músicas de fundo, ele conta mais com o som do ambiente, que ajuda a manter certo drama nas cenas.

Não só estes detalhes técnicos anteriores, mas a maquiagem e os efeitos práticos do filme são muito bem feitos e introduzidos, fazendo com que o telespectador veja o quão velho e debilitado Logan está. O longa não conta com muito uso nos efeitos especiais, é apenas usado em partes que seja de extrema importância, como em algumas cenas de ação, no uso do poder do Xavier ou do Wolverine, mas, é mais usado o efeito prático, que consegue trazer uma sensação mais real de tudo o que está acontecendo.

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Com certeza, o roteiro do filme é o melhor de todos os filmes de super-heróis da Marvel, tanto que recebeu uma indicação ao Oscar para Melhor Roteiro Adaptado. Logan encerra os filmes do Wolverine de maneira muito triste e emocionante, com um desfecho incrível e que será impossível de esquecer.


Veredito

O filme é incrível, contém cenas de ação espetaculares, um drama pesado e muito bem desenvolvido. É um encerramento digno de uma série de filmes, e que promete que pode haver mais filmes do mesmo universo. Palavras não são o suficiente para descrever a importância e a qualidade de Logan.

10/10.

Crítica: Stargirl (1ª temporada)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Stargirl se mostra como a melhor série de heróis já produzida pela DC.


A mais nova série da DC Comics lançada neste ano, Stargirl, é a prova viva de que seguir os quadrinhos é uma ótima opção, e podem fermentar ainda mais na construção da narrativa. Num momento onde o mundo é visto trancafiado em casa por conta da pandemia do Coronavírus, e num ano de renovação para a DC Comics e a WarnerMedia, o show de TV original do DC Universe não poderia vir em hora melhor.

Com uma segunda temporada de Titans fraquíssima em diversos quesitos, e um crossover avassalador produzido pela CW, dando fim à série Arrow e o arco de Oliver Queen, deveria haver mais uma série, mas agora, ainda mais puxada para os quadrinhos. E aconteceu graças a Geoff Johns, o criador da personagem nos quadrinhos, uma homenagem a sua irmã falecida.

Tivemos um vislumbre com os trailers, e a escolha de elenco, que de forma incrível foi inserida em seus respectivos personagens, foram escolhidos a dedo para que a série pudesse acontecer. A protagonista, Brec Bassinger consegue brilhar, assim como o cajado que carrega para as batalhas. Por outro lado, um dos mais experientes do elenco, Luke Wilson, é o próprio Pat Dugan. Duas, das várias ótimas atuações de todo um elenco jovem.

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O primeiro episódio carrega uma das cenas mais incríveis de toda a série, com toda a Sociedade da Justiça sendo aniquilada pela Sociedade da Injustiça. Pat (Luke Wilson) fica encarregado de guardar todos os arquivos, fotos, armas e manter em segredo a base da equipe. Deixar tudo para trás era o melhor a se fazer. E é isso que ele faz, após conhecer Barbara Whitmore (Amy Smart) e sua filha Courtney (Brec Bassinger)Court ainda não estava acostumada com a ideia de se mudar para Blue Valley. O que ela não contava é que Pat no passado era ajudante de um herói chamado Starman (Joel McHale), e que ele guardava uma das armas mais poderosas do planeta, o Cajado Cósmico.

Após se aventurar por Blue Valley, ela descobre que um dos vilões da Sociedade da Injustiça está na cidade, e com a ajuda de Pat, ambos descobrem que toda a Sociedade da Injustiça se mudou para a Blue Valley. Com toda a Sociedade da Justiça morta, Courtney precisa escalar novos membros que podem ser capazes de ajudá-la a criar uma Sociedade da Justiça 2.0. Ela escolhe os excluídos de sua escola, com quem sentava na hora do intervalo. Uma menina que foi motivo de risada do colégio, outra que só tem seus pais como amigos e um garoto que é filho do Homem-Hora. Yolanda veste o manto do Pantera, Beth Chapel é a Doutora Meia-Noite e Rick Tyler tenta manter o legado de seu pai, Rex Tyler. Todos eles mentoreados por Pat Dugan, o F.A.I.X.A. Esse é um dos pontos que torna a série ainda mais interativa, pois ela não exclui o passado, unindo ele ao presente.

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Com uma equipe inexperiente, mas com um ótimo mentor, a nova Sociedade da Justiça estava sempre perto da Sociedade da Injustiça, só que cada um não sabia quem era quem. E um dos lados teve chance, já que Cindy (Meg DeLacy) sabia a identidade secreta da Stargirl, mas não contou aos vilões. Não demorou muito para que descobrissem a identidade de Stargirl, e tentar afetá-la, matando sua família também.

Pode-se dizer que o plano dos vilões é ousado (Projeto Nova América), já que incluem nele um alvo de 5 milhões de pessoas que serão reprogramadas a partir do Onda Mental (Christopher James Baker). Toda a ideia foi posta e trabalhada pelo Geada (Neil Jackson), líder da equipe de vilões, que desejava mudar o mundo para melhor, mas que apenas as mentes mais aptas sobreviveriam. Vale ressaltar que o foco era totalmente na população adulta de Blue Valley e outras cidades e estados perto de Nebraska. A nova Sociedade da Justiça corria contra o tempo para salvar o mundo na season finale. O resto não posso contar…

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Pulando da história para os detalhes técnicos, Stargirl consegue ter um CGI absurdo para uma série de heróis, algo que jamais foi visto. É visualmente bonito ver o robô de Pat – ele realmente foi construído – e ver os poderes do cajado, Geada e até mesmo o Onda Mental. Ainda falando do CGI, Solomon Grundy foi retratado como merece, gigante, amedrontador e feroz – não aquela “coisa” horrível de Gotham.

A trilha sonora consegue moldar o clima adolescente e escolar da série, além do lado heroico. As lutas, especialmente com o Mestre dos Esportes (Neil Hopkins) e a Tigresa (Joy Osmasnki) foram um show à parte, com ótimas coreografias. Mas, o mais impressionante é a personalidade de cada personagem ali introduzido, os figurinos tão chegado aos quadrinhos clássicos e atuais, e também as subtramas, que liga todos os pontos secundários ao principal, e cria uma narrativa coesa e sem pontas soltas. Sem dúvidas, é a melhor produção do DCU já feita. Que venha a segunda temporada!


Veredito

Stargirl tem um começo de temporada arrebatador e um final tão bom quanto. O paralelo entre a Sociedade da Justiça antiga e a nova é algo muito bem explorado na série, e mostra toda a dificuldade de se acertar por conta da inexperiência. Manter a Sociedade da Injustiça ainda ativa, mas nos bastidores por um tempo, foi muito bem pensado, pois, sem os heróis para atrapalhar, o plano poderia vir a dar certo. É incrível como até os vilões seguiram em frente após todos os acontecimentos.

O CGI empregado na série é impecável, levando em conta que é uma série, e que não deve ter um orçamento absurdo para que isso seja feito. Os visuais, tanto dos heróis quanto dos vilões é mais um ponto positivo da série. Mas, o maior acerto foi a relação familiar entre  Pat e Court desenvolvida na trama, mostrando todo o carinho e preocupação que um sente pelo outro.

Referências não faltaram, nem carisma nos personagens. Brec Bassinger e Luke Wilson se superam uma ótima atuação, que não teve queda de rendimento, e que o elenco também conseguiu ter. Stargirl constrói muito bem sua história, indo do começo ao final sem perder a qualidade, se tornando a melhor série de heróis da atualidade.

10/10.

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Crítica: The Old Guard (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Adaptação dos quadrinhos não funciona como o esperado.


Dos quadrinhos do grandioso Greg Rucka, autor de Mulher-Maravilha: Hiketeia, o período da heroína também no DC Renascimento, Gotham Central e vários outros quadrinhos importantes e conhecidos pelos fãs da DC Comics. Autor também de The Old Guard, quadrinho que acompanha um grupo de guerreiros imortais, que por anos lutaram pelo lado certo e esconderam o maior segredo de suas vidas, a imortalidade.

A minissérie criada por Greg Rucka, com a arte feita pelo argentino Leandro Fernandez, e que foi publicada pela Image Comics, ganha uma adaptação para os filmes, com a produção da Netflix, e que teria o roteiro do quadrinista Greg Rucka. Um grande desafio para o quadrinista, que já viu uma de suas HQ’s ser adaptada para o cinema, Whiteout, fracassando nas bilheterias mundiais e não conquistando os críticos. Dessa vez, teria Rucka no roteiro, para tentar seguir perfeitamente sua obra nos quadrinhos.

De fato, um grade desafio para o quadrinista, que consegue amarrar o primeiro arco de The Old Guard para a obra cinematográfica. Acompanhando um grupo de guerreiros imortais, liderados pela mais velha do grupo, Andrômaca “Andy”, os “heróis” sobreviveram muitas eras para ver o horror da humanidade de perto, e sentir na pele o que é não poder envelhecer como o restante da humanidade. O grupo é composto por Andrômaca, a Cita, esposa do príncipe Heitor, de Troia, Booker (Matthias Schoenaerts), um soldado que serviu a Napoleão Bonaparte, Joe (Marwan Kenzari), guerreiro muçulmano das Cruzadas e Nicky (Luca Marinelli), antigo templário que virou amante de Joe.

Abrindo um espaço para falar dos atores, Charlize Theron se entrega muito bem no papel, sendo a melhor do elenco. Ela cumpre o que lhe é proposto no filme, liderando a equipe com sua personagem tão carismática quanto. Claro, que, o restante do elenco não ficou para trás, mas foram ofuscados pela atriz, que talvez, seja tão mais conhecida e popular entre os fãs, comparando aos atores de The Old Guard. Theron foi o ponto positivo do longa da diretora sul africana Gina Prince-Bythewood.

Outro ponto positivo, é a trilha sonora, que, mesmo que não seja marcante, mantém a ação em bom som toda hora na história. Mas, é justamente o roteiro que deixa a desejar, tornando que o enredo seja áspero e repetido, sem que haja um mistério envolvente ou uma coerência certeira para o desenrolar da história, não aderindo ao clichê. O problema maior do roteiro está na pronta entrega de toda a trama, que fere no desenvolvimento do filme. Além disso, faltou ainda mais desenvolvimento por parte de alguns personagens, para que a construção da narrativa ficasse por completa, sem deixar pontas soltas. Talvez isso seja feito numa eventual continuação.

Para um filme de ação e fantasia, The Old Guard entrega isso com louvor, pois o filme por si só tem mais ação do que história. As coreografias nas cenas de ação são realmente boas, mas não espere que o filme entregue lutas ao estilo Batman de Zack Snyder, em Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Para um filme +18, espera-se algo mais brutal, como uma carnificina, palavrões, ossos quebrados e uma violência extrema. Porém, nem tudo isso o filme tem. A violência é nítida, com muito sangue espalhado, mas que não necessariamente remeta a algo para maiores. Mas, sendo ou não para maiores, não altera em nada o filme, e nem  tira seus méritos conquistados.


 

Veredito

The Old Guard é uma adaptação de quadrinhos que deixa a desejar em vários momentos, no entanto entrega uma ótima ação, sendo essa a proposta do filme, mas que não é o suficiente para salvar a obra da diretora Gina Prince-Bythewood. Fato é, que Charlize Theron carrega o filme, brilhando mais uma vez em um longa de ação, sendo a grande estrela do elenco.

Mesmo que a ação seja boa, com uma trilha sonora que molda estes momentos, o roteiro do quadrinista Greg Rucka não consegue acompanhar, sendo assim, um filme com a trama entregue logo no primeiro ato. The Old Guard tenta transportar o público numa ação maluca de guerreiros imortais, em duas horas de filme, que mais diverte com suas cenas de ação, do que constrói a própria história.

6/10.

Crítica: Scooby! (2020)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Do mistério ao heroísmo.


Lançado digitalmente, Scooby! estava com a cara na porta para o cinema, até que a pandemia do Coronavírus assolou o mundo. Porém, a diversão estava garantida após o anúncio de que Scooby! seria lançado digitalmente, mas apenas nos Estados Unidos. A escolha frustrou muitos outros fãs fora do país, e até mesmo nos Estados Unidos, pois viver a emoção de ver seu desenho de infância no cinema não tem preço. 

O Scooby-Doo é um dos desenhos mais influentes do mundo, pois está desde a década de 60 presente. Basicamente se resume em uma equipe de detetives, que juntamente com um Dog Alemão saem para resolver mistérios. E isso funcionou nos primeiros 15 minutos de filme, onde Salsicha e Scooby conhecem Fred, Daphne e Velma. Já no restante do longa, o mistério desaparece, sendo substituído pelo heroísmo. E mesmo que eles sejam os bons mocinhos, que desvendam os planos malignos de outros criminosos, a falta de rebuscar o ar misterioso que sempre rondou o Scooby-Doo foi a grande falha do filme, que só não é perfeito por este ponto.

Mostrando logo de cara a infância de Salsicha e como ele conheceu o Scooby, foi um grande acerto. A parte em que ele acolhe o Scooby-Doo como seu cão, e logo lhe dá uma coleira, faz com que seja uma das cenas mais emocionantes do filme, pois o cachorro mesmo disse que ele nunca teve nada antes; assim como o Salsicha, que nunca teve amigos antes. A coleira foi um dos pontos principais do filme, pois representava um elo forte entre os melhores amigos, sendo o símbolo de sua amizade que duraria muitos anos.

A dinâmica desempenhada pela Mistério S.A foi mais bem representada na cena inicial, quando toda a turma se conhece, e de cara, resolvem um mistério, que tinha apenas o ato de recuperar os doces de Salsicha na casa mal assombrada. O clima nesta cena conseguiu chegar muito perto da clássica série animada do Scooby-Doo, usando a trilha de investigação que muitas vezes foi tocada na primeira série animada. No entanto, apenas essa parte foi um mistério a nível clássico da equipe. E com ele resolvido, o diretor Tony Cervone reconstruiu a abertura do primeiro episódio de “Scooby-Doo! Cade Você?”, revivendo a nostalgia de muitos.

Já crescidos, e tentando tornar a Mistério S.A uma empresa, para que pudessem gerar lucro e ter reconhecimento nacional, a equipe acha um possível investidor, Simon Cowell. Porém, ele exclui Salsicha e Scooby dos planos, dizendo que a amizade não poderia salvar o dia. Com essa separação dos dois da equipe, o enredo começa a tomar forma e mostra o antagonista da Mistério S.A, o trapaceiro Dick Vigarista.

Com um plano de capturar o Scooby-Doo à todo custo, ele manda seus pequenos robôs para o trabalho, até que Salsicha e Scooby são abduzidos pela nave do Falcão Azul., e consequentemente, salvos pelo mesmo. Coincidentemente, e para a sorte dos detetives, o Falcão Azul e seus parceiros estavam atrás de Dick Vigarista, impedindo que ele roubasse mais crânios de Cérbero, o cachorro de Hades que protege os portões. É claro que, mesmo assim, o Vigarista deu um jeito de achá-los novamente, mas não conseguindo capturá-los. Em contrapartida, ele captura Daphne, Fred e Velma, os mantendo prisioneiros em sua nave. É lá que a turma descobre a história real do vilão.

Já na Fúria do Falcão, Scooby ganha créditos com toda a equipe do Falcão Azul e também um traje. Entretanto, para concluir todo o traje, a coleira que Salsicha deu, símbolo da amizade entre os dois, é retirada pelo robô, que termina o traje para o cachorro. E neste ato, a amizade entre os dois melhores amigos começa a se quebrar. Cada momento que Scooby não estava com Salsicha, faz o espectador sentir que ambos estavam se distanciando cada vez mais, até que, ao sair para achar o último crânio de Cérbero, os personagens selam um fim na amizade, fazendo Salsicha cair em si e admitir que Cowell estava certo.

É claro que Dick Vigarista sempre estava um passo à frente de todos, conseguindo recuperar o último crânio e capturar o Scooby-Doo, para trazer Muttley de volta e pegar todo o ouro, no portal que Alexandre, o Grande construiu. Para isso, ele precisava usar Scooby para abir o portal, pois ele era o último descendente do cão do rei da Macedônia. E é isso que ele faz, mas não contou que iria liberar Cérbero, fazendo com que toda a equipe da Mistério S.A e do Falcão Azul se mobilize para salvar o mundo. Com isso feito, o portal precisaria ser fechado para sempre, mas apenas dois amigos verdadeiros conseguiriam fazer isso, sendo eles Scooby-Doo e Salsicha.

Sem pensar duas vezes, Salsicha fecha o portal do lado de dentro, assim deixando seu amigo para sempre. A despedida e o sacrifício de Salsicha conseguiu criar um clima emocional no final do filme, sendo este um dos desfechos mais tristes em uma animação do Scooby-Doo. Mas, o enigma ainda deveria ser desvendado, pois não estava certo Salsicha partir.

Uma estátua aparece, e uma passagem se abre, revelando que o Norville estava vivo. E realmente estava, saindo e recolocando a coleira de volta em Scooby, fazendo uma ponte com a cena inicial, em que ambos se conhecem, e provando que Simon Cowell estava errado, pois a amizade salvou o dia. Salsicha e Scooby-Doo, ainda que medrosos como sempre, são o coração da Mistério S.A.


Veredito

Scooby! é um ótimo filme, sem dúvidas. Recria momentos clássicos do desenho, como a abertura do clássico dos anos 60, a trilha de investigação e várias referências do Universo Hanna-Barbera, DC Comics, contando até mesmo com homenagens ao criador e o primeiro dublador oficial do Salsicha.

O foco do longa foi, com certeza, a amizade entre Salsicha e Scooby, fazendo um paralelo com Alexandre, o Grande e Peritas. Porém, desfocou muito da equipe em si, deixando de mostrar a dinâmica que existe na Mistério S.A. Esse foi um dos grandes problemas do filme, que também deixou o mistério de lado, ao colocar o heroísmo no lugar. Mas, não tira o brilhantismo de Scooby!, que acerta num roteiro bem amarrado, sem deixar pontas soltas.

Além disso, o estilo de traço caiu como uma luva para o Scooby-Doo e sua turma, com o elenco de vozes muito compatível aos originais e Frank Welker fantástico como sempre. Por fim, Scooby! consegue passar muita emoção, mesmo num desenho destinado a crianças e a quem ama a Mistério S.A. Um grande universo compartilhado pode vir por aí, trazendo quem sabe, uma continuação de Scooby!

9/10.

Crítica: Legends of Tomorrow (5ª temporada)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Legends of Tomorrow não perde a essência e ainda continua sendo a melhor série do Arrowverse e uma das melhores da DCTV.


Descrever a quinta temporada de Legends of Tomorrow é difícil, e achar um erro nela é ainda mais. O final da quarta temporada deixou muita coisa em aberto do que veríamos na quinta, com Astra (Olivia Swann) usando suas moedas de figuras históricas famosas para atormentar as Lendas futuramente. Tudo não passava de um plano para se vingar de John Constantine (Matt Ryan). 

A season finale da quarta temporada no episódio “Hey, World” teve uma grande mudança na equipe e na vida as Lendas, como a Zari (Tala Ashe) deixando de existir na linha temporal das Lendas, com seu irmão Behrad (Shayan Sobhian) ficando em seu lugar, por conta dos eventos em Heyworld que alteraram a linha do tempo. Porém, com o crossover Crise nas Infinitas Terras, a equipe não se lembrava de nada que aconteceu no passado.

No pós-crise, as Lendas tiveram grandes problemas com os “bis”,  como eram chamados as figuras históricas que eram soltas do inferno por Astra. Isso culminou numa grande participação de Constantine, sendo integrado como uma Lenda, e nos conhecimentos de história de Nate (Nick Zano). A criatividade dos roteiristas e produção da série aqui, é realmente um absurdo. Trazer figuras históricas famosas do inferno, tentando colocar uma temática de filme de época, como é o caso do episódio “Miss Me, Kiss Me, Love Me”, no qual a equipe caça o gângster Bugsy Siegel. Ou, fazer uma sitcom, incluindo até Star Trek como referência. A quinta temporada foi realmente surpreendente e muito estranha.

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A primeira parte da temporada foi inteiramente focada em Astra liberando os “bis” do inferno. Rasputin, Genghis Khan, e muitos outros nomes foram atormentar as Lendas a mando de Astra, que detinha um grande poder. Não só as moedas de assassinos ou líderes políticos ela possuía, mas também a de Constantine, que em um episódio quase morreu de câncer de pulmão devido ao uso constante de cigarros. Isso é bem recorrente pro personagem, pois seu vício vem desde os quadrinhos.

E precisamos de uma pausa para falar da interpretação de Matt Ryan como John Constantine. É realmente uma das melhores performances do Arrowverse, e a melhor representação do mago nas mídias da DC Comics. Esqueça Keanu Reeves em seu filme e foque em Matt Ryan. Tanto ele, quanto os roteiristas entregaram um Constantine perfeito, sem defeito algum. A proximidade dele com os quadrinhos e animações é incrível, fazendo jus ao personagem que passa a ser amado por muitos fãs do antigo selo Vertigo. E com certeza, ele merece muito ser escalado na futura série da Liga da Justiça Sombria que está sendo produzida pela HBO Max, já que ele é a voz oficial do Constantine nas animações. Matt Ryan nasceu para interpretar o britânico.

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Os episódios conseguem rebelar vários sentimentos dos fãs, equilibrando alegria em momentos certos, tristeza, tensão, suspense e terror. Cada episódio teve um ponto especial e uma abordagem diferente, que jamais foi vista em outras séries de heróis. “Mr. Parker’s Cul-De-Sac” foi um dos episódios mais marcantes da temporada, pois trouxe Damien Darkh (Neal McDonough) de volta, e ainda teve o casamento de Ray Palmer (Brandon Routh) com Nora Darkh (Courtney Ford). A trilha sonora conseguiu criar um clima de emoção, e vemos que Damien procurava redenção – não é muito o caso em uma parte do episódio, em que Nora revela que não iria se casar com Constantine, mas sim com Ray. O casamento selou o destino dos dois juntos para fora da Waverider, que viria acontecer no episódio seguinte.

“Romeo v Juliet: Dawn of Justness”, nome que faz referência a Batman vs Superman: A Origem da Justiça (no original, Dawn of Justice), foi o episódio mais emocionante da temporada, e um dos mais marcantes de todo o Arrowverse. O episódio foi uma loucura, pois as Lendas vão para a Inglaterra nos anos de 1600, tentando reajustar a história do escritor William Shakespeare, que provocou uma peça dos heróis após vê-los em ação. Claro que, conseguiram reajustar a história, porém enquanto a peça de Romeu & Julieta, Ray Nora estavam dando adeus à equipe. Nate não conseguia aceitar que seu melhor amigo iria partir para viver sua vida, mas ao final, se arrependeu e foi encontrá-lo na Waverider.

No momento que Nate chega a nave, se perguntando onde Ray estava, o semblante triste foi o grande emocional, que se manteve quando Palmer apareceu para se despedir. É incrível a entrega de Brandon Routh tanto na cena de despedida, quanto em todo o episódio, que era totalmente focado no ator. A cena de ambos tristes, se abraçando, enquanto Zari estava atuando na peça e com sua fala ao fundo, torna a despedida belíssima, com uma grande carga emocional.

Talvez um tiro no pé por tirar Ray e Nora da equipe, pois a motivação e o coração da equipe era o Átomo, não preencheu o vazio que a equipe teve. Como Sara (Caity Lotz) disse no final do episódio, brindando em memória a Ray: “E que nos mostrou que não há problema grande demais que não possa ser resolvido com um sorriso”. A produção foi um tanto rude com Brandon Routh, que ficou insatisfeito com a saída. Havia muito há explorar. Quem sabe um dia, ele possa retornar.

Com a primeira parte da temporada finalizada, um segundo arco começa, mas que girava em torno ainda do Tear do Destino. A redenção de Astra é algo curioso, pois mesmo querendo comandar o inferno ao lado das Moiras, ela ansiava em ver sua mãe e tê-la mais uma vez, se aliando as Lendas. Com isso, a equipe ganhava mais um membro, mesmo que temporário, após a saída de Ray e Nora, e a morte de Behrad. Os episódios começavam a se tornar mais interativos numa caça a última peça para conseguir montar o Tear do Destino e ressuscitar Behrad.

As Lendas se encontram com uma das Moiras, Átropos (Joanna Vanderham), que entra em combate com Sara, quase a matando. Um pequeno arco se inicia em meio a outro, com a capitã da Waverider ganhando poderes de prever os acontecimentos futuros. Não bastasse estar cega, não poderia comandar as Lendas, deixando Ava Sharpe (Jes Macallan) no comando, conseguindo amarrar duas subtramas em uma só.

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Apesar de esperar algum poder que lhe desse super força, esse foi uma grande surpresa. O ganho de pode foi tudo graças a uma luta contra uma deusa. Os episódios seguintes trouxeram um grande dinamismo do elenco e das subtramas envolvendo cada personagem. Passando pelo deus grego Dionísio, a equipe chega a um apocalipse zumbi em “I Am Legends”. O 12° episódio pós-crise foi o mais desesperador, com certeza, com a equipe protagonizando o drama em meio ao caos. Com a imortalidade adquirida por 24 horas após beber do Cálice de Dionísio, as Lendas estavam prontas para usar o Tear do Destino, mas não contavam perder a nave para as Moiras. Sem nenhum Correio do Tempo, eles vão para um antigo bar, no qual funcionava um posto da Agência do Tempo. O tempo da imortalidade tinha se esgotado e os zumbis os alcançaram, matando quase toda a equipe, exceto por Charlie (Maisie Richardson-Sellers), que conseguiu fugir para tentar salvar o mundo e mudar as coisas.

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E, de forma inusitada salvou, os colocando na TV, em forma de sitcom, para fazer a população entender que o “regime” das Moiras era algo bom. Ela se uniu as irmãs para salvar a equipe. E é aí que entra a Zari 1.0 de volta à série. Assumindo o corpo da Zari 2.0, ela consegue fomentar a ideia de que tudo não passada de uma prisão criada pelas Moiras, colocando a equipe em séries de TV. Gary (Adam Tsekhman) e Mona (Ramona Young) entenderam o recado e conseguiram mudar o roteiro, fazendo as Lendas se lembrarem de quem são, tornando a cena marcante para a série, ao som da leveza da trilha sonora principal da série, rebuscando suas raízes.

Com a vitória parcial das Lendas, o episódio final seria o decisivo. Cabe ressaltar aqui o arco de Mick (Dominic Purcell) com sua filha. Todas as tentativas só funcionaram após Mick levá-la para a nave e se divertir com ela, junto de Nate. Porém, a trama vivida por Behrad e as Zaris ganharam mais força, na segunda parte da temporada e no episódio final. Tendo abrido mão da imortalidade por conta de Charlie (Clotho), Láquesis (Sarah Strange) consegue ainda manter voz e ordem na humanidade, juntamente com Átropos. Elas não esperavam que Clotho se viraria contra elas e as Lendas tivessem saído da televisão para derrotá-las. A batalha final acontece contra vários “bis”, sendo líderes políticos e assassinos. O final foi feliz, até certo ponto, em que Sara é abduzida, iniciando o gancho para a 6ª temporada.

Veredito

A 6ª temporada de Legends of Tomorrow é realmente perfeita, não sendo uma novela como uma vez foi na 1ª temporada. Muita coisa mudou desde então. O foco foi o Tear do Destino, incluindo muito bem a trama de Astra com Constantine. Muitas subtramas conseguiram se encaixar com a trama principal, não se desviando. A história não fugiu do que quis mostrar, não deixando pontas soltas e um gancho para a próxima temporada.

As atuações por parte do elenco principal foram ótimas, sendo Brandon Routh Caity Lotz os mais brilhantes. Por sua vez, Matt Ryan apresenta um Constantine muito próximo aos quadrinhos, assim sendo um outro destaque por sua performance. Nick Zano, Tala Ashe, Jes Macallan Dominic Purcell também não deixam a desejar, com cada um fazendo jus ao seu personagem, montando uma própria personalidade. Shayan Sobhian tem um grande futuro dentro do show de TV.

Em questão de trilha sonora, Blake Neely Daniel James Chan entregam uma faixa épica, sempre. O figurino, como sempre, muito bem feito, apesar de que as Lendas deveriam usar mais seus trajes quando pudessem, pois são suas identidades. Em meio a saída de atores, Legends of Tomorrow não caiu de produção em nenhum episódio, conseguindo fazer com que cada um passasse um sentimento, seja de emoção, tristeza ou tensão. A temporada demonstrou um grande equilíbrio entre os episódios e muito solidez, fazendo com que Legends of Tomorrow seja a melhor série do Arrowverse e a mais divertida da DC Comics.

10/10.

Crítica: Docinho da América (2016)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Um filme intimista sobre a jornada de descoberta de uma jovem em chamas.


A primeira cena de Docinho da América dialoga bem com a protagonista e a ideia do filme em geral, na qual vemos a jovem Star, procurando comida no lixo e cuidando de duas crianças, que possuem pais ausentes e não recebem os cuidados adequados para com uma criança. Provavelmente essa também seja a origem de Star, e porque não, a origem de alguns dos outros integrantes da equipe que cruza os Estados Unidos vendendo assinaturas de revistas de porta em porta. Jovens desprovidos de oportunidades e de acompanhamento familiar, um problema grave e real que afeta muitas outras crianças e jovens ao redor do mundo.

Andrea Arnold entrega uma direção fascinante aqui: com câmera na mão na maior parte do tempo, bem próxima aos personagens, criando uma maior imersão e uma relação de maior intimidade do espectador para com o filme. Ela sabe bem cadenciar a narrativa, sem pressa alguma, equilibrando bem os momentos de agitação com os de maior reflexão, mas sem deixar o ritmo vagaroso em plenos 163 mins de projeção.

Temos aqui dois momentos essenciais para entendermos a protagonista: no primeiro momento, vemos que ela, ao vender uma assinatura para um caminhoneiro, tem uma conversa reflexiva com este sobre sonhos. A conversa nos mostra que Star não quer nada mais que muitos filhos, uma casa própria e uma vida feliz, algo que ela não tivera em sua vida. No outro momento, vemos Star, que ao visitar uma casa de crianças desamparadas por uma mãe viciada, decide comprar comida para estes em um ato de solidariedade, ao ver que estas crianças passam pelos mesmos problemas que ela passou um dia. Star é uma jovem inocente com espírito forte, que precisou amadurecer mais cedo que o normal, e nada mais quer do que viver uma vida simples e feliz.

Ao acompanharmos a protagonista passar pelas mais diversas adversidades durante o longa, vemos na última cena, Star libertando uma tartaruga rumo ao mar. Este momento marca o ato de libertação da personagem, de seu passado e dessas adversidades que surgem na vida. Agora ela começa a escrever sua própria história.

Veredito

Com uma grande direção de Andrea Arnold e performances inspiradas de Sasha Lane e Shia LaBeouf, Docinho da América nos oferece um refrescante drama não convencional sobre a maioridade.

9/10.

Crítica: Os Guarda-Chuvas do Amor (1964)

Aviso: Crítica sem spoilers!



Obra-prima dos musicais.


Os Guarda-Chuvas do Amor, curiosamente, não possui nenhum número musical. Sim, poderia ser um filme normal de uma história de amor, caso não fosse o fato do filme ser todo cantando. Fato este que funciona perfeitamente, graças à criação de universo e a entrega do elenco, com falas que são musicadas, bem refletidas na melódica trilha sonora de Michel Legrand.

Fugindo das convencionais histórias de amor, Jacques Demy conduz de forma fascinante a narrativa no decorrer de 3 partes. Na primeira parte nos são apresentados Geneviève e Guy, dois jovens perdidamente apaixonados um pelo outro, com planos de se casar e passarem uma vida juntos. Nessa primeira parte o uso de cores fortes e contrastantes é bem utilizado ao reforçar a aura de paixão envolta nos dois jovens. Nas duas partes posteriores, as cores, em conjunto da já citada melódica trilha sonora, são responsáveis por reforçar a melancolia presente nas situações conflitantes que acabam por deixar a separação do casal quase que inevitável.

Catherine Deneuve, em uma grande performance, entrega a junção perfeita de interpretação e musicalidade. Ela convence muito bem nos momentos de angústia e insegurança que a personagem pede. Sua beleza e sua voz angelical fazem dela uma das grandes românticas do cinema. Nino Castelnuovo, por sua vez, acaba por ser o companheiro ideal de Deneuve no casal de protagonistas. Ele, em especial na terceira parte, convence muito bem nos sentimentos de isolação e mal-estar sentidos pelo personagem, vemos ele, por diversas vezes, cabisbaixo, flutuando na cena com um olhar fixo para o nada.

Mais do que um musical, ou o mero aspecto fantasioso dado pelas fortes cores e a musicalidade do filme, a força de Os Guarda-Chuvas do Amor reside no realismo e na dureza que o filme trata do amor, como o amor pode parecer bom e ruim ao mesmo tempo, como tudo pode mudar de uma hora para outra. Tamanho fascínio que sinto, chego a dizer que é uma das maiores histórias de amor de quem vos fala já viu


Veredito

Sendo mais um dos belos frutos da Nouvelle Vague, Os Guarda-Chuvas do Amor é um apaixonante musical que nos mostra os dois lados do que pode ser o amor.

10/10.

Crítica: Taxi Driver (1976)


Aviso: Crítica sem spoilers!


Taxi Driver (1976) dirigido por Martin Scorcesse e estrelado por Robert De Niro no papel de Travis, o motorista de táxi, certamente é um dos grandes clássicos do cinema e um dos melhores filmes do diretor. O filme mostra um militar que sofre de insônia (viciado em pornografia) que decide se tornar um motorista de táxi na Nova York dos anos 70.

O filme não nos mostra o que Travis passou na guerra, mas mostra que além de ter uma habilidade com qualquer tipo de arma (típico de um soldado), ele também tem uma bela imaginação para montar apetrechos e outras bugigangas.

Taxi Driver captura muito bem a mudança que o personagem teve ao ser rejeitado por uma mulher que ele havia se interessado, quer dizer, ele já era desequilibrado, mas depois desse evento, as coisas ficaram piores. Isso pode ser culpa da insônia, misturada com todos os traumas que ele certamente sofreu quando era soldado.

Além de toda narrativa muito bem construída, o longa retrata muito bem a Nova York dos anos 70, com todo crime e desigualdade social. Mesmo que a câmera foque mais no De Niro durante as cenas dentro do táxi, você consegue ver as luzes da cidade, que de iluminada não tinha nada.

Os coadjuvantes também ajudam a manter a narrativa mais interessante, como os colegas de trabalho de Travis, com todos os comentários sobre o trabalho. A prostituta que Travis tem contato e os traficantes que aparecem durante o film, ajudam a manter a ideia da cidade podre, mas bonita.

A trilha sonora é outro ponto alto, mesmo que aparente ser meio repetitiva, ela ajuda a mostrar a instabilidade do personagem, que parece que vai surtar a qualquer minuto (ponto para o De Niro que entregou uma atuação impecável)

Taxi Driver é um clássico do cinema que merece (e tem) ser passado de geração em geração, é incrível como um filme da década de 70 consegue ser tão atual e esplêndido como Taxi Driver é!


Veredito

Um filme que retrata com maestria alguém que é atormentado por diversos traumas do passado.

10/10.


ASSISTA AO NOVO VÍDEO DO CANAL https://youtu.be/a38fjvC2s6c

Crítica: Cisne Negro (2010)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O que vale para chegar à perfeição?


Antes de dirigir Cisne Negro, Darren Aronofsky já havia explodido para um mundo com filmes como Réquiem Para um Sonho, O Lutador, entre outros. Filmes intrigantes que haviam conquistado crítica e público ao redor do mundo. Cisne Negro, então, chegava sendo um grande sucesso, recebendo diversas premiações, inclusive 5 nomeações e 1 estatueta no Oscar de 2011. Assim, o filme chegava para reafirmar Aronofsky como um dos grandes nomes do cinema atual.

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Assim como em Réquiem Para um Sonho, e grande parte do cinema de Aronofsky, Cisne Negro tem a marca do diretor: um filme singular, com atmosfera pesada e um efeito entorpecente que gruda ao espectador por um bom tempo após o término da projeção. Um filme que fica no imaginário das pessoas durante horas ou dias.

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Desde o primeiro momento, somos inseridos a um ambiente hostil, envolto de muita rivalidade e pressão, em um clima muito pesado. Ficamos com o pressentimento de que algo ruim vai acontecer no decorrer do longa. A direção de Aronofsky é muito eficaz nesse sentido, usando de cores frias e sem vida, uma trilha sonora melancólica degradante – Clint Mansell novamente repete a parceria com Aronofsky aqui – envolto de uma grande melancolia do roteiro. Vemos a fundo a degradação física e mental de Nina (Natalie Portman), e toda a metamorfose da personagem que a corroe internamente.

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Natalie Portman entrega aqui, com certeza, uma das melhores atuações da década passada. Dando muita veracidade a personagem, ela convence em seus momentos de angústia, desconforto, insegurança, momento de maior dramatização e uma grande performance corporal nas apresentações de balé. Uma atuação colossal.

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Podemos, porque não, relacionar a metamorfose interna de Nina com nossas vidas: Nina sonha em ser uma grande bailarina, persuadida pelos outros a ser “perfeita”, ela sofre os mais diversos tipos de pressão e abuso, isso acaba a destruindo internamente. Toda essa metamorfose pode ser relacionada às pessoas que sofrem muita pressão no dia-a-dia, seja no trabalho, nos estudos, relações, que, assim sendo, faz essas pessoas se cobrarem muito, ou serem persuadidas a fazer coisas que não queiram, para assim, chegar ao estado de “perfeição”. Ou então, podemos relacionar os abusos sofridos por Nina com os homens que, em ato de covardia, abusam das mulheres fisicamente e mentalmente, abusos estes que, muitas vezes, acabam perseguindo essas mulheres no decorrer de suas vidas. Assim sendo, Aronofsky nos entrega uma obra singular, subjetiva, que reflete bem muitos aspectos da nossa sociedade.


Veredito

Com uma performance histórica de Natalie Portman e uma direção inspirada de Darren Aronofsky, Cisne Negro é um grande filme que, além de servir como uma metáfora social, nos mostra qual o preço para se chegar a tão desejada “perfeição”.

10/10.

Crítica: Altered Carbon: Nova capa

Aviso: Crítica sem spoilers!



O novo anime da Netflix teve sua estreia no dia 19 de março desse ano. O anime conta com um belíssimo gráfico Cell shading ou Toon shading (também é bastante utilizado em games). O longa mostra eventos antes dos acontecimentos da primeira temporada (funcionando como um prólogo) e também serve como conexão direta para a segunda temporada da trama.

O anime conta com uma alta censura para menores de 18 anos, com lutas extremamente insanas e mortes bem detalhadas. O filme foi produzido no Japão, com direção e dublagens japonesas originais.

Em um futuro não tão distante, a consciência humana passou a ser digitalizada e armazenada em cartuchos para serem colocados em capas (corpos humanos fabricados em laboratórios). Agora a morte não é mais uma opção. Então, a humanidade passou se expandir cada vez mais, explorando e colonizando planetas.

O longa foca em Takeshi Kovacs (com a voz de Tatsuhisa Suzuki) um emissário altamente treinado, Holly (com a voz de Ayaka Asai) uma jovem tatuadora e Gena (com a voz de Rina Satou) uma agente da CTAC. Kovacs foi enviado para o planeta Latimer para investigar o mistério por trás da cerimônia de sucessão da Yakuza. Ele passa a ser guarda-costas da jovem Holly, que é uma tatuadora que foi criada pela Yakuza, e ela é uma peça importante para cerimônia de sucessão. Gena que também tem o mesmo objetivo que Takeshi, resolve deixar as diferenças de lado e se unir a ele para descobrir o mistério por trás da cerimônia. O roteiro de Dai Satô e Tsukasa Kondo não nós dá nada muito complexo, assim, permitindo mais espaço para as cenas insanas de luta, que roubam mais o foco.

Os diretores Takeru Nakajima e Yoshiyuki Okada nos trouxeram uma trama com visuais e gráficos extremamente elegantes, e com uma forte pegada futurística bem ao estilo de Cyberpunk.


Veredito


Nova capa é um ótimo anime com cenas de lutas eletrizantes e um gráfico belíssimo e com um final que dá a oportunidade da Netflix expandir mais desse universo futurístico.

9,5/10.

Crítica: 1917

Aviso: Crítica sem spoilers!


A Grande Guerra vista de perto.


O mais novo filme de Sam Mendes, com 10 indicações ao Oscar, e tendo levado 3 estatuetas, é uma bela façanha de produção e eficácia num longa que trata de guerra. A percepção do diretor acerca do assunto, fez com que muitos fãs de filmes de guerras e historiadores, mergulhassem num ambiente brutal e épico que é 1917.

Em tempos mais modernos no cinema, ver uma produção de guerra em grande escala não é tão difícil. Filmes biográficos de heróis como Até o Último Homem, ou de um clima mais tenso e pesado como Dunkirk. Porém, é, de fato, difícil ver grandiosas produções da Primeira Guerra Mundial. Uma mais recente foi Mulher Maravilha, mas convenhamos, não é um filme de guerra como de costume. A ação de 1917 começa logo nos primeiros 10 minutos. Não há parada parada para descanso.

Os dois protagonistas do começo, Cabo Schofield (George MacKay) e o Cabo Blake (Dean-Charles Chapman), tem a missão de levar uma mensagem do General Erinmore (Colin Firth) para cessar um ataque contra as tropas alemãs em Croisilles. Uma única carta teria de salvar 1600 homens do Coronel Mackenzie (Benedict Cumberbatch), entre eles o irmão de Blake. Com a confirmação do recuo alemão no Front Ocidental, os Cabos ingleses logo partiram para a longa jornada. O recuo das tropas alemãs era apenas uma tática para que os ingleses caíssem na armadilha. A chamada Operação Alberich consistiu na retirada estatégica alemã para a Linha Hindeburg, que era mais curta e em nova posição, facilitaria a defesa contra a Entente em território francês.

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Numa mistura de real com originalidade, o diretor molda o roteiro em cima das histórias de seu avô, este que esteve em trincheiras e por muitas vezes foi mensageiro. Na mesma medida, ele traz o trabalho do avô para o filme, fazendo do protagonista um mensageiro improvisado que corre contra o tempo.

Enquanto Blake e Schofield atravessavam a Terra de Ninguém, tivemos um lindo vislumbre do ambiente, das trincheiras e de tudo que uma guerra proporciona. Corpos de soldados, ratos, armas destruídas, campos enlameados com poças d’água e um dia nublado, para manter ainda mais o clima pesado. Os movimentos da câmera nos permitiam ver tudo, até os mínimos detalhes. A câmera sempre seguia os protagonistas, não desviando nenhuma vez. Sem cortes de cenas, mantendo um plano-sequência contínuo, Roger Deakins consegue manter o espectador sempre de olho no filme, para que nenhum detalhe da trama escape.

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Assim como na cinematografia, Deakins cuidou da fotografia de forma minuciosa, usando cores mais escuras ao decorrer do filme, para transmitir a dor e a tragédia de uma guerra. Em momentos mais oportunos, usava cores quentes, mas não com tanta frequência. A montagem de Lee Smith e o design de produção de Dennis Gasner contribuíram de forma espetacular. Faz com que quem está vendo, se sentir dentro da Grande Guerra, combatendo as forças inimigas na França. Num todo, a escolha do ambiente para as filmagens, e sempre em dias mais nublados, ajudou muito no processo final.

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A direção tensa de Mendes proporcionou muitos momentos de suspense e angústia. Após uma cena de tiroteios e o total apagar das luzes, a cena de fuga precisou um pouco de abafo para acalmar os espectadores. Foi nesta cena que Schofield descobre o caminho certo para a conclusão da missão. Não demorou tanto assim para a ação começar novamente, e já se encaminhando para o final do filme.

O final estrondoso, em meio a trincheiras com centenas de soldados entrando para o ataque contra os alemães, desfaz do momento calmo de uma canção inglesa dos soldados, para construir o maior momento do filme. Tudo parecia acabado para Schofield, até que os soldados fazem algumas perguntas e depois afirmam ser os Devons, o pelotão que o Cabo tem a missão de salvar. Era nítido a exaustão do soldado na reta final. Mesmo ferido, ele seguiu seu caminho. E é aí que a excepcional trilha sonora de Thomas Newman entra na discussão. A mistura de drama, suspense, epicidade e heroísmo em uma apenas uma faixa torna a trilha de 1917 uma das melhores de filmes de guerras já feitas, se não a melhor. E também uma das melhores do ano, que deveria muito bem reconhecida. Não só Sixteen Hundred Men como destaque, mas Gehenna e Night Window conseguem ser tensas e com momentos de suspense. Newman acerta numa trilha sonora espetacular, misturando paz, tragédia, medo, suspense, angústia e tensão para formar a épico que o 1917 precisava.

Na trincheira, o cansaço evidente de Schofield parecia ter sido deixado de lado e substituído pela persistência. MacKay mostrou até aonde vai os limites do ser humano, forçando o físico ao máximo para alcançar o objetivo. O medo nos olhos de alguns soldados, a raiva e o desespero de comandantes torna o plano-sequência final glorioso. No meio de explosões e de soldados machucados, o Cabo perfilava seu caminho até o Coronel, para cessar o ataque. Tendo 30 segundos e 270 metros, para entregar a mensagem, Schofield teria de passar no campo aberto. E é o ponto máximo do filme, mostrando até onde o homem pode chegar. Com certeza, a travessia do Cabo com a trilha ao fundo, fez com que a cena fosse a melhor do filme e uma das mais incríveis de todos os tempos.

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George MacKay e Dean-Charles Chapman se entregaram para seus personagens. A atuação magnífica por parte de MacKay, tornando seu personagem icônico e tão realista quanto, sentindo medo, desafiando seus limites e tendo a mais pura força de vontade, além da saudade que o cerca no final, pensando no tempo que iria voltar a ver quem ama.

1917, por sua vez, recria e explora o momento mais sombrio da humanidade. A Grande Guerra, que devastou o mundo, com massivos ataques, tecnologia absurdamente avançada, recriou territórios e redesenhou o mundo moderno, é a prova de que não deve ser esquecida pela sétima arte. Um conflito horrível e pesado, que merece mais atenção dos estúdios, enquanto estes produzem obras sobre a Segunda Guerra Mundial, saturando um tema tão batido, e fazendo a Primeira Guerra Mundial cair no abismo do esquecimento.


Veredito

1917 documenta uma das mais devastadoras das guerras de forma jamais vista nos cinemas. O drama épico de guerra usufrui de todos os elementos necessários para uma produção de grande escala, trazendo à tona, um realismo absurdo e uma humanidade inquestionável por parte dos protagonistas. Com um plano-sequência invejável, não se perde os mínimos detalhes com o passar do longa. O ambiente em que foi filmado, faz com que o espectador fique imerso na batalha durante todo o filme, sem perder o foco por um segundo. A fotografia impecável, torna ainda mais sombrio e tenebroso o clima da obra.

Com uma trilha sonora e uma atuação majestosa e cheia de tensão, 1917 explora o drama de soldados entrincheirados, temendo o que vai acontecer depois. Sam Mendes mostra o quão persistente e humano o homem consegue ser, mesmo num ambiente tão desumano.

10/10.