Arquivo da categoria: Críticas

Críticas de filmes, séries, animações, animes e games.

Crítica: Tom & Jerry: O Filme (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers.


Tim Story e a gag como motor da narrativa.



Tom & Jerry: O Filme é, sobretudo, um tributo a série de curtas-metragens animados de mesmo nome. São vários os elementos referenciados da série, como a participação de diversos personagens clássicos da franquia. A rica variedade de sons dos cartoons é restaurada com os barulhos de explosões, bordoadas, pancadas e os famosos gritos escandalosos de Tom. Não por acaso, a decisão de preservar o design animado em 2D dos personagens é uma clara ação de conservar a série animada para, assim como os curtas de Hanna e Barbera, explorar gags da dupla de gato e rato se perseguindo e se digladiando, com os ambientes, criados com CGI, se redefinindo com a ação da dupla. É notável a nostalgia e o apreço que o diretor, Tim Story, tem por esses personagens e por essa franquia.


Se por um lado, o longa é conservador por preservar esse estilo de animação, por outro, ele é revigorante e até mesmo uma oposição por rejeitar a demanda de mercado que prega o 3D e personagens fotorealistas – como O Rei Leão, de 2019, e Sonic: O Filme, que, assim como Tom & Jerry, coloca o animal para interagir com pessoas no mundo real. O grande mérito de Story, portanto, está em como ele anima seus personagens. É recorrente no cinema hollywoodiano, em especial as adaptações de quadrinhos e video games, a rejeição aos elementos fantásticos em detrimento do realismo – no caso da adaptação de Sonic, o ouriço azul foge de seu mundo fantasioso e enfrenta Dr. Eggman no mundo real -, mas Story não foge do cartunesco de Tom & Jerry, pelo contrário, ele o abraça.

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Divulgação/Warner Bros


Por sinal, os melhores momentos do longa são os que remetem aos cartoons clássicos, com gags do gato e o rato perseguindo um ao outro, onde Story por demais estica as cenas com planos longos, dando liberdade para movimentação da dupla em meio aos cenários. A gag se transforma no motor que move a narrativa, com um segmento mais divertido e criativo que o outro – por mais que seja, em suma, sempre o gato perseguindo o rato, cada gag tem sua particularidade e o que a faz especial.

Outro mérito de Story é saber equilibrar o tempo de tela entre seus personagens. Por se tratar de uma mistura entre animação e live-action, ao estilo Space Jam, era necessário uma figura humana de protagonismo para contracenar com a dupla – como Michael Jordan, no caso de Space Jam -, e a tarefa ficou com a carismática Chloë Grace Moretz. O diretor foi eficiente e soube dividir o protagonismo, dando “palco” para a estrela principal da produção, mas sem fazer com que Tom e Jerry fossem apagados por ela. O problema, no entanto, é um recorrente em produções hollywoodianas: o drama humano genérico. Temos criativas gags e personagens interessantes, mas isso em meio a um drama humano que, sinceramente, não importa.


Em suma, o longa tem vários méritos por ser criativo ao se opor às demandas de Hollywood, mas seu calcanhar de aquiles reside justamente no modelo fabricado pelo cinema norte-americano. Assim como é interminável o ciclo de perseguição entre Tom e Jerry – no final, mesmo após se tornarem amigos, o gato e o rato continuam a perseguir e aborrecer um ao outro -, é constante o ciclo das demandas narrativas que assolam as produções hollywoodianas, por mais criativas e bem intencionadas que elas possam ser.


Veredito

Tim Story proporciona um filme nostálgico e inventivo, suficiente para fazer a diversão do espectador, mas tropeça num problema recorrente de Hollywood.

6/10.

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Crítica: Esquadrão Trovão (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Longa adere aos clichês, mas diverte com seu humor exagerado.


A nova comédia da Netflix, Esquadrão Trovão, é mais uma produção de super-heróis do streaming, que serve mais em seu humor do que na própria ação. Com Melissa McCarthy no elenco, Octavia Spencer sendo sua companheira, e Jason Bateman um dos antagonistas, o longa-metragem explora uma Chicago devastada por vilões, os chamados Meliantes, que possuem poderes após raios cósmicos atingirem a Terra. 

Ben Falcone, diretor e roteirista do filme, e que ainda faz parte do elenco, traz McCarthy como protagonista e Spencer como coadjuvante, num filme totalmente exagerado em seu humor. O começo deixa bem explicado do que o filme se tratava: Emily Staton (Spencer), uma garota prodígio, estuda arduamente para criar uma fórmula contra os Meliantes. Nesse meio tempo conhece Lydia (McCarthy), uma jovem mais distraída e impulsiva, que não era tão aficionada por estudo. É básico, e em sua introdução, o filme de Falcone sabe muito bem formular a ideia de heróis, utilizando frames em formas de quadrinhos, mas a sequência deixa a desejar muito.

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Não posso cobrar, aqui, a ação do filme, já que o intuito leva ao divertimento e não um filme de ação. O humor exagerado em muitas partes, causa cenas constrangedoras e estranhas, algo que não precisava tanto assim. Há partes que divertem, e a atuação de McCarthy em comparação de Spencer, está mais fluida, parecendo mais confortável em aparecer neste filme mais cômico e ridículo. Bateman também está confortável em seu papel, – que é totalmente ridículo e asqueroso – conseguindo encontrar uma boa dinâmica com McCarthy. Bobby Cannavale Pom Klementieff, os outros vilões do filme, fazem aparições em personagens genéricos e imemoráveis, mesmo Cannavale sendo o principal.

O filme tenta separar dois arcos principais: Stanton vivendo o drama de seus pais, e Lydia, uma mulher impulsiva e desajeitada. Spencer passa despercebida por todo o longa, deixando McCarthy marcar presença. Não há uma dinâmica interessante entre as duas, muito pela diferença das duas personagens. As conveniências do roteiro deixam bem explícito cada passo que iria acontecer, tornando o roteiro simples e descompassado. O espectador consegue decifrar quem será o vilão do filme, quem foi subornado pelo vilão e o que acontecerá na sequência final, aderindo a todos os clichês possíveis de um filme do gênero, e perdendo a coerência até o final.

THUNDER FORCE

De todos os problemas que o roteiro possui, não há tantos problemas na questão do CGI, que está de bom tamanho para uma produção de comédia de super-heróis, apesar de ser abaixo do habitual. Nem ao menos, a trilha sonora pôde marcar grande presença; não que ela seja ruim, muito pelo contrário, consegue ter seu valor no filme, mas é genérica. São aspectos técnicos que podem ser melhorados pelo diretor – o roteiro, principalmente, que deve ter muito o que melhorar, além de uma direção não tão agradável.

Apesar de problemático, e com um roteiro muito infundado, o filme ainda consegue divertir com piadas bobas, uma aparição momentânea de Jason Bateman em um personagem ridículo, e uma atuação na risca de Melissa McCarthy. Para os menos exigentes que veem sem compromisso, o filme poderá lhe tirar algumas várias risadas.


Veredito

Esquadrão Trovão, da Netflix, beira ao ridículo em seu humor pastelão, e não consegue alavancar para uma possível sequência. A direção e o roteiro de Ben Falcone são inconsistentes, assim como a atuação em segundo plano de Octavia Spencer. Por outro lado, Melissa McCarthy e Jason Bateman estão confortáveis em seus personagens, e em participar dessa galhofa da comédia heroica, onde você precisa ter boa entonação para falar o nome da equipe.

4,5/10.


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Crítica: Shiva Baby (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Eficiente e agridoce, a comédia Shiva Baby é surpreendente, e com apenas 77 minutos de rodagem, rapidamente se revela autêntica, numa dinâmica estilosa imprescindível trazida pela cautelosa óptica da diretora estreante Emma Seligman.

Sempre econômico ao detalhar traços que compõem cada sequência, a trama junta o útil ao agradável ao ser inventivamente prática: Damielle é uma jovem bissexual, que se mantém financeiramente de programas com homens mais velhos. Quando vai à um funeral com seus pais, um tradicional casal judeu, acaba encontrando um inconveniente ex-namorado, e como se já não bastasse, com uma ex-namorada em seguida.

Fluindo suavemente sob sensações que todos nós já passamos ao menos uma vez, como tentar evitar ao máximo o constrangimento utilizando as mais estratégicas artimanhas de camuflagem, o longa é orgânico, e transita naturalmente entre diferentes pontos de vista, sabendo dar o tempo certo para cada personagem e trabalhá-los em um curto tempo-espaço.

E mesmo com certos costumes diferentes, como a visita à uma sinagoga, por exemplo, é comum que o longa gere identificações, como aquelas conversas com parentes mais velhos que testam nossa paciência – ainda mais numa situação desagradável em um velório que nem se conhece o defunto, brincando constantemente com a ansiedade, usando conversas paralelas como barreiras para a solução do problema, ao som de notas isoladas numa trilha sonora com estilo tribal contemporâneo estupendo, que é cada vez mais constante e frenética ao evoluir.

Adaptado de seu próprio curta-metragem, Emma Seligman apresenta um trabalho de direção admirável. Apresentando aos poucos cada especificidade daquele universo, faz o uso exemplar da handycam, em favor do ritmo desapegado, porém, sempre atencioso. E quando quer exercitar o pânico que tamanha pressão pode gerar, traz diversos Close-ups icônicos, como na cena em que a protagonista sai do banheiro, e todos parecem estar encarando-a.

Nas atuações, não há uma sequer que não entre em destaque. Os pais interpretados por Fred Melamed e Polly Draper estão hilários, numa química mais do que convincente. Os ex-namorados vividos por Danny Deferrari e Molly Gordon também estão excelentes, mas a dona do filme é Rachel Sennot (Danielle), que está absolutamente brilhante.

Tendo cono único ponto contra um certo seguimento no segundo ato que tem sede por evolução narrativa, a experiência é, de modo geral, extremamente agradável, e de veras um trabalho atento e talentoso, com fortes nomes que devem ser anotados para se prestar atenção em projetos futuros.


Veredito

Ao esperar por pouco, Shiva Baby vai te surpreender com um minimalismo bem conduzido e divertido, apresentado luxuosamente por um elenco de ponta.

9,5 /10.

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Crítica: Moxie (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Boas intenções não fazem um bom filme. Mesmo tematicamente atual, o novo longa da Netflix, Moxie, parece estar parado no tempo quanto à linguagem. Porém, ao decorrer, torna jus sua existência.

Ultrapassado em abordagem, mas não em conteúdo, o roteiro do trio Jennifer Mathieu, Tamara Chestna e Dylan Meyer faz o básico para manter de pé suas próprias conveniências. Estruturado numa escola de ensino médio americana, sem trazer nenhuma novidade nesse quesito, traz a luta feminista se espalhando pela propriedade.

Como forma de expressão, Moxie tem um papel fundamental, ainda mais levando em conta o alcance que este pode atingir. Mas é uma pena que precise ser tão didático ao tratar seus temas, podendo tornar a mensagem pouco eficaz para quem tiver moderada compreensão de gramática visual.

Felizmente, a falta de harmonia em motivações e causa se torna um prejuízo cada vez menor, uma vez que o cinismo e a ignorância transcendem as lentes da câmera. Constatado isso, o resultado final poderia de qualquer forma servir como ferramenta de combate à intolerância, mesmo que nas mínimas proporções.

Como dito no início, talvez uma das grandes falhas do filme seja o fato deste abrir mão da verossimilhança para ambientar-se no mais comum clima social, sem apresentar quaisquer fontes de criatividade, estruturando-se na mais primária base de propagação de objeto na narrativa, assim como a constante e breve passagem com personagens secundários, que beira a breguice.

Com sorte, o elenco, majoritariamente composto por novatos, está operante. Quem se sobressai um pouco é Patrick Schwarzenegger (sim, o filho de Arnold), como uma figura de descaso quanto as normas, além da própria protagonista, interpretada pela Hadley Robinson, que internaliza uma inocência sábia.

Junto com a indiferença estética concebida pela diretora Amy Poehler, a cinematografia também fica prejudicada, lembrando mais setcoms de estúdio dos anos 2010. Ainda no roteiro, a fácil propagação da informação joga a favor do avanço pedestre da narrativa, algumas vezes acompanhando pelo recurso visual dos balõeszinhos de mensagem em redes sociais, que ao menos não é cafona.

Finalizando, a antepenúltima cena ganha um surpreendente destaque, quando aparentemente abandona o vai e vem colegial e parte para um momento finalmente genuíno, onde o namorado da protagonista e seu padrasto iniciam um diálogo leve e desprovido de objetivas questões de desenvolvimento ou exposição – mas em consequência, gerando um efeito dúnio na Vivian, que confusa, vai até seu quarto seguida por sua mãe, onde lá iniciam um pequeno desentendimento: “Por que o meu pai não me visita no natal, mãe?” – de forma retórica.

Um pai que nunca vemos, e claro, não presente na vida da Vivian. Às vezes cansa mesmo, ainda mais quando as obrigações de cada um não parecem ter igualdade perante os gêneros, isso quando não rebatidos por “mi mi mi”. – Planeta Terra, 2021.


Veredito

Apesar de pouco inspirado em termos de linguagem e estética, Moxie tem seus momentos, e não deve passar desapercebido, aprazer de luta por causas e garra.

6,5 /10.

Crítica: Homem-Aranha (2002)

Aviso: Crítica sem spoilers!

O clássico inspira o clássico.


“Mas eu garanto que, como qualquer história interessante… ela é sobre uma garota”, diz Peter Parker (Tobey Maguire), em narração em off. Pela fala de Parker, o diretor Sam Raimi enuncia “abraçar” o romance. Mais que um mero filme de super-herói, Homem-Aranha é um filme de romance e, sobretudo, de fantasia.


Em 2002, era a época dos filmes de fantasia – antes mesmo dos Sci-Fi e dos super-heróis tomarem as telas do cinema -, com O Senhor dos Anéis, Harry Potter e os filmes de Tim Burton. A exemplo das obras mencionadas, Raimi não se compromete com o realismo e com a verossimilhança – como os filmes do Batman de Christopher Nolan -, a fotografia saturada, as atuações hiperbólicas e os próprios poderes do Homem-Aranha evidenciam isso. A intenção do diretor é simplesmente narrar uma estória surreal e romantizada do herói. E Raimi é um ótimo contador de estórias, aliás. Ele consegue fazer de uma estória simples de herói contra vilão e de um amor improvável ser fascinante com sua energia particular na direção – e ele o faz usando uma rica linguagem (close-ups, contraplanos, slow-motions).

Superman – O Filme, claro, influencia todo e qualquer filme de super-herói. É indubitavelmente um clássico do cinema. E o Homem-Aranha de Raimi parece se inspirar na obra de Richard Donner em diversos aspectos: 1) Raimi não usou apenas as estórias de Stan Lee e Steve Ditko para contar a origem do herói como, certamente, se inspirou no filme de Donner para desenvolver os conceitos que fizeram Peter Parker se tornar o Homem-Aranha. É a completa estória de origem; 2) O romance entre Parker e Mary Jane (Kirsten Dunst) recebe a devida atenção de Raimi, assim como Donner se concentra na relação de Superman e Lois Lane. A exemplo disso, a memorável cena do Superman levando Lois para voar, quase como um encontro romântico, é visivelmente reproduzida por Raimi com o Homem-Aranha levando Mary Jane pelos prédios de Nova York. E, não à toa, os finais de ambos os dois filmes terminam com o herói salvando sua amada; 3) A caracterização dos personagens na obra de Raimi é semelhante ao clássico de 1978, com personagens caricatos – e isso não os fazem superficiais, pelo contrário, são personagens ricos – e cartunescos. O próprio vilão, o Duende Verde, interpretado exageradamente por Willem Dafoe, é caricato bem como os cientistas loucos dos anos 1930. Ambos são exemplares de épocas mais românticas. Eles abraçam o romance, a caricatura dos personagens e, principalmente, a fantasia. São como duas histórias em quadrinhos transportadas para as telas.


Mais que semelhanças, são inspirações. É como afirma o químico Antoine-Laurent Lavoisier: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.


Para não dizer que a obra é perfeita, há uma quebra no ritmo na passagem de Peter Parker se formando no colégio e começando a agir como Homem-Aranha, dando a impressão de ciclo completo. O confronto entre Parker e o bandido no prédio abandonado soa como o clímax daquele breve arco sobre grandes poderes e grandes responsabilidades. O que vem a partir disso parece ser um segundo filme, como se fossem dois filmes em um só.

O essencial, no entanto, são os momentos memoráveis, os personagens caricatos marcados no imaginário popular e, principalmente, essa constante referência ao clássico, articulada de forma própria e romantizada por Sam Raimi, um grande contador de estórias.


Veredito

Reverenciando o clássico, Sam Raimi desenvolveu uma obra que marcou época e se tornou uma referência para os filmes de super-herói.

9/10.

Crítica: The Office (1ª temporada)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Um início brilhante para uma sitcom.


A primeira temporada de The Office é bastante curta, tendo apenas seis episódios, já que na época, ninguém sabia se a série iria fazer sucesso, por isso a pequena quantidade de episódios para a primeira temporada. Mas quando foi lançada, a serie se tornou um verdadeiro fenômeno, durando nove temporadas e sendo reconhecida como uma das – se não for a melhor – sitcom da história. Vale ressaltar que uma sitcom é uma série que mostra o cotidiano de um grupo de pessoas, com bastante bom humor, e humor é o que não falta nesse escritório gerenciado pelo incompetente Michael Scott (Steve Carell).

O Michael é um personagem tão genial, que ele comprou para si mesmo uma caneca, onde está escrito a frase “O melhor chefe do mundo”. E para piorar, o Michael consegue ser bastante inconveniente com suas piadas ofensivas sobre a etnia ou o peso de seus funcionários. Inclusive, no segundo episódio da série, os funcionários da Dunder Miflin recebem uma palestra sobre diversidade, mas na metade do episódio, o palestrante diz que aquilo tudo foi feito pelas piadas do Michael, deixando um clima bastante constrangedor no ar. Isso é um dos maiores acertos de The Office na primeira temporada, já que ela possui momentos extremamente constrangedores, e em quase todos eles Michael Scott está envolvido.

Outro personagem que rouba a cena é o puxa saco Dwight Schrute (Rain Wilson), que basicamente é o melhor vendedor da filial de Scranton e extremamente dedicado a sua fazenda de beterrabas. Mas existe outro vendedor nessa filial que adora pregar peças no Dwight, Jim Halpert (John Krasinski) passa mais da metade de seu tempo pregando peças no Dwight, a mais famosa claramente é colocar as coisas do colega na gelatina

E por incrível que pareça, The Office possui um dos melhores casais já feitos, Jim e Pam (Jenna Fischer) possuem uma química incrível. Mesmo que os dois não fiquem juntos na primeira temporada, as cenas onde ambos interagem são ótimas. As conversas entre Pam e Michael também são boas por conta dos diálogos constrangedores entre os dois.

The Office possui personagens carismáticos e únicos, e as atuações realmente fazem parecer que estamos vendo o dia a dia de uma empresa qualquer, já que a serie possui todo o tipo de pessoa, desde os mais gentis e bem-humorados até os mais grossos (foi o que ela disse) e chatos. Entretanto, em alguns momentos, a primeira temporada se torna entediante e um pouco chata. Fora isso, a primeira temporada de The Office é muito boa, e marca a estreia de uma série que conquistou o mundo.

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Veredito

A primeira temporada de The Office é marcada por vários momentos de extrema vergonha alheia, que é a marca registrada da série, porem em alguns momentos ela se torna maçante e um pouco chata, mas nada que abale a qualidade do produto final.

9/10.


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Crítica: Liga da Justiça de Zack Snyder (2021)

 Aviso: Crítica sem spoilers!


Épico, grandioso e brutal. A Era de Heróis de Zack Snyder tem seu fim.


Após o infame e desastroso filme da Liga da Justiça em 2017, que teve Joss Whedon no comando, os fãs da DC Comics, que estão mergulhados no universo da editora, ficaram descontentes com o produto final, que não foi tão satisfatório assim. Todo o problema que o filme envolveu, com uma produção totalmente bagunçada, refilmagens gerais e um encurtamento de duração, fizeram com que os fãs do diretor Zack Snyder levantassem a famosa hashtag nas redes sociais: Release The Snyder Cut. Uma grande luta que foi vista pelo diretor, o fez incrementar partes de seu filme, e após quase um ano de ser anunciado, seu corte oficial para a Liga da Justiça foi finalmente lançado!

Você pode não gostar do diretor, mas não pode negar o fato dele ter conseguido uma grande façanha, e de que esse corte, é muito mais memorável quanto ao que foi “jogado” no cinema. Essa realmente é a palavra, “jogado”, sem necessidade de melhorias, às pressas, para que o calendário de 2017 pudesse ser cumprido. Com um resultado muito abaixo do esperado com Liga da Justiça, a DC Films e Warner Bros. se viram à mercê de um caminho sem volta para um universo compartilhado; vindo desde Homem de Aço até Mulher-Maravilha, unindo-os para o filme da maior equipe dos quadrinhos. Com grande orçamento e uma bilheteria abaixo do esperado, o bilhão, a ideia que Snyder teve foi excluída, até os fãs conseguirem uma grande façanha junto do diretor, o lançamento de seu corte. É, de fato, um grande sucesso, que chegou a fazer a HBO Max sair do ar por alguns instantes nos Estados Unidos. É aqui que você percebe que o mundo precisava do filme, e da verdade omitida durante anos.

Zack Snyder introduz e dá mais vez ao Cyborg (Ray Fisher), colocando-o como ponto focal do longa, visto que o mesmo foi construído a partir de uma Caixa Materna. Há uma apresentação bem mais segura e precisa, com sua relação com seus pais e sua paixão pelo futebol americano. Com o Flash (Ezra Miller), também há uma construção mais favorável, ligando um pedaço de sua origem que é com seu pai Henry Allen (Billy Crudup) e sua migração na Liga da Justiça. E claro, fechando o ciclo de apresentações por parte dos heróis, o Aquaman (Jason Momoa) está em toda sua forma, puxando um gancho com seu filme, ao ver sua relação com Mera (Amber Heard) e Vulko (Willen Dafoe). É algo bem diferente do proposto no corte final que foi para os cinemas, dando as estes personagens como já estabelecidos, o que não é o caso.

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Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) estão em sua performance total para com seus personagens, e bem encaixados na trama, assim com Lois Lane (Amy Adams), que serviu de coração para o filme de 2017. Para o Snyder Cut, Lois foi mais amistosa, com menos tempo de tela, mas importante. O foco é maior nos três novos heróis citados no parágrafo anterior, além de vermos uma boa visibilidade na importância de Alfred (Jeremy Irons) para com os heróis; que, ao invés de trazer Bruce como fez em Batman vs Superman, o papel se inverte e é Bruce quem o traz para o mundo atual.

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Retratar vilões poderosos para os cinemas não é um trabalho muito fácil, mas Snyder conseguiu transformar Darkseid e o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) em vilões com objetivos. Claro que seu tio, Lobo da Estepe, tinha objetivo no relance de Joss Whedon, mas era genérico por não possuir uma motivação clara, algo que se cai por terra no Snyder Cut. Não estão apáticos, amigáveis ou sorrindo de prazer em querer matar, mas, estão atrás de um objetivo, sem se desviar do caminho e descobrindo um antigo sonho do líder supremo de Apokolips. Além destes, há um papel menor para DeSaad, bem colocado na trama, e claro, um vislumbre magnífico do salão principal de Apokolips.

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Visualmente falando, o filme é magnífico, com uma fotografia invejável, méritos do diretor, que nunca falha nesse quesito e poderia muito bem merecer um prêmio por isso. O CGI, no tempo decorrente do filme que dura 4 horas, consegue ser superior ao enfadonho bigode do Superman (Henry Cavill), ou ao mal finalizado Cyborg. O processo de novas cenas adicionais, com o Knightmare, também é louvável, mas nada tão espetacular do que foi visto antes, e possui uma pequena queda na qualidade de computação gráfica, que não estraga a experiência.

Uma outra questão a ser abordada é a trilha sonora de Junkie XL, que mistura a ação com o épico, mas não é memorável. A melodia com as Amazonas e a Mulher-Maravilha é algo a ser bem lembrado, e com certeza a melhor faixa sonora, ao lado das faixas sonoras focadas no Superman mas, mesmo com cenas marcantes, a trilha sonora não acompanha em todo o filme. Ela não consegue criar uma atmosfera dramática que consegue engradecer o filme como em Batman vs Superman ou Mulher-Maravilha. Tem seu valor, assim como a de Danny Elfman, que rebusca o clássico e algo caricato, e Junkie XL, cria algo mais épico e com ações envolventes. Há pontos negativos que se referem ao roteiro, um erro cometido que pode incomodar um pouco, claro, mas não leva o filme por água abaixo.

Abrindo um pequeno espaço para o Knightmare, que fora concluído e com um gancho sendo mantido para o futuro, é uma cena totalmente fora do nosso habitual. Estamos acostumados a ver Injustice, com o mundo dividido entre Batman e Superman, mas não como o Superman sendo controlado por Darkseid. A cena possui um grande peso para o epílogo, que mostra a visão de Bruce de um mundo totalmente distorcido. Não foi colocada como uma cena qualquer, possuindo sentido e conexão com Batman vs Superman, e que serviria de gancho para os próximos filmes da franquia. Poderia haver, sim, um pouco mais do Knightmare, deixando o sabor amargo do “quero mais”, mas, isso poderá ser desenvolvido até mesmo em The Flash, caso seja possível.

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Eu não poderia deixar de falar do Superman, é claro, e sua volta dos mortos, sendo uma forma para fechar com chave de ouro. Se pegarmos a visibilidade que tivemos em Homem de Aço e o temperamento de Clark Kent, misturarmos com a personalidade quebrada e endeusada do super-herói em Batman vs Superman e jogarmos em Liga da Justiça, veremos ele em sua total forma. Snyder começa a construir com o filme solo do Escoteiro uma trama, que seria desenvolvida contra o Batman num filme seguinte, com uma equipe no final. Ligeiramente, a personalidade questionável em Batman vs Superman, deixe em aberto uma questão: O Superman é realmente bom? O Snyder Cut prova que sim, em seu retorno e reconstrução do herói a partir de Homem de Aço, como se esquecesse sua melancolia para com as pessoas em seu filme seguinte. O paralelo narrativo feito por seus dois pais, com a semelhante cena de voo de seu filme solo, é um manjar dos deuses, e talvez um dos momentos mais épicos, se não, o momento mais épico, mostrando a total performance de Henry Cavill para com o Superman, que agora está com seu arco finalizado, sendo agora uma fonte de esperança para o mundo novamente.

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Veredito

A Liga da Justiça está em sua total glória, com uma premissa contra deuses e subtramas dramáticas, que apresentam o essencial para que a equipe seja unida ao longo do filme. Zack Snyder conseguiu realizar sua grande obra, e tornou ela realidade para os fãs, mesmo que muitos tenham achado que o corte original não existia. A paleta de cores usada pelo diretor beira ao mais escuro, representando a profundidade, perca de esperança e ceticismo que existia na humanidade.

Com um elenco de peso e convincente, atuando de forma igual para seus personagens, e um roteiro profundo, que explora cada perda e o lado pessoal dos heróis ainda não desenvolvidos, o Snyder Cut entrega tudo o que prometeu e muito mais. Mesmo que possa haver uma ou outra inconsistência por parte da personalidade de um herói, ou mesmo, em alguma cena, todo o filme é um épico brutal, que é magnífico visualmente, e denota a importância da Liga da Justiça para a DC Comics. É o filme que a Liga da Justiça merece.

8,5/10.


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Crítica: Raya e o Último Dragão (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Raya e o Último Dragão, é na bem da verdade, uma história que todos já vimos – a jornada de uma jovem guerreira, instruída por seu pai à partir em busca de um objeto mágico que salvará o mundo. E até que inicialmente, a sensação de uma reciclagem de ideias feita pela Disney parece ser confirmativa. Mas de qualquer modo, o estúdio sabe compor química à seus personagens.

Isso porque a preocupação em si não se deve necessariamente ao fato de não sabermos se Raya conseguirá ou não concluir sua missão – já temos essa resposta antes mesmo de dar play no filme. Mas a fórmula da não personificação de um vilão não tira a urgência do que está em jogo, que acima de tudo, irá focar nas divergências na percepção de mundo entre seus personagens, mesmo que já esteja claro o objetivo a ser alcançado por todos.

Sendo assim, a leveza é muito bem-vinda, proporcionando uma experiência simples e bela para quem curte animações – mesmo considerando a objetiva ausência de elementos realmente criativos, tais como a própria criação de mundo com reinos, onde a magia uma vez presente lá, já não existe. E poderia ser mais interessante, caso a exposição narrativa nos diálogos, que óbvio; teria que estar presente pelo alcance que a Disney tem; não fosse tão exagerada.

Partindo para os personagens, estes também deixam claro o quão básico é o roteiro, mas simultaneamente, o quão sábio é o estúdio ao proporcionar momentos verdadeiramente charmosos e elegantes de forma inevitável. Com destaque também para a incrível captação de áudio, que transparece as ótimas performances vocais de Kelly Marie Than (Raya), e da Awkwafina (Sisu), cujo o arco é o mais admirável de se acompanhar. Outro aspecto positivo é a boa condução visual apresentada pela dupla de diretores Don Hall e Carlos López Estrada, principalmente nas harmoniosas cenas de luta.


Veredito

De modo geral, Raya e o Último Dragão não é descartável, e entrega sensações agradáveis; (vale lembrar também o animalzinho de estimação da Raya, o Tuk Tuk, que é talvez a coisa mais fofa que você verá esse mês) – mas que infelizmente, não é demonstrado um grande trabalho artístico propriamente dito.

7/10.

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Crítica: WandaVision (1ª temporada)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Minissérie tem diversão, ação, dinamismo e muita magia!


WandaVision chegou e se tornou a série favorita entre os fãs da Marvel, que criaram diversas teorias envolvendo Wanda, os X-Men e sua família. Os fãs comentavam no Twitter, sempre às sextas-feiras, sobre o novo episódio de WandaVision, numa temporada que se tornava cada vez mais intrigante, a ponto de ter várias opções em seu rumo. O novo passo da Marvel Studios na Fase 4, agora com o Disney+ a seu favor, já começou, e com o pé direito, estabelecendo uma de suas principais heroínas no MCU.

Com Elizabeth Olsen e Paul Bettany reprisando Wanda Maximoff e Visão, respectivamente, a série começa em forma de uma sitcom dos anos 50 e 60 nos dois primeiros episódios, e vai avançando no tempo de uma forma rápida. O real problema que Wanda tem de lidar é o que a espera fora dali, a S.W.O.R.D, uma agência de  inteligência e antiterrorismo, que tenta resolver o “ataque” da heroína em Westview. Para o Diretor Hayward (Josh Stamberg), Wanda não passa de uma terrorista, após, supostamente, ter atacado uma parte do complexo da S.W.O.R.D. Em sua mente, em vez de uma heroína, a Maximoff deve ser neutralizada à todo custo, para que o campo de energia criado em volta da cidade se desfaça, e as pessoas sejam salvas.

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Seguindo com essa caçada, Wanda permanece fiel às suas crenças, acreditando no amor que a uniu com o Visão. Há um dinamismo certeiro aqui, e muito mais explorado e também melhor do que visto em filmes anteriores. A união de um sintozoide e de uma humana aprimorada, vai além do poder e do amor, e estabelece um terreno muito fértil para ser ainda mais explorado num próximo filme da Marvel Studios, ou numa segunda temporada da série. Talvez, o maior ponto positivo da série, além de sua trama, é a interação entre os protagonistas, – e os filhos – que não deveria ser por menos, já que dividem o título.

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Em meio a apresentações e flashbacks, WandaVision traz uma grande vilã da Feiticeira Escarlate nos quadrinhos, Agatha Harkness, a grande antagonista e que rouba muito a atenção em suas cenas. É contada a origem da bruxa de uma forma mais resumida, e ela é revelada para os fãs. Se tratando de personagens, a série conseguiu equilibrar cada subtrama, dando importância para todos, em um roteiro bem amarrado, e dando continuidade após os eventos de Vingadores: Ultimato.

Saindo do roteiro, para não entregar todo o espetáculo da história e indo para os detalhes mais técnicos, a série possui um CGI de grande orçamento, e não demonstrando queda de qualidade nos efeitos especiais quando lhe foi necessitado. Um outro ponto muito bem utilizado são os efeitos sonoros, e também a trilha sonora composta por Christophe Beck (Homem-Formiga e Homem-Formiga e a Vespa). São grandes pontos positivos, que conseguem moldar todo um ambiente próprio para o show, garantindo sua característica de ação e romance, além de ser uma sitcom dentro da série. Aliás, referências aos quadrinhos não faltam, e os trajes clássicos muito menos.

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Porém, nem tudo são flores, e existe sim, pontos negativos. Mesmo com uma estabilidade de um episódio para o outro em termos de narrativa, variando da comédia, para o drama e a ação final, há pontos a serem contestados no decorrer dos episódios. De tanto que Agnes falou de seu marido Ralph, que posteriormente assumiu a alcunha de Mercúrio (Evan Peters), ele era só mais um civil qualquer, e a criação do marido foi apenas uma tentativa de driblar Wanda? Tudo bem em o Mercúrio ser um civil qualquer, porém, para a entrada dos mutantes no MCU, é uma baita chance jogada fora pela produção, e que poderia ser explorada ainda mais sobre a questão do marido de Agnes – podendo ser um grande vilão de uma possível segunda temporada. O Visão Branco, também, apesar de bem posto para o último episódio, é uma ideia jogada mais para o futuro do Universo da Marvel nos cinemas, e não tão utilizada aqui. 

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Mas, mesmo com alguns pequenos pontos negativos, em nada estraga a experiência do telespectador. O diretor Matt Shakman, junto com o criador Jac Schaeffer, conseguem muito bem explorar a essência de Wanda, mostrando todo o seu potencial, e finalizando sua construção ao longo de anos, para se tornar a Feiticeira Escarlate.


Veredito

WandaVision abre um novo capítulo da Marvel nas séries, e também na Fase 4, enaltecendo todo o percurso da Marvel Studios até então. Com Elizabeth Olsen e Paul Bettany em suas melhores performances, e um elenco de ótima qualidade, que consegue acompanhar os protagonistas, a série não decepciona e mostra Wanda tendo lidar com o luto de perder o Visão.

O show do Disney+ cumpre tudo o que promete, e ainda mais, vai além do esperado, homenageando sitcons clássicas, trazendo diversas referências dos quadrinhos e uma história coesa. Com cenários incríveis, uma ótima produção de efeitos visuais e várias reviravoltas até chegar em sua conclusão, WandaVision explora uma vida futura que a heroína queria, dando um fim no arco de Wanda com o Visão e o começo de sua vida como Feiticeira Escarlate no MCU.

9/10.


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Semana Heroica #5: Crítica: Quarteto Fantástico (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Nada brilhante.


O cientista Reed Richards (Ioan Gruffudd) convence seu arrogante colega Victor von Doom (JulianMcMahon) a financiar seus experimentos com energia cósmica. Na estação espacial Von Doom, a tripulação, incluindo o astronauta Ben Grimm (Michael Chiklis), a pesquisadora Sue Storm (Jessica Alba) e o piloto Johnny Storm (Chris Evans), é exposta a uma tempestade cósmica misteriosa que dá superpoderes a eles. Eles tentam lidar com suas transformações enquanto o detestável von Doom jura vingança.

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Quarteto Fantástico é um filme que possui diversos erros e por isso é bombardeado pelos fãs da equipe. Pra começar, o filme conta com diversos furos no roteiro e cenas que acabam sendo desnecessárias para a trama do filme. O longa também conta com diversos momentos com um humor que funciona em certas partes, mas é forçado, infantil e que quebra o clima de uma cena que poderia ser muito mais interessante.

Os efeitos especiais do filme são medianos e não comprometem o filme, mas em certos momentos deixam a desejar. Os atores até que mandaram bem no papel, pois estão muito bem caracterizados e lembram os personagens dos quadrinhos.

O vilão Victor Von Doom tem uma boa participação e se destaca entre os outros personagens.


Veredito

É um filme abaixo da média que tenta ser fiel as HQs mas falha por conta do seu roteiro fraco e de suas cenas desnecessárias e mal colocadas.

4/10.


Semana Heroica acontece uma vez por mês, durante uma semana, focando em algum personagem ou equipe dos quadrinhos, para falar sobre quadrinhos importantes, games, filmes e sua origem, ou um vídeo falando sobre algum quadrinho, essas últimas no canal do Critical Room.

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Crítica: Judas and the Black Messiah (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Você pode matar o revolucionário, mas não pode matar a revolução” – é a frase que carrega a energia que precisávamos. Judas and the Black Messiah mostra que a luta ainda não acabou.

E o jovem diretor Shaka King sabia bem do quão atual seria sua obra, tanto em repercussão e na temática, que permanece necessária, mesmo nos embarcando no cenário caótico que os Estados Unidos vivia na década de 60 – que por sinal, é divinamente reconstruída, trazendo certamente tomadas memoráveis – mostrando o início e ascensão do Partido dos Panteras Negras.

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Em contrapartida, o elenco se sobressai fortemente de quaisquer outros aspectos. Daniel Kaluuya, que interpreta Fred Hampton, líder do movimento, gera automaticamente uma confiança estrondosa em cena. Seu olhar experiente serve de refúgio em situações de calamidade. Já Lakeith Stanfield, que interpreta Willian O’Neal, infiltrado enviado do FBI para silenciar as ações se Hampton, é eficaz em constatar insegurança.

Diante dos eventos históricos já conhecidos, há uma espécie de “efeito Era uma Vez em Hollywood” – onde já sabemos para onde a trama está se encaminhando. E próximo do clímax, há o que podemos chamar de ápice energético. Mas infelizmente, nesse meio termo, o roteiro adaptado pelo próprio Shaka King, junto do estreante Will Berson, se mostra ligeiramente falho.

Acontece que a maioria dos eventos que serão desencadeados no segundo ato parecem ocorrer de forma automática, já que devem ser retratados como os fatos reais – como tivessem que ser inseridos a qualquer custo. Isso retira um pouco do brilho da apresentação inicial, que encanta pelo virtuosismo estético e contradiz com a vivacidade anteriormente vista.

O mesmo se pode dizer sobre os demais personagens, que parecem mais uma representação simbólica do que uma personificação individual, assim como a própria atmosfera, que em determinado momento, soa mais como uma ilustração do contexto político da época. Dominique Fishback, que interpreta a namorada de Hampton, não apresenta destaque em sua performance rasa, e o talentoso Jesse Plemons está apenas operante em seu papel.

Até que, a falta de impacto que até então dominava – mesmo pontualmete com cenas de destaque – é aí que chegamos no terceiro ato, onde King é cirúrgico e brilhante em escancarar a brutalidade policial e a máxima repressão  poderia ser imposta. Estamos falando do brutal assassinato de Hampton, e dos demais membros do partido, numa cena de tirar o fôlego. E mesmo após um tremendo choque, sabemos bem que seu legado jamais será apagado.

Com isso, a relativa queda durante a segunda metade pode ser ofuscada. Mas com um encerramento digno, Shaka King se consagra um dos fortes nomes de sua geração, com uma direção exuberante em estilo e em domínio da narrativa, que encanta ao som de uma trilha sonora atraente.


Veredito

Com direito até mesmo a uma pequena metalinguagem envolvendo o Oscar, Judas and the Black Messiah é potente e cirúrgico.

8/10.

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Crítica: Malcolm & Marie (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Não é difícil ser grato. Mas é comum não sermos agradecidos por pequenos gestos de quem convive conosco. Malcolm & Marie flui com base em como somos tão ingratos e nos importamos tanto com pequenas falhas dos outros. Aliás, nenhum “obrigado” é tão frequente quanto um “faça direito!” – essa é a essência humana.

A trama econômica evolui ao som de um jazz melódico que realça a estética sofisticada. Tendo como cereja do bolo o fato de inter-dialogar com o próprio cinema, retrata como há uma onipresente reflexão, mesmo que indireta, da vida real, independente da trama ou contexto histórico, cada filme pode ser um retrato de sua sociedade ou época, assim como há aqui o aberto discurso para maior representatividade na indústria.

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O visual requintado dialoga muitíssimo bem com uma química de sedução constante – isso quando não alterna entre momentos de histeria. Além da cinematografia de Marcell Rév, que ajuda a estabilizar a moderna ambientação. Diante disso, as performances são extremamente concisas e convincentes, circulando perfeitamente bem com a composição e tom criados, onde nenhum se sobrepõe do outro.

E é tudo uma questão de valorização: Malcolm (John David Washington) após retornar da sessão de estreia do seu novo filme junto de sua noiva, Marie (Zendaya) passa por uma discussão quase interminável, que recapitula erros passados, como se algo os impedisse de demonstrar consideração pelo presente.

Até que em determinado momento, o vai e vem pode soar repetitivo, já que não há muitos pontos na trama a se decorrer. Mas nada muito diferente do que nossa própria rotina: indecisões frequentes, despertar de coerências, gatilhos – é pura angústia, mas isso é porque somos carentes demais, nunca estaremos satisfeitos o bastante.

Isso se reflete bem na cena em que Malcolm, tomado pela ansiedade, se altera ao ler uma crítica recém lançada de seu filme. E ainda por cima, a crítica era positiva. Isso nos faz perder o velho ditado: “O que vem de baixo não me atinge” – quando qualquer oportunidade, como as oferecidas ao próprio Malcolm, são auto-insignificantes.

Isso desperta, involuntariamente, uma sensação culposa de ciúme por quem está ao seu redor. Talvez por isso, os dilemas apresentados à personagem da Zendaya possam ser mais delicados, ainda mais quando em certo ponto, fica subentendido o início melancólico de seu relacionamento, que é certamente o ápice emotivo do longa, que por sinal, acerta em cheio ao deixar diversas outras circunstâncias externas implícitas.

De modo geral, com movimentos de câmera e uma atmosfera luxuosa, mesmo sendo um pouco auto-indulgente, o talentoso diretor Sam Levinson, da série Euphoria, não conta apenas com o carisma de seu elenco para trazer uma obra mais do que satisfatória.


Veredito

Simples e eficaz, Malcolm & Marie trabalha seus temas de forma inteligente, carregado por atuações de alto nível.

9/10.

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Crítica: Relatos do Mundo (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Que tal algumas notícias do mundo?


A corrida para o Oscar de 2021 já está ficando acirrada, e há mais um concorrente para tantos outros filmes lançados. Relatos do Mundo (News of the World, no inglês), do diretor Paul Greengrass, traz Tom Hanks como protagonista, em um western, ao mais estilo Red Dead Redemption. O filme é baseado no romance homônimo de Paulette Jiles, e explora o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um veterano de guerra, que ganha a vida viajando por cidadezinhas para ler notícias do país aos moradores. Ele só não esperava encontrar uma garota perdida da qual mal sabe sua origem.

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Já vimos Tom Hanks em diversos papéis marcantes, como em Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e em Náufrago. Nesse novo filme, ele é uma mistura destes outros três antigos papéis. Em Forrest Gump, ele conta histórias, aqui são notícias. Já no segundo, seu personagem busca um soldado aparentemente “perdido”, e em Relatos do Mundo, o Capitão precisa resgatar a menina perdida. Por fim, em Náufrago, Tom Hanks está vagando uma ilha para encontrar o caminho para casa, e na nova aposta da Netflix/Universal, o Capitão tem de cruzar boa parte do território dos EUA para encontrar a família de Johanna (Helena Zengel). É claro que, não deixa de ser uma coincidência, se parar e analisar bem, e se você for um grande fã do ator, mas seria válido ressaltar.

Ambientado no Texas, em 1870, poucos anos depois da Guerra Civil Americana, em que a União (Norte) venceu os Confederados (Sul), a trama principal se constrói sobre uma época em que os sulistas estavam descontentes com as Emendas do pós-guerra, que aboliam a escravidão em todo o país, davam aos ex-escravizados direito ao voto e proteção, independente de sua cor. Para quem não conhece muito bem sobre a história da Guerra de Secessão, talvez não entenda as entrelinhas, e não é o intuito da obra se aprofundar nessas questões, mas sim, trazer um homem íntegro que está disposto a ajudar qualquer um.

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A premissa é simples, resgatar a menina e levá-la para sua família de origem. Porém, o entendimento do que aconteceu com ela não é tão simples como você pensa. Não poderei falar mais nada aqui, pois entregaria todo o filme, apesar da sinopse em alguns sites relatarem um pouco. Claro que “simples” não está no vocabulário do diretor, que torna o filme um atrativo de fotografia, ambientação e trilha sonora. São detalhes técnicos memoráveis na obra, que consegue explorar ainda mais o vasto Texas do século XIX.

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Tom Hanks, ao lado da atriz mirim Helena Zengel, arrebentam em seus papéis. A atriz de 12 anos fez sua estreia em Relatos do Mundo, e já pode ter conquistado muitos estúdios por aí. Mesmo com poucas falas, suas expressões e ritmos compassados são um brilho para o espectador, ao tratar de uma atriz em sua estreia. Já Tom Hanks, por outro lado, precisa fazer seu personagem tentar entender o que a menina quer dizer em diversas ocasiões do filme. Há uma dinâmica muito bem explorada entre a dupla, com um elenco, no todo, funcional.

Apesar da beleza visual, a ótima mixagem e edição de som e o próprio figurino, infelizmente o longa não é acompanhado de muita ação. Por se tratar de um western, você realmente espera mais, com tiroteios pra lá e pra cá, mas não é o que acontece aqui. E também, não é a proposta que o longa-metragem quer passar, e sim, como as informações podiam ser tão úteis para aquela época, mesmo após tanto conflito que separou o país em dois. Quem não tem tempo para ouvir algumas notícias, não é?


Veredito

Relatos do Mundo é um western cheio de suspense, ambientado alguns anos após a Guerra Civil Americana. Com uma direção firme de um inspirado Paul Greengrass, e um roteiro fluido, Tom Hanks e Helena Zengel brilham em meio ao caos e problemas que seus personagens enfrentam.

Mesmo que o único ponto negativo seja a falta de ação no filme, todos os outros aspectos técnicos que incluem trilha sonora e fotografia, são marcantes, e seria justo ver o filme ser indicado em categorias técnicas ao Oscar. No mais, Relatos do Mundo entrega tudo o que prometeu.

9/10.


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Crítica: A Escavação (2021)

Atenção: Crítica sem Spoilers!

A nova aposta da Netflix funciona como uma versão clichê de Sangue Negro – mas não que seja necessariamente ruim. E lógico, a comparação radical demonstra bem a estratégia que a plataforma de streaming milionária vem preparando para 2021.

Se tematicamente lembra a obra-prima dirigida pelo Paul Thomas Anderson, esteticamente está a anos-luz de igualar-se. E até que inicialmente, alguns tracking shots utilizados pelo diretor Simon Stone arriscam garantir certa imersão, mas a instabilidade na narrativa e na composição estilística afetam na identidade do produto. Claro, nada muito diferente do que a Netflix vem apresentado para seu público médio. Aliás, até pode-se dizer que aqui há uma mínima tentativa de diferenciar-se de tal. E nessa perspectiva, o conjunto final pode sim ser encaixado como funcional.

Boa parte disso se deve por um elenco que parece estar confortável. Em especial, o Ralph Fiennes (Voldmort da saga Harry Potter) carrega uma experiência convincente e carisma ao ponto. Sua relação com a personagem da Carey Mulligan, mesmo soando incompleta, mantém seu núcleo por boa parte estável, já que sua problemática fica em segundo plano até o terceiro ato. E se há algum senso de preocupação, é rasteiro, e emocionalmente não é carregado como deveria pela performance do ator mirim Archie Barnes, que está longe de impressionar, tornando claro então, este não ser o principal objetivo a ser alcançado pelo longa.

O roteiro adaptado do romance baseado na história real escrito por John Preston situa-se nas vésperas da segunda guerra mundial, e acompanha uma mulher que após a morte de seu marido, contrata um arqueólogo para escavar as terras por trás da casa. Logo, com a introdução de novos personagens, que de nada vital acrescentam, o melodrama de poucas substâncias vive de sua ambientação, que gera sim tomadas interessantes. Mesmo sóbrio em seu caminho, constantemente tenta se auto celebrar, utilizando os conflitos internos da época como pano de fundo básico, muitas vezes narrado, além da ausência de algo estar em jogo que tira qualquer peso, mas não um ar de jornada a ser enfrentada. No contrário: é bastante simples, e foca fisicamente nos esforços do personagem do Fiennes, que não teve seu nome creditado no final da operação, dando então certa razão para a existência do filme.

E a escolha até seria válida, caso contivesse uma direção que trabalhase melhor pontos como ação – reação, manipulação do tempo e soubesse deixar balanceado todas as linhas que cria, como o pedestre romance envolvendo a personagem da Lily James, que apresenta uma boa caracterização não tão bem aproveitada, acompanhado por uma trilha sonora de pouca criatividade.

Mas se o drama morno não empolga, a montagem parece querer dar um valor a mais do que realmente vale. Mas nada de manipulação – na verdade, a estratégia é concisa e parece estar pisando em terra firme, até porque essa é a estrutura do filme: segmentos chamativos, estimulantes e organicamente alegóricos, com êxito na fotografia do Mike Eley, que traz vivacidade ao solo através de um céu constantemente fluorescente, com bom uso de silhuetas em belos takes ao anoitecer, que manifestam um clima agridoce e genuinamente confortável.

Próximo da finalização, toca brevemente em temas como ansiedade, o lidar com a morte – mas sem se aprofundar muito, prejudicando um pouco na firmação da nota final, que não sabe bem qual reação dar. Inegavelmente com alguns acertos, de modo geral a obra vai agradar seu público alvo, e ao menos, não deve incomodar aqueles mais exigentes.

Veredito

Tendo como base boas cenas isoladas e performances dedicadas, certamente há o que se gostar em A Escavação, uma aposta válida da Netflix. 

6,5/10.

Crítica: Batman – Ataque ao Arkham (2014)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O universo Arkham fora dos games.


Se as animações da DC Comics já são ótimas, pense em fazer uma animação no universo da melhor franquia de games de heróis. Esse é o caso de Batman: Ataque ao Arkham, que se passa no mesmo universo da franquia Arkham, e expande ainda mais sua mitologia. Mas, mesmo tendo Batman no título, o filme não é centrado especificamente nele, e sim, no Esquadrão Suicida, uma força-tarefa X comandada por Amanda Waller. E, mesmo depois de quase sete anos de lançamento, a animação apresentou a melhor versão do Esquadrão Suicida?

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A equipe, integrada por Pistoleiro, Arlequina, Capitão Bumerangue, Nevasca, Tubarão-Rei, Aranha Negra e o KGBesta, apresenta uma trama que parece ser simples, mas o plano é muito mais que isso. Waller está atrás do Charada, que roubou informações precisas sobre seus “podres”, mas é impedida de ver sua equipe matar o vilão, já que o Batman salvou o Charada da morte certeira e o jogou no Asilo Arkham. Com isso, Waller reativa uma força-tarefa, escalando novos membros, para recuperar os arquivos secretos da bengala do Charada no Arkham. Ela só não contava com um grande problema: o Batman.

Seguindo uma equipe, vemos aqui que cada personagem ganha seu tempo de tela e desenvolvimento, mas o foco, com certeza, foi para o Pistoleiro. Mesmo focando um pouco mais em um, os diretores Jay Oliva e Ethan Spaulding, conseguiram mostrar a importância de cada vilão presente, além de amarrar todo o universo do Batman dos jogos, com os acontecimentos se passando entre Arkham Origins e o Asylum. Em uma passagem do longa, deixa claro que já teve uma formação do Esquadrão Suicida antes, com o Exterminador na equipe, fazendo ponte com a cena pós-créditos de Arkham Origins.

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Na animação, Batman trabalha como um coadjuvante, sendo o principal inimigo da equipe, mas também, sendo o herói para frustrar os planos do Coringa. Nesse ínterim, o Coringa desempenha um papel de vilão por fora do arco da equipe de desajustados, ameaçando toda Gotham, e diversas questões que o envolviam, desenvolveram a subtrama com a Arlequina. Aliás, mesmo como coadjuvante, o Batman têm diversas cenas marcantes, assim como o Coringa.

A qualidade gráfica da animação é invejável, e conta com uma trilha sonora bem a cara do Esquadrão. Muitos fãs dos games já estão familiarizados com as vozes de Kevin Conroy (Batman) e Troy Baker (Coringa), que se empenharam em ter uma boa performance, assim como a atuação sólida do restante do elenco.

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Além da escolha do elenco ser um grande ponto positivo, outro ponto é como a produção conseguiu criar uma atmosfera no estilo dos games, utilizando visuais dos personagens semelhantes, mesmo cenário, o estilo de luta do Batman, e suas próprias escolhas e diálogos, que remetem bastante aos jogos. São detalhes técnicos precisos, para que deixem o espectador ainda mais imerso no universo dos jogos, e com certeza, deixando gostinho de “quero mais”, se fazendo presente na lista de melhores animações da DC.


Veredito

Batman: Ataque ao Arkham, em suma, é a melhor representação do Esquadrão Suicida em filmes até então. Aqui, o fã vê os acontecimentos através da perspectiva dos criminosos, que não poupam em deixar ninguém para trás, em um plano ousado. O longa animado usufrui de diversos momentos da franquia de jogos, para ainda mais expandir o universo Arkham, e, com certeza, é uma das melhores animações do Batman já feitas.

9/10.


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Crítica: Batman – A Alma do Dragão (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Bruce Timm e DC começam 2021 com o pé direito.


Ninguém tem dúvida de que as animações da DC Comics são grandiosas e realmente muito boas de se ver, visto Batman – A Máscara do Fantasma ou a série animada da Liga da Justiça. Portanto, podemos esperar algo muito bom em uma próxima animação, misturando elementos dos quadrinhos e com base em sua originalidade. E então, 2021 começa com tudo com Bruce Timm comandando Batman e o kung-fu, na Gotham dos anos 70, homenageando o falecido quadrinista Dennis O’Neil e expandindo ainda mais a mitologia das artes marciais presentes na DC.

Para maiores de 18 anos, Batman: A Alma do Dragão, se habilita em explorar o universo não tão visto pelos fãs, as artes marciais. Os anos 70 foram repletos de quadrinhos sobre o kung-fu, graças a O’Neil, que criou Richard Dragon, Shiva, Tigre de Bronze e outros personagens. Ele jamais imaginou que seu pontapé se elevaria aos anos seguintes, com criação de diversos personagens que utilizassem as artes marciais como seu método de luta.

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A animação começa ao estilo James Bond, já que Timm é um grande fã do agente. É até engraçado ver Richard Dragon utilizando métodos que Bond utilizaria, mas não perdendo a sua originalidade de ser um grande artista marcial. E lembra muito bem o visual de Burce Lee, para os mais fanáticos em artes marciais. Passando disso, a história da animação traz quatro alunos de O’Sensei como foco: Richard Dragon, Ben Turner, Shiva e Bruce Wayne. A premissa é algo simples. Batman continua agindo nas sombras e uma organização criminosa intitulada Cobra, sendo seu líder Jeffrey Burr, o Kobra, que está em busca da grande Naga, para que varresse o mundo e todo o mal, mas, que também, iria explorar o passado de Bruce e seu aprendizado em Nanda Parbat

E é aí que está o ponto mais interessante do longa animado, os flashbacks. Batman está no título para vender, pois aparece mais como Bruce Wayne do que como Batman, dividindo a tela com Dragon e seus outros aliados. O maior acerto, como disse, são os flashbacks, que constroem as ações futuras e toda a narrativa. A equipe de produção mostra detalhes técnicos precisos, quando conseguem transitar de uma cena para outra usando os mesmos artifícios. E o filme ainda busca inspiração nos quadrinhos e em Batman Begins.

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Posso dizer aqui que fiquei admirado em como Timm dividiu o tempo de tela de cada personagem e conseguiu desenvolvê-los tão bem, apesar do meu desapontamento com dois personagens que não poderei revelar. Porém, é visível que o protagonista é Dragon, ofuscando Bruce, mas não tanto. Esse desenvolvimento do quarteto, que foi um grande acerto, poderia ser um pouco melhor. Não que o dinamismo entre os personagens não funcione, muito pelo contrário, faltou a um ou outro algo a mais que os tornassem únicos. Há clichês sutis, por ser um filme que aborda o kung-fu nos anos 70, como o próprio desenrolar para que Lady Shiva entre na trama, mas é algo que não incomoda tanto quanto a falta de um vilão.

Apesar de vários pontos positivos, incluindo o elenco de voz e a trilha sonora, assim como as coreografias de ação, o maior ponto positivo do longa animado, e que deve ser muito bem elogiado, a falta de uma boa motivação para o vilão foi o que me deixou incomodado. É claro que há um vilão conhecido e importante para a mitologia destes personagens, mas não há um bom desenvolvimento para que ele esteja fazendo aquilo. O próprio inimigo, diz ser “o grande escolhido” para liderar o ataque contra a humanidade e que é seu destino, desde criança, mas me parece algo totalmente infantil para um filme R-Rated. Outro ponto são seus aliados, que apesar de lutarem bem, como o Rei Cobra e Lady Eve, não tiveram desenvolvimento algum. Sei que eles não são os principais, mas mereciam um pouco mais de destaque.

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Divulgação/DC Comics

Há belos momentos, sem dúvidas, como um dos ensinamentos de O’Sensei para com seus alunos em Nanda Parbat, em que cobra de Bruce e os demais tentar quebrar uma pedra. Após uma metáfora sobre o crime, Bruce persistiu, assim como em outro flashback, em que ele sofre duros golpes, cai, mas sempre se levanta. São ótimos aprendizados em que o personagem teve, para que a animação consiga passar sua mensagem. Nessa antiga leva do DCAU, agora é preciso se reinventar, e parece que a DC encontrou o ponto certo, no momento certo.


Veredito

Apesar de seus pontos positivos, como as cenas de ação e a coreografia, o maior acerto na animação, há também alguns pontos negativos que deixam alguns clichês à solta no roteiro e o fraco desenvolvimento dos antagonistas. No entanto, na reta final,Batman: A Alma do Dragão se mostra digna de sua ação, sendo uma das melhores animações do herói nos últimos cinco anos, mesmo que erre vagarosamente em sua última cena, colocando em pauta uma possível sequência.

8/10.


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Crítica: Mulher-Maravilha 1984

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Uma era de maravilhas vai começar.


O sucesso estrondoso de Mulher-Maravilha (2017), fez com que a Warner Bros. pensasse em produzir uma sequência, agora em maior escala e com mais tempo. E então, Patty Jenkins, junto com Gal Gadot, mergulharam de cabeça em Mulher-Maravilha 1984, a sequência tão esperada pelos fãs, que conta com um elenco de peso e um dos melhores compositores do cinema mundial. Afinal, após tantos adiamentos, valeu toda a espera de ver o filme no cinema?

Mulher-Maravilha 1984 abre uma nova fase para a DC Comics, explorando ainda mais a mitologia da maior heroína de todos os tempos, em um patamar maior, trazendo novos vilões e antigos valores a serem adquiridos novamente pela humanidade: esperança, empatia e amor. Diana foi criada para isso. E com 2020 sendo um ano divisório para a sociedade, conturbado por conta da pandemia, cheio de ódio, brigas políticas e um momento devastador, o qual a humanidade viu que só a união poderia ser a força necessária para salvar muitas pessoas, Mulher-Maravilha 1984 tenta trazer essa mensagem de empatia, amor e verdade, sendo o filme que 2020 precisava.

Wonder-Woman-1984-Photos

Diana passou quase 70 anos recordando dos bons momentos com Steve Trevor (Chris Pine), sua paixão e herói na Primeira Guerra Mundial e viu seus amigos ao redor envelhecerem. Atuando como Mulher-Maravilha durante todo esse tempo, mas fugindo dos holofotes e das câmeras, agora presentes na nova era de 1984, Diana Prince trabalha no Museu Smithsonian de História Natural, em Washington. Crescendo em sabedoria, a Princesa das Amazonas agora está cercada de uma nova tecnologia em meio a Guerra Fria, que já se encontrava em sua derrocada, com a União Soviética sofrendo uma crise econômica e estando atrás de diversas novas potências. À medida em que o mundo se desenvolve tecnologicamente, Diana aprende junto com ele, crescendo em sabedoria e nunca perdendo a fé na humanidade, mesmo que a humanidade perca nela própria.

Um novo “magnata” estava surgindo nos Estados Unidos, querendo pensar grande e ser grande. Maxwell Lord (Pedro Pascal), dono da Black Gold, ansiava em ser o homem mais poderoso do mundo ao garantir várias reserva de petróleo por todo o país americano. É claro que não seria uma tarefa fácil, já que um egípcio era o “homem do petróleo”, enquanto Lord era conhecido por ser o “homem da TV”. Em um outro lado da cidade, havia uma nova arqueóloga e geologista Barbara Minerva, que desempenhava várias outras funções, e por acaso, começou a trabalhar com Diana no Museu Smithsonian. Enquanto uma era forte, linda e sábia, a outra era desajeitada e desastrada, porém brilhante, algo que Diana viu nela. E por algum acaso, uma pedra aparentemente inofensiva, entrelaçou o destino dos três, Lord, Diana e Barbara.

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Para os leitores de quadrinhos, vagamente podemos lembrar do período em que George Pérez esteve a frente da Mulher-Maravilha no pós-crise, em que ele utilizou o período da Guerra Fria para construir a nova origem de Diana e o plano de Ares. Outros se lembrarão da velha Diana dos anos 40, criada por William Moulton Marston, em que sua única perspectiva sobre o mundo dos homens era salvá-lo de destruir a si mesmo. Além de se inspirar em velhas e novas histórias, Patty Jenkins também faz com que 1984 seja a data do filme, relembrando o livro de George Orwell, que retrata um futuro distópico, onde o Estado tem total controle sobre o povo, difundindo as ideias de manipulação, alienação, guerra e também o amor. Mulher-Maravilha 1984 utiliza destas ideias para construir sua narrativa, tornando os quatro personagens da trama personificações de sentimentos e emoções. Enquanto Diana é a esperança, Lord é a ganância de sempre querer mais e Barbara é a inveja. Já o papel de Steve Trevor serve como um farol para Diana não se perder totalmente em seu amor pelo piloto, mantendo sua imparcialidade e visão de que ele não deve ser o foco, e sim, o mundo.

Desenrolando para lá e para cá, a Pedra dos Desejos é algo muito além da compreensão humana, em que o vilão do filme precisa para mostrar ao mundo que ele seria o mais poderoso. Deixando se levar por isso e pelo coração, Diana tinha um único desejo: ter Steve Trevor de volta. Mas a que custo? Diferentemente dela, Minerva, a menina atrapalhada, desejou ser, literalmente, que nem a Diana. Tudo o que desejaram, receberam, e Lord não poderia ficar mais satisfeito com o colapso mundial em andamento.

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E falando sobre Trevor, a volta dele era um mistério e não percebo outra maneira dele ter voltado como foi mostrado no filme. Mesmo que essa crítica tenha um spoiler ou outro, não irei revelar como o personagem volta, muito menos tudo o que acontece. Posso dizer que a forma como o mesmo retornou, me agradou muito mais do que ver o Superman sendo ressuscitado por uma Caixa Materna – o que eu acho sem fundamento nenhum, visto o final de Batman vs Superman. Diana agora entra em um dilema: renunciar seu desejo e salvar o mundo novamente ou tentar salvar, mesmo que fique sem poderes e mantenha Steve para sempre ao seu lado? Vale salientar a inversão de papel para com o primeiro filme, em que Trevor apresenta o Patriarcado para Diana. Nesta sequência, a guerreira amazona fica encarregada deste trabalho, mostrando o período oitentista, as novas fases e o avanço tecnológico que o mundo veio a sofrer – ou ganhar.

Entre um primeiro ato de apresentações, o segundo ato do longa começa a explicar com mais profundidade o enredo. Os planos de Lord eram muito maiores do que poderia se imaginar. Na crescente trilha sonora de Hans Zimmer, Open Road, Diana e Steve caçam Lord até no Egito, onde a heroína vê que seus poderes estavam se perdendo e ela, nesse ritmo, viraria uma humana sem poderes. A cena da perseguição na estrada, é um dos pontos mais sólidos do longa-metragem, que consegue desenvolver Steve e Diana lutando lado a lado novamente. O CGI usado nessa cena de ação, em apenas dois pontos específicos, ficou claramente estranho, mas não é algo que tire sua experiência e nem válido para abaixar a nota desta crítica. Literalmente, após ver a sequência de ação, me recordei um pouco da perseguição da polícia contra o Batman em Batman Begins e Cavaleiro das Trevas Ressurge. É muito satisfatório vê-la salvando crianças, saltando alto e usando o laço para desviar uma bala para Trevor.

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Saindo do roteiro e colocando em pauta a atuação do elenco, posso afirmar que Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig e Pedro Pascal brilharam, mas meu destaque fica para Pascal, que incorporou o personagem muito bem, tornando-o um canastrão dos anos 80. As duplas do bem e do mal funcionaram em equilíbrio, e o carisma gigante de Gadot tornou ainda mais espetacular o filme. Foi fundamental ver o impacto que Steve Trevor faz na vida de Diana, sendo o porto seguro da heroína. Percebe-se a entrega da atriz para com sua personagem e concluo que ela nasceu para interpretar a Mulher-Maravilha, assim como Lynda Carter. Até mesmo em expressões faciais, as duas estrelas fizeram bem.

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Os detalhes técnicos como os efeitos visuais, coreografias de ação, figurino, ambientação e trilha sonora, são os pontos mais fortes da obra de Patty Jenkins, que usou um pouco mais de CGI do que o primeiro filme, que foi mais utilizado na luta contra Ares. A crescente e estrondosa trilha de Hans Zimmer, que foi feita mesmo para um filme dos anos 80, tenta passar o ar de aventura e heroísmo, como Superman: O Filme passou em 1978. É clara a inspiração na obra de Richard Donner, que tentou brincar um pouco com os créditos iniciais e finais. 

Assim como a trilha sonora, os efeitos visuais estão bons, mesmo que muitos tenham duvidado do visual da Mulher-Leopardo. As duas transformações dela, sendo a última a Mulher-Leopardo, de fato, foram bem colocadas e trabalhadas na produção. Gostei bastante de como conseguiram representar os anos 80 numa produção de quase 40 anos à frente. Seria injusto não ver indicação ao Oscar para a categoria de figurino, pois, o fizeram perfeitamente. Eu realmente me senti nos anos 80 e foi isso que o filme quis passar para o público, a confortabilidade de 1984, os novos desafios e a cultura da época. Até mesmo aos pequenos detalhes, a produção resolveu dar atenção. Aliás, o traje dourado é algo esplêndido e fiquei com aquele gostinho de “quero mais”, uma situação que poderá ser explorada no último filme.

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A dinâmica do filme funciona, trazendo leveza, diversão e seriedade nos momentos perfeitos, sem piadas fora de hora e exageradas. A atmosfera de uma aventura estilo Indiana Jones e Superman, fez de Mulher-Maravilha 1984 ser tão bom quanto, em sua estética e mensagem positiva que transmitiu para uma humanidade dividida, desacredita da verdade e cheia de politicagem e ódio. E parece que dessa vez, só a verdade pôde salvar o mundo.


Veredito

Mulher-Maravilha 1984 brilha em 2020, sendo um dos melhores filmes do ano, relembrando que, até mesmo uma heroína deseja amar como nós. Leve, solto e divertido, se aprofundando ainda mais na mitologia de Diana Prince, Patty Jenkins usa e abusa de cores mais vivas comparado ao primeiro filme. A DC não teve medo de querer algo em grande escala, muito maior do que o esperado pelos fãs e reuniu um grande elenco, que atuou de forma sólida e incrível, sendo o destaque o ator Pedro Pascal. 

O roteiro bem amarrado, não confunde em algum momento os espectadores, caso prestem bastante atenção ao filme. Há, sim, uma ótima consistência no filme, com pouquíssimos pontos negativos a serem levantados e em sua maioria, os pontos positivos se dão mais aos detalhes técnicos de produção. Com certeza, valeu esperar pela sequência e a DC se encaminha para um novo rumo nos cinemas. Cheio de esperança e com um grande coração, Mulher-Maravilha 1984 envolve alguns assuntos discutidos nos últimos anos, usando apenas três palavras para passar sua mensagem ao público: esperança, união e verdade, tudo o que nossa maior heroína representa.

10/10.


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Crítica: O Homem do Futuro (2011)

Aviso: Crítica com spoilers moderados.


É natural que obras inspirem outras obras, e o cinema, claro, não foge disso. No caso aqui, O Homem do Futuro, filme brasileiro dirigido por Cláudio Torres, é claramente inspirado na esquemática dos filmes de comédia americanos, De Volta Para o Futuro – em especial a segunda parte da trilogia – é o mais referenciado, por justamente contar com uma trama cheia de viagens no tempo e realidades alternativas, algo que é reproduzido no filme de Torres. E para dar mais um exemplo, De Repente 30 – que por sua vez é inspirado no clássico Quero Ser Grande – parece servir de referência para Torres, pois narra uma narrativa sobre arrependimento onde Jenna viaja no tempo e percebe que a vida não se limita à luxúria e riqueza, como ocorre na jornada de Zero, interpretado por Wagner Moura. Assim, O Homem do Futuro é uma produção brasileira trajada à hollywoodiana.

É notável o valor de produção aplicado aqui, afora os grandes nomes envolvidos como Wagner Moura e Alline Morais, os bons efeitos especiais impressionam para uma produção brasileira, e são competentes quando usados durante as viagens temporais. Por se tratar de viagens no tempo e linhas alternativas da realidade, o longa é uma ficção científica na pura concepção da palavra, e sendo assim, o diretor se dá liberdade para referenciar o gênero de diferentes formas, como nas vestes usadas por Zero na festa à fantasia, na qual ele se veste de astronauta, símbolo da ciência, e cobre o rosto com faixas como o protagonista de O Homem Invisível, clássico sci-fi de terror de 1933.

O que faz o longa funcionar, contudo, é justamente a mistura de gêneros, passando desde a ficção científica, do drama à comédia romântica. Tudo bem encaixado na narrativa. O lado de mais humor da obra, por exemplo, explora bem os mal-entendidos envolvendo passado, presente e futuro desenhados pelas viagens no tempo – como podemos ver na hilária cena em que Zero, vindo de 2011, decide pagar o taxista com Reais, quando, em 1991, a moeda do Brasil era o Cruzeiro. 

Sem contar o forte romance envolvendo Zero e Helena, sempre muito presente no decorrer do longa. Tudo bem mesclado para formar uma narrativa dinâmica, divertida e repleta de conceitos interessantes. É um filme sobre amor, arrependimento e tempo, como aponta a música Tempo Perdido, do Legião Urbana, por várias vezes tocada durante o filme.

O que me deixou com um gosto amargo ao encerramento da projeção foi justamente a última cena do longa, na qual vemos Zero num final feliz, satisfeito consigo mesmo. Para simbolizar esse momento, o personagem se encontrara dentro de uma limosine, bebendo champanhe, sugerindo que o auge da vida fosse isso, sendo que o próprio filme antes sugere algo diferente ao vermos o protagonista podre de rico mas infeliz, insatisfeito. Me soa como uma mensagem contraditória entre as partes. Acredito que o diretor pudesse filmar este momento de felicidade duma forma mais simples, menos glamourizada. Mas, claro, a cena em especial não estraga o resultado final, que alcança o sucesso sendo um filme divertido, esquematicamente americano, que agrada a qualquer público, como era a intenção.

                  Veredito

Inspirado no modelo de comédias americano, O Homem do Futuro agrada com uma narrativa divertida sobre amor, arrependimento e tempo.
                                  7/10

Crítica: Pequenos Grandes Heróis (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Engraçado e divertido, porém não espere muito.


Pequenos Grandes Heróis da Netflix, um filme que se passa no mesmo universo de Sharkboy e Lavagirl, estreou há mais de uma semana e esteve no Top 10 da Netflix no Brasil, em segundo lugar. O elenco que conta com a estrela Pedro Pascal, e ainda mais formado por crianças, é um dos assuntos mais comentados da Netflix na última semana pelos jovens que cresceram vendo Sharkboy e Lavagirl. E é claro, muitos esperavam mais do filme.

Não podemos negar a diversão que o longa de Robert Rodriguez traz, e também não exigir muitos de detalhes técnicos e de roteiro num filme totalmente focado para crianças. Em si, a diversão funciona muito bem, assim como o trabalho em equipe entre as crianças, parecendo que as interações entre elas sejam um pouco mais naturais. 

We Can Be Heroes
Divulgação/ Netflix

A estrela principal entre os adultos fica para Pedro Pascal (Marcus Moreno), um dos heróis da equipe dos Heroicos, uma Liga da Justiça controlada por uma empresa. É uma mistura de Liga da Justiça com The Boys, porém de uma forma mais infantil que ambas as equipes já citadas. Já entre as crianças, a protagonista é a filha de Marcus, Missy Moreno (YaYa Gosselin), que comanda o time jovem de heróis, filhos dos integrantes dos Heroicos. Taylor Dooley, a Lavagirl também retornou e fez algumas poucas aparições, que poderiam ser muito mais longas.

sharkboy-lavagirl-netflix

Falando em Lavagirl, precisamos falar de seu cônjuge, o Sharkboy, que foi decepcionante por não falar sequer uma palavra. Mesmo com outro ator, as poucas cenas em que ele apareceu, não falou nada. Talvez possa ter uma explicação plausível sobre sua fala num próximo filme. Por outro lado, foi interessante ver o desenvolvimento, mesmo que pouco, do personagem de Pascal. O personagem tem um bom potencial para um segundo filme, assim como o Miracle Guy, um Superman mais “fraco”.

Não há nada de grandioso no filme para ser tão bem elogiado. Com o foco nas crianças, o maior desenvolvimento ficou para elas, dando um tempo considerável para todos da equipe. Um dos pontos mais fortes é a filha da Lavagirl e do Sharkboy, Guppy, que colheu os poderes da mãe e do pai, mas controla a água e não o fogo. O enredo é básico, nada muito grandioso, mas também nada tão grotesco quanto você pode imaginar. Pense na Liga da Justiça sendo atacada por Brainiac e capturados por ele. É essa a ideia. E com a “queda” dos Heroicos, alguém precisa salvar o mundo e cabe aos seus filhos fazerem o necessário.

pequenos-grandes-herois

Por fim, podemos falar dos efeitos especiais que, comparando ao filme do Sharkboy e Lavagirl, estão melhores, mas nada surpreendente. Os efeitos são puxados ao primeiro filme desse universo, com poucas melhorias, e talvez, fosse do desejo de Robert Rodriguez manter os efeitos toscos para fazerem uma referência ao antigo filme, lançado em 2005. Já a trilha sonora e a ação do filme, não tem nada de espetacular, mas que não compromete o filme todo. Porém, o final é totalmente diferente do que você espera e isso pode comprometer sua experiência, assim como comprometeu a minha, mas foi prazeroso relembrar os tempos de criança de Sessão da Tarde. 


Veredito

Pequenos Grandes Heróis, da Netflix, já tem um público-alvo em mente e serve para agradá-los com uma boa diversão e inocência de heróis mais leves, apesar do final não ser muito agradável.  A trama é boba e segue alguns clichês de sempre, mas que traz uma leveza, carisma e um bom coração às crianças, para ver que seus pais também são seus heróis. 

5,5/10.


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Crítica: Onde os Fracos Não Têm Vez

Aviso: Crítica sem spoilers!



Não são todos os realizadores cinematográficos que compreendem a importância de respeitar a imaginação do espectador. A ausência de um personagem explicando o que está acontecendo toda hora gera não apenas um maior entrosamento entre o público com o que está sendo apresentado em tela, como estimula também nosso raciocínio.

É baseado nisso que a adaptação homônima de 2007 do romance Onde os Fracos Não Têm Vez, escrito por Cormac McCarthy, entra em destaque.

Roteirizado e dirigido pelos Irmãos Coen, que desde pequenos são apaixonados pela sétima arte, não vêem muita diferença entre brincar com suas câmeras e fazer seus filmes amadores quando crianças e dirigir um longa-metragem de alto orçamento e com um elenco de peso.

“Não irei apostar minhas fichas em algo que não sei onde vou me meter. Prefiro dizer: tudo bem, farei parte desse mundo.”

O convite: o filme inicia com a narração do xerife Ed Tom, que mesmo já tendo idade para se aposentar, persiste em permanecer no departamento de polícia do Texas. Suas palavras são ouvidas em imagens belíssimas do amanhecer, fotografadas por ninguém mais, ninguém menos que Roger Deakins. A cada take, temos em média um avançar de 5 minutos, e diversos panoramas privilegiados dos primeiros raios de sol no relevo texano. Em seu monólogo, Ed Tom comenta a mudança dos tempos, e o quão inexplicáveis e cada vez mais sanguinários são os crimes que vemos hoje. E já pelo seu tom de voz, percebemos que aquele xerife já percorreu muitas estradas, e mesmo eficaz em seu trabalho, não deixa de transmitir uma certa vulnerabilidade sensibilizante. Nisso, a escassez por informação se revela um mal inevitável – estar perdido em meio ao caos aterroriza. É se sentir insignificante, nulo – assim como a maioria das paisagens que nos são apresentadas: abertas, amplas, com poucos elementos, como se algo precisasse ser preenchido ali – mesmo nada podendo ser feito. E mais para frente, entenderemos como isso será rebatido.

Quando perguntado pelos Irmãos Coen se aceitaria o papel do vilão do filme, Javier Bardem respondeu: “Eu não falo inglês direito, não sei dirigir e sou feio” – logo, eles retrucaram: “E é exatamente o que precisamos”. E quem dera que este renderia seu Oscar no ano consecutivo.

O Western moderno dos Irmãos Coen não demora nem um pouco pra começar. Já na segunda cena, testemunhamos o assassinato brutal de um policial, pelo então antagonista psicótico, Anton Chigurn (Bardem). Mas a escolha de apresentar o vilão antes do protagonista tem motivo: gerar ameaça – nos dar consciência do perigo que está por vir com antecedência.

Na cena citada anteriormente, antes de morrer, o policial novato está numa ligação: “Está tudo sobre controle” – dizia ele, e ao colocar o telefone no gancho, acaba por ser sufocado por Anton. Isso diz muito sobre a insegurança que é gerada ao decorrer dos desdobramentos. Nunca sabemos quem está no controle da situação. Uma jornada de inconsistência e agonia.

Nosso protagonista, Llewelyn Moss (Josh Brolin) é apresentado em uma posição de superioridade. O mesmo encontra-se no alto de uma colina, caçando – sem esperar que em determinado momento, ele se tornará a caça. Em sua posição, é de extrema importância que a audiência simpatize com ele, e tema pela sua vida. E em alguns segundos, o acompanharemos por uma série de decisões que igualmente nos estimulam.

Llewelyn acaba de ver um rastro de sangue que se estende até um Pit-Bull agonizando, baleado, tentando se arrastar. Logo, ele avista um cenário de tiroteio. Ninguém está vivo. E lá, encontra uma maleta com 2 milhões de dólares. Ele sabe que se pegá-la, as consequências virão. Mas perde a luta para si mesmo, e a leva para casa. E convenhamos. Objetivamente, sabemos que não foi uma boa escolha. Mas em nenhum momento isso nos desconecta, porque o principal acerto na composição desse personagem é: ele é humano. Comete falhas. E da tamanha veracidade que nos é apresentada, e sabendo o mesmo da situação quanto Llewelyn, ficamos à par de suas ações, e gerando expectativas cada vez mais altas, até porque muitos dos acontecimentos-chave no longa são incrivelmente omitidos. Presume-se que algo aconteceu ali, mas nada nunca é revelado. Isso faz com que aos poucos, vamos montando as peças do quebra-cabeça, até cair a ficha de que a qualquer momento, algo pode dar errado.

E a que horas chegarão em minha porta? – É a pergunta que não sái da mente. Quando fazemos alguma coisa de errado, tememos que alguém descubra, que nosso segredo seja revelado. E a situação fica ainda pior quando a vida de quem você ama também está em jogo. E se arrependimento matasse, Llewelyn já teria morrido. O remorço que ele sente pelo peso de suas ações já não o permitem ter uma boa noite de sono.

Não há fuga sem rastros. É nesse momento que a decisão narrativa dos Coen gerará resultado. Já sabemos que não há limites para o Anton, que parece agir com um instinto animal. Calculista, frio. E de tanta insensibilidade e crueza que nos é mostrada logo no início, tememos pela fragmentação de nossa própria sanidade. Tudo isso é realçado pela constante sensação de perseguição, os pequenos detalhes, insegurança.

Provavelmente você já ouviu a expressão “depois da tempestade, vem a calmaria” – pois é, aqui é o contrário. Ficamos tão intrigados para a chegada do clímax que mal nos centranos no presente, e qualquer coisa fora do lugar, assusta, e muito. Em determinada cena, Llewelyn se muda temporariamente para um pequeno motel, e observa o estacionamento pela janela de seu quarto. Está tudo calmo. Calmo até demais. E a especulação se mantém até mesmo em cenas explosivas, quando o uso de silhuetas, mas um grande acerto na fotografia do Deakins, entra em jogo.

A lei do acaso parece ser o que vai definir a rota do Anton, que decide se mata ou não a vítima usando o clássico jogo do “cara ou coroa” – mas mal esperando que o feitiço irá contra o feiticeiro, quando em determinado momento, ele sofre um inesperado acidente de carro. E isso, pouco depois de passarmos um seguimento inteiro acompanhando todos os personagens se recuperarem (físico e mentalmente) após um exausto dia – coisa que não é sempre que se vê em um filme casual, aliás, ao esperar um conflito épico no final, os Coen simplesmete seguem por um caminho completamente diferente, podendo afastar aqueles que não compraram a ideia – até porque, uma das palavras que definem o filme, além de imprevisibilidade é: Niilismo.

Quando o personagem do Woody Harrison, um homem de negócios, entra na história com o objetivo de fazer uma proposta com o Anton, é encurralado pelo mesmo. E com o silêncio ao decorrer da cena (aliás, ausência de trilha-sonora durante o filme inteiro) – sabemos que não haverá uma esperança, uma luz no fim do túnel – aliás, não há um Deus no lugar onde os fracos não têm vez.

Veredito

O jovem clássico dos Coen é talvez um dos mais atmosféricos, enervantes e imersivos Thrillers já feitos.

10/10.

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