Aviso: Crítica sem spoilers!
Garota de Aço mantém visibilidade ao DCU, mas em filme pouco inspirado
Após quatro décadas, Supergirl volta ao cinema para um filme solo, e depois de participações especiais em produções passadas, como The Flash, e na série Supergirl, da CW. Com nova roupagem, atriz e consideração para o futuro de um universo cinematográfico, o longa-metragem é bom na medida do possível, mas pouco inspirado para um pontapé de diversos outros projetos.
O DCU começou bem no cinema, com o sucesso de Superman e um bom desempenho, elevando a história do Homem de Aço para novos horizontes, apresentando heróis que jamais apareceram em filmes e uma narrativa mais caótica. O grande problema que vem depois é a redução de escala de Superman, com mais ação e confrontos verbais, para Supergirl, menos ação, trama simplória e um feijão com arroz que faltou tempero.
A história do novo filme acompanha Kara Zor-El (Milly Alcock), que corre contra o tempo para salvar Krypto após ser envenenado, enquanto a menina Ruthye (Eve Ridley) busca vingança contra Krem (Matthias Schoenaerts). Kara e Ruthye se entrelaçam em motivações diferentes, mas que levam ao mesmo homem, e Supergirl precisa lidar com a vingança de uma criança, enquanto o tempo para salvar seu cachorro é cada vez mais curto.

Milly Alcock dá vida a uma das heroínas mais célebres dos quadrinhos, e muito bem, por sinal. Porém, o grande problema está na dinâmica entre Kara e Ruthye, já que Supergirl é uma espécie de guardiã para uma menina que tem sede de matar. A narrativa cansa em dar voltas e mais voltas para unir essas duas personagens, o que torna desgastante em um longa-metragem de menos de duas horas de duração. Ao mesmo tempo, esse dinamismo falho é espelhado em um antagonista genérico e nada interessante, que não consegue sustentar uma motivação crível para ser confrontado – quer dizer, atacar o cachorro da Supergirl é uma loucura. Diferentemente dos vilões de Superman, que puramente exalam ódio contra o Homem de Aço, em Supergirl, Krem parece desconhecer a raiva. Mata por esporte. É um vilão que é o mal encarnado. Ainda mais pelo fato de estar envolvido com tráfico sexual de mulheres, uma pauta debatida dentro do filme de forma superficial, e que poderia ser melhor aproveitada. Finalmente, é esquecível e não demonstra impacto no decorrer da história.
Quem assina o roteiro é Ana Nogueira, já situada na DC Studios para demais projetos – pode acender um alerta, pois ela vai fazer Jovens Titãs e Mulher-Maravilha. Não é preciso dizer: é um roteiro ruim. Pouco inspirado, tanto na passagem de adaptar a HQ Supergirl: A Mulher do Amanhã quanto em originalidade. O tratamento da escritora para a heroína, que parece odiar vestir o traje azul com a capa vermelha, é desrespeitoso. Enquanto o filme flertava em colocar a Supergirl sendo sombra do Superman, a roteirista exclui nos últimos minutos um tema que deveria ser aprofundado, com Kara buscando seu lugar no mundo. Há problemas estruturais gritantes na nova produção da DC Studios, desde flashbacks desconexos que não explicam muito, até cenas em um futuro que não levam a nada.
Embora haja momentos negativos e são variados, Supergirl também bebe de um positivismo em apresentação de personagens e ambientação de universo. A personagem-título é interessante, mas não bem trabalhada como deveria. Mesmo assim, possui diálogos cruciais sobre heroísmo e uma caracterização boa. Um outro ponto positivo é Jason Momoa como Lobo, que encaixou tão melhor do que quando foi o Aquaman. Preso em um roteiro problemático, Momoa consegue surpreender no papel do mercenário, tanto por sua postura como um ator de ação quanto ao modelar um anti-herói engraçado e babaca ao mesmo tempo. Ele ganha pontos e a subtrama do Lobo deixa um gostinho de “quero mais”, já que o material apresentado do personagem tem maior potencial do que a própria Supergirl no DCU. Por fim, Eve Ridley… faz o que pode ao manter uma personagem insuportável ao lado da heroína.

Se com alguns pontos positivos o filme tenta se manter, os efeitos técnicos não entram nesse rol de acertos. O cinema americano volta a sofrer com efeitos especiais, prazos menores de entrega e uma pós-produção sem ajustes. Supergirl parece ter sofrido com isso. Em comparação com Superman, o CGI é inferior, mas não ruim. Bastante regular, a partir de uma fotografia seca, sem alma e que trabalha com filtros de um futuro distópico em uma aventura espacial. Cada tomada de decisão nem sempre é acertada. A fotografia pouco brilhante ainda é melhor que a péssima trilha sonora de Claudia Sarne. Uma personagem da grandeza da Supergirl precisa de uma banda sonora marcante, mas até nisso fica aquém e na sombra de Superman – não que a trilha sonora do filme de 2025 seja espetacular, mas é boa o suficiente para o que o longa se propõe. Faltou um bom nome em um filme com erros e uma direção insegura de Craig Gillespie.
Carismática e bruta, Kara tem uma representação regular para um início de universo. Supergirl desperdiça oportunidades e destoa muito de Superman, com uma aventura mais franca para apresentação a novos fãs, sem o valor de um bom roteiro e uma história incoerente com o tamanho da personagem.
Veredito
Supergirl desliza e traz uma aventura repetitiva, uma fraca direção de Craig Gillespie e um péssimo vilão, que representa o fracasso de um roteiro sem inspiração, dinâmicas frágeis entre protagonistas e falta de apreço em trabalhar em bons debates futuros. É uma produção regular que se segura no carisma de Milly Alcock e Jason Momoa.
5/10
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