Aviso: Crítica sem spoilers!
Sangrento e glorioso: o melhor de James Gunn em um filme!
O Esquadrão Suicida, o novo filme da DC sobre a equipe mais suja dos quadrinhos, uma aposta da Warner Bros. e o primeiro e maior filme da carreira de James Gunn, teve seu lançamento na quinta-feira (5), em todos os cinemas brasileiros. Como disse, uma aposta do estúdio, não tão antiga assim, que serve para fazer os fãs esquecerem do fiasco – não completo -, do filme lançado em 2016. E se essa aposta deu certo? Nada mais poderia dar tão certo quanto este filme, que é totalmente reverente aos quadrinhos de John Ostrander e Kim Yale.
A demissão de James Gunn da Marvel Studios há alguns anos foi realmente benéfica para a Warner, que viu grande potencial no diretor após a franquia bem estabelecida de Guardiões da Galáxia. E com isto, o estúdio viu que poderia fazer algo muito melhor com o Esquadrão Suicida, do que David Ayer tentou em 2016, mesmo com os cortes. O novo filme da equipe, não é reboot, nem sequência segundo o diretor (é, mas não quer ser), mas serve para dar continuidade ao universo caótico dos vilões de categorias C da DC – exceto Harley (Margot Robbie) e Tubarão-Rei (Sylvester Stallone).

Gunn reintroduz personagens do filme anterior, como Arlequina, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Capitão Bumerangue (Jai Courtney), para uma nova e perigosa missão: Ir a Corto Maltese e destruir tudo sobre o projeto Estrela-do-mar, um pequeno souvenir para os fãs dos quadrinhos da Liga da Justiça. Para acabar com o plano do novo governo, Flag, Harley e Bumerangue se juntam aos novos personagens, Bloodsport (Idris Elba), Pacificador (John Cena), Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior), Homem das Bolinhas (David Dastmalchian), Tubarão-Rei e diversos outros vilões de quinta categoria, que foram para Belle Reve e levaram o azar de serem chamados para a Força Tarefa-X de Amanda Waller (Viola Davis).
A sequência inicial deixa bem claro que o filme terá muita ação, com tiros e sangue. Além disso, as mortes mais óbvias acontecem quando todos menos esperam. Assim como o diretor disse em entrevistas, e mostrado nos trailers, a chegada à praia de Corto Maltese é uma cena de guerra brutal, ao mais tipo Dia D na Segunda Guerra Mundial. E se há uma cena de ação incrível como a inicial, é a própria estrelada por Margot Robbie. A atuação da atriz nesta cena é realmente de cair o queixo, e ela incorpora a Arlequina como nunca, com mais fervor e totalmente confortável no papel. Toda a sequência é fascinante, e assim como a cena da delegacia em Aves de Rapina, a coreografia usada em O Esquadrão Suicida, melhora ainda mais o que era esperado. É uma ação constante, com movimentos os quais Harley nunca fez em algum outro filme, e, realmente, foi a melhor cena de luta no longa.
E por falar em ação, o filme possui cenas de ação de tirar o fôlego, e também muito cômicas, principalmente na parte do Pacificador e Bloodsport. Há, realmente, muito sangue, e o filme deixa bem claro o porque de ser R-Rated (para maiores). Mesmo sendo sangrento e violento, Gunn gosta de usufruir cada personagem e explorar seu passado, para entender o motivo de estarem em missão. Um destes personagens é o Homem das Bolinhas e a Caça-Ratos 2, o coração do filme, que traz o simbolismo de união em uma equipe desunida, por ter tantas personalidades diferentes. E juntando tudo isso, o diretor que também é o roteirista, traz muito carisma para a personagem de Melchior e de Dastmalchian, além de mostrar o brilhantismo e Elba e a capacidade de Robbie em ser a Arlequina definitiva, em seu ápice com a personagem. O diretor sabe muito bem apresentar cada personagem, e envolvê-los na trama, com cada um tendo uma profunda conexão.
Cada personagem ganha seu destaque e tempo de tela precioso, sendo bem desenvolvidos durante todo o filme. Uma surpresa agradável foi Alice Braga como Sol Soria, interpretando a personagem criada para o longa, e que encaixou como uma luva na história. O elenco de O Esquadrão Suicida em si, possui grandes estrelas, e cada ator ou atriz se sente confortável em seu respectivo papel, melhorando sua performance quanto ao longa anterior, ou dando a devida emoçãoe drama necessário para que o filme não seja apenas um banho de sangue. Gunn consegue fazer um mix diversos sentimentos para o público, indo da ação frenética, para o emocional e o choque final. Uma outra bela surpresa foi Daniela Melchior no papel de uma personagem aparentemente pequena, que engrandece no final, após uma subtrama coesa. Todos, realmente agradaram, mas a mudança mais significativa foi a de Rick Flag, comparando com o filme de 2016. Kinnaman conseguiu incorporar o personagem direto dos quadrinhos da fase dos anos 80, e Gunn sabia que Flag era mais que um simples soldado.

Num panorama geral, não é tão difícil saber que os atores principais merecem todos os elogios necessários, com Robbie dando continuidade como Arlequina e a desenvolver brilhantemente, John Cena garantindo seu primeiro olhar como Pacificador e preparando terreno para sua série, e a dublagem de Stallone como Tubarão-Rei, que explora a brutalidade, o lado fofo e triste de um animal assassino que só quer fazer amigos. Vale lembrar também de outros atores do elenco como Flula Borg, Nathan Fillion, Michael Rooker, Pete Davidson, Peter Capaldi, Mayling Ng, Jeniffer Holland e Steve Agee, que fizeram um belo trabalho com seus personagens.
Se, por um acaso, o filme de 2016 não teve um bom roteiro, a trilha sonora foi o ponto forte. Igualmente para o filme de 2021 – que teve um bom roteiro -, que traz John Murphy como compositor, colocando um tema de rock para a entrada triunfal da equipe em sua primeira aparição, para fazer o público lembrar que o Esquadrão não é uma equipe comum dos quadrinhos. Em detalhes técnicos, o filme manda muito bem, e explora uma fotografia impecável, especialmente na parte final, em meio a chuva. Gunn não tem medo de colorir esse Esquadrão, e de explodir várias coisas e destruir uma cidade. O CGI neste filme, é muito bem trabalhado com Starro e o Tubarão-Rei, e merece muitos elogios. É minimamente bem cuidado pelo estúdio.
Tecer elogios para O Esquadrão Suicida não é mais que a obrigação de todo o fã de filmes de super-heróis e de quadrinhos. O puro suco das HQs está neste filme, que reintroduz personagens importantes, introduz novos, consegue corrigir pontos importantes de seu antecessor, tem uma violência brutal e uma história, com subtramas coerentes e precisas. O filme sabe trabalhar o lado emocional de cada personagem, após sequências frenéticas de ação, equalizando as cenas entre serem um tanto tristes, e outras bem divertidas. Toda a liberdade criativa que a Warner deu para James Gunn, foi subvertida em brilhantismo e acerto, com espaço para muito mais!
Veredito
Uma obra-prima de James Gunn, O Esquadrão Suicida brilha como nunca, e traz a equipe polêmica dos quadrinhos da DC para as telonas pela segunda vez. Com um elenco colossal e totalmente confortável, sabendo equalizar, desenvolver todos os personagens e achar um tom certo, Gunn acerta em mais um filme deste gênero, elevando o nível desta equipe tão suja.
Com um roteiro consistente, e subtramas que elevam o filme e os próprios atores, o longa-metragem mostra que os vilões estão prestes a fazerem um pouco mais para salvarem o mundo da tirania. Sangrento, divertido, triste em alguns momentos e com muita ação e reviravoltas, O Esquadrão Suicida denota o poder que exala de seus personagens e do longa, que também é cheio de coração. O filme é nada menos que brilhante, e encabeça a lista do DCEU, sendo um um dos melhores filmes de super-heróis já feitos.
10/10.
Quer receber mais conteúdos como este? Nos ajude a manter o site sempre atualizado!
Faça uma contribuição única
Faça uma contribuição mensal
Faça uma contribuição anual
Escolha um valor:
Ou insira uma quantia personalizada:
Agradecemos sua contribuição.
Agradecemos sua contribuição.
Agradecemos sua contribuição.
Descubra mais sobre Critical Room
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
