Aviso: Crítica sem spoilers!


Injustiçado, Superman: O Retorno peca em sua duração


Quase 20 anos se passaram desde o lançamento de Superman: O Retorno, longa-metragem do Homem de Aço que, por muito tempo, foi criticado e hoje tornou-se um clássico do herói. Injustiçado e regular, o filme não peca em estrutura e montagem, mas, sim, em sua duração para as telonas.

Superman: O Retorno traz a história do super-herói, que depois de cinco anos longe da Terra, ele retorna abatido após explorar Krypton destruída. Na esperança de reencontrar Lois Lane (Kate Bosworth), Superman/Clark Kent (Brandon Routh) tem de lidar com os perigos corriqueiros de Metropolis e seu principal inimigo, Lex Luthor (Kevin Spacey).

Um elenco com bons nomes, como Spacey, Routh e Richard Marsden, o longa-metragem sabe conduzir alguns atores ao pódio, mas muitos não são aproveitados e não conseguem demonstrar um trabalho consistente. A estrutura inicial delimita o herói e destaca o vilão, e como ele será importante para a trama. Em seguida, precisa mostrar a queda de um ser poderoso, simbolizando que os poderes também podem perecer. Ou seja, há uma dualidade interessante, entre a ascensão do mal e a decadência do bem.

Essa dualidade não se mantém ao longo do projeto, tornando tudo o que é colocado em tela superficial, sem profundidade ou o desenvolvimento necessário. A trama principal é interessante, e de certa forma, consegue puxar algo diabólico por parte do vilão. Esse ódio expresso de Luthor contra o Superman fica evidente, no entanto, o dinamismo entre herói e vilão não se estende como em animações ou outros filmes. Além do mais, o protagonista nem sempre é o herói, e sim, o vilão e o lado familiar de Lois. É um filme longo para poucas situações que acabam ocorrendo na execução de tempo.

A nostalgia funciona. Há cenas muito marcantes no filme, como o salvamento do avião, a ilha ou o resgate da família Lane no iate. Porém, não pode ser possível viver apenas disso. O longa é resumido em grandes feitos do Superman, principalmente em força. O diretor Bryan Singer esquece do dilema moral que tange o personagem, seu compromisso com a humanidade, não somente Metropolis, o repórter Clark Kent mais investigativo e dinâmico. O que o cineasta entrega é puramente uma homenagem aos filmes de Christopher Reeve. Nem mesmo soube colocar em consideração uma química entre Lois e Super, assim tornando uma jornalista irritante e um super-herói apático.

O elenco é formado por atores competentes mas, a todo momento, precisam estabelecer bons laços com seus personagens. Routh tem cara de Superman bonzinho e Clark Kent desajeitado, mas não desempenha bem o papel por limitações no roteiro. Bosworth é péssima como Lois. Não conquista. Não atua bem. Ela tenta estar a par do projeto, mas os erros na narrativa não permitem que ela consiga ser uma boa adição. Ao contrário de Spacey, que foi a adição perfeita, conhece seu personagem e trabalhou com o que tinha disponível. Deixar Luthor menos caricato e mais ameaçador foi uma escolha certeira do cineasta.

Diferentemente da questão estrutural, a equipe técnica que fica encarregada dos efeitos especiais, compactação da trilha sonora, fotografia e design de produção, não sofreu muito. Metropolis tem vida, é um cidade bonita e um acerto. A trilha sonora, talvez, não seja nem compensatório falar, até pelo fato de usar muito do tema clássico e variações. Assim como os efeitos especiais. À época, Superman: O Retorno teve um orçamento de pouco mais de US$ 200 milhões. O filme ainda faz acreditar que, de fato, o homem possa voar.

Nostalgia não balanceada, homenagem pura e sem detalhismo, Superman: O Retorno não satisfaz em seus anseios de tentar ser grandioso. Apesar de erros na narrativa, o filme ainda consegue ser positivo com cenas marcantes, mas que não passam de uma memória póstuma para Reeve e Richard Donner.


Veredito

Superman: O Retorno está muito longe de ser bom, mas mantém uma regularidade ao contar a história de como o Superman é um escoteiro. Referenciando clássicos momentos nos quadrinhos, animações e filmes antigos, o longa-metragem é um lembrete do que poderia ser, caso tivesse mais material para preencher lacunas existentes em um roteiro feito para uma longa duração.

6/10


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