Aviso: Crítica sem spoilers!


Tudo que é bom passa tão rápido


Desde a primeira temporada, Superman & Lois demonstrou força em destacar a humanidade, o drama e o escoteirismo no super-herói. Considerado o maior de todos, e não por menos, o personagem teve uma chance a mais no findado Arrowverso. Era não somente a oportunidade de aprimorar o herói, que há muito tempo não vinha sendo bem desenvolvido, mas uma luz no fim do túnel para Tyler Hoechlin, muito criticado quando apareceu em Supergirl. Hoje, no atual momento, e nesta quarta temporada, o astro mostrou que é muito mais que um simples ator.

É difícil de colocar lado a lado os melhores projetos do Superman, que são ótimas produções, desde animações até filmes. Mas, é muito fácil elencar as besteiras que foram feitas nos últimos anos, e especialmente nos textos de Zack Snyder para o grande farol que o Homem de Aço significa para as pessoas – e não só apenas as fictícias, mas as reais, também. Houve uma tentativa de resgate anos antes com o subestimado Superman: O Retorno, com Brandon Routh, que depois, viveu uma versão mais velha na saga Crise nas Infinitas Terras. Enquanto em 2019-20 Hoechlin era criticado, Routh era elogiado e os fãs fizeram campanha até para uma série. Mas, quem realmente ganhou uma produção foi o velho ator de Grimm.

Reprodução: CW

Muito criticada quando anunciada, Superman & Lois sofreu com o ostracismo de fãs, que pelo menos se diziam isso, quando colocaram em pauta o Superman de Cavill. Assim que estreou, este mesmo público passou a acompanhar, continuaram criticando, mas quando viram que o seriado estava melhor que qualquer produção recente do Azulão, perceberam o quanto foram duros nas críticas. Pois é, Superman & Lois fez história, e finalizou de forma brilhante o Arrowverso, que durou 12 anos (não contando com Smallville).

A redenção de Hoechlin e o papel em brilhar, por muitos anos e temporadas como Superman, tornou o ator ainda mais conceituado. Na quarta temporada, o herói estava em apuros, já que na anterior, iria ter sua batalha mais árdua: contra o Apocalipse. Esse monstro matou o Superman nos dois primeiros episódios do quarto ano (não é spoiler, está no trailer), e o mundo se viu sem um salvador. Mas, pior que isso, Lois Lane (Elizabeth Tulloch) e seus filhos estavam sem um marido e pai. A questão só piora quando Lex Luthor (Michael Cudlitz) continua perseguindo a família Kent para acabar de uma vez por todas deles.

Embora com altos e baixos ao longo de muitos episódios – mais altos, é claro -, a série demonstrou mais força na quarta temporada. Muito mais do que poderia. O elenco reduzido, o orçamento menor e a mudança da CW adquirida por uma outra empresa, não atrapalhou na identidade do seriado, no andamento do projeto e no desenvolvimento de um encerramento de ciclo. Na verdade, se não fosse por isso, os fãs não iriam assistir um dos finais mais brilhantes e memoráveis que o herói pode ter, e com certeza, virará um clássico a ser superado, como é a versão de Christopher Reeve.

Humanizada 100% nesta quarta temporada, o programa de heróis da DC embala fortes emoções, uma aventura épica nível Era de Prata dos quadrinhos e um drama familiar mais preciso. Uma grande reclamação era como Jordan e Jonathan nas duas primeiras temporadas eram personagens aquém, na terceira tiveram uma certa melhora, mas continuaram insuportáveis em certas questões, e no quarto ano se tornaram alicerces. A mudança de Jordan Elsass para Michael Bishop como Jonathan, da segunda para a terceira temporada, também ajudou nesse processo de uma nova construção. Uma adaptação melhor e que foi de grande-valia para a equipe de roteiristas.

E por falar nos roteiristas, é preciso colocar em destaque a estrutura do seriado. Não é preciso dizer que é muito bem escrito. É claro que em toda temporada, há um ou outro episódio que precisa apenas “preparar para o seguinte”. Na quarta temporada tem disso, e é até um episódio aceitável, mas que não era tão necessário. Entretanto, há um acerto quanto aos outros nove, que focam somente na trama principal: Apocalipse e Luthor. Todd Helbing, a mente por trás de Superman & Lois, junto de Brent Fletcher e Greg Berlanti, trouxeram mais vida a um herói perdido no tempo e destacado como “ultrapassado”. Nesta série, fizeram com que o Superman mais figurão fosse apenas ele mesmo. Um cara normal e nada mais.

A quarta temporada tem excelentes episódios e alguns com cliffhangers certeiros. Em um panorama geral, este último ano é o melhor, pois conseguiu aprender com os erros passados, consertar tudo e tornar um livro da vida da família Kent e do próprio Superman. É fácil chamar Superman & Lois de uma série de heróis, mas, também, é bom lembrar que é um seriado sobre a vida dele e de sua família, e não apenas contando seus feitos heroicos. É brilhante. A quarta temporada põe em prova as habilidades jornalísticas de Lois, a paciência do aprendizado para Jordan (Alexander Garfin) e Jonathan (Bishop), e a superação e persistência de Clark.

Tulloch brilha no papel de Lois, mas o protagonismo mesmo, desta vez, esteve nos ombros de Hoechlin, que durante toda a terceira temporada, ficou em segundo plano. Agora, ele fica em primeiro plano durante sete episódios, e consegue mesclar com Tulloch e Cudlitz o protagonismo. O elenco de apoio e coadjuvantes também tiveram boas atuações, mantendo a qualidade das últimas temporadas.

Se a história da temporada foi boa, a parte gráfica, quando acionada, foi tão boa quanto. Mesmo com um orçamento limitado, Superman & Lois entregou as melhores versões do Apocalipse e de Luthor. Há batalhas muito boas e duradouras, sem resolução rápida dos fatos. É uma melhora que precisava, dado os vilões das duas primeiras temporadas. Não há uma excessiva computação gráfica que atrapalhe a experiência do espectador, que, quando é preciso, denota a qualidade e o cuidado de toda a equipe e da própria CW em fazer com que essa seja a melhor série de todas da DC.

Mas, a fotografia foi o ponto mais alto de todo o quarto ano. A trilha sonora conseguiu entoar e conectar-se com o drama, a melancolia e o sentimento de verdade e justiça. Porém, é no processo de fotografia e a mistura de cores, tanto frias quanto quentes, que o seriado ganha força. Especialmente no último episódio, com frames exuberantes em cenas de tirar o fôlego.

Tudo que tem um começo, também tem um final. Superman & Lois teve o seu da melhor forma possível, cumprindo todas as metas, destacando muitas referências aos quadrinhos e produções anteriores, e apenas confirmando que é a melhor série da DC em muitos anos. Sem dúvidas, o Escoteiro e a fiel jornalista do Planeta Diário, junto de seus jovens filhos, deixam um legado no Arrowverso, que marca o estabelecimento de uma nova era que iniciou em 2021 e o fim de um universo rico em conteúdo e público.


Veredito

Superman & Lois encerra brilhantemente e de forma comovente sua passagem pela TV, colocando um fim no Arrowverso. Com uma história forte e surpreendente, e atuações em alto nível, a série mostra que o lema do Super-Homem sobre a “verdade, a justiça e um amanhã melhor” ainda não está fora de moda.

10/10


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