Aviso: Crítica sem spoilers!
Um fim decepcionante da franquia que começou com os heróis no cinema
Em 1978, se houve críticas quanto a escolha do intérprete do Superman, elas não são válidas. Entra projeto e sai projeto, muitos fãs criticam. Naquela época, não era diferente, provavelmente. Christopher Reeve assumiu o papel de forma brilhante, e mesmo com histórias ruins, ele conseguia ter um bom desempenho. Superman IV: Em Busca da Paz é a prova viva disso, mostrando que o filme pode ser ruim, mas contar com um excelente protagonista.
Depois de anos nas mãos dos Salkind, a recepção negativa de Superman III fez com que os direitos fossem vendidos para a produtora Cannon. Essa mudança, na época, foi vista como um “suspiro” para uma quarta parcela da saga, mas, a situação concreta não foi assim. O terceiro filme não foi um grande fracasso comercial, mas o spin-off focado na Supergirl foi, e de certa forma, rendeu críticas aos produtores. A venda dos direitos amenizou isso… até o lançamento. E é o lema de “só acredita quando vê”, mas, não dá nem de acreditar quando se vê.

Reeve teve sua parte no acordo e ganhou bem. Deu ideia para o projeto: Superman contra a corrida armamentista. Em anos da derrocada da União Soviética e queda do Muro de Berlim, à essa altura, a ideia não era ruim caso fosse bem executada. Diretores foram convidados para a obra, como Ron Howard, Wes Craven e até o próprio Richard Donner, que dirigiu o primeiro filme e parte do segundo. A responsabilidade caiu sob os ombros de Sidney J. Furie. Era uma boa aposta, no entanto, o cineasta não contava com cortes no orçamento, e com certeza, não tinha a brilhante mente e capacidade de Donner em saber trabalhar com o Homem de Aço.
Em Superman IV: Em Busca da Paz, enquanto Estados Unidos e União Soviética brigam pelo poder nuclear, Superman é forçado, por parte da imprensa sensacionalista, a fazer algo que parasse a corrida armamentista. A partir de uma carta de uma criança, ele dá a resposta a humanidade que iria buscar a paz entre os povos. Ao mesmo tempo, Lex Luthor foge e cria um aliado poderoso, o Homem-Nuclear.
Conveniente, incoerente e desnecessário, mas com um tema central importante, Superman IV descarta tudo o que construiu nos outros três filmes. Abraça a ingenuidade e zomba do personagem e de seu público fiel, que tanto aguardava um bom projeto. A situação é ruim do início ao fim filme, e até nos créditos iniciais, tudo parece estranho. A história não funciona. A ideia é excelente, destaca o dilema do super-herói entre sua bondade em ajudar todos ou não interferir nas ações humanas. O problema é que não houve profundidade para trabalhar nessa questão, entretanto, soube colocar em prática justamente o que o Azulão sempre teve de ouvir de Jor-El: não interfira nas ações humanas.

O longa-metragem não faz um bom trabalho montando sua história. Para apenas uma hora e meia, a estrutura do filme é tão péssima, que tudo se revolve rapidamente. Não tem uma explicação plausível, e quando tem, beira o ridículo – ou até faz sentido, fisicamente. Embora pressionado por um vilão chamado Homem-Nuclear, Superman nem se preocupa com a ameaça Luthor de enriquecer. Ou seja, Lex Luthor de Gene Hackman é um vilão secundário na obra (e não deveria ser).
Na obra, os personagens acabam por esquecer seus trejeitos anteriores. Lois Lane de Margot Kidder parece perder o brilhantismo do segundo longa-metragem e a exuberância do primeiro. Ela demonstrou exaustão na reta final, não conseguindo um bom desempenho no terceiro e em Superman IV. Hackman, por sua vez, continua caricato, mas é justamente esse o problema. Ou seja, não houve competência em amadurecer o vilão. Por sua vez, Reeve ainda continua bem no papel, sabendo exemplificar muito bem Clark e Superman em duas identidades.
Resoluções rápidas, quebra de expectativa e efeitos visuais péssimos. A parte técnica, que deveria ter melhorado com o passar do anos na franquia, apenas piorou. É perceptível o fundo de tela verde, mostrando o amadorismo da produção. Como um filme de 1978 tem uma parte técnica melhor que um filme de 1987? Somado ao desastre nos efeitos, a fotografia é visivelmente pobre. Sem grandes gracejos em um filtro azul. Foi esse filtro que tornou o Homem de Aço no cinema. Embora as coisas estejam ruins, ao menos, a trilha sonora de John Williams ainda é boa, especialmente com a marcha do Superman, que encanta e brilha.
Desastroso e sem a convicção de poder “crescer”, Superman IV: Em Busca da Paz é mais definido como uma briga de cão e gato com o dono no meio para atrapalhar. Mesmo com o belo discurso no final, o longa-metragem é um mar de ideias que não são bem executadas, mas, que ainda assim, precisavam de uma melhor atenção e retoque.
Veredito
Superman IV: Em Busca da Paz mostra o enfraquecimento da franquia em seu último filme e uma despedida lamentável de Christopher Reeve ao papel que lhe rendeu sucesso. Embora uma brilhante ideia no papel, a execução não funciona, destacando que a mudança de produtora apenas agravou a situação e prejudicou uma saga que poderia encerrar com chave de ouro após Superman III.
2/10
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