Aviso: Crítica sem spoilers!
Segundo ano estrega muito mais do que prometeu.
A Era de Ouro dos quadrinhos nunca foi tão bem representada. Stargirl, uma das mais brilhantes séries de heróis da atualidade, teve seu episódio final exibido ainda no dia 2 de novembro pela CW. Os fãs estavam preocupados com esta mudança drástica, visto que a primeira temporada foi muito agradável, e a segunda, estava passando para o domínio da CW – The Flash e Supergirl que o digam. Mas, como Geoff Johns alertou ainda no ano passado que nada iria mudar, nada mudou. Apenas chega um crescendo, tornando a série ainda mais atrativa e segura para ser um dos melhores shows da DC já produzidos.
Depois de derrotar a Sociedade da Injustiça, o peso de cada herói cai sobre si. Agora, Stargirl/Courtney (Brec Bassinger) não é o foco principal, com a história conseguindo dividir muito bem o drama de cada personagem no decorrer dos episódios. A trama acompanha a Sociedade da Justiça logo após os eventos da primeira temporada, com os adolescentes lidando com a escola de verão – alguns deles. Enquanto Courtney procurava incansavelmente um vilão, Shiv (Meg De Lacy) volta para Blue Valley, após ter estudado Eclipso (Nick Tarabay), ainda preso em seu diamante negro. Ela estava prestes a montar sua própria equipe, nutrindo raiva da nova Sociedade da Justiça. Além da volta de Cindy, O Sombra (Jonathan Cake) também está retornando magistralmente, sob o nome de Richard Swift, um colecionador de antiguidades. Ele esperava coletar o próprio diamante negro, mas que já havia sumido e estava em outras mãos.
Bem como a primeira temporada, a série segue um lado divertido, para quebrar o gelo em alguns momentos – e que funcionam facilmente. Porém, a trama está mais madura, e de certa forma, aterrorizante. O novo ano conseguiu implementar elementos de terror, tornando Stargirl uma das primeiras séries de herói a trabalharem com algumas referências clássicas e assustadoras. E como eu anteriormente, cada personagem possui um peso emocional. Este peso está batendo lá na antiga Sociedade da Justiça, com o Doutor Meia-Noite (Alex Collins) tendo uma perda tamanha, fazendo a equipe se desestabilizar. Como sempre, Pat (Luke Wilson), reflete o passado com o presente, para alertar Court e todos os outros membros, bem como Barbara (Amy Smart), mãe da protagonista.
Facilmente, cada subtrama é tão melhor na segunda temporada. Começando por Yolanda/Pantera II (Yvette Monreal), que está tendo visões com o Onda Mental (Christopher James Baker) após tê-lo matado. Por sua vez, Rick/Homem-Hora II (Cameron Gellman), está rastreando Solomon Grundy, e ainda sofrendo por ele, após ter matado seus pais, enquanto Beth/Doutora Meia-Noite (Anjelika Washington), quer que seus pais lhe deem mais atenção. Johns e o restante da equipe criativa, acertam em amadurecer estes personagens, que conquistam o espectador em poucos episódios. Há um desenvolvimento ainda maior em Beth, uma das principais personagens da segunda temporada, e uma grande melhora em sua personalidade, deixando de ser uma integrante “apenas por estar” na SJA. Até mesmo Mike (Trae Romano), bem deslocado na primeira temporada, conseguiu tempo de tela suficiente para ser construído, na tentativa de ser um jovem herói como o pai. Também, Pat Dugan, está ainda melhor inserido na história, menos brincalhão e inocente, e muito mais maduro e convicto.
No entanto, com tantos personagens bem desenvolvidos, e quase nenhum sendo deslocado – exceto por Cameron (Hunter Sansone), o futuro novo Geada -, as surpresas ficam para Jonathan Cake como O Sombra e Tarabay no papel de Eclipso. Foram duas das três ótimas surpresas, bem como Ysa Penarejo como Jade. O antagonista principal, que foi Eclipso, teve uma construção fora do normal para os padrões de séries da DC, e pode ser considerado, facilmente, o melhor vilão do DCTV. O Sombra, ao que todos pensavam ser o antagonista principal, viveu um secundário, e ganhou um bom tempo de tela, tendo seus poderes bem explorados. Com certeza, ele conquistou boa parte do público, que acabou gostando muito mais de um vilão não tão vilão assim.
Migrar para a CW, no entanto, não foi uma ideia tão inteligente assim, por conta do público que costuma ver a série. Stargirl merece muito mais reconhecimento, e por ser um programa que trata de heróis adolescentes, há um certo preconceito quanto à ideia. Entretanto, CGI não foi problema algum para o show. Possivelmente, com o término de Supergirl, o antigo show do DC Universe tenha um orçamento maior para a próxima temporada. Aqui, tanto a fidelidade dos uniformes “ridículos”, quanto o CGI caricato, retratam muito bem um quadrinho em tela. As sequências de ação funcionam muito bem, novamente, e melhor que na primeira temporada. Houve muito mais uso de efeitos especiais, especialmente no último episódio da série, frenético e totalmente um show de luzes. É realmente de brilhar o olhar de qualquer fã da Sociedade da Justiça. Mesmo que a transição para a rede tenha custado um público maior, não houve alguma queda no roteiro, bem amarrado e conectando tudo o que podia para uma belíssima construção. Esperamos que o orçamento aumente ainda mais, para que o F.A.I.X.A seja utilizado constantemente.

O elenco da Garota Estrela é ainda melhor. Integrando o brilhante Jonathan Cake com seu sotaque britânico, e o já conhecido Nick Tarabay de The Flash, Luke Wilson ganha mais destaque para atuar, com alguns episódios um tanto dramáticos. Cada ator possui um tempo de tela necessário, para que consigam desenvolver seus personagens. Brec Bassinger também foi uma ótima surpresa, novamente, com Anjelika Washington, Cameron Gellman e Yvette Monreal a acompanhando na solidez. Mas, Milo Stein, surpreendeu muito mais do que qualquer outro do elenco. O garoto interpretou o jovem Bruce Gordon/Eclipso, e conseguiu dar mais medo do que o próprio visual do vilão – que estava magnífico, um belo trabalho da produção de design.
Stargirl, num panorama geral, entrega muito mais do que prometeu em sua segunda temporada. O trabalho impecável da equipe de produção, e também do elenco, fez com que o novo ano fosse ainda tão bom e sólido quanto o anterior. O roteiro sem deixar pontas soltas, começa a preparar o terreno para a terceira temporada, tendo revelado já seu novo vilão e o futuro de alguns certos personagens na série. Não há dúvidas de que Stargirl surpreende a cada dia, com tamanha competência, tornando a melhor produção da DC na TV nos últimos anos.
Veredito
A segunda temporada de Stargirl brilha tanto quanto a personagem. Com um bom desenvolvimento dos personagens, e um elenco sólido liderado por Brec Bassinger e Luke Wilson, a história se aprofunda ainda mais na mitologia da Sociedade da Justiça, deixando arcos em aberto para a terceira temporada. Os caricatos visuais de heróis e vilões, e os diálogos entre o bem e o mal, bem como toda a cor vibrante, fazem Stargirl ser uma bela homenagem à Era de Ouro da DC. Competente do início ao fim, Geoff Johns, criador da série e da personagem, eleva o nível do show, que ainda é o melhor da DC em anos, e um dos melhores da atualidade.
10/10.
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