Aviso: Crítica sem spoilers!
Sexto filme repagina franquia que se perdeu em histórias exageradas
Se os filmes de terror e gore continuam em alta no mercado cinematográfico, o retorno de franquias do gênero, a nostalgia e o sentimento de memória afetiva, também. Premonição 6 chega aos cinemas como um tipo de repaginação da saga, mas sem esquecer de seus anteriores, em uma história boa, mas com problemas.
O novo filme da franquia coloca em pauta uma nova família, personagens que precisam demonstrar que são “único” em seus dramas pessoais e familiares. O peso de famílias desajustadas de algum modo é o que mais define a narrativa, carregada por mortes brutais e inteligentes em muitos momentos.
A história do filme traz uma jovem chamada Stefani, que é atormentada por um pesadelo violento e recorrente. Enquanto seu desempenho na faculdade está indo de mal a pior por causa de seus sonhos, ela retorna para casa e tenta apoio com sua família. A jovem também busca respostas sobre uma mulhe misteriosa, que aparece em seus sonhos, e é alguém que jamais conheceu e foi escondida por seus pais e tios.

Não há definição melhor da história do filme do que “um drama familiar brutal e sangrento”. Apesar dos outros filmes colocarem amigos em uma rota de fuga contra a morte, o sexto projeto põe uma seleta de primos que precisam sobreviver ou mudar a rota da morte – mudar os planos dela. Mas a morte é inevitável. O roteiro tenta trabalhar com o que tem disponível e consegue promover em tela, mas não consegue sempre acertar e deixa pontas soltas, além de personagens que somem sem muita explicação.
O grande problema de Premonição 6 é justamente na questão de dois personagens que estão presentes na trama, mas desaparecem e não deixam rastros. É claro que os protagonistas não ganham o coração ou superam as expectativas, assim como o coadjuvantes, que compõem uma mistura em informações jogadas em tela para puro entretenimento, sem profundidade alguma. A sequência inicial de tão brilhante que é, até possui uma continuação sobre como uma tragédia foi evitada, mas não 100%. Ao flertar em querer explorar personagens que podem ter histórias grandiosas, o filme não dá continuidade e não encerra nada com coerência.
Afinal, o erro com os personagens não está atrelado ao das mortes destes, que são brutais e sanguinárias. Isso é um trabalho bem acertado da equipe de produção e dos diretores Zach Lipovsky e Adam B. Stein, que preferem chocar com sangue jorrando, assim como em outros filmes. No entanto, um dos problemas é como fazem isso. Algumas vezes, cenas que têm o potencial de ter algum impacto dramático são trocadas por conversas familiares desconfortáveis e situações para dar risada.
O elenco não é bom e isso é perceptível quanto à acomodação de alguns atores, a começar pela atriz principal, Kaitlyn Santa Juana. Não que sejam atuações ruins, mas que não são memoráveis, afinal, dificilmente algum ator é bem lembrado na franquia. Embora o elenco seja desconhecido, a presença final de Tony Todd (ator falecido em 2024) dá um certo brilho, fazendo uma despedida à altura de sua carreira e do personagem nos filmes Premonição. Este é um dos pontos altos e positivos do filme.

Um dos trabalhos que também chama a atenção é a questão dos efeitos gráfico e como o visual do filme é importante para a construção de situações para a história. A trilha sonora não consegue impactar de forma positiva – nem negativa, aliás, é algo morno -, mas em questão de efeitos visuais, há um balanço bem positivo. Isso vem em consonância do orçamento maior adquirido pela New Line Cinema e a Warner Bros, em um conjunto de trabalho competente da equipe técnica do filme.
Como uma repaginada na franquia, Premonição 6 funciona do seu jeito, mas deixa certos furos de roteiro que a linearidade parece nem sempre funcionar. Mesmo com a linhagem desenhada pela protagonista, a falta de coragem em sacrificar personagens inúteis torna o filme morno em muitos aspectos, mas não quando é colocado em destaque o gore e criatividade da morte para aniquilar quem esteja a desafiando.
Veredito
Premonição 6 é uma boa produção cinematográfica, apesar de erros de sequência na história e sumiços repentinos de personagens com potencial. No entanto, a criatividade em trabalhar com a morte como um “ser maligno” coloca em consideração uma nova visão de diretores que estão comprometidos em dar um melhor rumo para a franquia.
6/10
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