Aviso: Crítica Sem Spoilers!


Nova adaptação do personagem não sustenta musical ruim e inanimado


O novo filme Pinóquio, uma adaptação russa do personagem clássico da Disney e dirigido por Igor Voloshin, é uma releitura curiosa e bastante interessante, mas que peca em trazer para si um musical sem nexo, que por muitas vezes, incomoda ao querer reinventar um clássico dos anos 1940.

A história mostra o personagem Geppetto, que sempre desejou ter um filho, construir um boneco de madeira e ele ganhar vida. Ele ensina o menino a ser um “ser-humano”, leva a escola e mostra que possui sentimentos e emoções. Porém, quando Karabas Barabas descobre a nova invenção de Geppetto, a toma para si, e uma aventura começa na vida do menino de madeira.

Estrelado por Aleksandr Yatsenko, a adaptação russa é uma tentativa de “remodelar” o personagem já conhecido do grande público em um astro de teatro, que também tem conhecimento em tocar instrumentos e cantar em apresentações. No entanto, é uma história que começa bem, mas perde-se no meio da contação, ao querer uma aventura no estilo Peter Pan, com um grande vilão que poderia ser ainda mais temido. Não há consistência no drama, que é descontinuado em troca de uma aventura com detalhes de um musical e uma comédia.

Aksinya Borisova, Alina Tyazhlova e Andrey Zolotarev assinam o roteiro do longa-metragem. A adaptação do livro de Alexei Tolstoy intitulado The Golden Key é louvável, de certa forma, o que não busca o real Pinóquio dos Estados Unidos. O grande problema é toda a sua construção. Como uma adaptação de um livro soviético, funciona com muitos parênteses, mas quando transformado em um produto audiovisual, era preciso que deicasse claro na narrativa do que tudo se tratava. Não é organizado corretamente, já que, em quase nenhum momento, a chave de ouro é falada, exceto no terceiro ato da produção. Aqui há um erro de continuidade, fazendo com que essa chave misteriosa seja inserida na trama como um passe de mágica.

Mesmo que a história não seja tão boa quanto podia se esperar, os efeitos visuais são bons e sustentam o protagonista de madeira. Embora os personagens e seus dramas sejam superficiais, como é a história do vilão, que não alavanca para um “estrondo” surpreendente, o CGI configura bons momentos para o filme. As expressões capturadas, a corrida de um boneco de madeira, o design de som deste personagem e o cuidado da produção em até transformar baratas em personagens de uma animação, são um trunfo para quem não é tão crítico à tecnologia em um filme de menor orçamento.

Embora com uma história frágil, mas ainda interessante, os personagens são variados e limitados. Esteticamente falando, o visual de cada um é excelente, e é perceptível o cuidado que a produção teve com cenários, figurino e com a construção de uma cidade italiana de meio século. Porém, o que faltou foi o casamento entre um roteiro bom com um design de produção bom; o roteiro não é bom. São numerosos os personagens, que tratados de forma superficial, não apresentam bons argumentos para sustentar uma trama coerente. Inseridos em uma aventura com tons de um musical, torna-se irregular o tratamento dos escritores, que não sabem desenvolver coadjuvantes com potencial e elevar uma história local.

Filme assistido antecipadamente a convite da Paris Filmes. Verdade & Traição já está disponível nos cinemas do Brasil


Veredito

Pinóquio, dirigido por Igor Voloshin, não é um filme ruim; há ótimas ideias, porém não bem inseridas. A desconstrução da narrativa é um problema gritante, entre personagens que não são desenvolvidos e músicas colocadas para animar o público em momentos errôneos. Apesar de uma ideia interessante para uma nova adaptação, o longa-metragem não quer ser bom, mesmo que conte uma história diferente, porém, limitada.

5/10


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