Aviso: Crítica sem spoilers!
Carismático e perigoso, vilão se destaca em uma das melhores séries do ano
O anúncio de um seriado sobre o vilão Pinguim pegou muitos fãs de surpresa. Alguns positivamente, outros negativamente, o quem duvidou do potencial, teve sua boca calada pela DC e HBO. A série Pinguim, derivada de The Batman, mostrou força, competência e como um projeto spin-off pode ser tão melhor que a obra original em alguns pontos, trazendo um carismático e perigoso vilão.
Durante os oito episódios da série, o espectador é convidado a fazer parte de um super universo de apenas um herói, com dezenas de vilões. Quem já está acostumado e conhece os personagens, não há grandes novidades, mas para quem nem viu The Batman, pôde notar o quão imersivo e denso é um novo projeto envolvendo os personagens do universo do Cavaleiro das Trevas.

Na história da série, Oswald Cobblepot (Colin Farrell) vive em Gotham após a morte de Carmine Falcone. Ele trabalha para a família Falcone, agora comandada por outros dois poderosos, que pretendem manter a tradição de anos. Porém, as coisas saem do controle quando Alberto Falcone é morto, e a irmã, Sofia (Cristian Milioti), sai do Asilo Arkham e está próxima de descobrir da morte do irmão.
Com muita qualidade e conhecimento, a showrunner e roteirista do seriado, Lauren LeFranc, junto do diretor Craig Zobel, transpassam o poder que este vilão clássico do Batman pode mostrar. A trama é fechada para si, os eventos, é claro, serão sentidos em The Batman 2, porém, não há nenhum “auxílio” externo para que o Pinguim consiga realizar seus feitos. Esse é, sem dúvidas, o maior acerto do projeto.
O seriado não coloca em sintonia uma trama principal com 10 subtramas, como muitas séries de heróis da Marvel, e até mesmo da DC. Pinguim equaliza isso com histórias secundárias maiores (não de quantidade), que se encontram para uma conclusão apenas no desfecho da temporada. Todas essas subtramas conectam os personagens principais, desde o protagonista, o coadjuvante e a antagonista. É inteligente e são subtramas bem colocadas no decorrer dos episódios, assim destacando cada um para um passado sombrio a ser descoberto, ou um futuro próximo que pode ser melhor realizado pelo personagem.

A história é o maior acerto de Pinguim, mas a conexão dele com Gotham é o maior triunfo da série. Isso pelo fato de que a cidade se torna um personagem. Como em quase toda história do Morcego, a cidade de Gotham é explorada de mil formas, seja indo até o subterrâneo para caçar um vilão ou em um local mais obscuro e cheio de crime. A série consegue tornar Gotham um coadjuvante com um visual único, que deixa claro que a cidade pode prosperar, mas o crime continua galopante e a política ainda é suja.
Definir a série sendo do gênero herói é quase um erro. A melhor definição é falar que é crime e drama, já que, durante os oito episódios, fica bem claro o que o projeto quer propor ao espectador. Mas, no meio de tantos acertos, é claro que há erros: ou melhor, apenas um erro. A subtrama que envolve Sofia e o Dr. Julian Rush, pouco abordada, e quando é destaque, vira apenas um “marca página” para dar continuidade a uma cena. É um texto raso e sem tanto apelo.
Não dá para falar apenas do brilhante roteiro, que desprende o Pinguim de seus medos e de ser apenas um capanga comum. É necessário falar da atuação, tanto de Farrell quanto de Milioti. A HBO tem em seus dois bolsos uma grande chance de “varrer” algumas categorias durante a temporada de premiações em 2025. Colin Farrell, como Pinguim, vem sendo elogiado desde o filme do Batman, e agora torna o personagem mais impulsivo, carismático e odiado. Enquanto há uma construção da jornada do herói em The Batman, na série Pinguim há a construção da jornada do vilão, deixando tudo um tanto mais interessante.
Já Milioti, dispensa comentários. É uma atuação forte, marcante e que demonstra capacidade de explorar muito mais futuramente. Rhenzy Feliz e Deirdre O’Connell, que vivem Vic e Francis Cobb, a mãe do Pinguim, respectivamente, também possuem tempo o suficiente para demonstrar uma ótima performance.

O alto orçamento, é claro, ajuda muito na escalação de atores renomados. Além disso, também é o fator que marca a qualidade dos efeitos especiais. Há um certo uso de computação gráfica no seriado, que tenta, com todas as forças, fazer mais o uso dos efeitos práticos. É ainda o “poder” do produtor Matt Reeves. Fotografia com cores “mortas” e uma trilha sonora que agrada os ouvidos continuam, ainda, a qualidade da questão técnica.
Um spin-off cheio de mistérios, inspirações em séries e filmes da própria HBO/Warner e uma produção delirante, Pinguim consegue trazer o universo de Batman para a televisão de forma fácil e competente.
Veredito
Pinguim é uma das melhores séries do ano até agora. Derivado de um excelente filme, o seriado conta com atuações marcantes de Colin Farrell e Cristian Milioti, e uma história profunda com a cidade de Gotham e o crime sendo personagens para a trama.
10/10
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