Aviso: Crítica sem spoilers!
Filme brasileiro destaca o processo de desvalorização da natureza ao longo do tempo
Se houvesse uma lista de todos os desenhos de animação que fossem retratar a crítica social de forma bela e simples, Papaya facilmente seria um dos melhores.
Dirigido por Priscilla Kellen, que trabalha com este projeto de forma autoral desde 2018, o longa foi construído de forma extremamente criativa e composta por inúmeras reflexões sem gerar uma palavra sequer. A animação Papaya chega aos cinemas nesta quinta-feira (24).
Sendo apenas uma semente retratada da mesma forma que um bebê, com toda a inocência e curiosidade de desbravar o mundo. O filme traz, de forma simples, o processo do início da vida, a criação de raízes e o interesse em “voar” mesmo quando essa ação parece ser impossível.

Ao longo da história, a pequena semente de mamão é guiada pelo seu imaginário e também pelo acaso, dando espaço para todas as reações emitidas pelo personagem durante o trajeto.
Obviamente por trás de toda essa magia de cores, simplicidade e marcante presença musical, não foi deixado de lado a crítica social referente ao processo de desvalorização da natureza e como ela está sendo prejudicada em diversas camadas. Cada cena e música utilizada durante os 70 minutos, encaixaram perfeitamente com os sentimentos expostos pelo personagem.
Mesmo sendo um problema complexo e difícil de ser repassado para os jovens – e especificamente, as crianças – não foi um desafio para a diretora, já que o objetivo do filme foi absolutamente atingido.
Veredito
A obra (e digo no sentido literal da palavra), conseguiu perfeitamente alcançar a real intenção de forma maestral. É uma ótima representação do cinema brasileiro no seu ápice, trazendo uma gigante reflexão dentro de nossa própria natureza e espalhá-la da forma mais cinematograficamente possível.
10
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