Aviso: Crítica sem spoilers!

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“Quer ver um truque?”


Com certeza você já viu boatos na sua rua de uma pessoa sequestrando crianças no bairro, e ouvindo esses boatos você sentiu medo de andar na sua rua e encontrar essa pessoa. Bem, o diretor Scott Derrickson transforma esse medo em realidade em seu novo filme.

É muito bom ver o cineasta voltar trabalhar ao gênero que fez sua carreira crescer, que é o terror, e também, é bom vê-lo como ele ainda tem fôlego para contar uma boa história. Depois que Derrickson dirigiu o Doutor Estranho (2016), o cineasta tinha dado uma pausa na direção. Pois bem, chegamos em 2022 e Derrickson entrega um longa de terror extremamente competente.

Finney Shaw (Mason Thames) é um rapaz tímido e bastante inseguro. É vítima de um bullying pesado na escola. Sua vida é muito cinza, quase sem cor, mas tem luz quando está junta com sua irmã Gwen Shaw, que é interpretada por Madeleine McGraw, que faz uma atuação excelente (anotem porque essa garota irá brilhar futuramente). A relação de irmãos no longa é linda e acreditamos nessa relação porque esses dois fariam qualquer coisa para proteger um ao outro.

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O primeiro ato é uma construção da figura do The Grabber (Ethan Hawke), que vaga nas ruas sequestrando crianças com seu furgão sombrio que traz um enorme calafrio. A trilha sonora capta muito bem essa chegada macabra do assassino, além do primeiro ato servir para apresentar esse auge sinistro do personagem, serve para construir o protagonista que vai conduzir o público nessa jornada.

Após Grabber capturar Finney e trancá-lo em uma sala claustrofóbica, o personagem começa receber ligações estranhas de um Telefone Preto e podemos dizer (sem muito spoiler) que o Telefone Preto é um grande personagem na trama. Durante o segundo ato, temos o Finney Shaw tentando fugir desse cativeiro infernal. A atuação de Mason Thames é excelentíssima. O ator demonstra muito bem a angústia de uma pessoa que perdeu as esperanças de ser resgatado.

Ethan Hawke interpreta esse serial killer com uma mentalidade confusa, e sua atuação é incrível quando o Grabber está na tela, o espectador sente sua presença assustadora. Entretanto é pouco falado sobre sua história, e o cineasta joga pouquíssimas pistas do seu passado, e parece que tinha bastante material do Grabber que acabou sendo cortado na versão final.

O uso das máscara é muito bem colocada no longa, e serve como um simbolismo do serial killer não querer mostrar seu rosto. O cineasta trabalha o uso dessas máscaras como as expressões do assassino que quase não mostra sua face, e a interpretação de Hawke traz uma carga de medo quando o personagem está usando suas máscaras medonhas.

Os diálogos entre Grabber e Finney são muito bons, mas têm meia dúzia de falas de Grabber que não levam a lugar algum (que são bem decepcionantes). O terceiro ato peca muito, além de muito apressado e quase jogar as construções dos primeiros atos no buraco


Veredito

O Telefone Preto é a grande volta do Scott Derrickson ao gênero de terror e já mostrou que consegue ser um bom contador de histórias.

7,5/10.

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