Aviso: Crítica sem spoilers!


Adaptação do clássico livro é ousado, mas pouco inspirado


Emerald Fennell é conhecida por projetos que apresentam o tema da obsessão como ponto central, e tem em Saltburn (2023) um dos seus maiores acertos. A diretora com certeza era um dos nomes mais intrigantes para dirigir uma adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes”, um livro clássico de Emily Brontë, e mesmo que o longa entregue uma experiência positiva, fica aquém do esperado.

O longa conta a história das famílias Earnshaw e Linton e é centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), que vivem um romance intenso. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca e obsessiva paixão.

O ponto mais positivo do longa é com certeza sua fotografia e design de produção, por ser situado na alta elite da Europa no século XIX, é feito um trabalho belíssimo de figurinos e cenários, que com certeza são um deleite ao olhar.

A história poderia ser o velho romance clichê entre personagens divididos por suas diferenças, mas existe algo de diferente neste filme. Os dois possuem uma relação conturbada e são personagens com falhas de caráter, o que humaniza o casal e faz com que tenhamos empatia pelos dois.

E isso só é possível por que Margot Robbie e Jacob Elordi entreguem ótimas atuações do começo ao fim, principalmente em momentos de conflito entre o casal. Devo dar meus créditos a Elordi que depois de sua atuação ótima em Frankenstein (2025) e agora neste filme, se torna um dos atores jovens mais versáteis de Hollywood.

O longa possui um ritmo quase teatral, como se fosse uma obra de William Shakespeare. Mas a narrativa é esticada vezes demais, e as vezes não é focada no que realmente importa (o romance conturbado entre os dois). Temas como erotismo e a satisfação pela dor (primeira cena do filme, aliás) estão presentes, mas não passam de provocações vazias, e com uma dramaticidade fraca. A trilha sonora assinada por Charli XCX é boa e combina com o longa, que mistura pop com música clássica.

Veredito

“O Morro dos Ventos Uivantes” é uma experiência visual excelente, com atuações convincentes e figurinos e cenários belíssimos. Mas infelizmente ele só fica nisso, já que sua história não consegue entregar algo realmente inspirado.

7/10


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