Aviso: Crítica sem spoilers!


“O segredo do Pôquer é saber esperar.”


Durante os anos a gente sempre faz a mesma pergunta: “a crueldade humana pode ir longe?”, é uma pergunta que gera debates, discussões e visões diferentes do assunto. Mas, trago uma polêmica junto com você porque estamos falando como uma pessoa pode ir longe com a violência.

Violência e o humano andam de mãos dadas, uma precisa da outra para se completar. A violência é quase uma amiga oculta, porque ela vive praticamente em nosso lado só esperando o momento certo para a gente liberar nossa fúria em alguém.

Quando Paul Schrader escreveu o roteiro de Taxi Driver, ele começou a demonstrar esse interesse de construir personagens com essa mentalidade quebrada. Durante toda sua filmografia, ele escreveu e dirigiu essa complexidade da natureza humana, e nunca esqueceu de colocar sua crítica sutil em todos seus longas que alienação pode corromper o indivíduo.

CRÍTICA - 'The Card Counter': Oscar Isaac simboliza a paranoia de um país

Após passar oito anos em prisão militar, Tell (Oscar Isaac) é um ex-interrogador militar que se torna um jogador de pôquer assombrado por fantasmas de suas decisões passadas. Depois de ler essa sinopse, você pode ter uma ideia de qual direção o longa pode seguir, portanto ele vai te surpreender bastante com o caminho que ele segue.

Tell é um personagem que possui um olhar diferente dos Estados Unidos, após conhecer o verdadeiro inferno durante a narrativa ficamos sabendo mais dessa experiência arrepiante. A direção brilha nas cenas de 360°, mostrando angústia de todos os envolvidos desse evento. O personagem de Oscar Isaac é quase um guia que mostra cada detalhe desse pesadelo. Aproveitando a deixa, facilmente Isaac tem uma das melhores interpretações da sua carreira, não caindo na armadilha de um personagem frio e genérico, e sim, um personagem sutil e contido.

Apenas o silêncio de Tell em uma partida de pôquer já diz muito sobre seu passado sombrio, mostrando como sua paciência tem limite. E até nas cenas que ele está irritado, precisa sempre manter a calma para não liberar seu demônio oculto. Os personagens de Tiffany Haddish e Tye Sheridan funcionam como uma chave para quebrar essa casca de solidão de Tell.

O personagem é uma crítica à todos soldados que foram enganados pelo próprio país e precisa conviver com suas decisões.

Seguindo a tradição, o cineasta escreve um final sem dizer muito, apenas deixando na sua imaginação de “como aquilo aconteceu?”. Às vezes é mais assustador ouvir do que ver a violência, porque cada um terá um instinto diferente de compreender a violência no geral.


Veredito

O Contador de Cartas é uma prova que Paul Schrader ainda é um contador de história cheio de vigor.

9,5/10.

Anúncios

Descubra mais sobre Critical Room

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.