Aviso: Crítica sem spoilers!


A volta do estúdio Laika entrega uma animação que já se torna um clássico


O estúdio Laika virou o principal estúdio de animações no quesito Stop Motion, com ótimos filmes como Coraline e ParaNorman. E desde 2019 o público aguardava o retorno do estúdio para o cinema, e com certeza essa demora toda valeu a pena. O Bosque Selvagem não é só uma das melhores animações do ano, como uma das melhores já feitas até agora nessa década, trazendo uma aventura divertida e emocionante na dose certa e com um primor técnico elevado.

No longa acompanhamos a adolescente Prue em busca de seu irmão mais novo Mac, que foi raptado e levado para o bosque selvagem, um lugar além da cidade, que é envolto de magia, criaturas místicas e segredos antigos. Ao lado de seu amigo Curtis, os dois entram nesse mundo misterioso e encantado para trazer Mac de volta das mãos de uma feiticeira da floresta.

Em uma época dominada por animações feitas por computador e IA, O Bosque Selvagem se destaca ao trazer uma experiência belíssima feita totalmente por mãos humanas. Ao todo foram mais de 5 anos de produção, e todo o esforço dessa produção aparece na tela. Tanto a cidade quanto o bosque tem seu charme e suas peculiaridades, representadas em locais, personagens, cores, texturas.

A história do filme é uma adaptação do livro de Colin Meloy, mas dá pra ver outras influências presentes, como As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, mas o visual deslumbrante do longa cria algo único, ficando distante de qualquer tipo de comparação. O roteiro de Chris Butler é muito bem escrito, sabendo dosar o humor e o drama. A relação entre os personagens é comovente, envolvendo temas como amor, luto, dor , família e amizade.

E são nesses temas onde temos uma das melhores antagonistas em animações que eu já vi. A Rainha Viúva Alexandra é feroz, marcada pelo amor e luto, onde ela passa por cima de qualquer um para atingir seus objetivos. E é por tratar de temas tão adultos, que o longa não se priva de mostrar a dor da personagem. A cena inicial, onde é revelado a origem desse luto, mostra que O Bosque Selvagem não tem quase nada de infantil.

A dupla de protagonistas é tão cativante quanto, e é interessante acompanhar a jornada pessoal deles ao decorrer da história. A jovem Prue é implacável e sempre convicta de suas virtudes, e já Curtis é o herói que é jogado no meio da batalha, a qual precisa encontrar a sua coragem para voltar para casa. A escolha de separar as duas narrativas em cada personagem é acertada e faz com que cada um tenha o seu tempo de desenvolvimento e crescimento, culminando num reencontro emocionante. Os personagens secundários são ótimos e preenchem a jornada de maneira significativa.

Outros pontos positivos a se comentar são a trilha sonora, que cumpre bem o seu papel e entrega um meio termo entre o épico e o divertido, e a dublagem, que é muito bem feita e contém ótimas vozes.


Veredito

Com uma história emocionante, personagens carismáticos e um mundo cativante, O Bosque Selvagem já nasce como um futuro clássico, e sem querer ser banal, mas a mais nova obra-prima do estúdio Laika, nos mostra em que uma era dominada por IA, a beleza e técnica humana ainda prevalecem.

10/10


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