Aviso: Crítica sem spoilers!
Uma exploração visual e narrativa que desafia as convenções cinematográficas
O Auge do Humano 3 é uma exploração visual e narrativa que desafia as convenções cinematográficas, conectando países e pessoas que raramente associamos. O diretor Eduardo Williams, com uma carreira consolidada em curtas-metragens, continua a expandir suas investigações formais e narrativas.
Neste terceiro volume, ele explora personagens jovens, relações de inadequação com o ambiente de trabalho, e o salto entre diferentes culturas e paisagens estrangeiras. A técnica de filmar com uma câmera de 360º, iniciada no curta “Parsi” (2019), é novamente utilizada, incorporando ao filme as deformações e glitches resultantes.

A trama de O Auge do Humano 3 se desdobra em uma sequência de eventos desconectados, onde o fluxo narrativo não segue uma linha tradicional. A história nos leva a um cenário de monotonia, onde os personagens, que parecem ser meros observadores do próprio cotidiano, vivem em um estado de apatia e desconexão com o mundo ao seu redor. Esta estrutura não-linear reflete a própria natureza da vida contemporânea, onde o significado e a ação muitas vezes se perdem na repetição do dia a dia.
No que diz respeito ao elenco, os atores entregam performances que se alinham perfeitamente com a proposta do filme, retratando a falta de emoção e a banalidade da existência cotidiana. A direção de Williams é precisa e intencional, criando uma atmosfera que envolve o espectador em uma sensação de estagnação e vazio.
A trilha sonora, composta por sons ambientes e ruídos quase imperceptíveis, complementa essa sensação de desconforto e alienação. A fotografia é um dos pontos altos do filme, utilizando ângulos incomuns e a técnica de 360º para inserir o espectador diretamente nas cenas, como se ele fosse parte daquele mundo estático e desolado. Os glitches e deformações visuais, longe de serem falhas, são uma escolha artística que reforça a ideia de uma realidade distorcida e fragmentada.
Filme assistido em cabine virtual de imprensa à convite da Retrato Filmes e que estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (15).
Veredito
O Auge do Humano 3 é uma experiência cinematográfica entediante, o que pode não agradar a todos. O filme transporta o espectador para um estado de inércia, onde nada parece realmente acontecer. A ausência de uma narrativa linear e de personagens com os quais o público possa se identificar pode tornar a experiência frustrante para alguns. No entanto, a forma inovadora como o filme é filmado, permitindo ao telespectador uma imersão quase total na obra, é o grande destaque.
3/10
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