Aviso: Crítica sem spoilers!
Filme italiano é bom e destaca tema importante na sociedade
O filme Mia, selecionado para o 19º Festival de Cinema Italiano, é uma surpresa agradável que ninguém esperava, dado o seu começo de história conturbado e aparentemente desinteressante. A obra mostra um pouco da força do cinema italiano.
Em Mia, o público acompanha a história de uma família simples e feliz é violentamente interrompida pela chegada de um rapaz manipulador, que transforma a vida de uma adolescente de quinze anos em um verdadeiro pesadelo. Quando a jovem, com a ajuda do pai, consegue se afastar e recomeçar a viver, o rapaz decide destruí-la. Ao pai resta apenas uma coisa: a vingança.
São 108 minutos que parte deles demonstram a capacidade brilhante de um diretor. Ivano De Matteo consegue elevar o projeto a um outro nível, em um roteiro escrito por ele e por Valentina Ferlan. A primeira meia hora constrói o enredo, que para muitos, pode ser entediante. Porém, essa construção para a próxima 1 horas e alguns minutos de filme possam ser claramente estabelecidos em uma estrutura já montada.

A obra tem um tema atual, que é sobre relacionamentos abusivos, e talvez seja clichê por parte da equipe de roteiro abordar questões adolescentes, entre enviar fotos íntimas, cair na pauta da população e nas redes sociais. É perceptível a tentativa e conquista do diretor em colocar a questão em destaque e chocar. É, além de um assunto que pode ser polêmico por não ter tantas avarias ao criminoso que faz isso, quanto necessário para orientar adolescentes e os pais.
A jovem Greta Gasbarri tem uma atuação convincente, não usando tanto do expressionismo quanto Edoardo Leo, que vive o pai de Mia. É, sem dúvidas, a melhor atuação de um elenco regular, que não conquista o espectador. São trabalhos quem seguem uma linha reta, não evoluindo positivamente no decorrer do filme.
Vale destacar a competência do diretor em saber trabalhar o tema, mas não conseguir fazer um desfecho que acabe sanando as dúvidas de quem assiste o longa. Sem dúvidas, o primeiro ato, que é a construção para os dois próximos em uma sequência de ações corriqueiras e resoluções rápidas, é o pior do filme. A correção vem no segundo ato e o terceiro, que colocam um fundo emocional e dramático a todo custo, assim sendo um filme que poderia ser melhor trabalhado e mais explorado.
Veredito
Apesar de parecer ter uma história “corrida” ao longo de seus 108 minutos, Mia é um bom filme, pois sabe trabalhar o tema que propõe. O longa usa uma narrativa comum e uma abordagem séria, para um tema tão destrutivo e injusto.
7/10
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