Aviso: Crítica sem spoilers!


Assustador e tenso na medida certa.


Não há dúvidas que James Wan é um dos melhores diretores do gênero terror e horror neste século. A Warner Bros. pode sentir-se muito contente, com o universo começado pelo cineasta com Invocação do Mal. Longe do terror por um tempo, mas tendo produzido Invocação do Mal 3, Wan encabeçou um novo projeto bem original, o filme Maligno. O novo horror, terror, com suspense no meio e slasher no final, é um ótimo filme, com clara inspiração em Pânico, Sexta-Feira 13, Poltergeist e os próprios projetos de Wan. É realmente instigante, e que deixa tudo (literalmente), para o final. 

A história é tão original quanto qualquer outro filme que Wan fez, e que possui uma das melhores tramas de horror dos últimos cinco anos. O filme acompanha Madison (Annabelle Wallis), uma mulher casada, que sofre de alguns problemas com o marido (não quero entregar nenhum spoiler, já que é um dos pontos chave). A protagonista, tem toda uma história por trás, dos seus primeiros anos. Mas, o que é mais curioso, é como o filme começou, se montou e foi finalizado. O começo é estranho e assustador, e Wan transmite a sensação como se os espectadores estivessem em uma sessão de Invocação do Mal. Esse prólogo, remonta toda a trama no final do segundo para o terceiro ato. Repentinamente, depois do prólogo, estamos vendo a abertura e logo os dias atuais. 

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Dessa vez, a iniciante Akela Cooper, assina o roteiro, com argumento do diretor – e diga-se de passagem, é um belo script. Maligno é o tipo de horror casual, o que torna ainda mais atrativo. Como foi dito anteriormente, o filme possui diversas inspirações, em uma mistura de horror psicológico, um pouco de terror puxado de Invocação do Mal, além de brincar com o subgênero slasher. A montagem, aqui, além do roteiro bem fechado, é algo surreal. Não estamos acostumados a ver um filme de terror deste jeito, além de termos jump scares, assassinatos e medo. Claro, temos um pouco disso aqui, é fato, mas ainda mais. Um mistério envolvente, que repete várias vezes em seu subconsciente: “Você nem sabe o que esperar”. É algo que se modela até o final, e cada parte vai se encaixando, à medida que os mistérios são revelados.

Há alguns elementos de suma importância, que Wan utiliza. Um deles é o ambiente, a casa a qual Maddie vive. Isso torna o lugar propício para ataques, visto que é isolado de uma vizinhança. A ambientação do filme é um destaque muito surpreendente, aliás, conseguindo imergir o espectador facilmente. Um outro elemento que causa surpresa, é como os eventos acontecem. Sem entregar nenhum spoiler, Madison vive com visões, e é como se estivesse em uma paralisia do sono, sem poder fazer nada. É uma exploração bem viável para a temática do filme, que utiliza bastante CGI para isso, e de forma competente, e lembra muito Poltergeist.

Entretanto, o longa, à medida que faz o espectador desvendar o mistério, ganha mais ação do que terror, e se torna um slasher compulsivo – Halloween Kills que nos aguarde – e exagerado. As sequências de perseguição são incríveis e necessárias, e realmente cativantes, mas o filme perde força em seu terceiro ato. Não porque o terror e todo o mistério é desvendado no fim, não, mas como tudo acontece tão rápido e bizarramente, numa violência brutalizada, mas que ainda fez sentido. Em certas cenas, deixa bem escancarado o forte uso de efeitos especiais, mas logo isso é acertado. Para os grandes fãs de Batman: Arkham Knight, notarão um tipo de paralelo de Madison e do misterioso assassino, com Batman e Coringa.

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O elenco está muito confortável no filme, com destaques para Wallis, George Young e Maddie Hasson. Porém, a trilha sonora e Joseph Bishara merece muitos elogios, por conseguir passar a mesma tensão como a de Sexta-Feira 13. Há faixas sonoras espetaculares, separadas para as principais cenas, como de perseguições. Entre todos os outros detalhes técnicos, o movimento da câmera da primeira cena da protagonista contra o suposto assassino, e a estética são os que podem chamar mais a atenção. O tom escuro, inquieto e frenético, molda ainda mais a melodia de Maligno, e o estilo de filmografia de James Wan.

Num todo, Maligno é um filme com um ótimo enredo e uma montagem impecável, juntando sua estética sobrenatural e gótica adorada por Wan. O final “aberto”, é passível de uma continuação, que não se faz necessária. O terror acerta em grande parte, e merece ser mais valorizado como um horror psicológico e imprevisível.


Veredito

Maligno é belo desde sua estética até sua trilha sonora, com um roteiro tão bem amarrado, que fica difícil de realmente ter pontas soltas. Toda a ideia do horror e terror implementada no filme, agrada tão bem, que nem sequer dá tempo do espectador digerir os fatos. Entretanto, o filme de James Wan deixa de ser um thriller assustador, cometendo o deslize em seu terceiro ato e abraçando a violência exagerada slasher. Mas, mesmo assim, nada apaga seu brilhantismo de tornar ainda mais escuro a luz, evidenciando a imprevisibilidade em sua história.

8,5/10

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