Aviso: Crítica sem spoilers!


Série não surpreende com história, mas com sua violência


A série IT: Bem-Vindos a Derry começou muito bem na HBO Max, com momentos interessantes, angustiantes e nada comuns. Porém, com o passar dos episódios, a natureza dos personagens foi colocada em jogo, mostrando quem é quem, suas atitudes e vontades de viver em uma cidade amaldiçoada.

Na história, um grupo de crianças se une por motivos de injustiça, quando o pai de Ronnie Grogan (Amanda Christine) é preso por um crime que não cometeu. Enquanto o mistério toma conta da cidade, um grupo de militares tenta encontrar artefatos para um mal que surge. Já o grupo de crianças buscam por respostas, mas não esperam que monstros possam ser o seu fim.

Uma das boas situações que a série proporciona é o seu teor violento. Bill Skarsgård brilha no papel do personagem mais uma vez. São 10 anos interpretando o palhaço assassino que aterroriza Derry a cada 27 anos. O ator é versátil, controla bem sua voz, mudando o tom diversas vezes, especialmente na hora dos sustos. Porém, o grande problema da série está em parte de seus personagens e como eles são trabalhados no decorrer da história, especialmente Lilly Bainbridge (Clara Stack). Ela torna-se insuportável com gritos ridículos e forçados, pensamentos mesquinhos e picuinhas entre seu grupo de amigos. Alguém que queria ter amigos acaba os afastando sem perceber, por extrema chatice que a personagem se torna.

Dificilmente, os elementos de terror da franquia acabam pecando. A ideia de misturar jump scare com o gore não é novidade. Gera desconforto e curiosidade entre os espectadores, o que acarreta em precisar fazer mais e mais. O seriado traz isso à tona facilmente. Cenas em que o Pennywise arranca uma cabeça e come o cérebro são comuns, dando sequência em uma história que tenta se conectar entre os dois filmes e o livro.

A história não é um problema na série, embora, em certo momentos, alguns personagens destoam muito da temática do terror. Desde o começo, o diretor Andy Muschietti percebeu que IT só funciona se tem algo para assustar ou mistérios para desvendar. O interessante do novo projeto da HBO Max é que instiga demais nos primeiros episódios, para que Pennywise apareça somente na parte final da temporada. A leve tensão inicial torna-se mais brutal nos derradeiros momentos.

Os bons efeitos especiais da série são um destaque, mas nem sempre são tão bons quanto esperava-se, como no terceiro episódio. Em si, o episódio é um tanto problemático, e caso tirasse certa minutagem, não faria falta. Além disso, a trilha sonora é um acerto grande, assim como o elenco, bem escalado e com nomes desconhecidos em importantes papéis.

No final, IT: Bem-Vindos a Derry possui bons momentos, consegue aproveitá-los, mas deixa escapar o brilhantismo que o primeiro filme conseguiu ter: a dinâmica entre o grupo de crianças e os fortes laços de amizade.


Veredito

A primeira temporada de IT: Bem-Vindos a Derry é boa, traz um elenco excelente e uma história que convence, mas que precisava de mais. Com um final decepcionante e a segunda temporada já confirmada, a série precisa se reinventar em dinamismo caso queira surpreender novamente.

7/10


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