Aviso: Crítica sem spoilers!


O capricho em ser um filme horrível.


A Netflix vem tentando estabelecer um padrão em seus filmes, isso é notável. De várias produções que o streaming costuma lançar numa semana, acerta em sua maioria nas séries, e poucas vezes em filmes. Um dos casos mais recentes é Interceptor, estrelado por Elsa Pataky e um longa-metragem que está disponível no catálogo como um filme ao estilo Corujão. Talvez, os filmes de madrugada na TV aberta ainda sejam melhores.

O texto inicial da obra é interessante, sem dúvida alguma. Os minutos iniciais sugerem ao espectador que é um filme de ação que vai dividir o mundo como na Guerra Fria. No entanto, com o andar da carruagem, esse texto inicial é desfeito, e torna-se genérico a ponto de recorrer aos mais absurdos momentos de conveniência. São US$ 15 milhões investidos de forma precária e incompetente, para uma produção feita de qualquer jeito.

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Interceptor segue a capitã J. J. Collins (Pataky), que em um momento de sua vida quando iria subir na carreira, é molestada por um general da alta patente do exército dos Estados Unidos. Depois de tanto lutar para manter sua posição. J. J. é transferida para uma base secreta do país, que intercepta mísseis caso haja uma ataque de qualquer outro país, ou grupo terrorista.

Dirigido por Matthew Reilly, um escritor, Interceptor é aquele filme de 1h30 que ninguém quer ver. A produção fraqueja no roteiro, tendo uma montagem estúpida, com flashbacks fora de ordem, e também atuações tenebrosas. O problema do filme é buscar tentar ser um grande filme de ação, para que pudesse começar uma franquia, como se fosse a saga Invasão de Gerard Butler. O roteiro é inconsistente, apesar da ideia ser interessante, de fato. Não dá para mentir, tem uma ideia legal no começo, mas que se perde com uma reviravolta desnecessária no final. Mesmo que haja subtextos como superação, o machismo no exército e uma mulher tentando mudar isso, nada funciona.

Competindo com um roteiro ruim, as atuações conseguem ser piores, e nem Pataky salva esse filme grotesco. Os atores são desconhecidos, e até mesmo o próprio diretor. Não há nenhuma grande estrela conhecida, e Pataky só é mais popular por ser a esposa de Chris Hemsworth, produtor do filme. Se o elenco é péssimo, a coreografia de luta, cenas de ação e trocas de tiros são ainda piores, destacando apenas o descaso da Netflix com este projeto.

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A produção, para piorar, quando necessita usar os efeitos especiais, construir cenários, e de um apelo mais artístico, não funciona. O CGI é de uma produtora amadora, e pior que Supergirl ou O Legado de Júpiter. Além disso, a trilha sonora, o único ponto “positivo” do filme, está bem fora de conexão com o longa-metragem. A aposta nesta obra é como se fosse uma ação mais anos 1980, ao estilo Rambo e James Bond, misturando com MacGyver. Se inspiraram nisso e acertaram em uma paródia estrelada pelo eterno Leslie Nielsen – e as paródias dele são boas. 

Não há o que salvar desse filme, além da ideia dos primeiros 20 minutos, e parte da trilha sonora. O longa-metragem é totalmente disfuncional, e apenas mostra que a Netflix e o próprio diretor estão perdidos em projetos baratos. 


Veredito

Interceptor é o filme para encher catálogo, e não funciona nada mais do que isso. Com um roteiro mal estruturado e planos de ação mirabolantes e ruins, o longa-metragem não se destaca em nenhum ponto, salva-se a ideia inicial. Se o streaming continuar do jeito que está, sem se importar com projetos menores e que tentam ser maiores, vai apenas perder mais assinantes. 

2/10.

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