Aviso: Crítica sem spoilers!
Uma linda homenagem ao clássico, e com muita nostalgia.
Os Caça-Fantasmas é aquele franquia clássica, que fica eternizada na mente de qualquer um que pôde viver a experiência de ver tanto o primeiro quanto o segundo no cinema. Não apenas isso, mas vendo até em casa os filmes, a série animada ou jogando os games. A duologia de Ivan Reitman atravessou gerações, e foi muito bem referenciada na série Stranger Things. Mas, era hora de se reinventar, e trazer os clássicos como apenas um bônus épico e surreal, para marejar o olhar do fã mais antigo da franquia. Coube ao filho de Ivan, Jason Reitman, dirigir Ghostbusters: Mais Além, mesclando o passado com o presente, e dando uma sequência digna aos clássicos filmes de seu pai.
Mas, primeiro, precisamos recapitular um pouco a franquia. Nascida em 1984, Os Caça-Fantasmas tiveram seu primeiro filme sendo uma boa sátira de fantasmas, muito divertido e que se tornou um clássico. Posteriormente, ganhou uma sequência, em 1989, um tanto contestada, mas que ainda assim os fãs costumam gostar. Ambos os filmes tiveram o já falecido Harold Ramis e Dan Aykroyd como escritores, também estrelando ao lado de Bill Murray e Ernie Hudson. Depois de 1989, houve um hiato nos cinemas, que voltou a ser explorado apenas em 2016, mas totalmente diferente, com mulheres comandando a equipe. Os fãs desejaram esquecer este capítulo, e pensaram que a franquia merecia algo muito maior para fechar com chave de ouro. E ganharam, apenas neste ano, com a Sony querendo se desvencilhar do fracasso de 2016, e deixando até Ghostbusters e não Caça-Fantasmas no título.

O longa-metragem de Jason Reitman, explora tudo o que há de bom e melhor na franquia. A história acompanha uma mãe, interpretada por Carrie Coon, que cria seus dois filhos sozinha, Phoebe (McKenna Grace) e Trevor (Finn Wolfhard). Ela se muda para a casa e cidade de seu pai, após o mesmo falecer. Porém, seus filhos nunca imaginavam que Egon Spengler (Ramis), um dos Caça-Fantasmas, era seu avô. Para a nova geração, a equipe de cientistas eram lendas urbanas, mas para os mais velhos como o professor Gary Grobberson (Paul Rudd), eram heróis e realmente existiram. Caberia a nova geração, manter o legado da anterior, após terem soltado um fantasma pela cidade e terem feito uma descoberta sobre um grande mal, alertado por Egon, e visto no terraço de um prédio em 1984.
Mais Além é fielmente uma sequência de 1984, e desloca-se como um terceiro filme, não usando tanto o longa de 1989 como um ponto de partida. É uma nova mistura, que precisa explicar como Egon morreu – visto que o ator faleceu em 2014 -, e como uma nova geração se comportaria com uma grande ataque de monstros e fantasmas. A nova obra da família Reitman gosta de brincar como o novo e o velho ao mesmo tempo, assumindo-se não como uma galhofa dos anos 80, mas sim, um capítulo cheio de emoção, divertido e muito fã-service. Cada personagem novo é um espelho aos anteriores. Enquanto Phoebe se comporta como Egon, seu amigo Podcast (Logan Kim), vira Ray Stentz (Aykroyd), enquanto Trevor tenta ser como Winston Zeddemore (Hudson). A trama gira em torno deste trio, que ainda vê a colega de Trevor e paixonite, Lucky (Celeste O’Connor), como uma integrante recorrente e um tanto deslocada. Esse espelho de cada personagem novo representar um velho, encaixou muito bem com a proposta do filme, e dando originalidade a cada um, com muito carisma e fazendo o público se sentir atraído por isso.

São 2 horas no cinema que passam voando, e o primeiro ato desenvolve – mesmo que, com lentidão, o que não é um erro -, os novos personagens. Realmente, algo que foi preciso ser feito. Mas, o longa gosta de brincar com Phoebe, desde seus primeiros minutos até o último, sendo ela o coração da história, bem como o próprio Egon. A solidez de McKenna Grace no papel, deixa tudo mais atrativo, e ela não é só uma garota esquisita, afinal. O surpreendente Logan Kim, que faz dupla em boa parte do filme com Grace, também tem seu brilho e dinamismo com afinco com a atriz mirim. Já Finn Wolfhard, interpreta um adolescente, que não tenta ser adulto, mas responsável, o que lhe encaixou bem. Visto isso, há também os adultos, como Paul Rudd, o novo Rick Moranis, que leva tudo na diversão, e sua contraparte Carrie Coon, que se comporta como se fosse a personagem Dana Barrett em certos momentos.
Tecnicamente, o longa é esplêndido, com sua fotografia de campo. O novo Caça-Fantasmas deixa os arranha-céus de Nova York, e se concentra em um pacato lugar, que parece morto e com momentos em que parecem viver nos anos 80. O CGI claramente superior aos seus anteriores, traz um misto de nostalgia, com a música ao fundo, representando muito o que é ver um filme de 2021, homenageando um de 1984. Mas, toda a nostalgia, só foi possível graças ao roteiro de Gil Kenan e Jason Reitman, e claro, com uma mãozinha de Ivan Reitman, o criador.

Por fim, o que era para ser uma bela homenagem aos clássicos, foi um misto de emoção, com muita nostalgia, diversão, e com vagos elementos de terror. Desde seu início ao final, o longa sabe como tratar o fã e brincar com seu sentimentalismo de querer ver todo o elenco original de volta. Há momentos previsíveis? Sim, sem dúvidas, sendo este a batalha final, mas que torna o previsível épico e emocionante. Mais Além fortalece o legado da franquia, e remexe no passado e o remodela para uma nova era, fechando o arco de Egon, de forma que, qualquer fã, fique muito satisfeito. Todos os elementos possíveis estão aqui nesta nova parcela, e para mais, é uma surpresa muito agradável, para reviver o que parecia perdido em 2016. Há um futuro brilhante para a franquia, caso os Reitman queiram continuar, ou manter apenas um terceiro filme e fechar o ciclo belíssimo que foi construído.
Veredito
Ghostbusters – Mais Além é tão bom quanto seus originais, por dar voz aos jovens personagens e saber mesclar sentimentos e emoções ao decorrer do filme. O roteiro coeso, torna a história empolgante e que não permite que deslizes aconteçam, apesar da previsibilidade em certas cenas. Mas, no entanto, o previsível se torna épico quando preciso, e mostra a força de uma franquia, que não está nem um pouco cansada em dar aos fãs um sentimento nostálgico, com um elenco renovado e também já estabelecido.
O passado se une ao presente, de forma competente e crua. Os Caça-Fantasmas estão de volta, com as mochilas protônicas nas costas e a sirene do Ecto-1 ecoando pelas ruas, para ficar claro a todos a quem eles devem chamar.
9/10.
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