Aviso: Crítica sem spoilers!


Filme tem toque brasileiro e estrangeiro, e destaca o país verde-amarelo


O filme Dormir de Olhos Abertos, lançado no Brasil pela Sessão Vitrine Petrobrás no dia 11 de setembro, me conquistou desde a história. Kai (vivida pela chinesa Liao Kai Ro) planejava viajar ao Brasil com o namorado, mas acaba sendo deixada às vésperas da partida.

Determinada, ela decide seguir sozinha e, já em Recife, conhece outros chineses que se deslocam de cidade em cidade em busca de trabalho, enquanto tenta compreender uma cultura totalmente diferente da sua.

As Torres Gêmeas, condomínio de luxo localizado no bairro de São José, funcionam como um ponto central da narrativa, palco de encontros e choques culturais entre brasileiros e imigrantes chineses. Uma das cenas mais marcantes recria o polêmico episódio das cédulas de reais jogadas de um apartamento, que ficou famoso na cidade.

O filme tem produção de Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, e surgiu a partir de uma conversa no Festival de Viena, em 2016. Não é por acaso que reúne uma diretora europeia, um elenco chinês e brasileiro e o Recife como cenário: Wohlatz mergulha em temas como identidade, linguagem e migração de forma muito particular.

Mais do que mostrar como os estrangeiros veem a nossa cultura, o longa nos coloca também no papel de observadores — quase como voyeurs. Acompanhamos esses estrangeiros tentando se adaptar, nos perdendo e nos encontrando junto deles, mas acima de tudo vendo seres humanos se relacionando.

E é aí que o filme se torna mais potente: ao mostrar que, por trás de qualquer barreira cultural, o que permanece são as complexidades universais das relações humanas.


Veredito

Um convite imperdível para que nós, brasileiros, possamos assistir a essa obra incrível e refletir não só sobre o olhar estrangeiro sobre o nosso país, mas também sobre o que significa conviver e se relacionar em meio às diferenças.

10//10


Descubra mais sobre Critical Room

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.