Aviso: Crítica sem spoilers!
Novo drama traz história baseada em esquecida, porém de grande importância, escritora modernista
Dirigido por Flávia Castro, o filme Cyclone acompanha Dayse (Luiza Mariani), uma operária que divide seu tempo entre o trabalho numa gráfica e sua paixão pelo teatro, em São Paulo por volta do ano de 1919.
Após conquistar uma bolsa para estudar teatro em Paris, sua vida tem uma grande reviravolta ao descobrir uma gravidez de um romance escondido, e essa gravidez indesejada ameaça todos os seus planos.
Cyclone se inspira na jornada da escritora Maria de Lourdes Castro Pontes, que escreveu cartas, bilhetes poéticos, um livro não publicado e teve influencia em muitas obras do seu amante, o famoso Oswald de Andrade. Sendo a única mulher a integrar o diário coletivo O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo, organizado por Oswald, o longa então tem o trabalho de representar esse trabalho e a participação artística da mulher no começo do século XX.

É inegável que o elenco foi uma escolha certeira, as atuações estão carregadas de drama, dor, confusão e desespero, tudo isso sendo mostrado de maneira crua e compreensível. Vale lembrar que, por não se tratar de uma biografia, houve certa liberdade artística nos papéis dos personagens, o que trouxe mais vida e realismo para o filme.
Ao redor de bons atores em tela, a direção de fotografia apresenta excelente ambientação com cenários de tirar o folego e cenas muito bem editadas. O seu visual é belíssimo e acerta muito com os planos fechados e focados na personagem principal.
Com esses elementos o filme já tem grande mérito por resgatar uma figura que foi marginalizada por seu gênero, recuperando essa memória por meio da ficção e apontando o impacto social dessa história com o presente.

Entretanto, no meio de fortes acertos, a liberdade criativa acaba sendo como uma faca de dois gumes. O roteiro muitas vezes se perde ao querer “mostrar demais” quando tenta abordar diversos temas dramáticos em pouco tempo, o que faz com que o telespectador não tenha tempo de absorver tudo o que está sendo mostrado.
Isso traz um certo desequilíbrio entre a narrativa e a atuação, já que aquilo que os atores estão se empenhando em mostrar acaba se perdendo em algo rápido e transformando o drama em um simples momento tedioso e sem a devida profundidade. Além disso, em certos momentos os diálogos são extremamente expositivos, querendo forçar um tema que já foi entendido. Infelizmente, isso percorre o filme todo e pode comprometer a experiência do público popular.
Veredito
Para quem busca emoção, empatia e reflexões sobre gênero, arte e história no brasil, o filme entrega muito conteúdo interessante. Mas para quem procura sutileza narrativa, coerência de enredo ou fidelidade histórica, Cyclone pode frustrar em alguns momentos e não entregar a experiência que promete.
6/10
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