Aviso: Crítica sem spoilers!


A jornada da vida dividida entre experiência e juventude


Por muitos anos, poucos filmes franceses fizeram grandes aparições nos cinemas. Entre os últimos, apontamos para um ou outro. Felizmente, isso tende a mudar, e Conduzindo Madeleine mostra que a França também sabe, tão bem quanto qualquer outro país, realizar um longa-metragem de muito valor.

Lançado em 2022 em solo francês, Conduzindo Madeleine segue a história de Madeleine Keller (Line Renaud), uma idosa que já passou por muita coisa na vida. Em seus últimos momentos de história e para não terminar sozinha no mundo, ela acaba pegando um táxi e conhecendo Charles (Dany Boon). Em uma viagem para sua casa de repouso, ela conhece mais sobre o taxista, enquanto conta toda sua história de vida para um homem que se tornaria um grande amigo.

Conduzindo Madeleine - Um belo filme sobre amizade e esperança

O longa-metragem traz diversas reflexões, e alguma delas são a experiência, fraternidade e respeito. As três palavras estão presentes ao longo da trama, e o espectador vai se conectando ainda mais com os personagens que ali estão. Charles, de começo, parece apenas um trabalhador querendo fazer seu serviço, mas é um homem com problemas financeiros em casa. No entanto, ele não perde a esperança. Por sua vez, Madeleine é uma senhora cujo passado é chocante, embora ela esconda isso com sua doçura e conversa afiada.

Sendo um road movie, era de se esperar que os personagens ficassem a maioria do tempo de tela no carro. E assim acontece. No entanto, as cenas não se concentram apenas no carro, mas passam por diversos cenários na França, seja um restaurante, um monumento histórico ou locais importantes para a vida dos protagonistas. Além disso, o uso de flashbacks para contar a vida de Madeleine foram necessários e precisos, colocados sem tanto exagero. É até um certo problema a obra não explorar mais, pois deixa um “quero mais” aos espectadores. Talvez seja o grande erro do longa, que tem uma duração curta.

A primeira impressão é de que Conduzindo Madeleine parece ser um filme desinteressante, que pode não levar a lugar algum com reviravoltas ou pontos de choque de interesse. À medida que a história avança, percebe-se que o projeto não quer ser chocante ou cheio de plot twists, mas simples, feito com o coração. Esse é o maior acerto, sem dúvidas. O roteiro bem escrito, respeitando bem até demais os três atos e construindo uma narrativa memorável, torna a obra audiovisual como esta uma maravilha.

Foto de Alice Isaaz - Conduzindo Madeleine : Fotos Line Renaud, Alice Isaaz  - Foto 21 de 92 - AdoroCinema

Dificilmente o público vê protagonistas com mais de 80 anos. É claro que há Clint Eastwood por aí dando sopa, com projetos pé no chão nos últimos anos, mas alguém de 90 ou mais é realmente difícil. Renaud brilha de uma forma que faltam palavras para descrever. É, com certeza, a melhor atuação do elenco, que ainda compõe com o competente e Dany Boon como o taxista Charles, em atuação emocionante. O dinamismo entre estes dois atores é tão grande, que o público consegue sentir a conexão profunda entre os personagens. Alice Isaaz, que vive a jovem Madeleine, também consegue demonstrar sua comoção e habilidade para dar vida à personagem.

O diretor Christian Carion, que já trabalhou com outros bons atore como Clarie Foy (The Crown) e Willem Dafoe (Homem-Aranha), conduz o elenco e a história do melhor filme de sua carreira. Ele introduz temas importantes, como passagem do tempo e amizade. É um trabalho seguro e precisamente correto, sem quase nenhum deslize, exceto pelo tempo de execução, que poderia ser um pouco maior.

Um filme para refletir e guardar para sempre com carinho, Conduzindo Madeleine é feito com o coração. Na medida que diverte, ele entristece, e faz muitas vezes o espectador ter repulsa dos crimes que a personagem sofreu no passado. Porém, tem espaço dedicado ao respeito e amor, umas das várias mensagens que o filme traz ao público.


Veredito

Conduzindo Madeleine é um drama francês que tem como tema principal a vida. Uma das perguntas é: “com quem você quer passar seus momentos finais?”. O longa traz a reflexão de que é preciso perdoar, abrir-se para novos caminhos, confiar nas pessoas certas e fazer e manter amizades verdadeiras ao longo da jornada da vida, com amor, respeito e paz.

9/10


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