Aviso: Crítica sem spoilers!


Maternidade, sonhos e silêncios: um filme que emociona por sutileza


Em Ainda Não é Amanhã, Janaína é uma jovem de 18 anos que mora com a mãe e a avó em um conjunto habitacional na periferia de Recife. Ela é a primeira da família a iniciar uma faculdade, mas uma gravidez inesperada ameaça seus planos.

Para quem mora em Recife, é fácil perceber o quanto o filme é fiel ao nosso cotidiano: desde as músicas, aos conjuntos habitacionais, até os pequenos detalhes da vida urbana. Fiquei encantada com a maneira como conseguiram transformar lugares comuns em belas imagens; muitas vezes, me senti dentro do filme, tamanha a fidelidade ao realismo.

O drama gira em torno de Janaína, que, por acaso, descobre estar grávida. Sua família, composta apenas por mulheres, se torna seu principal apoio. É interessante perceber como o filme constrói essa rede de afeto exclusivamente feminina.

Algo que me tocou profundamente foi o silêncio que permeia o filme. Embora aquela família se amasse e cuidasse uma da outra, senti como cada personagem permanecia silenciosamente imersa em seu próprio universo.

Particularmente, achei que as atuações foram ganhando força só ao longo do filme — do meio para o final, os atores parecem mais confortáveis e integrados aos personagens.


Veredito

O filme aborda, de forma sensível, como nós, mulheres, lidamos com a maternidade e com a pressão de ser algo ou alguém. Mas também fala sobre a ausência de expectativas e nos faz refletir: somos, de fato, donas do nosso destino?

7/10


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