Aviso: Crítica sem spoilers!
Sequência não brilha como o anterior
Vários projetos do herói mascarado Zorro circulam nos streamings. Entre eles, está A Lenda do Zorro, filme que funciona como uma sequência de A Máscara do Zorro, destacando mais a figura soturna do justiceiro hispano-americano.
No segundo filme estrelado por Antonio Banderas, Don Alejandro de la Vega assumiu a máscara e o chapéu de Zorro após a morte de Don Diego. Ele passa o tempo sendo o herói e defendendo os oprimidos, enquanto precisa cuidar de sua esposa e filho. Porém, o espadachim precisa enfrentar um conde europeu, que diz ser um libertador do povo da Califórnia.
Alguns problemas são notórios na narrativa arrastada de A Lenda do Zorro, desde a carga dramática que deveria existir entre o processo familiar, até mesmo a traição, a falta de afeto e a responsabilidade de vestir o manto. O diretor Martin Campbell perde autoridade no segundo longa-metragem, não conseguindo mesclar uma aventura com ação e história. O filme acaba escorregando em pontos importantes, que dizem respeito à lenda da persona.
De certa forma, o que contribui para um emaranhado de situações problemáticas é a personagem de Catherine Zeta-Jones, Elena de la Vega. O péssimo texto, a corrida entre o amor verdadeiro e o amor por interesse, as lutas sem sentido que ela trava… bem, somado à isso, o filho de Zorro, Joaquin (Adrián Alonso) também é um desastre. Embora seja filho do herói, é plenamente impossível um menino de 10 anos ter habilidades como o pai. Onde está a coerência nisso?

Mesmo que tenha um problema aqui e ali, o filme ainda possui pontos positivos. A atuação de Banderas é boa, sabendo surfar entre o drama e ação, assim misturando a comédia como um ponto para alívio cômico. Rufus Sewell, que vive o vilão Armand, tem uma boa parcela para o projeto, mas é um inimigo irritante e, por muitas vezes, infantil. Acaba não encaixando para ser um vilão renomado, embora tenha um plano mirabolante para colocar em prática, amplificando o trabalho do Zorro. A parte técnica também é um ponto positivo, estabelecendo uma fotografia em região árida e montanhosa, para a construção de uma estética de 1860 e sendo mais incisivo em destacar a historicidade. Acompanhado disso, a boa trilha sonora casa com cenas de ação interessantes, mas que, por muitas vezes, são carregadas por um CGI perceptível.
Ao final, A Lenda do Zorro acaba por destacar a lenda do personagem, mas não consegue mostrar o legado que ele teria para futuras gerações. Acaba aderindo aos clichês dos filmes dos anos 2000, perdendo a identidade conquista no primeiro longa.
Veredito
A Lenda do Zorro encerra a passagem de Antonio Banderas no manto do personagem, com pouco brilho e muitos problemas. No entanto, consegue conquistar um novo público, e mais jovem, desacelerando na violência e usando meios para aliviar a carga dramática.
6/10
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