Aviso: Crítica sem spoilers!


A Lenda de Ochi é um encanto visual e sonoro… mas nada além disso


O novo filme de aventura/fantasia da A24 acompanha a jornada de Yuri (Helena Zengel), filha de um líder de uma tropa de soldados mirins que caçam os Ochi, uma espécie de criaturas consideradas perigosas e misteriosas. Entretanto, Yuri encontra um filhote de Ochi perdido e quer ajuda-lo a encontrar seu lar novamente.

O primeiro longa metragem do diretor Isaiah Saxon conta com aspectos semelhantes aos de filmes de aventura dos anos 80. Aquele belo ambiente com uma trilha sonora instigante de fundo é presente durante todo o desenrolar da história, o que chega a ser um tanto nostálgico, especialmente para os fãs de filmes como A História Sem Fim (The NeverEnding Story), Gremlins ou até mesmo E.T – O Extraterrestre. Infelizmente, isso não consegue carregar toda a trama da obra.

A Lenda de Ochi, apesar de belo, possui um roteiro simples e nada inovador, mas que consegue cumprir o seu propósito de mostrar uma ambientação chamativa e até tenta criar uma relação pessoal com Yuri e o Ochi. Porém, todo o potencial que o roteiro tinha, é deixado para trás por um “backstory” limitado, onde não conhecemos ninguém direito e nem nos importamos com os personagens, e diálogos pouco interessantes.

O filme conta com um tempo de 1h e 35 minutos, que parece pouco para exigir um desenvolvimento com os outros personagens da obra, mas é notório que o foco estava mais em “lugares bonitos” do que uma boa construção de relação com os personagens.

O elenco possui grandes atores como Willem Dafoe interpretando Maxim (o pai de Yuri), Emily Watson como Dasha (mãe de Yuri) e Finn Wolfhard como Petro (irmão de Yuri). Por mais que sejam grandes atores que possuem grandes trabalhos feitos anteriormente, o carisma deles é pouco explorado, já que o filme mantém a personagem de Helena Zengel atuando basicamente sozinha na maior parte do filme. É possível ver o esforço da atriz para trazer um drama maior para Yuri, mas ela não consegue suprir toda essa carga sozinha.

Se o cinema se resumisse apenas em fotografia e trilha sonora, A Lenda de Ochi seria um dos grandes! Os cenários são lindos! Quase todo frame do filme pode ser um quadro para um escritório chique.

E a trilha sonora de fundo é precisamente bem colocada e essencial para prender o telespectador em uma cena onde os atores não conseguem fazer esse papel. O ambiente acompanhado com as belas músicas são a única razão que fazem esta obra ser um pouco mais especial.


Veredito

É um bom filme para aqueles que querem testar a qualidade de imagem e som da televisão, e um filme medíocre para aqueles que buscam uma aventura fantasiosa de qualidade. Na tentativa de ser como os clássicos, A Lenda de Ochi se perde em uma trama cansável, mas com um final que pode ser satisfatório para o público.

6/10

 


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