Aviso: Crítica sem spoilers!
Longa-metragem explora as dificuldades de viver da arte no Brasil
O filme A Filha do Palhaço, gravado em solo cearense, é uma obra interessante, com um pouco de referências ao sucesso Coringa, lançado em 2019. O longa de quase 2 horas explora como é difícil viver de arte no Brasil.
Em A Filha do Palhaço, Joana é uma adolescente de 14 anos, que aparece na porta da casa de seu pai, Renato, para passar uma semana com ele. Renato é um humorista, que se apresenta em diversos lugares de Fortaleza, mas precisa enfrentar o preconceito por interpretar uma personagem.
A trama gira em torno dessa relação de pai e filha, de como uma adolescente pode sentir a falta de uma figura paterna por tantos anos. Essa aproximação, é claro, leva tempo, e no longa-metragem é explicado o motivo de Renato ter abandonado Joana logo enquanto era bebê. É uma explicação plausível, dado todo o contexto apresentado, embora, é claro, na realidade, não seja desculpa alguma abandonar uma criança ou quaisquer familiar.

O grande problema de A Filha do Palhaço é seu cenário. Os lugares vazios e frios chegam a incomodar, deixando claro que a produção do filme não pareceu se importar tanto com sua identidade visual. A obra queria apenas passar ao espectador o quão difícil é trabalhar com cultura ou ser um comediante com uma carreira desconhecida.
Um outro problema evidente é o elenco de apoio. Eles não conseguem acompanhar a atuação aceitável de Lis Sutter como Joana e do astro Demick Lopes no papel de Renato. Demick é o melhor de todo o elenco, mas não surpreende com seus trejeitos. É uma atuação mais engessada, como de Lis, mas que ainda tem seu valor no meio de um cast não muito brilhante.
A comédia, afinal, cerne do projeto, é colocada em prática para o trabalho do protagonista. É uma escolha acertada de ideia, e deixando bem claro a proposta sobre a reconciliação e o perdão e de trabalhar com arte em um país que não valoriza o que tem.
Veredito
A Filha do Palhaço tem uma boa história, coerente com o que foi proposto, mas que poderia explorar um pouco mais a relação de pai e filha. No entanto, seu problema, é justamente a identidade visual e o elenco de apoio, que não acompanham o bom roteiro feito.
7,5/10
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