Crítica: Scooby! (2020)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Do mistério ao heroísmo.


Lançado digitalmente, Scooby! estava com a cara na porta para o cinema, até que a pandemia do Coronavírus assolou o mundo. Porém, a diversão estava garantida após o anúncio de que Scooby! seria lançado digitalmente, mas apenas nos Estados Unidos. A escolha frustrou muitos outros fãs fora do país, e até mesmo nos Estados Unidos, pois viver a emoção de ver seu desenho de infância no cinema não tem preço. 

O Scooby-Doo é um dos desenhos mais influentes do mundo, pois está desde a década de 60 presente. Basicamente se resume em uma equipe de detetives, que juntamente com um Dog Alemão saem para resolver mistérios. E isso funcionou nos primeiros 15 minutos de filme, onde Salsicha e Scooby conhecem Fred, Daphne e Velma. Já no restante do longa, o mistério desaparece, sendo substituído pelo heroísmo. E mesmo que eles sejam os bons mocinhos, que desvendam os planos malignos de outros criminosos, a falta de rebuscar o ar misterioso que sempre rondou o Scooby-Doo foi a grande falha do filme, que só não é perfeito por este ponto.

Mostrando logo de cara a infância de Salsicha e como ele conheceu o Scooby, foi um grande acerto. A parte em que ele acolhe o Scooby-Doo como seu cão, e logo lhe dá uma coleira, faz com que seja uma das cenas mais emocionantes do filme, pois o cachorro mesmo disse que ele nunca teve nada antes; assim como o Salsicha, que nunca teve amigos antes. A coleira foi um dos pontos principais do filme, pois representava um elo forte entre os melhores amigos, sendo o símbolo de sua amizade que duraria muitos anos.

A dinâmica desempenhada pela Mistério S.A foi mais bem representada na cena inicial, quando toda a turma se conhece, e de cara, resolvem um mistério, que tinha apenas o ato de recuperar os doces de Salsicha na casa mal assombrada. O clima nesta cena conseguiu chegar muito perto da clássica série animada do Scooby-Doo, usando a trilha de investigação que muitas vezes foi tocada na primeira série animada. No entanto, apenas essa parte foi um mistério a nível clássico da equipe. E com ele resolvido, o diretor Tony Cervone reconstruiu a abertura do primeiro episódio de “Scooby-Doo! Cade Você?”, revivendo a nostalgia de muitos.

Já crescidos, e tentando tornar a Mistério S.A uma empresa, para que pudessem gerar lucro e ter reconhecimento nacional, a equipe acha um possível investidor, Simon Cowell. Porém, ele exclui Salsicha e Scooby dos planos, dizendo que a amizade não poderia salvar o dia. Com essa separação dos dois da equipe, o enredo começa a tomar forma e mostra o antagonista da Mistério S.A, o trapaceiro Dick Vigarista.

Com um plano de capturar o Scooby-Doo à todo custo, ele manda seus pequenos robôs para o trabalho, até que Salsicha e Scooby são abduzidos pela nave do Falcão Azul., e consequentemente, salvos pelo mesmo. Coincidentemente, e para a sorte dos detetives, o Falcão Azul e seus parceiros estavam atrás de Dick Vigarista, impedindo que ele roubasse mais crânios de Cérbero, o cachorro de Hades que protege os portões. É claro que, mesmo assim, o Vigarista deu um jeito de achá-los novamente, mas não conseguindo capturá-los. Em contrapartida, ele captura Daphne, Fred e Velma, os mantendo prisioneiros em sua nave. É lá que a turma descobre a história real do vilão.

Já na Fúria do Falcão, Scooby ganha créditos com toda a equipe do Falcão Azul e também um traje. Entretanto, para concluir todo o traje, a coleira que Salsicha deu, símbolo da amizade entre os dois, é retirada pelo robô, que termina o traje para o cachorro. E neste ato, a amizade entre os dois melhores amigos começa a se quebrar. Cada momento que Scooby não estava com Salsicha, faz o espectador sentir que ambos estavam se distanciando cada vez mais, até que, ao sair para achar o último crânio de Cérbero, os personagens selam um fim na amizade, fazendo Salsicha cair em si e admitir que Cowell estava certo.

É claro que Dick Vigarista sempre estava um passo à frente de todos, conseguindo recuperar o último crânio e capturar o Scooby-Doo, para trazer Muttley de volta e pegar todo o ouro, no portal que Alexandre, o Grande construiu. Para isso, ele precisava usar Scooby para abir o portal, pois ele era o último descendente do cão do rei da Macedônia. E é isso que ele faz, mas não contou que iria liberar Cérbero, fazendo com que toda a equipe da Mistério S.A e do Falcão Azul se mobilize para salvar o mundo. Com isso feito, o portal precisaria ser fechado para sempre, mas apenas dois amigos verdadeiros conseguiriam fazer isso, sendo eles Scooby-Doo e Salsicha.

Sem pensar duas vezes, Salsicha fecha o portal do lado de dentro, assim deixando seu amigo para sempre. A despedida e o sacrifício de Salsicha conseguiu criar um clima emocional no final do filme, sendo este um dos desfechos mais tristes em uma animação do Scooby-Doo. Mas, o enigma ainda deveria ser desvendado, pois não estava certo Salsicha partir.

Uma estátua aparece, e uma passagem se abre, revelando que o Norville estava vivo. E realmente estava, saindo e recolocando a coleira de volta em Scooby, fazendo uma ponte com a cena inicial, em que ambos se conhecem, e provando que Simon Cowell estava errado, pois a amizade salvou o dia. Salsicha e Scooby-Doo, ainda que medrosos como sempre, são o coração da Mistério S.A.


Veredito

Scooby! é um ótimo filme, sem dúvidas. Recria momentos clássicos do desenho, como a abertura do clássico dos anos 60, a trilha de investigação e várias referências do Universo Hanna-Barbera, DC Comics, contando até mesmo com homenagens ao criador e o primeiro dublador oficial do Salsicha.

O foco do longa foi, com certeza, a amizade entre Salsicha e Scooby, fazendo um paralelo com Alexandre, o Grande e Peritas. Porém, desfocou muito da equipe em si, deixando de mostrar a dinâmica que existe na Mistério S.A. Esse foi um dos grandes problemas do filme, que também deixou o mistério de lado, ao colocar o heroísmo no lugar. Mas, não tira o brilhantismo de Scooby!, que acerta num roteiro bem amarrado, sem deixar pontas soltas.

Além disso, o estilo de traço caiu como uma luva para o Scooby-Doo e sua turma, com o elenco de vozes muito compatível aos originais e Frank Welker fantástico como sempre. Por fim, Scooby! consegue passar muita emoção, mesmo num desenho destinado a crianças e a quem ama a Mistério S.A. Um grande universo compartilhado pode vir por aí, trazendo quem sabe, uma continuação de Scooby!

9/10.

2 comentários em “Crítica: Scooby! (2020)”

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