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Crítica: Moxie (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Boas intenções não fazem um bom filme. Mesmo tematicamente atual, o novo longa da Netflix, Moxie, parece estar parado no tempo quanto à linguagem. Porém, ao decorrer, torna jus sua existência.

Ultrapassado em abordagem, mas não em conteúdo, o roteiro do trio Jennifer Mathieu, Tamara Chestna e Dylan Meyer faz o básico para manter de pé suas próprias conveniências. Estruturado numa escola de ensino médio americana, sem trazer nenhuma novidade nesse quesito, traz a luta feminista se espalhando pela propriedade.

Como forma de expressão, Moxie tem um papel fundamental, ainda mais levando em conta o alcance que este pode atingir. Mas é uma pena que precise ser tão didático ao tratar seus temas, podendo tornar a mensagem pouco eficaz para quem tiver moderada compreensão de gramática visual.

Felizmente, a falta de harmonia em motivações e causa se torna um prejuízo cada vez menor, uma vez que o cinismo e a ignorância transcendem as lentes da câmera. Constatado isso, o resultado final poderia de qualquer forma servir como ferramenta de combate à intolerância, mesmo que nas mínimas proporções.

Como dito no início, talvez uma das grandes falhas do filme seja o fato deste abrir mão da verossimilhança para ambientar-se no mais comum clima social, sem apresentar quaisquer fontes de criatividade, estruturando-se na mais primária base de propagação de objeto na narrativa, assim como a constante e breve passagem com personagens secundários, que beira a breguice.

Com sorte, o elenco, majoritariamente composto por novatos, está operante. Quem se sobressai um pouco é Patrick Schwarzenegger (sim, o filho de Arnold), como uma figura de descaso quanto as normas, além da própria protagonista, interpretada pela Hadley Robinson, que internaliza uma inocência sábia.

Junto com a indiferença estética concebida pela diretora Amy Poehler, a cinematografia também fica prejudicada, lembrando mais setcoms de estúdio dos anos 2010. Ainda no roteiro, a fácil propagação da informação joga a favor do avanço pedestre da narrativa, algumas vezes acompanhando pelo recurso visual dos balõeszinhos de mensagem em redes sociais, que ao menos não é cafona.

Finalizando, a antepenúltima cena ganha um surpreendente destaque, quando aparentemente abandona o vai e vem colegial e parte para um momento finalmente genuíno, onde o namorado da protagonista e seu padrasto iniciam um diálogo leve e desprovido de objetivas questões de desenvolvimento ou exposição – mas em consequência, gerando um efeito dúnio na Vivian, que confusa, vai até seu quarto seguida por sua mãe, onde lá iniciam um pequeno desentendimento: “Por que o meu pai não me visita no natal, mãe?” – de forma retórica.

Um pai que nunca vemos, e claro, não presente na vida da Vivian. Às vezes cansa mesmo, ainda mais quando as obrigações de cada um não parecem ter igualdade perante os gêneros, isso quando não rebatidos por “mi mi mi”. – Planeta Terra, 2021.


Veredito

Apesar de pouco inspirado em termos de linguagem e estética, Moxie tem seus momentos, e não deve passar desapercebido, aprazer de luta por causas e garra.

6,5 /10.