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Crítica: O Homem do Futuro (2011)

Aviso: Crítica com spoilers moderados.


É natural que obras inspirem outras obras, e o cinema, claro, não foge disso. No caso aqui, O Homem do Futuro, filme brasileiro dirigido por Cláudio Torres, é claramente inspirado na esquemática dos filmes de comédia americanos, De Volta Para o Futuro – em especial a segunda parte da trilogia – é o mais referenciado, por justamente contar com uma trama cheia de viagens no tempo e realidades alternativas, algo que é reproduzido no filme de Torres. E para dar mais um exemplo, De Repente 30 – que por sua vez é inspirado no clássico Quero Ser Grande – parece servir de referência para Torres, pois narra uma narrativa sobre arrependimento onde Jenna viaja no tempo e percebe que a vida não se limita à luxúria e riqueza, como ocorre na jornada de Zero, interpretado por Wagner Moura. Assim, O Homem do Futuro é uma produção brasileira trajada à hollywoodiana.

É notável o valor de produção aplicado aqui, afora os grandes nomes envolvidos como Wagner Moura e Alline Morais, os bons efeitos especiais impressionam para uma produção brasileira, e são competentes quando usados durante as viagens temporais. Por se tratar de viagens no tempo e linhas alternativas da realidade, o longa é uma ficção científica na pura concepção da palavra, e sendo assim, o diretor se dá liberdade para referenciar o gênero de diferentes formas, como nas vestes usadas por Zero na festa à fantasia, na qual ele se veste de astronauta, símbolo da ciência, e cobre o rosto com faixas como o protagonista de O Homem Invisível, clássico sci-fi de terror de 1933.

O que faz o longa funcionar, contudo, é justamente a mistura de gêneros, passando desde a ficção científica, do drama à comédia romântica. Tudo bem encaixado na narrativa. O lado de mais humor da obra, por exemplo, explora bem os mal-entendidos envolvendo passado, presente e futuro desenhados pelas viagens no tempo – como podemos ver na hilária cena em que Zero, vindo de 2011, decide pagar o taxista com Reais, quando, em 1991, a moeda do Brasil era o Cruzeiro. 

Sem contar o forte romance envolvendo Zero e Helena, sempre muito presente no decorrer do longa. Tudo bem mesclado para formar uma narrativa dinâmica, divertida e repleta de conceitos interessantes. É um filme sobre amor, arrependimento e tempo, como aponta a música Tempo Perdido, do Legião Urbana, por várias vezes tocada durante o filme.

O que me deixou com um gosto amargo ao encerramento da projeção foi justamente a última cena do longa, na qual vemos Zero num final feliz, satisfeito consigo mesmo. Para simbolizar esse momento, o personagem se encontrara dentro de uma limosine, bebendo champanhe, sugerindo que o auge da vida fosse isso, sendo que o próprio filme antes sugere algo diferente ao vermos o protagonista podre de rico mas infeliz, insatisfeito. Me soa como uma mensagem contraditória entre as partes. Acredito que o diretor pudesse filmar este momento de felicidade duma forma mais simples, menos glamourizada. Mas, claro, a cena em especial não estraga o resultado final, que alcança o sucesso sendo um filme divertido, esquematicamente americano, que agrada a qualquer público, como era a intenção.

                  Veredito

Inspirado no modelo de comédias americano, O Homem do Futuro agrada com uma narrativa divertida sobre amor, arrependimento e tempo.
                                  7/10

Zé do Caixão, o primeiro diretor de terror do Brasil, morre aos 83 anos

O famoso cineasta José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão, morreu hoje (19), na cidade de São Paulo. O burburinho que circulava nas redes sociais sobre sua morte, foi confirmada pela sua filha, a atriz Liz Marins. Mojica foi vítima de uma broncopneumonia.


Mojica estava internado desde o dia 28 de janeiro no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, tratando de uma broncopneumonia. O diretor morreu às 15h46, tendo sua morte confirmada horas depois.

José Mojica Marins era conhecido como o mestre do terror brasileiro. O diretor dirigiu 40 produções, atuando em mais de 50 filmes. Um de seus filmes mais conhecidos foi À meia-noite levarei sua alma (1964), ganhando a alcunha Zé do Caixão.

Um de seus personagens mais marcantes foi justamente um agente funerário, que usava roupas pretas, chapéu e tinha unhas compridas, que apareceu em 3 filmes: Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), O estranho mundo de Zé do Caixão (1968) e Encarnação do demônio (2008).

Mojica contou várias vezes em entrevistas que seu personagem foi baseado durante um pesadelo, em que era arrastado a um túmulo por um homem de capa preta. Sua primeira aparição foi apenas em 1964. O diretor ficou conhecido nos Estados Unidos como Coffin Joe. Com grande sucesso, Mojica começava a atender pelo nome de seu personagem.

Um de seus últimos trabalhos foi um programa de entrevistas para o Canal Brasil. O estranho mundo de Zé do Caixão teve sete temporadas.

Em 2014, após ter tido um infarto, passou por uma angioplastia e colocou três bulbos de metal no coração, para melhorar o fluxo sanguíneo da artéria. No mesmo ano, foi internado novamente após complicações renais. Desde este dia, ficou mais longe da mídia.

José Mojica Marins deixa esposa e filha. Descanse em paz, Pai do Horror.