Crítica: Os Oito Odiados (2015)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O melhor Tarantino desde Pulp Fiction.


A verborragia é um elemento celebrado do cinema de Quentin Tarantino e uma das marcas mais lembradas quando se referem ao diretor. Não se esquecem os emblemáticos monólogos proferidos por Samuel L. Jackson em Pulp Fiction, nem das longas e tensas conversas no bar de Bastardos Inglórios. Com o poder do diálogo, Tarantino consegue o que uma vez Godard exclamou em seu texto: tomar o controle do universo. Com suas falas pronunciadas pelos atores, o cineasta consegue ganhar a atenção de milhões de pessoas e obrigá-las a se concentrarem no seu filme.

Em Os Oito Odiados, o diretor/roteirista tem a ideia de otimizar seus ricos diálogos forçando um grupo de personagens odiáveis de personalidades fortes para conviverem juntos numa cabana durante uma fria nevasca – afinal, John Carpenter havia antes mostrado em seu O Enigma de Outro Mundo que colocar uma porção de pessoas presas num lugar isolado e gelado poderia ser o estopim para uma boa, interessante e conflituosa estória de suspense. Tarantino, porém, não acha suficiente a divergência de personalidades e, para intensificar a desconfiança entre os personagens, enfatiza a diferença de ideologias. O diretor retorna com o caloroso conflito entre ianques e confederados, chegando ao ponto de segregar a cabana entre pessoas do norte e pessoas do sul. Ele o faz para assim criar efervescentes discussões civis de pessoas que muito se odeiam.

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Os diálogos e o roteiro em si, claro, se sobressaem mas não são isolados na linguagem do diretor. Se Tarantino sustenta a desconfiança e o conflito da cabana com o diálogo, ele concretiza o impacto das cenas com sua célebre estilização. Não só a gritaria, a violência escatológica e o banho de sangue fazem o efeito da cena como, por um breve momento, o diretor usa do slow-motion para estender a reação estarrecida que o espectador certamente vai ter.

Outra façanha do diretor – e um charme do longa – é como ele manipula o ambiente e os espaços. Em Cães de Aluguel, Tarantino filmou o longa quase que inteiramente em só um cenário, no entanto, o balcão que abrigou os gangsters foi só cenário para o conflito entre os criminosos. Em Os Oito Odiados, o lugar é um personagem por si só, assim como é a Los Angeles quase mágica de Era Uma Vez em Hollywood, último filme lançado do diretor.

A cabana é cheia de pormenores que fazem o mistério que envolve a estória, da cadeira só usada por Sweet Dave até a porta que fora quebrada misteriosamente. Os oito destinados se confinam naquele pequeno imóvel porque a forte ventania desenhada pelo design de som e a infinita neve faria com que até o espectador mais corajoso fugisse do frio. Para nos confinar no lugar junto aos personagens, o diretor ainda passeia pela cabana com movimentos de câmera leves e inventivos. Inventivo seria inclusive uma boa palavra para o cinema de Tarantino, que apresenta soluções e recursos que impressionam e fazem nosso entusiasmo.


Veredito

O efervescente 8° longa de Quentin Tarantino impressiona não só pelos plot-twists da misteriosa estória, mas pela impressionante e rica linguagem do diretor.

10/10.


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