Crítica: Shiva Baby (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Eficiente e agridoce, a comédia Shiva Baby é surpreendente, e com apenas 77 minutos de rodagem, rapidamente se revela autêntica, numa dinâmica estilosa imprescindível trazida pela cautelosa óptica da diretora estreante Emma Seligman.

Sempre econômico ao detalhar traços que compõem cada sequência, a trama junta o útil ao agradável ao ser inventivamente prática: Damielle é uma jovem bissexual, que se mantém financeiramente de programas com homens mais velhos. Quando vai à um funeral com seus pais, um tradicional casal judeu, acaba encontrando um inconveniente ex-namorado, e como se já não bastasse, com uma ex-namorada em seguida.

Fluindo suavemente sob sensações que todos nós já passamos ao menos uma vez, como tentar evitar ao máximo o constrangimento utilizando as mais estratégicas artimanhas de camuflagem, o longa é orgânico, e transita naturalmente entre diferentes pontos de vista, sabendo dar o tempo certo para cada personagem e trabalhá-los em um curto tempo-espaço.

E mesmo com certos costumes diferentes, como a visita à uma sinagoga, por exemplo, é comum que o longa gere identificações, como aquelas conversas com parentes mais velhos que testam nossa paciência – ainda mais numa situação desagradável em um velório que nem se conhece o defunto, brincando constantemente com a ansiedade, usando conversas paralelas como barreiras para a solução do problema, ao som de notas isoladas numa trilha sonora com estilo tribal contemporâneo estupendo, que é cada vez mais constante e frenética ao evoluir.

Adaptado de seu próprio curta-metragem, Emma Seligman apresenta um trabalho de direção admirável. Apresentando aos poucos cada especificidade daquele universo, faz o uso exemplar da handycam, em favor do ritmo desapegado, porém, sempre atencioso. E quando quer exercitar o pânico que tamanha pressão pode gerar, traz diversos Close-ups icônicos, como na cena em que a protagonista sai do banheiro, e todos parecem estar encarando-a.

Nas atuações, não há uma sequer que não entre em destaque. Os pais interpretados por Fred Melamed e Polly Draper estão hilários, numa química mais do que convincente. Os ex-namorados vividos por Danny Deferrari e Molly Gordon também estão excelentes, mas a dona do filme é Rachel Sennot (Danielle), que está absolutamente brilhante.

Tendo cono único ponto contra um certo seguimento no segundo ato que tem sede por evolução narrativa, a experiência é, de modo geral, extremamente agradável, e de veras um trabalho atento e talentoso, com fortes nomes que devem ser anotados para se prestar atenção em projetos futuros.


Veredito

Ao esperar por pouco, Shiva Baby vai te surpreender com um minimalismo bem conduzido e divertido, apresentado luxuosamente por um elenco de ponta.

9,5 /10.

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