Crítica: Judas and the Black Messiah (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Você pode matar o revolucionário, mas não pode matar a revolução” – é a frase que carrega a energia que precisávamos. Judas and the Black Messiah mostra que a luta ainda não acabou.

E o jovem diretor Sasha King sabia bem do quão atual seria sua obra, tanto em repercussão e na temática, que permanece necessária, mesmo nos embarcando no cenário caótico que os Estados Unidos vivia na década de 60 – que por sinal, é divinamente reconstruída, trazendo certamente tomadas memoráveis – mostrando o início e ascensão do Partido dos Panteras Negras.

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Em contrapartida, o elenco se sobressai fortemente de quaisquer outros aspectos. Daniel Kaluuya, que interpreta Fred Hampton, líder do movimento, gera automaticamente uma confiança estrondosa em cena. Seu olhar experiente serve de refúgio em situações de calamidade. Já Lakeith Stanfield, que interpreta Willian O’Neal, infiltrado enviado do FBI para silenciar as ações se Hampton, é eficaz em constatar insegurança.

Diante dos eventos históricos já conhecidos, há uma espécie de “efeito Era uma Vez em Hollywood” – onde já sabemos para onde a trama está se encaminhando. E próximo do clímax, há o que podemos chamar de ápice energético. Mas infelizmente, nesse meio termo, o roteiro adaptado pelo próprio Sasha King, junto do estreante Will Berson, se mostra ligeiramente falho.

Acontece que a maioria dos eventos que serão desencadeados no segundo ato parecem ocorrer de forma automática, já que devem ser retratados como os fatos reais – como tivessem que ser inseridos a qualquer custo. Isso retira um pouco do brilho da apresentação inicial, que encanta pelo virtuosismo estético e contradiz com a vivacidade anteriormente vista.

O mesmo se pode dizer sobre os demais personagens, que parecem mais uma representação simbólica do que uma personificação individual, assim como a própria atmosfera, que em determinado momento, soa mais como uma ilustração do contexto político da época. Dominique Fishback, que interpreta a namorada de Hampton, não apresenta destaque em sua performance rasa, e o talentoso Jesse Plemons está apenas operante em seu papel.

Até que, a falta de impacto que até então dominava – mesmo pontualmete com cenas de destaque – é aí que chegamos no terceiro ato, onde King é cirúrgico e brilhante em escancarar a brutalidade policial e a máxima repressão  poderia ser imposta. Estamos falando do brutal assassinato de Hampton, e dos demais membros do partido, numa cena de tirar o fôlego. E mesmo após um tremendo choque, sabemos bem que seu legado jamais será apagado.

Com isso, a relativa queda durante a segunda metade pode ser ofuscada. Mas com um encerramento digno, Sasha King se consagra um dos fortes nomes de sua geração, com uma direção exuberante em estilo e em domínio da narrativa, que encanta ao som de uma trilha sonora atraente.


Veredito

Com direito até mesmo a uma pequena metalinguagem envolvendo o Oscar, Judas and the Black Messiah é potente e cirúrgico.

8/10.

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