Crítica: Batman – A Alma do Dragão (2021)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Bruce Timm e DC começam 2021 com o pé direito.


Ninguém tem dúvida de que as animações da DC Comics são grandiosas e realmente muito boas de se ver, visto Batman – A Máscara do Fantasma ou a série animada da Liga da Justiça. Portanto, podemos esperar algo muito bom em uma próxima animação, misturando elementos dos quadrinhos e com base em sua originalidade. E então, 2021 começa com tudo com Bruce Timm comandando Batman e o kung-fu, na Gotham dos anos 70, homenageando o falecido quadrinista Dennis O’Neil e expandindo ainda mais a mitologia das artes marciais presentes na DC.

Para maiores de 18 anos, Batman: A Alma do Dragão, se habilita em explorar o universo não tão visto pelos fãs, as artes marciais. Os anos 70 foram repletos de quadrinhos sobre o kung-fu, graças a O’Neil, que criou Richard Dragon, Shiva, Tigre de Bronze e outros personagens. Ele jamais imaginou que seu pontapé se elevaria aos anos seguintes, com criação de diversos personagens que utilizassem as artes marciais como seu método de luta.

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A animação começa ao estilo James Bond, já que Timm é um grande fã do agente. É até engraçado ver Richard Dragon utilizando métodos que Bond utilizaria, mas não perdendo a sua originalidade de ser um grande artista marcial. E lembra muito bem o visual de Burce Lee, para os mais fanáticos em artes marciais. Passando disso, a história da animação traz quatro alunos de O’Sensei como foco: Richard Dragon, Ben Turner, Shiva e Bruce Wayne. A premissa é algo simples. Batman continua agindo nas sombras e uma organização criminosa intitulada Cobra, sendo seu líder Jeffrey Burr, o Kobra, que está em busca da grande Naga, para que varresse o mundo e todo o mal, mas, que também, iria explorar o passado de Bruce e seu aprendizado em Nanda Parbat

E é aí que está o ponto mais interessante do longa animado, os flashbacks. Batman está no título para vender, pois aparece mais como Bruce Wayne do que como Batman, dividindo a tela com Dragon e seus outros aliados. O maior acerto, como disse, são os flashbacks, que constroem as ações futuras e toda a narrativa. A equipe de produção mostra detalhes técnicos precisos, quando conseguem transitar de uma cena para outra usando os mesmos artifícios. E o filme ainda busca inspiração nos quadrinhos e em Batman Begins.

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Posso dizer aqui que fiquei admirado em como Timm dividiu o tempo de tela de cada personagem e conseguiu desenvolvê-los tão bem, apesar do meu desapontamento com dois personagens que não poderei revelar. Porém, é visível que o protagonista é Dragon, ofuscando Bruce, mas não tanto. Esse desenvolvimento do quarteto, que foi um grande acerto, poderia ser um pouco melhor. Não que o dinamismo entre os personagens não funcione, muito pelo contrário, faltou a um ou outro algo a mais que os tornassem únicos. Há clichês sutis, por ser um filme que aborda o kung-fu nos anos 70, como o próprio desenrolar para que Lady Shiva entre na trama, mas é algo que não incomoda tanto quanto a falta de um vilão.

Apesar de vários pontos positivos, incluindo o elenco de voz e a trilha sonora, assim como as coreografias de ação, o maior ponto positivo do longa animado, e que deve ser muito bem elogiado, a falta de uma boa motivação para o vilão foi o que me deixou incomodado. É claro que há um vilão conhecido e importante para a mitologia destes personagens, mas não há um bom desenvolvimento para que ele esteja fazendo aquilo. O próprio inimigo, diz ser “o grande escolhido” para liderar o ataque contra a humanidade e que é seu destino, desde criança, mas me parece algo totalmente infantil para um filme R-Rated. Outro ponto são seus aliados, que apesar de lutarem bem, como o Rei Cobra e Lady Eve, não tiveram desenvolvimento algum. Sei que eles não são os principais, mas mereciam um pouco mais de destaque.

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Divulgação/DC Comics

Há belos momentos, sem dúvidas, como um dos ensinamentos de O’Sensei para com seus alunos em Nanda Parbat, em que cobra de Bruce e os demais tentar quebrar uma pedra. Após uma metáfora sobre o crime, Bruce persistiu, assim como em outro flashback, em que ele sofre duros golpes, cai, mas sempre se levanta. São ótimos aprendizados em que o personagem teve, para que a animação consiga passar sua mensagem. Nessa antiga leva do DCAU, agora é preciso se reinventar, e parece que a DC encontrou o ponto certo, no momento certo.


Veredito

Apesar de seus pontos positivos, como as cenas de ação e a coreografia, o maior acerto na animação, há também alguns pontos negativos que deixam alguns clichês à solta no roteiro e o fraco desenvolvimento dos antagonistas. No entanto, na reta final,Batman: A Alma do Dragão se mostra digna de sua ação, sendo uma das melhores animações do herói nos últimos cinco anos, mesmo que erre vagarosamente em sua última cena, colocando em pauta uma possível sequência.

8/10.


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9 comentários em “Crítica: Batman – A Alma do Dragão (2021)”

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