Crítica: V de Vingança (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Lançado em 2005, V de Vingança é baseado na HQ de mesmo nome, escrita por Alan Moore e desenhada por David Lloyd. A trama segue o misterioso V (Hugo Weaving) e Evey (Natalie Portman) em uma Londres governada sob um regime fascista e liderado por Adam Sutler, que curiosamente é interpretado por John Hurt, que viveu Winston Smith na adaptação de 1984, ou seja, ele conheceu os dois lados da moeda, um como ditador e outro como vítima de uma ditadura.

V utiliza todos os métodos possíveis para atacar o Estado, desde explosões até a invasão de um estúdio de TV controlado pelo governo. Mas não é apenas disso que o filme sobrevive. Todo o suspense criado em cima da real identidade de V, deixa o espectador cada vez mais curioso para descobrir a verdade. Outro fator que deixa a trama mais interessante, é o trabalho com esses ideais fascistas e de como é fácil manipular o povo com um discurso de ódio e palavras vazias e sem sentido.

O principal “problema” do longa, são os efeitos visuais nas cenas de luta, mas isso não atrapalha a experiência do espectador, já que o filme não possui problemas maiores, porque o enredo é fechado e sem furos. As atuações são boas, mas quem merece destaque é justamente o intérprete de V, Hugo Weaving, que entregou um trabalho magistral e nem precisou revelar o rosto.

O mais interessante, é que a máscara do personagem V foi baseada no rosto de Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento britânico na noite de 5 de novembro de 1605. O plano não deu certo, pois entregaram Fawkes, que acabou sendo preso, torturado e morto. Mas ao contrário da vida real, no filme, V consegue explodir o parlamento britânico durante o 5 de novembro. A cena ganha ainda mais destaque por vários fatores que não posso revelar, por conta dos spoilers, mas um deles é a trilha sonora utilizada, 1812 Overture de Tchaikovsky. A cena ganha ainda mais significado, pois naquele momento, o espectador percebe que V não era homem, nem uma mulher, mas sim, uma ideia, e ideias são à prova de balas.

Lembrai, lembrai do cinco de novembro. A pólvora, a traição, o ardil, por isso não vejo como esquecer uma traição de pólvora tão vil.

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415 anos da Conspiração da Pólvora

Veredito

V de Vingança é uma ótima adaptação, com um enredo sem furos e cheio de referências históricas. Os únicos defeitos estão nas cenas de ação por conta do CGI, porém, isso não interfere na experiência do espectador.

10/10.

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