Crítica: Convenção das Bruxas (2020)

 

Aviso: Crítica sem spoilers!


Convenção das Bruxas, adaptação do livro de Roald Dahl, é um daqueles filmes que se transformaram em clássicos da Sessão da Tarde nos anos 1990. O longa-metragrem encantou, apavorou e deixou as crianças que o assistiam com pesadelos – mesmo sendo uma obra voltada para o público infantojuvenil.

Agora, na era dos remakes e dos reboots, chegou a vez do clássico infantil sobre as bruxas malvadas e carecas ganhar uma nova leitura no cinema. O escolhido para a direção foi o grande Robert Zemeckis, responsável por clássicos como Forrest Gump – O Contador de Histórias e a trilogia De Volta Para o Futuro. O fato é, no entanto, que não conseguimos identificar traços na direção de Zemeckis presentes nas obras memoráveis de sua filmografia. É uma direção sem personalidade, sem brilho, quase que no piloto automático. A sensação que fica é que o trabalho de Zemeckis poderia ter sido feito por qualquer diretor de “aluguel”.

Poucas são as mudanças na história em paralelo com a obra original, dentre elas, a localização dos eventos, que outrora se passavam no Reino Unido, agora se passam nos Estados Unidos, mais precisamente no estado do Alabama. Inclusive, é no Alabama que vemos ocorrer uma diferença significativa na obra: a mudança na etnia dos personagens. Jahzir Bruno interpreta o menino que se depara com as bruxas e a carismática Octavia Spencer dá vida à sua querida avó, dois personagens negros que são introduzidos à esse encantado conto sobre bruxas malfeitoras. Uma mudança mais que bem-vinda.

Apresentados os personagens – após passarem o primeiro ato construindo a relação do menino com a avó -, chega o momento deles embarcarem numa aventura no mais luxuoso hotel. É curioso, no entanto, como a obra desanda após a aparição da personagem de Anne Hathaway, ao mesmo tempo que somos brindados com uma boa performance da atriz. Ela intimida – apesar do rostinho bonito para ser uma bruxa -, está à vontade no papel e atua com uma energia que lembra Anjelica Huston como a intérprete da bruxa suprema. Contudo, como dito antes, o longa desanda após a aparição da vilã, pois, ao contrário de Anjelica Huston, que era amparada por uma fascinante maquiagem, Hathaway trabalha com um péssimo uso de efeitos digitais. Na sequência da revelação das bruxas no auditório – que se tornou memorável no longa de 1990 – o uso dos efeitos especiais fazem com que as bruxas, ao invés de causarem impacto e pavor, sejam motivo de vergonha alheia para o espectador. A frustração é ainda maior quando vemos que Guillermo del Toro, grande nome da maquiagem no cinema, estava entre os nomes na produção.

Assim, vemos que os elementos que fizeram da fonte original ser tão especial, como a assustadora maquiagem e as apavorantes bruxas, não são presentes aqui, ao contrário, são trocados por vergonhosos efeitos digitais e por bruxas que são mais motivos de risos do que de medo. É melhor ficar com o verdadeiramente assustador conto de 1990.


Veredito

Mesmo com performance inspirada de Anne Hathaway, o remake de Convenção das Bruxas não empolga e se torna até cansativo, mesmo sendo uma versão mais suavizada do clássico infantil das bruxas.

5/10.

4 comentários em “Crítica: Convenção das Bruxas (2020)”

  1. Acabei de assistir e também prefiro o primeiro filme… mas meus filhos adoraram enfim foi feito para o público infantil e ele atinge seu objetivo… mas que as bruxas não dão medo e dá vontade de rir é verdade….

    Curtido por 1 pessoa

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