Crítica: Batman Begins (2005)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A pretensa de dar um tom mais sério e sombrio ao filme pode ser percebida desde os créditos iniciais, onde as logomarcas da Warner e DC Comics empregam cores mais escuras e sombrias, indiciando o que vinha por vir em Batman Begins. Aqui, os carnavalescos filmes de Joel Schumacher foram esquecidos, prevalece a visão de Christopher Nolan do personagem e a ideia de transcrever o universo do Batman para um contexto mais condizente com a nossa realidade, sem se esquecer da essencial moralidade do herói dos quadrinhos.

Mesmo aqui, dirigindo um grande blockbuster, um filme de estúdio, Nolan não deixou de abordar as temáticas que fizeram dele um diretor conceituado dentro da indústria, como a moralidade e a psique humana. Em Batman Begins, o tema principal é o medo e, posteriormente, a forma que encontramos para superá-lo. Bruce Wayne, assombrado pela morte de seus pais, resolve viajar o mundo abdicando de seus privilégios e tendo que roubar para sobreviver com o propósito de conhecer a mente criminosa. Após entrar em contato com essa nova perspectiva e se envolver com a Liga das Sombras, um grupo de assassinos com ideologias extremas contrárias às de Bruce, ele decide regressar a Gotham e usar seu medo de morcegos como uma figura para combater a criminalidade e corrupção que corroem a cidade que seu falecido pai, Thomas Wayne, tanto prezou por ajudar. Essas ideias e conceitos de moralidade evidenciam a pretensão de Nolan e de seus colaboradores de fazer o longa ser algo mais que uma simples adaptação de quadrinhos, mas uma obra especial com uma construção dramática eficaz e personagens multidimensionais.

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Um dos trunfos do longa está em Christian Bale. O brilhante ator, vindo de sucessos como Psicopata Americano, encorporou o personagem de tal forma que, até hoje, foi quem melhor interpretou o herói no cinema. O britânico conseguiu fazer com excelência a dualidade entre o playboy Bruce Wayne e o idealizado Batman. Ele distinguiu bem ambas as figuras: de um Bruce inseguro e assombrado pelo medo para a imagem de um playboy vazio – imagem que serve para não associarem seu nome ao vigilante encapuzado -, e, então, Batman, sua verdadeira face, sua personalidade idealista que acredita na salvação da cidade e aterroriza os bandidos com sua presença assombrosa e uma voz grave concedida pelo ator. Assim, Bale foi um elemento chave para a composição do protagonista de Batman Begins, este que, por sinal, é quase um estudo de personagem.

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Mas nada disso seria possível sem o controle de Nolan na direção. Com o roteiro muito bem escrito por ele mesmo e David S. Goyer, o diretor separou o longa em três atos, Bruce Wayne entrando na Liga das Sombras e se aperfeiçoando, o retorno à Gotham e suas primeiras ações como Batman e, finalmente, o embate contra Ra’s al Ghul no final. Nolan conduz essa narrativa sem tentar se apressar, com cenas de ação muito bem filmadas, um bom ritmo e que realmente desenvolve o protagonista criando elipses que deixam coerente toda a fase de amadurecimento do personagem, do vingativo Bruce Wayne ao idealista vigilante de Gotham City.

Batman Begins mostrou que poderia ser feito algo a mais em adaptações de quadrinhos, algo mais autoral e corajoso. Um filme marcante que foi um direcionamento não só para suas sequências, mas para as produções posteriores de super-heróis no cinema.


Veredito

Batman Begins trouxe a abordagem mais séria e realista que o público tanto ansiou em ver. Um filme marcante que tem muito à dizer sobre seu protagonista.

9/10.

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