Crítica: O Estranho que Nós Amamos (2017)

Aviso: Crítica sem spoilers!


A monótona e entediante rotina das mulheres que residem o internato de garotas na Virginia começa a ficar movimentada quando um homem, cabo do exército ianque na Guerra Civil Americana é encontrado ferido perto da região. As mulheres, em ato de “fé”, decidem então cuidar do soldado inimigo enquanto este se recupera. Ao momento que elas o levam para dentro e fecham o portão de casa, sentimos que iremos acompanhar não só uma relação de afeto entre as partes, mas algo que vai além, muito além.

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É interessante ver que, mesmo sendo uma obra atmosférica, Sofia Coppola opta por uma pegada naturalista, não fazendo uso de trilha sonora, enquadrando em plano abertos, sem movimentos bruscos. A atmosfera é criada através das sugestões, dos olhares, das provocações entre os personagens. As cores lavadas e escuras, portanto, não são uma mera opção estética, elas reforçam que essa história não é calorosa e romantizada como pode se imaginar, mas sim uma história de tragédia, que se revela ser um filme de horror em seus últimos minutos de projeção.

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Coppola, porém, não faz julgamento de seus personagens. Apesar de ocorrerem momentos pesados, todas as ações são justificáveis, uma figura de vilania não é estabelecida. A jovem Alicia (Elle Fanning), que poderia ser caracterizada dessa forma, não é uma figura antagônica, ela sim representa a perda da inocência, que, ao ver um homem charmoso, coloca seus anseios acima de suas crenças. Ela, assim como as outras garotas da casa, quer descobrir o desconhecido, quer algo além daquele internato, como podemos ver por diversas vezes nas cenas em que as garotas observam o horizonte, se imaginando fora dali.

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Premiada em Cannes, Coppola entrega aqui uma obra instigante que tem o sugestivo como ponto forte, uma narrativa do ponto de vista feminino, como outros filmes da diretora de Encontros e Desencontros. Mais um bom expoente de uma das melhores realizadoras da sua geração.


Veredito

Premiada em Cannes, Sofia Coppola comanda um elenco estrelado em um filme sobre a sensualidade velada pelos bons costumes.
8/10

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