Crítica: The Old Guard (2020)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Adaptação dos quadrinhos não funciona como o esperado.


Dos quadrinhos do grandioso Greg Rucka, autor de Mulher-Maravilha: Hiketeia, o período da heroína também no DC Renascimento, Gotham Central e vários outros quadrinhos importantes e conhecidos pelos fãs da DC Comics. Autor também de The Old Guard, quadrinho que acompanha um grupo de guerreiros imortais, que por anos lutaram pelo lado certo e esconderam o maior segredo de suas vidas, a imortalidade.

A minissérie criada por Greg Rucka, com a arte feita pelo argentino Leandro Fernandez, e que foi publicada pela Image Comics, ganha uma adaptação para os filmes, com a produção da Netflix, e que teria o roteiro do quadrinista Greg Rucka. Um grande desafio para o quadrinista, que já viu uma de suas HQ’s ser adaptada para o cinema, Whiteout, fracassando nas bilheterias mundiais e não conquistando os críticos. Dessa vez, teria Rucka no roteiro, para tentar seguir perfeitamente sua obra nos quadrinhos.

De fato, um grade desafio para o quadrinista, que consegue amarrar o primeiro arco de The Old Guard para a obra cinematográfica. Acompanhando um grupo de guerreiros imortais, liderados pela mais velha do grupo, Andrômaca “Andy”, os “heróis” sobreviveram muitas eras para ver o horror da humanidade de perto, e sentir na pele o que é não poder envelhecer como o restante da humanidade. O grupo é composto por Andrômaca, a Cita, esposa do príncipe Heitor, de Troia, Booker (Matthias Schoenaerts), um soldado que serviu a Napoleão Bonaparte, Joe (Marwan Kenzari), guerreiro muçulmano das Cruzadas e Nicky (Luca Marinelli), antigo templário que virou amante de Joe.

Abrindo um espaço para falar dos atores, Charlize Theron se entrega muito bem no papel, sendo a melhor do elenco. Ela cumpre o que lhe é proposto no filme, liderando a equipe com sua personagem tão carismática quanto. Claro, que, o restante do elenco não ficou para trás, mas foram ofuscados pela atriz, que talvez, seja tão mais conhecida e popular entre os fãs, comparando aos atores de The Old Guard. Theron foi o ponto positivo do longa da diretora sul africana Gina Prince-Bythewood.

Outro ponto positivo, é a trilha sonora, que, mesmo que não seja marcante, mantém a ação em bom som toda hora na história. Mas, é justamente o roteiro que deixa a desejar, tornando que o enredo seja áspero e repetido, sem que haja um mistério envolvente ou uma coerência certeira para o desenrolar da história, não aderindo ao clichê. O problema maior do roteiro está na pronta entrega de toda a trama, que fere no desenvolvimento do filme. Além disso, faltou ainda mais desenvolvimento por parte de alguns personagens, para que a construção da narrativa ficasse por completa, sem deixar pontas soltas. Talvez isso seja feito numa eventual continuação.

Para um filme de ação e fantasia, The Old Guard entrega isso com louvor, pois o filme por si só tem mais ação do que história. As coreografias nas cenas de ação são realmente boas, mas não espere que o filme entregue lutas ao estilo Batman de Zack Snyder, em Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Para um filme +18, espera-se algo mais brutal, como uma carnificina, palavrões, ossos quebrados e uma violência extrema. Porém, nem tudo isso o filme tem. A violência é nítida, com muito sangue espalhado, mas que não necessariamente remeta a algo para maiores. Mas, sendo ou não para maiores, não altera em nada o filme, e nem  tira seus méritos conquistados.


 

Veredito

The Old Guard é uma adaptação de quadrinhos que deixa a desejar em vários momentos, no entanto entrega uma ótima ação, sendo essa a proposta do filme, mas que não é o suficiente para salvar a obra da diretora Gina Prince-Bythewood. Fato é, que Charlize Theron carrega o filme, brilhando mais uma vez em um longa de ação, sendo a grande estrela do elenco.

Mesmo que a ação seja boa, com uma trilha sonora que molda estes momentos, o roteiro do quadrinista Greg Rucka não consegue acompanhar, sendo assim, um filme com a trama entregue logo no primeiro ato. The Old Guard tenta transportar o público numa ação maluca de guerreiros imortais, em duas horas de filme, que mais diverte com suas cenas de ação, do que constrói a própria história.

6/10.

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