Crítica: Legends of Tomorrow (5ª temporada)

Alerta: SPOILERS! Desça e leia por sua conta e risco.


Legends of Tomorrow não perde a essência e ainda continua sendo a melhor série do Arrowverse e uma das melhores da DCTV.


Descrever a quinta temporada de Legends of Tomorrow é difícil, e achar um erro nela é ainda mais. O final da quarta temporada deixou muita coisa em aberto do que veríamos na quinta, com Astra (Olivia Swann) usando suas moedas de figuras históricas famosas para atormentar as Lendas futuramente. Tudo não passava de um plano para se vingar de John Constantine (Matt Ryan). 

A season finale da quarta temporada no episódio “Hey, World” teve uma grande mudança na equipe e na vida as Lendas, como a Zari (Tala Ashe) deixando de existir na linha temporal das Lendas, com seu irmão Behrad (Shayan Sobhian) ficando em seu lugar, por conta dos eventos em Heyworld que alteraram a linha do tempo. Porém, com o crossover Crise nas Infinitas Terras, a equipe não se lembrava de nada que aconteceu no passado.

No pós-crise, as Lendas tiveram grandes problemas com os “bis”,  como eram chamados as figuras históricas que eram soltas do inferno por Astra. Isso culminou numa grande participação de Constantine, sendo integrado como uma Lenda, e nos conhecimentos de história de Nate (Nick Zano). A criatividade dos roteiristas e produção da série aqui, é realmente um absurdo. Trazer figuras históricas famosas do inferno, tentando colocar uma temática de filme de época, como é o caso do episódio “Miss Me, Kiss Me, Love Me”, no qual a equipe caça o gângster Bugsy Siegel. Ou, fazer uma sitcom, incluindo até Star Trek como referência. A quinta temporada foi realmente surpreendente e muito estranha.

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A primeira parte da temporada foi inteiramente focada em Astra liberando os “bis” do inferno. Rasputin, Genghis Khan, e muitos outros nomes foram atormentar as Lendas a mando de Astra, que detinha um grande poder. Não só as moedas de assassinos ou líderes políticos ela possuía, mas também a de Constantine, que em um episódio quase morreu de câncer de pulmão devido ao uso constante de cigarros. Isso é bem recorrente pro personagem, pois seu vício vem desde os quadrinhos.

E precisamos de uma pausa para falar da interpretação de Matt Ryan como John Constantine. É realmente uma das melhores performances do Arrowverse, e a melhor representação do mago nas mídias da DC Comics. Esqueça Keanu Reeves em seu filme e foque em Matt Ryan. Tanto ele, quanto os roteiristas entregaram um Constantine perfeito, sem defeito algum. A proximidade dele com os quadrinhos e animações é incrível, fazendo jus ao personagem que passa a ser amado por muitos fãs do antigo selo Vertigo. E com certeza, ele merece muito ser escalado na futura série da Liga da Justiça Sombria que está sendo produzida pela HBO Max, já que ele é a voz oficial do Constantine nas animações. Matt Ryan nasceu para interpretar o britânico.

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Os episódios conseguem rebelar vários sentimentos dos fãs, equilibrando alegria em momentos certos, tristeza, tensão, suspense e terror. Cada episódio teve um ponto especial e uma abordagem diferente, que jamais foi vista em outras séries de heróis. “Mr. Parker’s Cul-De-Sac” foi um dos episódios mais marcantes da temporada, pois trouxe Damien Darkh (Neal McDonough) de volta, e ainda teve o casamento de Ray Palmer (Brandon Routh) com Nora Darkh (Courtney Ford). A trilha sonora conseguiu criar um clima de emoção, e vemos que Damien procurava redenção – não é muito o caso em uma parte do episódio, em que Nora revela que não iria se casar com Constantine, mas sim com Ray. O casamento selou o destino dos dois juntos para fora da Waverider, que viria acontecer no episódio seguinte.

“Romeo v Juliet: Dawn of Justness”, nome que faz referência a Batman vs Superman: A Origem da Justiça (no original, Dawn of Justice), foi o episódio mais emocionante da temporada, e um dos mais marcantes de todo o Arrowverse. O episódio foi uma loucura, pois as Lendas vão para a Inglaterra nos anos de 1600, tentando reajustar a história do escritor William Shakespeare, que provocou uma peça dos heróis após vê-los em ação. Claro que, conseguiram reajustar a história, porém enquanto a peça de Romeu & Julieta, Ray Nora estavam dando adeus à equipe. Nate não conseguia aceitar que seu melhor amigo iria partir para viver sua vida, mas ao final, se arrependeu e foi encontrá-lo na Waverider.

No momento que Nate chega a nave, se perguntando onde Ray estava, o semblante triste foi o grande emocional, que se manteve quando Palmer apareceu para se despedir. É incrível a entrega de Brandon Routh tanto na cena de despedida, quanto em todo o episódio, que era totalmente focado no ator. A cena de ambos tristes, se abraçando, enquanto Zari estava atuando na peça e com sua fala ao fundo, torna a despedida belíssima, com uma grande carga emocional.

Talvez um tiro no pé por tirar Ray e Nora da equipe, pois a motivação e o coração da equipe era o Átomo, não preencheu o vazio que a equipe teve. Como Sara (Caity Lotz) disse no final do episódio, brindando em memória a Ray: “E que nos mostrou que não há problema grande demais que não possa ser resolvido com um sorriso”. A produção foi um tanto rude com Brandon Routh, que ficou insatisfeito com a saída. Havia muito há explorar. Quem sabe um dia, ele possa retornar.

Com a primeira parte da temporada finalizada, um segundo arco começa, mas que girava em torno ainda do Tear do Destino. A redenção de Astra é algo curioso, pois mesmo querendo comandar o inferno ao lado das Moiras, ela ansiava em ver sua mãe e tê-la mais uma vez, se aliando as Lendas. Com isso, a equipe ganhava mais um membro, mesmo que temporário, após a saída de Ray e Nora, e a morte de Behrad. Os episódios começavam a se tornar mais interativos numa caça a última peça para conseguir montar o Tear do Destino e ressuscitar Behrad.

As Lendas se encontram com uma das Moiras, Átropos (Joanna Vanderham), que entra em combate com Sara, quase a matando. Um pequeno arco se inicia em meio a outro, com a capitã da Waverider ganhando poderes de prever os acontecimentos futuros. Não bastasse estar cega, não poderia comandar as Lendas, deixando Ava Sharpe (Jes Macallan) no comando, conseguindo amarrar duas subtramas em uma só.

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Apesar de esperar algum poder que lhe desse super força, esse foi uma grande surpresa. O ganho de pode foi tudo graças a uma luta contra uma deusa. Os episódios seguintes trouxeram um grande dinamismo do elenco e das subtramas envolvendo cada personagem. Passando pelo deus grego Dionísio, a equipe chega a um apocalipse zumbi em “I Am Legends”. O 12° episódio pós-crise foi o mais desesperador, com certeza, com a equipe protagonizando o drama em meio ao caos. Com a imortalidade adquirida por 24 horas após beber do Cálice de Dionísio, as Lendas estavam prontas para usar o Tear do Destino, mas não contavam perder a nave para as Moiras. Sem nenhum Correio do Tempo, eles vão para um antigo bar, no qual funcionava um posto da Agência do Tempo. O tempo da imortalidade tinha se esgotado e os zumbis os alcançaram, matando quase toda a equipe, exceto por Charlie (Maisie Richardson-Sellers), que conseguiu fugir para tentar salvar o mundo e mudar as coisas.

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E, de forma inusitada salvou, os colocando na TV, em forma de sitcom, para fazer a população entender que o “regime” das Moiras era algo bom. Ela se uniu as irmãs para salvar a equipe. E é aí que entra a Zari 1.0 de volta à série. Assumindo o corpo da Zari 2.0, ela consegue fomentar a ideia de que tudo não passada de uma prisão criada pelas Moiras, colocando a equipe em séries de TV. Gary (Adam Tsekhman) e Mona (Ramona Young) entenderam o recado e conseguiram mudar o roteiro, fazendo as Lendas se lembrarem de quem são, tornando a cena marcante para a série, ao som da leveza da trilha sonora principal da série, rebuscando suas raízes.

Com a vitória parcial das Lendas, o episódio final seria o decisivo. Cabe ressaltar aqui o arco de Mick (Dominic Purcell) com sua filha. Todas as tentativas só funcionaram após Mick levá-la para a nave e se divertir com ela, junto de Nate. Porém, a trama vivida por Behrad e as Zaris ganharam mais força, na segunda parte da temporada e no episódio final. Tendo abrido mão da imortalidade por conta de Charlie (Clotho), Láquesis (Sarah Strange) consegue ainda manter voz e ordem na humanidade, juntamente com Átropos. Elas não esperavam que Clotho se viraria contra elas e as Lendas tivessem saído da televisão para derrotá-las. A batalha final acontece contra vários “bis”, sendo líderes políticos e assassinos. O final foi feliz, até certo ponto, em que Sara é abduzida, iniciando o gancho para a 6ª temporada.

Veredito

A 6ª temporada de Legends of Tomorrow é realmente perfeita, não sendo uma novela como uma vez foi na 1ª temporada. Muita coisa mudou desde então. O foco foi o Tear do Destino, incluindo muito bem a trama de Astra com Constantine. Muitas subtramas conseguiram se encaixar com a trama principal, não se desviando. A história não fugiu do que quis mostrar, não deixando pontas soltas e um gancho para a próxima temporada.

As atuações por parte do elenco principal foram ótimas, sendo Brandon Routh Caity Lotz os mais brilhantes. Por sua vez, Matt Ryan apresenta um Constantine muito próximo aos quadrinhos, assim sendo um outro destaque por sua performance. Nick Zano, Tala Ashe, Jes Macallan Dominic Purcell também não deixam a desejar, com cada um fazendo jus ao seu personagem, montando uma própria personalidade. Shayan Sobhian tem um grande futuro dentro do show de TV.

Em questão de trilha sonora, Blake Neely Daniel James Chan entregam uma faixa épica, sempre. O figurino, como sempre, muito bem feito, apesar de que as Lendas deveriam usar mais seus trajes quando pudessem, pois são suas identidades. Em meio a saída de atores, Legends of Tomorrow não caiu de produção em nenhum episódio, conseguindo fazer com que cada um passasse um sentimento, seja de emoção, tristeza ou tensão. A temporada demonstrou um grande equilíbrio entre os episódios e muito solidez, fazendo com que Legends of Tomorrow seja a melhor série do Arrowverse e a mais divertida da DC Comics.

10/10.

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