Crítica: Docinho da América (2016)

Aviso: Crítica sem spoilers!


Um filme intimista sobre a jornada de descoberta de uma jovem em chamas.


A primeira cena de Docinho da América dialoga bem com a protagonista e a ideia do filme em geral, na qual vemos a jovem Star, procurando comida no lixo e cuidando de duas crianças, que possuem pais ausentes e não recebem os cuidados adequados para com uma criança. Provavelmente essa também seja a origem de Star, e porque não, a origem de alguns dos outros integrantes da equipe que cruza os Estados Unidos vendendo assinaturas de revistas de porta em porta. Jovens desprovidos de oportunidades e de acompanhamento familiar, um problema grave e real que afeta muitas outras crianças e jovens ao redor do mundo.

Andrea Arnold entrega uma direção fascinante aqui: com câmera na mão na maior parte do tempo, bem próxima aos personagens, criando uma maior imersão e uma relação de maior intimidade do espectador para com o filme. Ela sabe bem cadenciar a narrativa, sem pressa alguma, equilibrando bem os momentos de agitação com os de maior reflexão, mas sem deixar o ritmo vagaroso em plenos 163 mins de projeção.

Temos aqui dois momentos essenciais para entendermos a protagonista: no primeiro momento, vemos que ela, ao vender uma assinatura para um caminhoneiro, tem uma conversa reflexiva com este sobre sonhos. A conversa nos mostra que Star não quer nada mais que muitos filhos, uma casa própria e uma vida feliz, algo que ela não tivera em sua vida. No outro momento, vemos Star, que ao visitar uma casa de crianças desamparadas por uma mãe viciada, decide comprar comida para estes em um ato de solidariedade, ao ver que estas crianças passam pelos mesmos problemas que ela passou um dia. Star é uma jovem inocente com espírito forte, que precisou amadurecer mais cedo que o normal, e nada mais quer do que viver uma vida simples e feliz.

Ao acompanharmos a protagonista passar pelas mais diversas adversidades durante o longa, vemos na última cena, Star libertando uma tartaruga rumo ao mar. Este momento marca o ato de libertação da personagem, de seu passado e dessas adversidades que surgem na vida. Agora ela começa a escrever sua própria história.

Veredito

Com uma grande direção de Andrea Arnold e performances inspiradas de Sasha Lane e Shia LaBeouf, Docinho da América nos oferece um refrescante drama não convencional sobre a maioridade.

9/10.

2 comentários em “Crítica: Docinho da América (2016)”

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