Superman: Do Pior ao Melhor Filme

Desde sua criação em 1938, poucos personagens foram tantas vezes adaptados para o cinema como o Superman. Diversos diretores deram sua visão do personagem e diferentes atores vestiram a famosa capa vermelha. Dito isso, em comemoração do Superman Day, decidi organizar uma lista com todos os filmes do Homem de Aço que Hollywood acabou produzindo, e então, organizá-los em um ranking do pior ao melhor filme do Azulão. Confesso que a tarefa de ranquear a lista não foi das mais complicadas, pois acredito que haja uma grande diferença de qualidade de um filme para outro, ainda mais em relação do primeiro colocado aos outros – acredito que todos saibam qual é o primeiro colocado até aqui, mas se preparem para relembrar das marcantes (nem todas) aventuras do Homem de Aço no cinema.

7 – Superman IV: Em Busca da Paz (1987)

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Após o fracasso de Superman III, os produtores continuavam à espremer os limões da imagem de Christopher Reeve como Superman até onde não dava mais. A Warner havia deixado a produção do quarto filme à cargo da Cannon, responsável por produzir diversos filmes B de qualidade questionável. Os problemas vinham desde os bastidores.

Nem mesmo a interessante premissa de vermos o Superman tentando impedir a corrida armamentista no auge da Guerra Fria salvou o filme de ser um fracasso retumbante. Na verdade, Sidney J. Furie abandona essa promissora ideia para realizar um pobre combate de herói contra vilão, um dos vilões mais genéricos que você vai ver inclusive, criado a partir de um fio de cabelo do Homem de Aço. O resultado: um filme preguiçoso, cafona e totalmente esquecível. Se salva apenas o belo discurso do Superman contra a Guerra Nuclear.

6 – Superman III (1983)

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Em Superman III, o tom mais galhofa do filme é estabelecido desde o bizarro prólogo de começo em que vemos uma sucessão de gags pretensioasamente engraçadas acontecendo em Metrópolis, bem ao estilo de uma comédia pastelão. E claro, pela participação do comediante Richard Pryor. Richard Lester, que havia dirigido parte de Superman II, esquece o tom de aventura, que vinha dando certo, e opta por este humor exagerado que acaba não funcionando de forma alguma com a imagem estabelecida do Superman.

Os pontos altos são o maior destaque para a relação de Clark e Lana Lang em Smallville e a abordagem “maligna” do Superman quando o personagem se divide em dois. Mas que não são suficientes para salvar o filme de um roteiro falho e de uma constante mudança de tom.

5 – Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Poucos filmes dividiram tanto o público como Batman vs Superman, há quem ame e há quem odeie. Fato é que o encontro dos dois maiores personagens dos quadrinhos no cinema merecia muito, muito mais do que nos foi apresentado. Na tentativa de competir com a Marvel Studios, que vinha fazendo sucesso com seu universo compartilhado, a Warner decidiu que era a hora de um Universo Compartilhado da DC. O primeiro exemplar dessa empreitada foi O Homem de Aço, e o segundo filme seria responsável por realizar o esperado encontro de Batman e Superman no cinema.

A problemática foi que a Warner colocou a “carroça por cima dos bois”, se assim posso dizer. Pois além de ter que reunir os dois heróis e ter uma justificativa plausível para os dois se enfrentarem, Zack Snyder tinha que apresentar outra grande heroína dos quadrinhos, a Mulher Maravilha, e ainda servir de ligação com o futuro filme da Liga da Justiça que seria produzido. O resultado foi um filme duro, inchado, que, apesar de ter momentos marcantes e uma premissa interessante, acabou sendo um fracasso de crítica e dividiu os fãs que esperavam há tanto tempo o encontro destes ícones no cinema.

4 – Superman II: A Aventura Continua (1980)

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Os bastidores de Superman II são mais conhecidos por serem um dos mais conturbados do cinema. Alguns desentendimentos entre Richard Donner e os produtores acarretaram na demissão do diretor, o que causou diferenças significativas na produção do longa. Alguns dos envolvidos na produção foram embora juntos de Donner, até mesmo Gene Hackman não aceitou fazer as cenas que faltavam como Lex Luthor, a Warner fez cortes no orçamento (o que é notável nos estranhos efeitos especiais que acabaram envelhecendo muito mal), mas principalmente, a maior diferença no resultado final foi a contratação do diretor Richard Lester, que optou por dar uma “suavizada” no herói, à vontade do estúdio.

Mas apesar de tantos problemas, o resultado final é agradável. Somos brindados com a magnética presença de Zod, um vilão simples, mas imponente que apresenta uma real ameaça ao Homem de Aço. E ainda temos divertidas cenas da Lois tentando adivinhar a real identidade de Clark/Superman, somado ao interessante conflito que permeia o protagonista: deixar de ser Superman para viver como um homem qualquer ao lado de sua amada, ou continuar sendo o guardião da paz? Ideia que humaniza o personagem e amplia seus conceitos.

3 – Superman: O Retorno (2006)

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Chegamos ao filme mais injustiçado desta lista ao meu ver, sim, Superman: O Retorno. Após o grande sucesso de Batman Begins em 2005, a Warner aproveitou a oportunidade e percebeu que não tinha porque não produzir mais um filme do maior personagem dos quadrinhos, que não ganhava uma produção nos cinemas há quase 20 anos. Vindo da franquia de sucesso dos X-Men, Bryan Singer, dito como um fã do Superman, foi o escolhido para dar continuidade a mais uma adaptação do Azulão nas telonas.

E porque digo que Superman: O Retorno foi um injustiçado? Bom, antes de tudo, a proposta de Singer era bem sincera, trazer de volta tudo aquilo que outrora havia nos encantado nas adaptações com Christopher Reeve e com direito a volta do icônico tema de John Williams (agora adaptado pelas mãos de John Ottman). Singer aplicou uma hábil direção e nos presenteou com momentos marcantes, como a icônica sequência do Superman salvando as pessoas no avião, um momento de exímio trabalho de direção e sonoridade. Claro que nem tudo são acertos, temos um real problema de roteiro envolvendo o mirabolante plano do Lex Luthor de criar um continente a partir de cristais da Fortaleza da Solidão, que beira o bizarro. Temos também o problema de interpretações: a tarefa de Brandon Routh era bem complicada, suceder Reeve que havia personificado a imagem do herói, e mesmo com a fisicalidade semelhante ao ator, Routh não conseguiu esboçar tamanho carisma do saudoso Christopher Reeve. Kate Bosworth nem se fala, inexpressiva, não fez jus ao nome de Lois Lane de Margot Kidder. Mas mesmo diante destes problemas, o resultado final é um filme agradável, que homenageia e entrega uma visão mais profunda e romantizada do personagem, que o difere da maioria dos blockbusters recentes.

2 – O Homem de Aço (2013)

O Homem de Aço foi responsável por dar o pontapé inicial do Universo Compartilhado da DC, e acredito que foi um bom começo. Christopher Nolan, que vinha do sucesso da marcante trilogia Cavaleiro das Trevas, e Zack Snyder, escolhido para ser o diretor do longa, encabeçaram a ideia de um Superman mais realista e humano, atualizado para um contexto mais atual. Devo dizer que gosto dessa nova visão e reformulação do personagem, ampliando sua mitologia sem perder o ar de esperança digno de Superman.

Snyder comandou um elenco de peso aqui: Henry Cavill, Amy Adams e Russell Crowe são apenas alguns do grande elenco do longa. Henry Cavill em especial, soube bem convencer das inseguranças de um Clark Kent que sentia medo de se revelar para o resto do mundo, até passar o ar esperançoso que requer o personagem. Snyder aplicou aqui uma boa direção, equilibrando bem momentos mais intimistas do personagem com fascinantes cenas de ação, sem faltar as belíssimas composições visuais, características do diretor. Não se prendendo ao passado, e visando o futuro, O Homem de Aço veio para dar uma nova visão do personagem e apresentá-lo para uma nova geração de fãs.

1 – Superman: O Filme (1978)

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Este foi o filme que nos fez acreditar que o homem poderia voar. O que falar de Superman? Com certeza uma das melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Este clássico de Richard Donner veio na crescente de blockbusters como Tubarão, Star Wars, Indiana Jones, filmes com um grande orçamento que levavam multidões aos cinemas.

Richard Donner soube equilibrar aqui uma divertida aventura com um bom drama de forma bem inteligente, uma bela construção narrativa e um bom desenvolvimento de personagens. Donner nos presenteou com momentos magníficos como a magnética cena do Superman salvando Lois do alto de um prédio, ou o encantador momento em que o Superman leva Lois para voar, momento fascinante e encantador, a química dos dois atores era impressionante.

Os efeitos especiais foram revolucionários, efeitos que convencem até hoje, e como já dito antes, fizeram acreditar que o homem poderia voar. E não poderia deixar de citar a icônica e imortal trilha de John Williams, que arrepia qualquer um que ouvir aquela espetacular abertura. E o melhor, os personagens: Christopher Reeve entregou a personificação máxima do altruísmo e do símbolo de esperança do Homem de Aço, para sempre, o Superman definitivo. Margot Kidder formou o par ideal de Reeve como a destemida e apaixonante Lois Lane. Gene Hackman deu vida a um divertido e brilhante Lex Luthor. E ainda fomos brindados com a participação do genial Marlon Brando, eterno Don Corleone, agora, eterno Jor-El, pai do último filho de Krypton.

Superman: O Filme é um clássico do cinema e das adaptações de quadrinhos, uma referência quando se trata do Superman, primeiro e maior herói dos quadrinhos, um filme que sempre vai permanecer nas mentes e corações dos amantes de cinema e dos fãs do Homem de Aço.

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