Superman Day: Verdade, Justiça e o jeito Americano. Por que o Superman ainda importa?

Hoje é celebrado o Superman Day, dia em que a DC Comics designou para celebrar seu maior super-herói de todos os tempos e o mais icônico dos quadrinhos. Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster ainda em 1933, o Superman foi revitalizado e posto em um quadrinho apenas em 1938, estreando na banda desenhada Action Comics #1. Com certeza, foi um marco, pois os fãs de heróis estavam acostumados com tiroteios no faroeste com o Cavaleiro Solitário, ou  com o lado detetivesco do Besouro Verde nas rádios. Mas, ter alguém poderoso, capaz de pular altos prédios e correr mais rápido que um trem é novidade.

Mas muitos ainda perguntam. Por que o Superman ainda importa? Não é porque ele foi o primeiro a ter poderes, ou fazer sucesso e vender muitos exemplares, mas, é pelo fato do que ele significa. O que ele transmite para as pessoas, nos quadrinhos, animações ou filmes. É pelo fato do personagem levar esperança, algo que o mundo sempre precisou.

Quando seus quadrinhos chegaram às bancas, houve um estrondo em vendas, estourando os 200 mil exemplares, que se esgotaram rapidamente. As tiragens aumentaram em 1939, e tiveram de criar uma revista dedicada exclusivamente ao Superman – muito merecido, aliás. Fizeram isso também com o Batman, antes participante da Detective Comics. Os quadrinhos do Superman chegaram em boa hora, pois era começava a Segunda Guerra Mundial, e muitos soldados liam nas trincheiras quando a calmaria tomava os campos de batalha. Mas, mais do que isso, o Superman foi um símbolo de esperança para muitos, sendo o alicerce da DC Comics, juntamente com Batman (justiça) e a Mulher-Maravilha (paz). Era tudo o que o mundo precisava naqueles tempos sombrios.

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Não demorou muito para o super-herói ter uma série animada e séries em live action, com Kirk Alyn e George Reeves. Quem não se lembra do famoso jargão “é um pássaro? É um avião? Não, é o Superman!”. Ou a própria música da animação dos anos 1940,  dando um tom de heroísmo certeiro para o Escoteiro. Era o tema da verdade, justiça e do jeito americano.

A popularidade era imensa, e o trabalho seria em dobro para os criadores Jerry Siegel e Joe Shuster. Mesmo querendo inicialmente serem os responsáveis por toda a história, ambos começavam a se cansar pela sobrecarga do trabalho, obrigando Shuster a criar um estúdio para ajudá-lo na produção de arte. O vilão mais icônico do Superman, Lex Luhtor, surgiu na mão dos criadores, além também do Mestre dos Brinquedos. Mas, mesmo que os dois criadores tenham iniciado a chamada “Era de Ouro”, e feito o maior vilão do Azulão, deixaram de fazer algum vilão que pudesse combater de igual para igual o Superman em sua própria revista de quadrinhos. As histórias basicamente eram o Superman enfrentando capangas armados ou um cientista louco, que tentam matá-lo a todo custo, mas que falham. Tudo bem, olhando para a época é entendível, pois era o começo dos quadrinhos, mas a falta de um Bizarro ou Metallo para fazer frente com o Superman era muito vigente, tornando as histórias quase sempre repetitivas.

Mesmo depois com os problemas judiciais com os criadores, a DC Comics investiu pesado no Superman, dando início a “Era de Prata”, a qual muitos vilões foram criados, incluindo Brainiac, Bizarro, Metallo, Parasita e muitos outros. Não só vilões, mas expandiu ainda mais sua mitologia com a criação da Supergirl, sua prima, e ainda Krypto, criado em 1955, um ano antes do início da “Era de Prata”.

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Sem dúvidas, a “Era de Prata” que durou até o início dos anos 70, foi uma ótima revitalização do Superman em sua personalidade, e que conseguiu abranger mais ainda a mitologia do super-herói, criando novos inimigos e histórias clássicas – além da melhoria no símbolo, que é muito atual até hoje.

Com o pontapé da “Era de Bronze”, o Superman mergulhou para histórias mais maduras. Em uma delas, ele se questionou se suas ações estavam surtindo efeitos positivos para a humanidade, ou se ele estava intervindo de tal forma que a humanidade já não dependia mais dele. Com os quadrinhos indo bem, o Escoteiro veio a ter uma chance nos cinemas nas mãos de Richard Donner e Christopher Reeve no papel. E isso deu muito certo. Muito certo mesmo! Reeve e Donner remodelaram para sempre o Superman. Em 4 filmes, o ator conseguiu passar o que o Superman significa, de fato. Um super-herói que leva a esperança no peito, e que todos esperam ser salvos. Que passa confiança por sempre falar a verdade, agir ao lado da justiça, e viver do jeito americano.

Mas quando Reeve vestia a capa e entrava em ação, a magia acontecia. Algo que circula nossa mente e impregna nela, transformando aquilo em algo muito belo aos nossos olhos. Era como se realmente o Superman fosse de verdade – e o Reeve era. O primeiro filme surgiu com algo tão inovador para a época, causando tamanha admiração que após mais de 40 anos, muitos ainda veem com bons olhos, e o colocando como o melhor filme do Superman, o que não deixa de ser verdade, pois tanto o primeiro quanto o segundo filme, mostram a leveza do herói, trazendo todos os pontos positivos que ele necessita. A personalidade carismática, otimista e sempre verdadeira do Homem de Capa, faz o telespectador ficar encantado para sempre.

Reeve, em 4 filmes, conseguiu equilibrar muito bem seu lado civil como Clark Kent e heroico como Superman. É nítido o relaxamento de Clark sob os ombros, todo desajeitado, ignorando por muitos, mas tão humilde quanto a própria palavra. Era uma atuação fora do sério, pois ao vestir o traje, ele engrandece, alinhando os ombros, com suas mãos na cintura, sua capa esvoaçante contra o evento, seu sorriso que encanta e seus olhos que brilham.


Há muito o que falar, mas é preferível resumir, pois eu poderia falar sobre o Superman do Reeve por muitos parágrafos. Ele não entrega uma atuação. Ele entrega sua vida ao personagem. Seu brilhantismo como Superman modelou para sempre o Escoteiro, não porque ele salva as pessoas ou pula de prédios e pode voar. Porque ele apresenta um carisma tão grande que nunca foi visto anteriormente no Homem de Aço. Sua versão vira definitiva para todas as mídias, pois, era de fato o Superman que deveria ser para todo sempre. O super-herói que zela pela paz, leva esperança, sabendo discernir facilmente o certo do errado, não tendo se acostumado com a violência humana. Muito pouco ele usou a violência, apenas com outros seres poderosos como ele. E isso o torna tão especial quanto os outros heróis. Pois, pra ele, a violência não é a justificativa de sua moralidade. Não leva a nada. Apenas a tragédias, que ele consegue evitar por optar a não usar a violência.

E não é possível não falar da inocência de Clark mais uma vez, pois sua atuação, a visão de Donner diante de Kent, tem sido levada por mais de 40 anos em todas as mídias. A revolução, tanto cinematográfica, por usar efeitos especiais avançados para a época, quanto na própria personalidade do personagem, faz Superman ser o que é hoje graças ao ator que nos fez acreditar que homem poderia voar. Sua versão é definitiva e o legado deixado é imenso, por nos fazer acreditar que o Superman uma vez já existiu, e que não podemos perder a esperança jamais! Obrigado, Reeve.


E ainda mais, agora sobre o seu tema principal, o Superman March do gênio John Williams. O diretor Donner gostou tanto da trilha de abertura que aderiu ela ao filme, fazendo ser a música tema do Superman. Sendo tão grandiosa quanto seu filme, revezando o tema de aventura do herói, até a calmaria e o amor do tema com Lois. A música é tão conhecida, virando definitiva para o Azulão, pois cada um que escuta, mesmo que não tenha visto o filme, remete à imagem do Superman. O filme atravessou gerações, e ainda não envelheceu nada. Ele continua tão atual quanto muitos outros.

Após o papel de Christopher Reeve ter imortalizado o Superman, muitas coisas viriam acontecer ainda. John Byrne modernizou o herói nos quadrinhos, porém deixando de lado algumas coisas como a própria Fortaleza da Solidão, mas ainda manteve sua essência de levar esperança e ser o super-herói do mundo. Alan Moore, por sua vez, finalizou toda sua história da “Era de Ouro”, fazendo o Superman quebrar seu código para salvar seus amigos, ir até uma sala para se expor a kryptonita dourada, ficando sem seus poderes permanentemente, e deixando a capa, nunca mais retornando e com sua obrigação com o mundo terminada. Ele estava satisfeito com aquilo.


Com a nova modernização, o herói chegou a se casar com Lois Lane muitos anos depois, mas antes teve de dar sua vida por Metropolis, enfrentando até a morte o Apocalipse. Por um tempo, Metropolis se sentiu na obrigação de ficar sem seu Guardião. Seu sacrifício não foi em vão, pois a população entendeu que ainda devia manter a coragem e esperança. Outros 4 Superman tentaram proteger Metropolis, sendo um deles o vilão, enquanto Kal-El estava sendo “ressuscitado”. Seu retorno o deixou mais forte, e toda a população ficou surpresa por ver o protetor da cidade voar com seu traje azul e capa vermelha nos céus de Metropolis, sempre atento.


Com isso, os quadrinhos ganham grande destaque, e com o sucesso da série animada do Batman, o Superman ganhou a sua. Mantendo todos os valores, e dando um ar ainda mais heroico pro Azulão, o Superman da série animada é realmente incrível, sendo uma das melhores representações do Capa Vermelha nas mídias. Sua astúcia em deter a todo custo o perigo contra sua cidade, faz lembrar muito o Superman de Christopher Reeve. A abertura, juntamente com a trilha da grandíssima compositora Shirley Walker, dá ainda mais um aspecto heroico para animação.

Não só na própria série animada, mas também na série animada da Liga da Justiça. Mesmo que ele se segurasse muito por ter medo de causar um grande estrago, em um episódio ele realmente se solta, mostrando sua verdadeira força a Darkseid. A voz do Guilherme Briggs faz a cena ser arrepiante.

E vivendo apenas de quadrinhos e animações por um tempo, o Superman ficou em hiatus nos cinemas, até que Bryan Singer lavou as mãos, colocou suas luvas, e pegou uma imagem do Superman de Reeve e teve a brilhante ideia e fazer um filme com as características ao de Donner. Com o sinal verde da Warner Bros., pois Batman Begins foi um sucesso, investir num filme do Superman seria uma ótima jogada. A escalação de Brandon Routh caiu como uma luva para Superman: O Retorno. O filme mostra um Superman ainda mais poderoso, mais rápido, mais tudo. Tentar se assemelhar ao Superman original é muito difícil, mas Routh conseguiu pelo menos fazer com que seu Clark fosse igualmente ao de Reeve. Sempre desajeitado e ignorado. O Superman ainda passou seu ar heroico e esperançoso, mas não a ponto de se parecer totalmente com o de Reeve.

A entrega do ator foi grande, trazendo muitos valores antigos ao Superman, e juntando com os novos, e claro, sem faltar referências. E quando digo isso, é porque a referência é linda.


Uma outra observação, é seu papel como Superman no crossovers Crise nas Infinitas Terras. Mais uma vez, entrega um Superman tão próximo ao de Christopher Reeve. Uma atuação incrível.

E por um outro breve momento, viveu de muitas animações, vários quadrinhos. Muitas histórias nas HQs, como Grandes Astros ou Origem Secreta, foram feitas no mesmo ano ou antes que Superman: O Retorno. O Homem de Aço bebeu da fonte das animações, até que em 2013, Zack Snyder dirigiu O Homem de Aço.

Com Henry Cavill no papel, o filme foi algo muito mais sério e fora dos padrões vistos nos filmes anteriores. Não tem nada de Superman que pouco usa a violência para não causar tamanha destruição na cidade como nos desenhos, ou um herói mais otimista e caricato como Reeve. Há aqui, um Superman mais humanizado, mesmo que ainda poderoso. Snyder quis trazer um filme mais próximo da realidade para o personagem. Em Homem de Aço a personalidade estava um pouco mais amenizada, mas em Batman vs Superman já era um super-herói arrasado por conta de uma grande parcela da humanidade contestar suas ações. Mas ainda assim, não deixou de ser o Guardião de Metropolis, salvando o mundo e a cidade mais uma vez. Ele se sacrificou para que o mundo acreditasse em seu valor, e tivesse esperança, pois era o que significava seu símbolo.

Em Liga da Justiça, seu retorno quando já está consciente, traz uma ótima personalidade, lembrando o herói que o Superman de fato é. Um super-herói que acredita na verdade, mas é um grande fã da justiça.

Por que o Superman ainda importa? Porque ele não é apenas um super-herói. Para muitos, ele é a sua inspiração para fazer sempre o certo. Sempre está ao lado da verdade e da justiça, por mais que seja uma missão difícil muitas vezes. O Superman ainda importa por ele ser o herói que passa a esperança, mesmo no pior momento de sua vida, pois sem esperança, a humanidade não teria no que acreditar. O mundo ainda precisa de você, Superman!

Em memória a Christopher Reeve.

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