Crítica: Cisne Negro (2010)

Aviso: Crítica sem spoilers!


O que vale para chegar à perfeição?


Antes mesmo de dirigir Cisne Negro, Darren Aronofsky já havia explodido para o mundo com filmes como Réquiem Para um Sonho, O Lutador, entre outros. Filmes intrigantes que haviam conquistado crítica e público ao redor do globo. Cisne Negro, então, chegava sendo um grande sucesso, recebendo diversas premiações – inclusive 5 indicações e 1 estatueta no Oscar de 2011. Assim, o filme chegava para reafirmar Aronofsky como um dos grandes nomes do cinema contemporâneo.

Assim como em Réquiem Para um Sonho, e grande parte do cinema de Aronofsky, Cisne Negro carrega a marca do diretor: um filme singular, com atmosfera pesada e um efeito entorpecente que gruda ao espectador por um bom tempo após o término da projeção. Um filme que fica no imaginário das pessoas durante dias e dias.

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Desde um primeiro momento, somos inseridos a um ambiente hostil, envolto de muita rivalidade e pressão, num clima muito opressivo. Ficamos com o pressentimento de que algo ruim deve acontecer a qualquer momento. A direção de Aronofsky é muito eficaz nessa construção de atmosfera, usando de cores frias e carregadas, uma trilha agoniante – Clint Mansell novamente repete a parceria com Aronofsky aqui -, sob uma grande melancolia presente no roteiro; vemos a fundo a degradação física e mental de Nina (Natalie Portman), e toda a metamorfose que corroe a personagem internamente.

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Natalie Portman entrega aqui, com certeza, uma das melhores atuações da década. Dando muita veracidade a personagem, ela convence em seus momentos de angústia, de desconforto, de insegurança e trás uma grande performance corporal na catarse final da obra. Uma atuação colossal.

E podemos, por que não, relacionar a metamorfose da protagonista com o nosso cotidiano: Nina sonha em ser uma grande bailarina, persuadida pelos outros a ser “perfeita”, ela sofre das mais diversas formas de pressão e abuso, isso acaba a corroendo internamente. Toda essa metamorfose pode ser relacionada às pessoas que sofrem muita pressão no dia a dia, seja no ambiente de trabalho, de estudos, nas relações, que, assim sendo, fazem dessas pessoas se cobrarem excessivamente e/ou serem persuadidas a fazerem coisas que não queiram para assim chegarem ao estado de “perfeição”. Dessa forma, Aronofsky nos entrega uma obra singular, subjetiva, que reflete bem muitos aspectos da nossa sociedade.


Veredito

Com performance histórica de Natalie Portman e uma direção inspirada de Darren Aronofsky, Cisne Negro é um filme que, além de servir como uma metáfora social, nos mostra qual o preço para se chegar à tão desejada “perfeição”.

10/10.

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