Crítica: Rei Leão (2019)

Alerta: SPOILERS a seguir. Desça e leia por sua conta e risco!

Um dos filmes mais esperados do ano, talvez o mais esperado pelo público durante toda uma vida, chegou aos cinemas. Rei Leão. De animação, para os gráficos impecáveis do novo filme. Por que o filme desagradou os críticos, mas ainda assim, é muito bom?

Bom, vamos aos fatos. Com a alta tecnologia presente nas épocas atuais, fica fácil de fazer muita coisa. Não foi à toa que o uso do ultra-realismo no filme o fez ter gráficos incríveis, desde os animais presentes em todo filme, até a paisagem magistral no qual ele se passou. Não só isso, mas também as passadas de um leão nas dunas do deserto do Saara. A pata afundando na areia, o detalhismo tão bem usado deixa para o espectador, um clima ainda mais esplêndido, fazendo-o prestar atenção em tudo.

Vamos a primeira parte. Os primeiros pelo menos 40 minutos (até a morte de Mufasa) de filme são gloriosos. A apresentação de Rafiki (John Kani) para todo o reino, Mufasa (James Earl Jones) ensinando Simba (Donald Glover) e outras cenas mais como, Scar com Mufasa, o encontro com as hienas… O confronto de Mufasa com as hienas. Um espetáculo, se podemos dizer.

Primeiro, vamos analisar o vilão, Scar. Logo no começo do filme, o ciclo da vida é dito pelo irmão do rei Mufasa. Também, já aparecem na mesma cena, Zazu e logo depois, Mufasa. Uma conversa mais curta sobre o melhor em combate, e nada tão muito abrangente. Mas, destaco, que o vilão é ainda mais importante do que na animação. Ganhou um tempo de tela maior. A voz consegue amedrontar. O cinismo e ironia que ele usa em certos momentos é fora de sério. É como se fosse uma mistura de vários vilões, convertido para um.

É tão convincente que conseguiu o que queria. Levar na inocência Simba, para ir até o lugar proibido, Cemitério de Elefantes. Claro, após a líder da alcatéia e os outros membros tentarem pegá-lo junto com Nala, Mufasa apareceu para salvá-lo. E é aí que entra a chave para o filme.

“Olhe para as estrelas. Os grandes reis do passado estão lá zelando por nós. Então quando se sentir sozinho, apenas lembre que esses reis irão guiá-lo. E eu também.”

A frase é levada até o fim do filme, quando Simba realmente toma atitude para vencer seu tio. Ainda ressalta que, Mufasa nem sempre estaria ali junto de seu filho, referindo-se que um dia ele seria uma estrela no vasto céu.

Tudo estava nos planos de Scar, e aí chega a fatídica cena. A morte de Mufasa. Para muitos, a morte na animação ainda consegue ser mais emocionante. Para outros, no cinema tem o mesmo tom. E tem. Não só a cena tão realista que queriam fazer, mas a trilha, que ajudou muito para que fosse tão emocionante como na animação.

E após este evento, um alívio cômico maior surgiu. Timão (Billy Eichner) e Pumba (Seth Rogen). Os dois no filme conseguiram transmitir muitas risadas, além da nostálgica música ‘Hakuna Matata’ e ‘The Lion Sleeps Tonight’. Ambos, além das hienas Kamari (Keegan-Michael) e Azizi (Eric Andre) foram o alívio cômico do longa. Mas, em minha opinião, quem se destaca mais entre os 4 é Seth Rogen. Caiu como uma luva no personagem.

E claro, já falando dos dubladores, Chiwetel Ejiofor conseguiu transmitir um vilão incrível, James Earl Jones com toda sua classe foi perfeito, Beyoncé, na voz de Nala consegue ser surpreendente, mas não tão ótima. John Oliver como Zazu e Billy Eichner na pele do Timão, mantém o tom engraçado. Porém, apenas fiquei incomodado com Donald Glover. Especialmente na canção ‘Hakuna Matata’.

Dando uma pausa no roteiro, as canções foram muito bem cantadas, é claro. Tirando a inédita, feita especialmente para o filme do diretor Jon Favreau, ‘Spirit’ cantada por Beyoncé. A música em si não fechou com o filme e a cena mostrada. ‘Be prepared’, que no original é cantada por Jeremy Irons (Scar), também não foi lá aquelas coisas. Claro, a impregnação do realismo não deixou que fizessem todo aquele espetáculo do longa de 1994, mas poderiam ter feito algo melhor. Também, a trilha sonora composta novamente por Hans Zimmer (Trilogia do Batman e Piratas do Caribe), é magnífica. Consegue mostrar um certo heroísmo e passar inspiração, especialmente nas cenas com o Mufasa. Um destaque é para a batalha final. A trilha consegue ser leve e tensa quando as cenas mudam, e no timing certo.

“Está vendo? Ele vive em você.”

O final é épico. Uma derradeira incrível, desde a cena em que Simba vê o reflexo de seu pai na água, até a luta contra seu tio. Juntou-se as cenas de ação com a trilha e formou algo agradável de ser visto, segurando o cinéfilo a todo momento na cadeira. O que mais pode surpreender é ainda o Scar, conseguido virar o jogo nos momentos finais, dizendo quem matou Mufasa na frente de todos, fazendo, então, Simba confessar, mesmo sabendo que era mentira. A cena da morte de Mufasa se repete, agora Simba quem está para cair. O fogo que foi criado através do relâmpago, dá um aspecto vilanesco e de uma verdadeira batalha para o filme. A confissão de Scar para Simba foi a gota d’água para que ele perdesse o trono. Pulando logo pro final, ao longo de toda a luta, a melhor batalha estaria por vir. Scar e Simba, já sobre a pedra, o vilão ainda tentava argumentar que estava fazendo para o bem, que iria dizimar as hienas e tudo mais. Obviamente, as hienas escutaram. Após cair da pedra com um dos golpes de Simba, as hienas o mataram, mesmo ele tentando dizer que tentava enganar seu sobrinho.



Veredito

E bom, sem querer comparar tanto com o longa original, o filme em live-action passa ao telespectador uma sensação única, trazendo leveza, tensão e o tom certo de comédia, que não estraga o filme, apenas o alavanca para ser um filme que toda a família possa assistir. Um filme mais pé no chão, apelando ao excesso de realismo. O maior acerto foi sem dúvidas, Scar, que perdeu sua “leveza” da animação e virou realmente um vilão sem sentimento algum. Movido apenas a inveja. E sem dúvidas, Seth Rogen e Billy Eichner nos trouxeram um Pumba e Timão igual ao clássico. Engraçados e medrosos no tom necessário.

O desacerto, talvez tenha sido a música ‘Spirit’, da cantora Beyoncé, a interpretação dela como Nala, Glover como Simba e ‘Be prepared’. Era perceptível que a cantora não conseguia transpassar a emoção em certos momentos que a personagem precisava, diferente de Glover. Já o cantor, apesar de ter sido uma escolha interessante, não combinou de fato com o personagem. E além disso, na canção ‘Hakuna Matata’, ele extrapolou na entonação. Já na canção de Scar, faltou algo mais megalomaníaco, como na versão original.

Contudo, o filme é divertido, levando a magia e nostalgia do antigo para as telas do cinema em versão live-action.

8,5/10

O filme já faturou US$ 564 milhões ao redor do mundo. Confira o trailer:

https://youtu.be/7TavVZMewpY

Em exibição nos cinemas.

Uma consideração sobre “Crítica: Rei Leão (2019)”

  1. Rapaz, fez uma análise justa e bem explicada. Confesso que nunca vi a animação original, nunca me atraiu. Mas quem sabe eu não veja esse filme? O elenco me chamou atenção, assim como seu visual. Já tendo Hans Zimmer ganha meio ponto comigo!

    Curtido por 1 pessoa

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